Segredos e Mentiras
15 Necessidades
Notas iniciais
Eu não vi mais Edward. Alice conseguiu me deixar ocupada demais com exigências que me levaram até mesmo para uma rápida compra em um mercado mais próximo, um tipo de queijo que ela tinha encomendado e que ela deu meu nome para entrega. Eu estava cansada demais quando cheguei em casa, mas mesmo cansada eu pensei em como seria bom ter algo como aquele computador para ver as mensagens de Edward. Tinha mensagens, mas eu não tive tempo para ler com toda a movimentação.
Quando eu saí de casa na manhã seguinte, o tempo cinza e frio me fez refletir como esse dia seria penoso. O frio estava estranhamente intenso, mas era algo bom. Muito bom. Refletia como eu me sentia. Em dias como esse eu me sentia péssima por não estar com papai, mas isso tinha ficado para trás. Eu precisava me conformar com isso.
— Bom dia senhorita Swan. – Bill me cumprimentou e eu apenas sorri de leve. Eu queria mais do que nunca ficar sozinha.
Respirei fundo quando comecei a fazer minha limpeza, esqueci a sala de reunião e precisei correr para deixá-la pronta a tempo de Alice chegar. Eu esqueci as panquecas no fogo e acabei queimando mais do que realmente cozinhando. Desisti de um café da manhã elaborado quando percebi que minhas mãos tremeram um pouco quando fui arrumar a bandeja. Pães, geleia, suco, ovos fritos simples e bacon. Alice veio pegar em sua usual elegância e ar de superioridade e fiquei encarando ela por alguns segundos.
Alice sabia o que era sofrimento? Alice algum dia precisou se afastar de tudo e de todos? Ela conhecia a dor como eu conhecia? A decepção? E como sempre naquele dia tudo ficava distante e pequeno. Verifiquei as horas vendo que precisava arrumar a sala para eles almoçarem e acabei sem querer passando pela sala de reuniões.
— Edward eu acho que precisamos repensar sobre a equipe. – senti um frio na espinha. Eu tinha certeza que ela estava falando de mim e isso me deixou com medo. Não era um dia bom para isso.
Respirei fundo sentindo o ar entrar e não ter o mesmo efeito de me acalmar. Saí sem ouvir a resposta de Edward e fiz meu trabalho sentido meu corpo doer e querendo minha casa. Alice arrumou o almoço como quis, eu vi como ela fazia de forma errada, mas nem mesmo cogitei falar com ela. Eu precisava ir para casa.
— Você está liberada. – eu olhei para ela sem realmente vê-la. Comecei a arrumar a cozinha sem pensar nas horas ou porque a própria Alice tinha me liberado. Amanhã eu pensava nisso, hoje eu queria minha casa. Olhei a cozinha arrumada vendo que faltava a bandeja de café que Alice tinha levado depois do almoço. Fui pegar a bandeja não encontrando ela na sala de refeições, fui até o escritório de Alice não a encontrando também.
Eu ouvi a música suave tocando na sala da recepção e me perguntei se poderia ir ali ou não, mas eu precisava recolher a bandeja. Fiz minha melhor postura e então entrei na sala que fiquei com Edward no dia da chuva. E ele estava lá sentado distraído, lendo um papel com os pés em uma mesa e a gravata já afrouxada. A bandeja estava em uma mesa próxima a porta e distraído como ele estava nem iria saber que eu estava ali, então fui confiante e silenciosamente até a bandeja quando a música começou.
Reconheceria aqueles acordes em qualquer lugar e então as lágrimas começaram a descer sem que eu controlasse. Pus minha mão na boca abafando os soluços. Duffy cantava a parte mais dolorosa de sua música triste e eu sentia como se ela falasse tudo que eu papai sufocávamos todo esse tempo.
— ... calma.... – os braços de Edward me envolveram me dando aquele conforto e paz para chorar. E eu chorava. Chorava intensamente sentindo o medo e o vazio. Medo do futuro e o vazio que mamãe deixou.
Ele acaricia meus cabelos não se importando que eu estava molhando sua blusa, eu queria me recompor, mas eu lembrava do dia do enterro. Imagens minhas e de papai sentados na sala em silêncio depois que todos se foram, imagens nossas levando flores em túmulo ou imagens nossas abraçados na sala e chorando. A música tocava ao fundo e nós dois descarregávamos nossa dor ouvindo Duffy cantar sua dor. Nossa dor. Papai me embalava e eu me deixava guiar ouvindo seus próprios soluços. Ela foi o amor da vida dele e a melhor pessoa que esse mundo já conheceu, e sentíamos medo, muito medo do futuro. Medo do vazio que tínhamos em nossos corações pela sua perda.
— Desculpa... – falei me afastando e enxugando as lágrimas. – Isso.
Ele se aproximou de mim não ligando por eu ter me afastado de repente dele. Passou seus dedos pelas lágrimas que eu não controlava e depois pegou minha mão me sentando no mesmo sofá que sentamos tempos atrás. Ele foi até uma jarra na sua mesa e pegou um pouco de água e gentilmente me fez tomar a água, enquanto eu bebia ele desligou e eu agradeci por não ouvir mais a música que repetia.
— Está melhor? – ele perguntou olhando em meus olhos.
— Faz... – eu não conseguia organizar meus pensamentos em anos — minha mãe morreu nesta data. – ele pegou o copo das minhas mãos trêmulas e colocou na mesinha a nossa frente. – A música... essa que tocou... papai e eu ouvimos ela uma vez... e ficamos ali na sala nos abraçando e chorando.... ela não estava mais ali sabe... – Edward pegou na minha mão fazendo um carinho tão reconfortante e bom que eu nem pensei no que isso significava. – Eu fiquei apavorada.... ela era a força de tudo e de repente...
— Eu sinto muito. – ele disse e eu assenti agradecendo baixo.
E como se fizéssemos isso o tempo todo ele chegou mais perto e me abraçou. Um abraço bom e calmante. Não falamos nada por longos minutos, eu fechei meus olhos aproveitando a paz que estava sentindo. A paz que eu não sentia há anos. Ele fez carinho em meus cabelos e quase sorri com esse gesto.
— Vai ter um festival de filmes franceses. – olhei para ele sentindo meu coração acelerar. – Vai comigo.
— Edward....
— Me escuta. – eu senti algo crescer em mim. Uma mistura de medo e expectativa. – Eu sei que sou seu chefe. E eu conheço a política da empresa. – sorri não conseguindo evitar a lembrança daquele dia em que Alice ficou satisfeita com ele indo me explicar a política da empresa. – Mas eu quero muito te conhecer. Não estou pedindo nada demais, só preciso....eu preciso te conhecer melhor.
— Isso está errado. – minha voz saiu como um sussurro. Eu estava me sentindo tão feliz e desesperada ao mesmo tempo. – Você não quer me conhecer Edward...
— Eu acho Isabella que eu preciso disso mais do que outra coisa no mundo...é errado negar que existe algo...
— Não pode existir... Edward...
— Não nos negue isso. Só vamos sair e ver um filme.
Eu estava tão dividida e tão cansada. Cansada de tudo.
— Filme francês.... – falei e ele me olhou com expectativa. Uma grande expectativa.
— Sim, eu tenho a lista do que vai passar neste sábado.
Mordi os lábios insegura.
— As pessoas vão nos ver juntos... – a ideia de nossas fotos serem divulgadas e expostas me causava um certo pavor. Eu não conseguia acreditar que estava mesmo pensando em aceitar.
— Vai ser um evento fechado. – ele disse como se ele mesmo cogitasse que isso não era algo bom, para nenhum de nós. – Não é permito o uso de celulares dentro e fora do evento, ele vai acontecer em um clube privado.
— Isso deve ser algo... elegante... não?
— Não. – ele sorriu divertido. – É filme para pessoas que gostam do cinema francês. Não terá aristocratas lá. – ri com a fala dele, me sentindo relaxada.
— Então vamos.
Edward sorriu largamente como se aquela fosse a resposta mais esperada por ele. Eu tinha um encontro com Edward Cullen e que Deus me ajudasse com isso.
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