Segredos e Mentiras
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Notas iniciais
Os dias passaram em um certo tédio. Era estranho arrumar aquilo tudo e saber que ele não estaria ali. Eu tinha medo do que estava sentindo, eu sabia que Edward era meu chefe e que eu não poderia jamais me envolver com ele sem me prejudicar. Fechei meus olhos fortemente como se aquilo fosse acabar com qualquer sentimento que estivesse em mim.
— Eu já sofri o suficiente. – falei baixo para mim.
— Oi querida.
A voz angelical de Esme soou e eu me virei não escondendo como estava transtornada com os últimos pensamentos.
— Aconteceu algo? – ela perguntou já indo em minha direção. Sua preocupação era maternal e queria chorar. Ela me abraçou e por mais que eu tentasse controlar meus sentimentos eu não conseguia, ela tinha um cheiro agradável e me lembrou de Renée. – Vamos meu amor... sente-se um pouco enquanto faço um chá.
— Não... não..
Ela colocou sua bolsa na bancada e me olhou ternamente.
— Pare com isso, somos seres humanos. Não deuses do Olimpo. – ela riu já indo para o fogão colocar a água para ferver. Ela foi até a dispensa parecendo bem a vontade e trouxe uma mistura de ervas que tinha feito. – Sabia que eu que fiz esse projeto? – ela percebeu meu olhar confuso. – O prédio. Eu decorei ele e ajudei o arquiteto. Sou formada em arquitetura com especialização em decoração sustentável e prática.
— Oh... – eu limpei minhas lágrimas enquanto a olhava com surpresa e admiração.
— Ninguém espera isso não? Acho que ser esposa de Carlisle Cullen deveria ser tudo, mas ele me conheceu quando estávamos na faculdade e eu mantive meus estudos. – ela pegou a água fervendo e fez o chá da forma que eu sabia que ficaria mais forte do que simplesmente passar ele pelas ervas. – Eu não posso reclamar. Depois que ele entrou na minha vida tudo fluiu, antes era um caos só. – engraçado como eu podia facilmente me encantar com sua história. – Meus pais eram filhos de italianos pobres, fomos morar em um bairro muito pobre de Nova York e eles abriram uma pizzaria com alguns amigos. É claro que quando se junta tantas pessoas em um mesmo negócio não pode dar certo.
Ela me entregou o chá e se serviu. Estava forte e ótimo. Ela preferiu tomar em pé mesmo.
— Mamãe ficou doente e papai não tinha mais como ajudar ela e trabalhar. Então nos mudamos para mais perto do hospital que ela fazia tratamento e papai de dono de uma pizzaria foi trabalhar de servente em um restaurante de dia e de noite ia limpar um prédio.
Eu queria perguntar porque ela estava me contando aquilo.
— Eu passei na faculdade com bolsa integral. Mesmo cuidando de mamãe e estudando em casa eu consegui uma nota invejável e eles não puderam me recusar. Carlisle era o menino rico cursando economia para dirigir a empresa do pai, então eu queria distancia dele nas matérias que fazíamos juntos. – ela sorriu apaixonadamente e eu não tive como rir. – Foi só um ano depois que encontrei com ele na aula de móveis sustentáveis que me dei conta de que ele estava me perseguindo. – eu ri com ela – Carlisle foi um vencedor. Eu não dei abertura até me sentir segura e fazer ele conhecer a minha realidade, o levei na minha casa e mostrei o pai mais louco que ele já conheceu.
— Seu pai ameaçou ele?
— Com direito a toda uma família italiana atrás. – ela riu mais alto e sorri. – Meu pai chamou todos os primos e tios. Foi uma verdadeira loucura que ele enfrentou com muita dignidade.
Eu me vi mais calma e muito mais leve.
— Carlisle está aqui usando o escritório de Edward.
Levantei rapidamente.
— Ele quer um café ou algo assim?
Corei de vergonha pensando que Esme deveria ter entrado para pedir algo e acabou me pegando em um mal momento.
— Nada disso querida! Ele sabe usar uma cafeteira e eu vim para vê-la. Foi uma ótima conversa não?
— Sim...
— Espero vê-la mais vezes, vamos ficar alguns dias enquanto Edward está fora. Carlisle não quer deixar a empresa tão sozinha e o vice de Edward está em outra cidade negociando algo que não consigo entender. Se falar que vendemos petróleo para os árabes eu vou acreditar, não entendo nada disso.
Sorri pensando que também não entendi bem isso tudo.
— É bom vê-la querida.
Ela saiu elegantemente ajeitando sua bolsa e respirei mais fundo e calma. Fui até o computador vendo um sinal estranho na tela, fiquei com medo de clicar e ser algo que não me dizia respeito. Era um símbolo de carta, será que eu poderia clicar? Mordi os lábios incerta e deixei ele para lá indo arrumar a cozinha e lavar a louça.
— Boa tarde senhorita Swan.
Olhei para o rapaz que tinha instalado o computador.
— Oh! Boa tarde. Alguma coisa aconteceu?
— A senhora sabe usar o email?
— Email?
Ele foi até o computador e mexeu nele ligando ele.
— Esse aqui.
— Ah! A cartinha. – ele sorri simpático.
— Sim, a cartinha significa que você tem uma mensagem nova. Clique por favor.
Fui até a cartinha e cliquei. Era uma foto e sorri vendo um salmão com ervas e a mensagem: será que é tão bom quanto o seu?
Corei olhando para o rapaz. Ele estava olhando para o outro lado como se quisesse me dar privacidade.
— Bom, tem um ícone chamado: responder. Você deve clicar nele para responder a mensagem.
Mexi e cliquei aparecendo uma nova página. Respondi que deveria estar muito mais gostoso.
— Agora clique em enviar.
Ele disse ainda não olhando diretamente para a tela, o que agradeci. Cliquei em enviar mordendo os lábios de nervosa.
— Pode anexar fotos e arquivos. É um email seguro, não terá problemas em mandar o que quiser e vazar. Qualquer dúvida é só mandar me chamar, ramal quinze.
— Obrigada.
Ele saiu e então uma nova mensagem apareceu. Eu cliquei ansiosa vendo um pequeno texto.
“ Eu fico feliz que Phillip esteve como eu pedi, qualquer dúvida é só chamar ele. Estou em Dubai e comendo coisas quentes com mais chá quente. Isso me pareceu uma loucura e pensei que talvez você pudesse explicar. Passei em um mercado e comprei muitos temperos e ervas, estão todas com nomes e comprei um livro: culinária árabe. Espero que goste.
Edward”
Eu não sabia o que responder. Uma nova mensagem surgiu com a foto do livro e as ervas arrumadas com os nomes na frente.
“ Não tenho como agradecer. Vou amar tudo isso. Experimentar temperos e receitas é um passatempo muito bom. Obrigada Edward”
E então, a saudade dele não pareceu tão forte em mim. E por algum tempo eu não queria me importar com mais nada, com o fato do meu passado ser uma sombra densa e escura ou que ele era rico. Eu quis ser só uma mulher que recebeu uma mensagem de um homem interessante.
Nas próximas semanas Carlisle e Esme iam e vinham, eles nunca almoçavam ou tomavam café da manhã. Ele quis experimentar meu chá, mas eu acho que foi porque Esme não parava de falar nele e eu me diverti com eles brigando e fazendo as pazes. Eles tinham aquela aparência de casal mais velho, mas com hábitos de adolescentes. Edward tinha muito do pai, o olhar sério e compenetrado, mas havia a leveza de Esme. Aquela sutileza dela de lidar com as coisas. E então os dias passavam mais rápidos com Edward me mandando mensagens engraçadas dos lugares que ele estava, mostrando lembranças que comprava como livros de culinária, ervas, enlatados, doces, geleias artesanais, vinhos... uma infinidade de coisas que me faziam rir e achar que ele seria parado na alfândega por contrabando.
E só uma mensagem me deixou desanimada. Ela mandou por aquela outra máquina.
“ Senhorita Swan,
Haverá uma recepção para quinze sócios nossos e seus serviços serão de muita importância. Um jantar para vinte pessoas, incluindo a mim e o senhor Cullen. Quero petisco e um jantar completo.Um novo uniforme será enviado para ser usado no dia e uma equipe de serviço foi contratada. Vou mandar a carta de vinhos e a lista de refeições.”
Nada do que Alice mandou em anexo fazia sentido, os vinhos não combinavam com os pratos, não tinha opção para vegetarianos e para alérgicos. Havia nozes e pimenta na maioria dos pratos e a sobremesa era simples demais. Respirei fundo pensando que com a volta de Edward haveria também a volta de Alice.
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