Notas iniciais
Desculpa a demora meninas! Mais tarde posto outro como pedido de desculpas!

“ Eu olhei para Ângela surpresa por vê-la ali. A última vez que nos vimos eu estava em lágrimas.

— Você esperou que não viesse? – ela quis pareceu ofendida, mas eu a conhecia melhor que isso. Não sorri e nem expressei nada. Eu me sentia oca e vazia demais. – Bom, eu vim Swan.

Eu caminhei com ela, tinha um carro aberto e vi Ben. Tudo me assustava, o barulho e as pessoas me deixavam quase em pânico. Eu dava cada passo como se fosse o último.

— Eu sei que parece assustador, mas são só pessoas entende?

E eu tinha medo de cada uma delas, pensei.

— Vamos te ajudar nisso. – ela parou e eu imediatamente parei olhando para os lados.

— Tem certeza que não quer ligar para ele?

Olhei para pela primeira vez dentro dos olhos.

— Não... não faça isso... ele não pode saber de nada...

— Isso não vai te ajudar. – ela foi firme.

— Nem a ele. Deixe ele pensar o que quiser...

— Ele é seu pai.

Meus olhos encheram de lágrimas com a última imagem que tive dele. Nossos olhares se cruzando e vendo toda a tristeza que eu causei. Tudo minha culpa.

— E merece ser deixado em paz.”

Acordei suada e tremendo. Corri para o banheiro e fui me olhar no espelho. Eu estava bem. Eu olhei para minhas mãos e não via mais as marcas e respirei fundo molhando as mãos, limpando o que não tinha. Molhei o rosto em uma atitude quase desesperada para me livrar do sonho. Não era sonho e eu sabia, era uma lembrança. Era uma lembrança que quase não saía da minha cabeça mesmo nos dias bons.

Voltei mais calma para o quarto e sentei na cama vendo as horas. Por sorte eu já poderia começar a me arrumar para o trabalho e sair daqui a uma hora. Respirei fundo algumas vezes e voltei para tomar meu banho, eu sentia que o dia não seria tão bom como os últimos. Edward era um homem diferente, charmoso e sorridente. Por que ele gostava de mim? Gostava da minha comida? Eu tentava me afastar e ser profissional, mas era impossível com ele entrando na cozinha e pegando biscoitos, perguntando se cheguei bem em casa ou como estava a minha amiga. Ele tornava tudo pessoal e não conseguia erguer muros altos suficientes para o afastar.

Eu admirei o prédio em que trabalhava pela primeira vez em meses. Era imponente e enorme. Eu conhecia bem alguns setores para saber que eram organizados, funcionários bem pagos e com excelente qualificação. Tinham verdadeiras disputas para qualquer cargo que vagasse e as promoções eram ansiadas e ganhas com muita dedicação.

— Bom dia. – Bill sorriu e sorri sendo simpática, entreguei meu cartão de acesso e passei depois das devidas medidas de segurança. O elevador demorou mais ou eu que estava ansiosa? Queria fazer salmão grelhado com ervas no vapor hoje, também faria uma sobremesa com creme inglês, Edward pareceu gostar disso.

A rotina de limpeza foi feita tranquilamente, não tinha recados de Alice há dias então eu fiz apenas minha rotina e voltei para fazer o café da manhã de Edward como ele gostava.

— Bom dia senhorita Swan.

A voz de Alice me fez pular e olhar para trás. Ela estava mais magra se possível, a maquiagem impecável e um vestido azul justo com saltos altíssimos. Eu tinha esquecido como ela era baixa.

— Bom dia senhorita Brandon. – cumprimentei ela a vendo inspecionar a cozinha como fazia às vezes.

— Vamos receber um grupo de ingleses essa manhã e quero algo realmente surpreendente. Eles chegam em meia hora.

Ela se virou e eu me desesperei. O que faria? Um grupo? Mais de quatro pessoas com certeza. Como assim um grupo? Fiz sucos variados com as frutas frescas que encontrei. Agradeci a Deus os yogurtes naturais que tínhamos, fiz uma calda de frutas vermelhas, nos meus últimos minutos eu fiz os ovos ponche e os arrumei devidamente. Ainda tinha biscoitos que tinha feito ontem e arrumei eles elegantemente em pratos e tirei as torradas do forno.

Fui até a sala começar a arrumar tudo e então Alice entrou elegantemente.

— Não está arrumada? – disse indignada. – Precisei reportar isso a Edward senhorita Swan.

— Já estou terminando.

Ela fez uma cara feia e saiu. Arrumei a mesa da forma mais elegante que pude. Por não saber quantas pessoas fiz um sistema de Buffet que atenderia até quinze pessoas tranquilamente. Coloquei as geleias em potes pequenos e finos, mesclei uma porcelana antiga com xícaras e talheres de outro conjunto para darem uma sensação mais caseira possível. Bandejas de sucos com copos perto estavam espalhadas adequadamente e sem ao menos atrapalhar a estética, tinha mais de vinte copos. Cada um poderia beber mais de um tipo de suco em copos diferentes. Café, leite quente, chocolate quente e sucos. A porta abriu quando ajeitava o arranjo de flores que pedi para Bill buscar para floricultura mais perto.

— Nossa! – Edward exclamou e um grupo de homens entrou. – Você sempre me surpreende senhorita Swan.

Era um grupo pequeno e que se serviu tranquilamente, Alice desfilava entre eles com simpatia e sempre próxima a Edward. Ela dava a entender que eles eram um casal e por vezes tocava ele mais que o necessário, mas isso não parecia ter maldade aos olhos de Edward de forma alguma.

— Um pouco mais de café? – perguntei a um dos senhores que sorriu e me deu sua xícara.

— Qual seu nome querida? – eu o servi sem responder. – Isso está maravilhoso.

— Tenho certeza que está. – Edward interviu me fazendo corar – Ela é uma ótima funcionária.

— Um nome então...

— Vamos para sala senhores, o contrato precisa ser revisado por nossos advogados com muito cuidado e atenção. Alice os leve para sala de reunião.

Edward foi tão sério, que na mesma hora todos largaram seus pratos e xícaras e saíram sendo guiados por Alice.

— Eu percebi como você não se sente bem com um grupo grande de pessoas... eu sinto por isso.

— É meu trabalho senhor Cullen.

Ele me olhou e respirou fundo.

— Não se feche Isabella... não para mim...

Assenti envergonhada. Ele sorriu para mim e eu o achei mais lindo.

— Um café daqui a duas horas seria muito bom. Vamos almoçar fora... o que tinha pensando para o almoço? – sorri com sua curiosidade.

— Salmão com ervas.

— Droga! Irei perder isso.

Gargalhei enquanto ele saía da sala. E enquanto arrumava e limpava toda bagunça eu sorria animada, eu sorria talvez em anos. Eu gargalhei pela primeira em anos com certeza.

O dia passou muito tranquilo, não vi mais Alice e nem Edward, eu nem ao menos esperava mais movimento porque quando eles saiam dificilmente voltavam. Um computador pequeno foi instalado e eu nem sabia quem mandou aquilo, mas Bill disse que foram ordens de Alice.

— Para quê um computador na cozinha?

Bill sorriu enquanto víamos o técnico instalar o mais rápido possível.

— Não sei mesmo, mas poderá agora fazer algumas coisa na internet.

Eu não mexia no computador a não ser na biblioteca e muitas vezes tinha fila.

— Não sei mexer nisso direito ainda...

— Jura? – ele riu e eu fiquei envergonhada.

— Está tudo instalado. – o técnico falou e o assunto constrangedor terminou. – Qualquer coisa, disque o ramal quinze e um técnico irá atender imediatamente.

Assenti não achando que aquilo fazia sentido algum.

— Vou acompanhar o senhor até seu andar. – Bill disse em seu tom mais profissional.

Os dois saíram e fiquei olhando a máquina com curiosidade. Ele era um daqueles pequenos e apertei o botão de ligar vendo ele acender e sorri pensando que não tinha quebrado ainda. Por que um computador aqui?

— Gostou?

Me virei vendo Edward com um ar cansado. Sua gravata não estava apertada, ele tinha os cabelos bagunçados como se passasse a mão ali várias vezes. Ele fazia isso às vezes.

— Isso é uma cozinha.

— Passou o dia aqui fazendo o quê? – ele perguntou cruzando os braços.

— Trabalhando. – respondi imediatamente.

— Não tinha nada para fazer. – ele sorriu confiante – Isso vai ajudar a você. Pode pesquisar várias coisas e até estudar. Eu vi que seu curso foi à distância.

— Mas foi por correspondência...- admiti e ele sorriu.

— Vai ser parecido.

Ele passou as próximas horas me ensinando e mostrando vários sites de culinária muito respeitados. No final eu estava mais do que animada.

— Precisarei viajar. – e aquela viagem me deixou triste. Como o tom que ele usou. – Tenho que visitar algumas sedes e avaliar o desempenho de alguns gestores e diretores.

Ele tinha mesmo que ir. Eu podia até esquecer que ele era dono de um império.

— Quanto tempo... – perguntei baixo e olhando para minhas mãos. Por que perguntei isso? Corei de vergonha.

— Mais de um mês... – segurei um suspiro pesado. – Eu quero conversar quando voltar...

Olhei para ele mesmo sabendo que deveria estar mais do que vermelha.

— Me espera.

E sem qualquer palavra eu assenti e deixei ele ir. Um mês. E de repente eu entendi porque o dia seria mesmo ruim. Edward iria viajar e isso me afetou demais.

Notas finais
Meu Deus... lembranças... Alice de volta e... presente! O que acharam meus amores? Vamos esperar o senhor Cullen?