Notas iniciais
Bom dia meninas, desculpa a demora em postar. Agradeço aos comentários e recomendações. Muito obrigada mesmo.

Eu passava o aspirador de pó me sentindo um pouco nas nuvens, mesmo com Alice e seu recado para que eu limpasse tudo em pleno sábado.

“ O carro deslizava pelas ruas vazias. Edward ia do meu lado no carro, tínhamos um silencio diferente.

— Você mora sozinha? – o tom de voz dele tinha um ar despreocupado, mas curioso.

— Sim.

— Sua amiga mora perto?

— Sim, vou andando aos finais de semana. – eu esfregava uma mão na outra querendo me acalmar, meias verdades era tudo que eu poderia dar a ele. O carro parou e eu vi Edward olhar para fora sem abaixar os vidros. – É um lugar simples. – confessei envergonhada.

— Fico feliz de ter trago você. Descanse Isabella.”

Eu dei apenas um “boa noite” rápido e saí do carro. Ele só foi embora quando fechei a porta. Eu deveria ter dito mais alguma coisa? Ele foi muito gentil e eu nem agradeci, me senti péssima em relação a isso.

Consegui deixar o tapete impecável como estava antes da recepção, fui até a cozinha pegar minha bolsa e pegar o produto que comprei no caminho para limpar o piano. Poderíamos pelo menos devolver ele limpo. Quando cheguei na sala em que o piano me assustei com a presença de Edward. Ele me olhou ainda mais surpreso eu acho.

— Você não trabalha aos sábados. – ele disse firme. Eu tinha um pano e o produto nas mãos.

— Alice deixou um recado para que eu viesse limpar tudo. – falei incerta. Eu fiz algo de errado?

— Você saiu ontem quase uma hora da manhã, são apenas oito da manhã Isabella. Isso não lhe deu tempo para descansar adequadamente. – o tom de desgosto dele era visível.

— Eu não me importo.

— Você passa seu final de semana com sua amiga.

— Quando sair daqui eu vou para lá. – o tom de preocupação com minha vida pessoal e descanso estava me deixando cada vez mais desarmada, Edward não estava brigando, ele estava sendo atencioso. Como sempre.

— A sala está mais que limpa, deixe tudo e vamos sair daqui. Vim apenas pegar um papel para que meu pai analisasse, que ideia de Alice pedir para você vir aqui!

Ele se virou indo até seu escritório, eu fui até o piano querendo deixá-lo limpo antes de ir. A sala tinha realmente sido bem limpa e eu não teria tanto trabalho na segunda, poderia limpar os banheiros usados e repor tudo com calma.

— O que está fazendo?

Ele voltou rápido demais e sorri para ele querendo apenas passar a tranquilidade que sentia limpando o piano.

— Pianos devem ser limpos adequadamente depois de usados. Se não a sujeira estraga o material, as teclas agarram e toda a beleza que ele tem se vai mais rápido. Já estou terminando.

Eu só tinha olhos para o piano lindo, mas eu sentia os olhos de Edward em mim.

— É um Steinway. – falei sentada limpando as teclas.

— O que seria isso?- ele perguntou se aproximando. A presença dele era algo poderoso demais e ao mesmo tempo agradável. Todo meu corpo queria se render e apenas relaxar em sua presença, minha mente queria colocar para fora mais que meias verdades, mais que apenas alguns comentários soltos.

— Um dos pianos mais caros do mundo, mamãe e eu vimos um em uma loja uma vez. Eu era pequena e tinha uma amostra de pianos raros na cidade vizinha, ela imediatamente fez papai dirigir por horas para ver pianos. – sorri lembrando da cara feia dele – Mas ele nos levou, ela me mostrou todos os tipos. Um rapaz tocava esse piano com tanta habilidade... mamãe falou disso por anos.

Terminei de limpar o piano orgulhosa de devolver algo em um estado melhor do que recebemos.

— O que vai fazer quando sair daqui? Só vai para casa de sua amiga?

O olhei metade assustada e metade ansiosa. Mordi os lábios insegura.

— Tenho que comprar um celular. – confessei e ele se surpreendeu sorrindo no final. Seu sorriso era lindo.

— O seu quebrou?

— Eu não tenho nenhum... Ângela tem o telefone daqui e George me deu o número do almoxarifado para que ela ligasse caso algo acontecesse, eu nunca vi a necessidade de ter um.

Edward e eu ficamos nos olhando, nos analisando e ao mesmo tempo desejosos. Eu ainda tinha isso em mim? Isso seria possível?

— Um amigo meu tem uma loja, podemos ir lá e ver alguns...

— Eu não posso comprar um caro...eu ia até essas lojas de departamentos comprar um barato. – eu fiquei completamente vermelha ao confessar que apesar do enorme salário que ganhava eu não iria pagar fortunas nisso.

— Vamos lá e qualquer coisa você e eu vamos a uma loja departamentos. – Edward fazia soar simples e fácil. Se a loja fosse metade que aquele mercado eu não teria dinheiro para comprar nada. Só que eu gostei da ideia de passar algum tempo a mais com ele. Da ideia de sair com ele, como ontem no carro.

— Promete que vamos a uma loja mais simples? – ele sorriu e disse que sim. Fechei o piano e fui trocar de roupa, ele me olhou surpreso quando me viu de cabelos soltos e um vestido simples e casaco. Eu não estava magnífica, mas seus olhos me fizeram me sentir assim.

— Você é muito bonita Isabella. Não me canso de me surpreender com sua beleza.

Abaixei a cabeça sabendo que estava mais uma vez corada, eu e ele fomos pelo elevador privado dele que dava direto para a garagem coberta e Bill abriu a porta do carro assim que nos viu. Se ele estava surpreso comigo e Edward juntos mais uma vez, eu não sei, ele apenas foi simpático e nos cumprimentou.

— Essa loja é muito boa. – Edward comentou enquanto o motorista e Bill nos levavam para onde ele indicou. Eu não gravei muito bem o nome da rua, me distraí com o cheiro de Edward no carro. – Ela é pequena e muito modesta, não precisa se preocupar.

— Você não tinha que entregar esses papéis para seu pai analisar? Estou te atrasando...

— Mandei uma mensagem para ele. Ele entendeu perfeitamente. – Tinha um tom de meias verdades nisso que quase me fez rir, como se ele não dissesse tudo como eu não dizia tudo.

A loja estava relativamente vazia, uma atendente veio até nós assim que entramos.

— Bom dia senhores. Gostariam de ver algo em especial?

— Celulares. – Edward respondeu e ela nos guiou até uma sessão mais afastada. A loja não era grande, mas eu poderia ver como ela era exclusiva.

— Algum modelo em especial? Personalizado ou com algo diferenciado?

— Simples. – respondemos juntos e eu sorri para ele.

— Temos ótimos modelos fáceis e simples de mexer.

Ela foi mostrando todos sem me dizer o preço, havia alguns que trocavam de capa, com pequenos bonecos e fadas, outros com aplicativos que ela fazia parecer indispensáveis. Eu olhei um pequeno no canto que ela não havia me mostrado. Era pequeno, simples e parecia caber perfeitamente na minha bolsa sem chamar atenção.

— Podemos ver aquele? – Edward pediu apontando para o que eu estava vendo. Ela pegou ele e eu gostei ainda mais quando o tive em minhas mãos. Ela falava como ele não era tão bom quanto os outros e tinha pouca memória.

— Eu quero esse. – cortei a fala dela e ela apenas assentiu simpática.

— Podem levar isso até o caixa e eu levo até vocês.

Eu pensei que Edward fosse insistir em pagar, mas ele apenas me acompanhou sendo um cavalheiro e pegando a bolsa no final. Ele tinha passado um pouco do meu orçamento, mas valeu muito a pena. Eu estava muito satisfeita.

— Vamos para casa de sua amiga?

— Preciso passar no mercado antes... ela está grávida e eu ...

— Que sortuda! – ele falou entrando comigo no carro. – Ela come sua comida o dia todo no final de semana.

Eu precisei rir com o ar empolgado dele.

— Eu adoro seu sorriso. – ele disse e o carro começou a andar. Ele indicou o mercado que havia me levado antes e pensei nos preços absurdos que tinha visto, não poderia comprar a metade do que pretendia.

— O que vamos comprar? Grávidas tem alguma restrição ou recomendação?

Eu peguei o carrinho e fui explicando sobre a gravidez de Ângela e tudo que o médico recomendou, coloquei frutas frescas e várias coisas que pretendia fazer para ela e congelar para a semana. Edward foi colocando outras coisas e eu apenas olhei para ele enquanto via as pessoas repararem no casal desconexo que éramos. Não passamos pelo caixa, Edward apenas pediu para alguém embalar tudo e levar para o carro.

Quando chegamos no prédio de Ângela eu percebi como o dia ficou tranquilo e foi muito bom. Como eu amei estar com ele.

— Obrigada por tudo...

Era mais do que eu poderia explicar. Eu estava agradecendo por muito mais do que ele ter saído comigo. Edward estava me libertando.

Notas finais
Boa semana meninas... espero que gostem, não sei quando volto porque a semana está agotadíssima no trabalho e vou viajar para resolver compromissos em outro Estado. Então, me esperem sábado tudo bem? Beijos!