Segredos e Mentiras
39 Encontros e desencontros - é a vida
Notas iniciais
Edward tinha um jato esperando por nós em um pequeno aeroporto. Eu sentia seus olhos em mim enquanto conversava com o piloto sobre a viagem a Chicago. Bill estava verificando as acomodações e eu apenas olhava o jato com um misto de emoções. Eu estava sendo covarde, mas pedi para papai avisar a Ângela que eu estava voltando.
— Vamos, você precisa deitar e comer alguma coisa. – Edward estava tão preocupado e amoroso. Eu peguei a sua mão sem medo algum de sermos vistos, fotografados ou de qualquer outra coisa. Era novo e estranho. Mas o medo tinha ido embora. Os segredos não tinham mais tanta importância e eu me sentia como se o mundo agora não pudesse mais me destruir.
Eu entrei no jato vendo aquele conforto e luxo. Sentei na poltrona reclinável vendo Edward falar com Bill e atender alguns telefonemas. Toquei minha barriga feliz e sorri para Edward. Meu amor.
— Quando decolarmos tem um quarto que você deitar e pedi algumas roupas para você se trocar se quisesse.
— Obrigada por cuidar de nós. – Edward sorriu seu sorriso mais largo e pegou minha mão se aproximando de mim.
— Eu vou cuidar de você por toda a minha vida. Enquanto houver ar em meus pulmões ou vida em mim. Eu prometo Isabella que nosso amor está apenas começando.
Eu deixei uma lágrima de felicidade escorrer e ele limpou olhando em meus olhos. Não acreditando que estávamos juntos novamente. Não acreditando que teríamos um bebê. Que tudo queríamos estava ali ao nosso alcance.
— Eu tenho algo que preciso fazer. – falei e Edward sorriu.
— Segredos?
Eu ri para ele me recompondo.
— Desencontros.
Ele não perguntou mais nada. O que eu fizesse ele sabia que não seria nada de ruim. Assim que pudemos tirar o cinto me aninhei a ele e deixei o sono tomar conta de mim.
...
Eu me olhei para o espelho sem acreditar no que estava vendo. Tinha uma mulher bonita e bem vestida na minha frente. Meus cabelos tinham sido lavados e escovados, minhas unhas feitas e eu usava um salto baixo que combinava perfeitamente com o vestido rosa claro e com o casaco preto. Eu saí do quarto e vi Edward e Lauren falando sobre fusões na sala.
— Já vai? – ele estava vindo até mim e pegando minha mão.
Nós tínhamos chegado a apenas algumas horas, mas eu sabia que tinha que fazer isso e era agora.
— Bill foi avisado? – perguntei e ele assentiu.
— Você está linda senhora Cullen. – ele disse e eu sorri.
— Ainda não...
— Lauren providencie os papéis o mais rápido possível. – ela nos olhou sorrindo – E uma lua de mel extensa. Minha mulher precisa descansar e tomar um sol.
Lauren estava agora no lugar de Alice e isso tinha me deixado tão feliz. Ela merecia essa posição e eu podia ver a determinação dentro dos olhos dela de fazer isso muito bem feito.
— Eu te amo. – falei sorrindo, Edward me abraçou rapidamente.
— Boa sorte.
— Vou precisar! E quero uma casa com cerca e flores... um jardim com espaço para uma pequena plantação... uma cozinha como a da empresa...
Edward sorriu. Lauren ficou nos olhando sorrindo.
— Senhora Cullen isso era uma surpresa. – ele provavelmente esqueceu que as fotos estavam espalhadas por todos os lugares.
— Lauren eu acho que isso deve ser incluído. – falei já indo para a porta.
Bill estava me aguardando. Enquanto o carro deslizava pelas ruas eu pensava se isso daria certo, eu esperava que sim, mas não tinha certeza.
— Cobertura senhora. – Bill falou abrindo a porta do carro. Agradeci e olhei o prédio.
Enquanto os andares iam passando, eu já não sabia exatamente o que iria fazer ali. Eu estava nervosa, porém eu estava tão determinada. Eu precisava disso. Tânia me sorriu largamente assim que a porta abriu.
— Eu vou ser madrinha! – eu só poderia rir com aquela animação.
— Madrinha?
— Edward não faria isso comigo. Ele é inteligente.
— Ele é. – falei rindo.
— Vamos entrar. Eu achei que era Esme. Senhora Cullen?
Bill que tinha me anunciado para o porteiro. Parece que isso era algo permanente.
— Coisas de Edward...
Sentamos em seu sofá enorme. Tânia estava apenas com um vestido e descalça, sua naturalidade e simplicidade sempre deram a ela a maior elegância possível.
— O que trás a senhora Cullen a minha presença?
Parei olhando para ela. Seu rosto mostrando um certo cansaço apesar dos sorrisos e brincadeiras.
— A vida é muito curta. Eu perdi minha mãe apenas algum tempo depois que descobrimos a sua doença. – Tânia me olhava com interesse. – Eu perdi minha vida em alguns segundos, todos os meus sonhos foram destruídos e medos infinitos entraram em mim depois. Eu ainda acordo de noite e olho para os lados com medo de estar presa. Eu tenho medo que algo do meu passado arraste Edward para a lama do meu passado. Que meu pai se envergonhe quando ver uma matéria sobre a mulher que o grande Edward Cullen escolheu para ser sua senhora Cullen.
— Isabella....
— Mas isso não pode parar minha vida. A vida é muito curta. Nós podemos não estar aqui amanhã. Eu escolhi viver o amor da forma mais profunda que ele pode ser vivido. Eu escolhi ser a esposa de Edward mesmo ele podendo ter qualquer ou todos as mulheres. Eu escolhi enfrentar meus medos e superar com ele nossas diferenças e inseguranças. – eu sabia que Tânia tinha compreendido onde eu iria chegar – Cada segundo com quem amamos é raro e precioso demais. E a vida é uma grande viagem. Não precisamos seguir modelos ou ser quem esperam que sejamos, podemos ser nós mesmos e construir o nosso amor. O nosso jeito imperfeito e lindo de amar.
— Lar é onde nosso coração está. – ela repetiu minhas palavras quando fomos ver James na sua empresa.
— Isso. Não deixe que seus medos e incertezas dominem seu coração.
Ela pegou minha mão com lágrimas nos olhos.
— Edward tem sorte de ter você na vida dele. Você é uma pessoa muito especial.
— Você é uma pessoa maravilhosa e merece todo amor que ele pode oferecer, não se prive disso. Vocês podem ser tudo e mais um pouco. Não há fórmulas.
Nos abraçamos e ela chorou. Chorou a saudade, o amor que ela deixou e chorou porque teria que ter a coragem para ir em frente com todos os desafios possíveis. Eu deixei Tânia horas mais tarde depois de falarmos de faculdade e bebês.
— Para onde senhora Cullen? – Bill perguntou ligando o carro.
— Para casa Bill. Para casa.
...
— Amor... amor... – a voz de Edward no fundo me fez abrir os olhos. O quarto estava escuro. Olhei para ele o vendo vestido. – Ângela ligou, ela está em trabalho de parto.
— É cedo... – falei levantando. – Edward temos que ir...
— Bill está tirando o carro. Só coloque uma roupa mais quente.
— Ela está sozinha? – falei indo para o closet – Ben está com ela? Edward por que tenho que vestir algo quente?
— Ele está com ela. Os dois estão nos esperando. Está nevando.
Eu coloquei uma roupa o mais rápido que pude e saímos apressados. Eles não tinham carro, me doeu pensar que não pensei nisso antes. Eu iria vê-la hoje de tarde, avisei a ela depois de todos os gritos no telefone. Isso foi apenas a algumas horas atrás antes que eu fosse dormir.
— Bill não desligue o carro. – Edward disse e subiu para ajudar Ângela e Ben, eu fiquei no carro. Estava nevando e frio. O bebê nasceria numa noite linda.
— Isabella isso não se faz com sua amiga! – ela entrou já brigando comigo.
— Me perdoa.
Edward sentou ao lado de Bill e Ben do lado de Ângela, o carro pareceu pequeno.
— Eu estou ainda apenas com a ligação de seu pai! Seu pai me avisou.
— Você sabia como ele estava esse tempo todo. – acusei e ela sorriu.
— Engula isso Swan!
E eu sorri, ela pegou minha mão quando uma contração veio e eu segurei firme ajudando ela. Ben esfregava suas costas e Bill estacionou em frente a um hospital. Tinham enfermeiras na porta nos esperando e vi o olhar questionador de Ben quando percebeu que estávamos no melhor hospital e maternidade da cidade.
— Eu não posso pagar por isso... – ela disse baixo.
— Nem eu. – falei e sorri – Engula isso.
Apesar de tudo ser um pouco tenso, Ângela deu a luz a um menino lindo e saudável. Peter nasceu quando o sol estava nascendo e acho que aquele hospital nunca viu um pai tão feliz como Ben quando saiu da sala de parto falando do seu menino e de sua garota. Eles ainda ficariam ali mais alguns dias para serem avaliados e Edward deixou claro que isso era um presente para seu afilhado.
— Nossa menina vai ser linda. – ele sussurrou enquanto voltávamos.
— Pode ser um menino... – falei sonolenta.
— É menina...ela me contou.
Sorri e me deixei levar pelo cansaço.
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