Notas iniciais
Bom meninas é o fim. Espero que tenham gostado, agradeço de coração a todas as recomendações e toda a espera. Espero meus amores que Segredos e Mentiras tenha agradado tanto vocês como me agradou.

BELLA

— Bells, tem certeza que são duzentas pessoas? – eu fui até a janela que ele estava olhando há bons minutos e sorri.

— Um pouco mais eu acho...

— Isso está cheio demais.

A costureira terminou um reparo de última hora. Tínhamos um fotógrafo tirando muitas fotos e eu sorri para papai ignorando a sala cheia de maquiadores, cabelereiro e fotógrafo.

— O senhor não me deixa cair?- disse baixo apenas para ele ouvir. Pela primeira vez em horas eu deixei um dos meus medos serem expostos.

Ele imediatamente desviou o olhar da multidão que crescia no jardim e me olhou. Papai pegou minha mão e passou a outra em meu rosto.

— Eu nunca te deixaria cair. Você é meu bem mais precioso.

Eu sorri para meu pai e nos abraçamos. Eu sei que passamos por muita coisa, mas estamos superando e nos reencontrando.

Lauren entrou no quarto, seu vestido longo vermelho combinavam com a trança longa que tinha feito.

— Edward está impaciente. Ele pediu para perguntar se está tudo bem.

Toquei minha barriga de sete meses. Ele sempre estava preocupado.

— Acabei agora o reparo, a renda ficou danificada.

Ela me olhou assustada.

— Ele sabia disso?

— Claro que não! – falei sorrindo.

— Deus ele é capaz matar quem fez isso. Mas vamos andando que todos estão esperando. E o padre que o seu pai pediu já chegou.

Papai só tinha uma exigência: que o padre que casou ele e mamãe fizesse a cerimônia. Nós trouxemos ele do Vaticano. Ele agora era arcebispo e atendeu o pedido de papai com muito carinho.

— Quantas pessoas foram convidas senhorita? – papai perguntou pegando meu braço.

— Duzentas pessoas e mais cem amigos e parentes senhor.

— Eu disse que tinham mais de duzentas pessoas Bells.

Ele sorriu para mim e eu sorri de volta. Eu estava casando na casa de campo dos Cullen com o homem da minha vida, quantas pessoas iam presenciar isso não me afetava. Nem um pouco na verdade.

— Papai, o padre já chegou...

— Sim... não vamos deixar ele esperando.

— Espere- Lauren nos parou e olhamos para ela um pouco assustados. Ele veio até e olhou para papai.

— Ah sim... – ele tirou do bolso uma caixa preta. – Algo velho querida.

E ali estava o colar de ouro de mamãe. Era um colar que ela usou em sua primeira apresentação de piano quando era mais nova, tinha apenas uma nota como pingente e eu fiquei emocionada vendo papai colocar ele em mim.

— Agora algo emprestado. – ela veio com uma outra caixa colocando uma pulseira de brilhantes. – Esme disse que casou com ela e que precisa dela de volta. – sorri para ela.

— E algo azul. – papai falou apontando para a outra caixa que Lauren tirava de uma bolsa. Era um broche. Eu o tinha visto há semanas atrás quando sai com Edward, fiquei admirando ele por alguns segundos, imaginava ele em mim com uma roupa que tinha comprado, eu achava que ele não tinha percebido. Ele percebeu.

— Vamos? – ela perguntou depois de colocar o broche em mim.

Lauren ajeitava o vestido enquanto nos dirigíamos a entrada do jardim externo. Papai me segurou firme, eu usava sapatilhas feitas especialmente para o casamento e coberto com a renda que foi usada no vestido com pedras decorando.

— Prontos? – Lauren perguntou sorrindo.

— Sim.

E assim que as portas se abriram todos se levantaram para a entrada da noiva. Nós andamos devagar e tinham fotógrafos tirando fotos de todos os ângulos. Papai estava sorrindo tímido e eu tinha olhos somente para o noivo parado no final do caminho de pétalas que tinha sido feito por uma dama de dois anos prima de Edward. Ele sorriu para mim, os convidados não estavam autorizados a tirar fotos por eles mesmo, um pequeno álbum seria enviado posteriormente para cada um deles. Carlisle e Edward discutiram a questão de segurança e de como eu seria revelada como a noiva e esposa de Edward. Por fim, apenas uma nota foi enviada aos jornais, uma versão oficial de como nos conhecemos na empresa dele e de com ele estava feliz.

O que seria trágico virou um conto de fadas moderno. A mídia me transformou rapidamente em a cinderela, sem a bruxa má ou irmãs invejosas, apenas um homem poderoso que se viu encantado por sua cozinheira pessoal. Um homem que tanto lutava pelos direitos trabalhistas e visava o bem da empresa por meio da melhoria de condições de trabalho se deixou encantar por uma simples cozinheira. Edward e todo seu discurso ganharam uma força maior, comigo sendo a estrela e não a vilã aproveitadora.

Por medidas de segurança também decidimos manter o nome e a identidade falsas, papai seria poupado de toda e qualquer imagem pública e iriamos continuar assim.

— Quem entrega esta noiva? – o padre perguntou sorrindo para papai. Ele deveria estar lembrando dele e de mamãe, como há anos atrás ele realizou uma cerimonia muito mais simples, mas com o mesmo amor.

— Eu.

Edward veio até mim e papai e abraçou papai com muito carinho, eu olhei para Ângela de um lado do altar como minha madrinha e para Tania do lado de Edward como madrinha dele. As duas sorriam abertamente para a cena.

Toda noiva deve se lembrar de cada detalhe do seu casamento, as falas do padre ou de como a aliança serviu perfeitamente em seu dedo. Eu tinha olhos para Edward, eu iria guardar para sempre a lembrança dele chorando falando os votos e de como minhas mãos tremiam quando coloquei sua aliança. Era um sonho. O nosso sonho particular e lindo.

...

— Amor, James e Tânia chegaram!

— Já?

Eu ouvia as crianças correndo pela casa para receberem os dois.

— Eu achei que eles só chegavam semana que vem...

Verifiquei o forno antes de sair da cozinha. Limpei as mãos e fui até a sala vendo James sendo rodeados pelos nossos filhos.

— Deixem tio James respirar.

— Presente! Presente! – elas gritavam nos fazendo rir.

— Quanta educação... Edward por favor eduque eles. – Tania ria com Edward.

— Anthony e Renée deixem seu tio agora mesmo!

Eu sabia como James amava isso, mas eles tinham que ter uma postura.

— Mamãe os biscoitos estão prontos? Tia Tânia eu que fiz com a mamãe.

Tânia sorriu para nossa princesa de quatro anos. Passaram rápido esses quatro anos.

— Eu vim aqui só porque eu soube que você esta se saindo melhor que sua mãe!

Nossa menina ficou corada. Nossa linda princesa queria ser cozinheira como eu. E ficava muito orgulhosa de ter ela comigo.

— E eu tia? Sou bonito como o papai, mamãe diz isso o tempo todo.

— Um conquistador! – James falou rindo.

— Tia Ang diz que se mamãe não quiser mais o papai, ela casa com ele.

Ângela e suas pérolas, revirei os olhos pensando no que mais ela falava para as crianças quando ficava com elas.

— Vamos pegar os presentes no carro Don Juan porque as damas não carregam peso.

James saiu com Anthony e eu sorri com ele achando que iria carregar algo muito pesado.

— Por que voltaram cedo? – Tânia sorriu para mim e Edward.

— Estou grávida!

— Oh.. meus parabéns! – eu a abracei seguida por Edward. Ela estava tendo dificuldades para engravidar, mas James estava sendo excelente. Eles conseguiram achar aquele ponto de equilíbrio que precisavam. James abriu filiais da sua empresa pelo mundo, Tânia amava ir com ele em suas viagens e ajudar Edward quando possível representando a empresa deles.

— Mamãe nossos biscoitos! Tia Ang está chegando e ela disse que quer um montão.

— E Peter come um montão. – falei rindo e levando nossa menina para cozinha.

Ela me ajudou a colocar eles em um prato bonito, separou o de Ângela e Peter que viriam mais tarde e voltamos para a sala que agora estava cheia de presentes.

— Ben chega cedo hoje? – perguntei a Edward.

— Sim, Bill o liberou para vir jantar conosco.

Depois de alguma relutância, Ben aceitou o emprego que Edward ofereceu com Bill como segurança, ele ganha mais e fica mais tempo em casa. Ângela não precisava trabalhar e por isso me ajudava com as crianças enquanto eu estudava ou estava fazendo algum curso. A porta abriu e Esme entrou com Carlisle sorrindo.

— Presentes! – ela disse vendo nossos filhos rodeados de embrulhos e as crianças correram para a avó. – Pensei que tinham esquecido essa velha.

— Mamãe a senhora parece mais jovem a cada dia.

— Oh... obrigada meu filho.

— Achamos melhor passar aqui antes que fossem para Forks ver seu pai Bella.

— Vamos amanhã, ficaremos uma semana com papai. É temporada de pesca e ele quer levar as crianças.

— Então me sinto convidado. – Carlisle disse. – Seu pai e eu queremos pescar novamente.

— Da última vez você não caiu dentro do lago? – James perguntou sorrindo.

— Foi um acidente! O peixe era grande.

— Não tinha peixe Carl. – Esme disse abrindo os presentes com as crianças.

Nós rimos e ficou combinado que Esme e Carlisle iam conosco. Edward me deu de presente uma casa mais afastada da cidade e nós tínhamos como receber todos da família e papai tinha como ver as crianças.

— Amor a confeitaria ligou, eles estão com um problema em uma entrega.

Olhei minha casa cheia. Eu teria ir lá e ver o que estava acontecendo.

— Podem ir, ficamos aqui com esses pequenos. – Esme disse já tirando o sapato e sentando para brincar com as crianças.

— Vou treinando... – Tânia

Edward e eu sorrimos com Esme animada com a novidade, eu peguei minha bolsa e meus documentos e saímos. Eu poderia ter ido sozinha, mas acho que isso era forma de Edward ter seus bons minutos comigo. Sorri vendo ele concentrado no caminho que estava fazendo.

— O GPS está indicando um acidente, vamos pegar um outro caminho. – era um caminho mais longo, nós quase não íamos por ele. Eu mandei uma mensagem para um funcionário e verifiquei um email antes de olhar para a janela e ver onde estávamos, Edward parou no sinal e eu percebi uma lanchonete pequena. Era uma daqueles modelos antigos, com vidros grandes mostrando seu interior, garçonetes circulando com grandes bandejas e clientes do estilo trabalhadores braçais ou caminhoneiros, olhei ao redor vendo um grande posto de parada de caminhões do outro lada rua. E ali dentro, com um uniforme rosa e avental branco anotando um pedido eu vi alguém que jamais pensaria em ver novamente. Alice. Seus cabelos estavam mais longos, pareciam não ter um corte definido e seu rosto, isso me assustou, seu rosto parecia mais velho e cansado. Não havia nele nada que lembraçasse a antiga e poderosa Alice.

O carro se moveu e fiquei duvidando se era ela mesmo, Edward nunca comentou mais sobre o assunto. O jornalista que ela tinha amizade foi condenado e segundo Lauren fofocas com o nome dela e processos trabalhistas de maus tratos e humilhação foram abertos. Alice tinha sido processada por pelo menos cinco empregados e respondia a mais dez processos. Edward ofereceu e pagou advogados para qualquer um de sua empresa que se sentisse humilhado e quisesse na justiça buscar seus direitos. Eu não imagino como a família dela lidou com isso, mas pelo jeito como ela está eu poderia dizer que nada bem.

— Está tudo bem? – Edward pegou na minha mão e eu sorri. – Não gostaria que se cansasse tanto nesta gravidez.

O olhei surpresa. Como ele sempre sabia?

— Ah... é um menino...- abri um sorriso ainda maior sentindo aquela enorme emoção de quando ele sempre acertava o sexo do bebê mesmo antes dos médicos, ultras ou deduções de todos os tipos.

— Um menino? – perguntei divertida.

— Um menino muito arteiro. Muito mesmo.

— E como o chamaremos?

— Pensei em homenagear Emmett. – ele disse rindo. – Nosso Emmett Cullen o que acha?

— Perfeito.

Eu não me importava realmente com nomes, eu queria apenas nossa família unida, mas ver os olhos de papai quando Renée nasceu foi algo que vou guardar a vida inteira. Ela nasceu em uma tarde, ela era prevista para duas semanas depois, mas como sempre os bebês nos surpreendem. A vida nos surpreende. Ela tinha os cabelos claros e os olhos de mamãe, era uma pequena flor do campo como Carlisle costuma chamar e isso deu a papai uma vida que ele nem sabia que tinha dentro dele. Anthony é muito Edward em aparência e possui aquela jovialidade encantadora que os Cullen possuem. Eu os amava.

— Ele vai ser parecido com a mãe. – Edward parecia sempre ler meus pensamentos – E vai arrasar com os pobres corações por onde passar.

Edward estacionou o carro e vi o carro dos seguranças logo atrás de nós parando um pouco mais na frente. A confeitaria recém reformada estava lotada como desde a sua inauguração. A placa enorme me fazendo sempre sorrir. “The Secret Swan”. Não preciso dizer que isso foi uma ideia de Ângela, uma bem engraçada devo dizer.

Notas finais
É isso meus amores. Obrigada por virem até aqui comigo. Beijos e até a próxima? Os próximos? Ah... vocês nem imaginam o que está por vir...
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!