Notas iniciais
Amores da minha vida voltei! Eu tenho notas importantes para vocês e espero que leiam. A primeira nota é que tem muitas leitoras novas que nunca leram nada meu e por isso estranham eu não responder os comentários, mas eu vou esclarecer isso. Meninas eu sou muito ocupada, muito mesmo algumas aqui me conhecem do face ou do meu grupo e sabem que eu tenho uma filha, tenho uma empresa, viajo a trabalho, tenho marido como chefe e estou no processo do doutorado que estou retomando ainda com calma. Muita coisa e ainda escrevo! Eu não posto só Segredos e Mentiras, eu tenho Inocência e Medo, mais cinco fics em andamento no meu computador. Queridas, eu não tenho como responder porque eu não tenho tempo mesmo, o que eu faço é agradecer a todas vocês, responder comentários que leio aqui de forma resumida, e às vezes dar uma dica ou matar alguma curiosidade. Tem dias que tenho três páginas de comentários em cada fic, se tornou impossível responder. Eu peço desculpas, minha forma de agradecimento e respeito a você que lê e comenta é postando com regularidade. Eu faço um esforço para não deixar de postar, estar aqui sempre. Prestigiar as recomendações. Por isso, me desculpem. Outra nota importante é sobre o quebra cabeça. Guardem as peças de hoje, são importantes. E vamos ao senhor Cullen? Sou apaixonada por ele.

Eu abri o caderno manchado e com marcas de uso folheando ele e pensando que não mais me doía pensar tanto na época em que comecei a escrever nele. Eu ainda podia ouvir Ângela falando que eu precisava de uma válvula se não morreria, ela jogou esse caderno na minha frente sem qualquer delicadeza e falou: faça algo com ele Swan!

Sorri com essa lembrança.

— Esse sorrido é lindo demais.

A voz de Tânia não me assustou, eles agora entravam e saiam dessa cozinha constantemente e nem mesmo lembrava da distância que Alice impunha entre mim e Edward.

— Bom dia. – cumprimentei ela já decidindo qual receita usaria.

— Seu caderno de receitas secretas e maravilhosas?

Ela tinha um sorriso simpático e um olhar brincalhão.

— Biscoitos.

— Oh... adoro seus biscoitos. Qual a ocasião?

— Chá das cinco com uma legítima inglesa.

Ela sorriu largamente compreendendo.

— Esme é uma mulher maravilhosa! Você vai adorar ela, todos a adoram.

— Espero que ela goste do chá e dos biscoitos que eu escolhi... – falei incerta. Eu queria que ela gostasse, não queria decepcionar Edward e a confiança que ele depositou em mim.

— Ela vai adorar querida, não se preocupe com isso. Vamos nos encontrar com alguns acionistas e ficaremos fora uma parte do dia, Edward pediu para avisá-la que ele volta as quatro com a mãe e pode servir às cinco o chá.

— Vou deixar a sala de visitas pronta para recebê-la.

— Relaxe... – ela piscou e saiu.

Fiquei feliz deles passarem o dia fora, eu poderia me dedicar ao chá. Eu vi algumas bandejas que queria usar, eram menores e de prata, ficariam elegantes e ao mesmo tempo aconchegantes para um chá íntimo. Fiz biscoitos de canela, bolinhos de baunilha recheados com creme inglês e fiz na animação mais alguns pequenos e lindos biscoitos recheados. Separei tudo que poderia precisar ou eles poderiam querer, arrumei a sala de visitas e coloquei um lindo arranjo de flores que pedi para Bill providenciar.

— A sala ficou magnífica. – Bill elogiou e eu sorri. Ela tinha ganhado vida sim com as flores e com a arrumação mais íntima.

— Espero que o senhor Cullen não se importe com a organização dos móveis, depois eu posso colocá-los no lugar.

— Tenho certeza que ele não gostaria disso. – eu queria falar em voz alta como eu gostaria que ele mantivesse a arrumação, estava uma sala elegante e ao mesmo tempo aconchegante. – Precisa de ajuda com algo?

— Incrível como sempre está disposto a ajudar ela Bill.

Olhei para a porta vendo Edward e corei um pouco nem ao menos sabendo o motivo disso.

— Vim trazer as flores senhor Cullen, espero que sua mãe tenha feito uma ótima viagem.

— Ela fez, pode nos esperar as seis. Não demoraremos mais que isso.

— Sim senhor.

Ele saiu e então o clima ficou mais ameno.

— Sua mãe está vindo?

— Ela foi no banheiro trocar de roupa, alguma aeromoça desastrada derramou café em seu conjunto.

— Se ela precisar de qualquer ajuda...

— Gostei da sala... – ele comentou olhando com atenção cada novo detalhe. Corei mais um pouco se possível.

— Vou preparar tudo para servir o chá.

— Lugar para três Isabella. – ele disse misterioso.

Olhei surpresa para Edward, mas eu fui até a cozinha voltando aos poucos para ir arrumando tudo como eu imaginei. Na última viagem trazendo o bule com as xícaras eu vi uma mulher sentada na frente de Edward, ela estava usando um lindo conjunto vermelho e seus cabelos dourados caiam lindamente. Edward se levantou assim que me viu me ajudando com a bandeja.

— Essa é a responsável por essa linda mesa! – ela sorriu e seu sorriso me lembrou o de Edward.

— Mãe, eu lhe apresento Isabella. Isabella essa é minha mãe Esme Cullen.

Sorri para ela cumprimento rapidamente.

— Sente-se querida. – ela apontou para o lugar vazio e eu olhei para Edward pensando no convidado extra.

— Vamos Isabella, seu lugar a espera. Vamos tomar esse delicioso chá.

— Eu... não...

— Venha querida. Me explique cada biscoito e bolinho.

Eu me senti a vontade, eles queriam mesmo que eu estivesse ali, mas era estranho. Eu era a empregada, deveria servir. E no entanto, quando sentei Edward começou a nos servir perguntando nossas preferências ou como era mais adequado apreciar esse chá.

— Isso é uma combinação perfeita! – Esme exclamou tomando um pouco. Eu tomei em minha melhor postura. – Como aprendeu querida a fazer esses bolinhos?

Ela admirava o pequeno bolinho que continha creme inglês e um pedaço pequeno de morango em cima, Edward pegou um sem fruta, mas continha chocolate ralado.

— Fiz um curso de culinária avançado.

— Você tem o dom! – ela disse sorrindo depois de comer um, Edward sujou as mãos com o creme e esquecendo da etiqueta os limpou com a boca. – Esse menino parece que não tem educação. Não ligue por favor... não parece, mas dei a ele o meu melhor...

— Papai dizia que eu não tinha jeito porque minha avó me estragou para o mundo.

Edward e Esme sorriram.

— Seu pai deve admirar suas habilidades na cozinha. – eu tentei ignorar a pontada no coração toda vez que eu ouvia alguma referência de papai e meu presente, mas eu escolhi o assunto.

— Ele se aproveitava muito. – falei e sorri sem me convencer que aquilo soou alegre.

— Quantos dias fica mamãe?

Eu agradeci a Edward silenciosamente pela troca de assunto, Esme falou por longos minutos como ela queria visitar algumas amigas e ser turista por um dia ou dois. Ela prometeu aparecer mais uma vez com qualquer desculpa para saborear mais uma vez esse verdadeiro chá inglês.

Impossível não admirar a conexão que ele e Esme tinham, como ela olhava orgulhosa para Edward quando ele dizia como os negócios estavam indo ou quando ele falava algo banal sobre um vídeo na internet. Edward insistiu que eu arrumasse tudo no outro dia e me despedi deles acenando para o carro enquanto caminhava até o metrô, o tempo tinha mudado e eu queria que não chovesse.

Os dias iam passando e era impossível não me sentir mais a vontade e até mesmo feliz. Eu estava feliz. Eu gostava de Tânia e de Edward, ele era diferente de tudo que eu poderia imaginar quando fui contratada e aquela parte calma e silenciosa que eu agora estava me deixava de uma certa forma confortável.

— Como vai embora hoje? – estranhei a pergunta de Edward. Olhei para ele sem entender. – Está caindo uma chuva muito forte, mandaram as pessoas se abrigarem e fecharam o metrô. Faltou luz em alguns pontos.

O telefone anexo a cozinha tocou e eu corri para atender pensando em ser Alice ou Bill.

— Bells não volte...minha vizinha disse que seu prédio está sem luz e está tendo assaltos na rua... Fiquei apavorada com a possibilidade de estar na rua.

— Nem imaginava que poderia estar assim...

— Você precisa de um celular Swan! – ela gritou e eu sorri.

— Eu preciso mesmo. Obrigada por ligar.

Desliguei olhando para Edward, ele estava me encarando com um olhar curioso.

— Me desculpa... minha amiga está assustada com a chuva...ela disse que meu prédio está sem luz....Dei esse número para uma emergência.

Ele sorriu parecendo muito mais relaxado.

— Que isso. Ela está certa... tem uma televisão na sala de visitas. Quer ir até lá?

— Mas... isso...

— Parece que a chuva vai demorar a parar e não posso deixar você se arriscar assim. O prédio conta com comida, banheiros e geradores capazes de sustentar tudo por mais de seis horas. Não há necessidade de sairmos daqui e encaramos esse temporal.

Mordi os lábios incerta. Não queria me arriscar mesmo, assaltos e possíveis abusos poderiam estar a minha frente e Edward estava sendo gentil.

— Por que é tão difícil você aceitar que as pessoas podem gentis?

Olhei assustada pensando que poderia ter falado algo em voz alta. Ele me olhava realmente interessado na resposta, como se tivesse estudado minhas expressões a cada conversa nossa.

— Eu.. bom...

— Toda vez que somos gentis, você nunca espera isso. Você está preparada para aceitar a pedra que alguém possa jogar em cima de você, mas nunca uma gentileza.

Ele realmente sabia muito de mim, sem saber de nada. Fechei meus olhos reprimindo sentimentos e imagens.

— As pessoas podem ser cruéis demais. – disse sincera. Ele me olhou compreensivo.

— Vamos assistir algum filme. E aproveitar a noite sim?

Assenti indo com ele até a sala de visitas e sentando no sofá que ele indicou. Edward pegou um controle e uma tela desceu me surpreendendo, por isso eu não imaginava que havia ali uma televisão. Ele tirou os sapatos e sentou a uma distância confortável colocando seus pés em cima da mesa e sorri.

— O que foi? – ele afroxou a gravata.

— Papai fazia isso vendo os jogos.

— Seu pai bebia cerveja?

— Toda vez que chegava em casa ele bebia uma cerveja para relaxar, nós jantávamos e depois ele ia ver o jogo gravado. Ele adorava beisebol e basquete. Aos sábados a casa estava cheia de policias entrando e saindo, trazendo algum lanche e sentando para ver mais um jogo. – eu ri lembrando da bagunça – ele é uma pessoa fantástica. O seu sorriso é o mais simples e contido, mas ele sorri e eu acho essa a melhor parte do dia.

Eu parei de falar vendo como Edward parecia estar apreciando ouvir mais disso.

— Quando parou de falar com ele?

E me assustei como ele conseguiu entender isso.

— Há seis anos atrás. – a dor veio forte em meu peito. Primeira vez que eu falava de meu pai com alguém que não fosse Ângela.

Ele assentiu e ligou a televisão, como ele sempre sabia quando a conversa tinha chegado ao máximo da minha capacidade?

— Diário de uma paixão? – ele perguntou apontando para o filme que estava passando e eu sorri divertida.

— Porque nós mulheres temos que gostar de romances?

— Você tem cara de quem gosta. – ele falou sorrindo.

— Admiro o cinema francês. – ele sentou mais relaxado e sorriu.

— Surpreenda-me senhorita Swan.

— Jules e Jim – uma mulher para dois, de 1962 o filme fala de amor e infidelidade. Clássico filme de François.

Ele me olhou surpreso.

— Lucas Salgado. – ele disse o nome do diretor e eu sorri.

— O último metrô.

— Jean Renoir.

— Fácil. A regra do jogo de 1939. Ele atuou, dirigiu e escreveu o roteiro do filme.

—Luiz Buñuel.

— A Bela da tarde, 1967. Adaptação de um livro. Filme mais comentado no Festival de Veneza da época.

— Jesus você é ótima nisso. – ele disse sorrindo seu sorriso mais lindo e aberto. Amei ser a pessoa para quem ele sorriu dessa forma. — E com certeza já assistiu todos esses mais de uma vez.

Dei os ombros.

— Já, todos eles. Mais de uma vez.

— Você parece que nunca vai parar de me surpreender Isabella. – ele riu e eu sorri me sentindo corar. – Então vamos de clássicos. – ele apertou alguns canais e eu sorri com o filme na tela.

—Os sinos de santa Maria. Não há menção do primeiro filme, mas o ator que faz o padre é o mesmo e ele se vê em uma nova situação. Laçado em 1945 ele é um clássico leve e utópico. Todos são gentis, amáveis e tudo acaba bem apesar das dificuldades que cada um enfrenta.

— Ótimo! Assim você aprende um pouco sobre como as pessoas podem ser boas!

Ri da expressão decidida de Edward e me voltei para a tela.

Notas finais
Bom meninas...sei que pode ser muito pedir isso, mas o que acharam disso?