Segredos do Passado
6 Passado
Notas iniciais
Tsuzuki finalmente estava acordando. Sua cabeça doía e, ao tentar se mover, sentiu todo seu corpo doer por conta de estar preso. O espaço em que estava era bem escuro, frio e grande – não conseguia avaliar muito mais o entorno, sem que seu corpo doesse. Precisava se acalmar e tentar lembrar o que aconteceu depois de tentar voltar para seu mundo. Era a coisa mais lógica a se fazer, se não o tivesse dado uma crise imediata de pânico.
{Flashback ON}
Ele e os companheiros voltavam para Enma Cho, quando sentiu uma força puxa-lo do caminho. Tsuzuki caiu de volta em terra, próximo a uma propriedade que desconhecia e sem saber muito bem como algo o puxou; isso até se lembrar da teoria sobre Muraki. Seu medo foi imediato e ele se levantou, em posição de defesa, o mais rápido que pode.
Olhou em volta, buscou sons estranhos e tentou localizar presenças. Nada! Não ouvia sequer um inseto ou o vento na grama. O terreno lembrava um filme de terror para ele. Começou a andar para dar a volta na casa e, sem o menor aviso, foi contido por um feitiço. Se lembrava daquele circulo roxo! Havia sido paralisado do mesmo jeito durante o caso da cantora Maria Won.
Foi nesse momento que escutou a risada de Muraki e o viu vir em sua direção. Bem perto, ele começou a toca-lo e se vangloriar de tê-lo capturado finalmente. Tsuzuki apenas o encarava com raiva e tentava se esquivar dos toques o melhor que o feitiço permitia, mas cometeu um erro que o irritou ao máximo. O atacou com um concentrado de poder e perguntou se ele não fez algo a Hisoka.
Se tinha algo que Muraki não suportava, era como os dois se relacionavam. Enfurecido por, apesar da situação, Tsuzuki se preocupar com Hisoka e mais nada, Muraki cravou uma lâmina com escrituras antigas no corpo dele. Tsuzuki apagou na hora, pois era uma magia para restringir a consciência de outra pessoa – Muraki não arriscaria que Kyoto se repetisse e poderia manipula-lo tranquilamente.
{Flashback OFF}
— Eu peço que pare de se mover, Tsuzuki-san. – Muraki apareceu no cômodo em que ele estava, ascendendo as luzes (o que incomodou os olhos de Tsuzuki).
Ele viu o shinigami tentar se acalmar e encara-lo furioso! Se tinha alguém que Tsuzuki não conseguia gostar, era Muraki. Podia amar ser humano e querer sempre conviver com todos, mas esse médico era alguém que ele simplesmente não suportava – não apenas pelo que fez as suas incontáveis vitimas e pessoas as suas voltas, mas, principalmente, ao que fez a Hisoka.
— Mesmo eu tendo você, não consigo que me entregue o que quero. – Muraki foi até o suporte do livro, fazendo Tsuzuki reconhecer o artefato roubado – Estava tentando pegar o comando dos Doze Deuses, mas você os está bloqueando. Tentei alguns feitiços e, até mesmo ameaça-lo; mas eles não vieram. De alguma forma, apesar de todas as contenções que lhe coloquei e os selos que usei, você ainda consegue controla-los e me desafiar.
Tsuzuki tomou um enorme susto! Não poderia deixar seus deuses descontrolados e, por isso, os estava contendo com o máximo de suas forças – mesmo estando em perigo, pois não sabia se outras vidas estavam em risco. Agora sabendo que Muraki os queria, não deixaria que lhe escapassem nem que o mundo acabasse! Os Deuses podem querer protege-lo, mas ele também os protegeria de Muraki.
— Eu peguei este livro da biblioteca daquele Conde que vocês obedecem. – ele abriu o livro negro, dando um vislumbre a Tsuzuki de seu título – Há uma informação muito interessante aqui, referente aos antigos seres de poder que vagavam nas sombras da humanidade. – Tsuzuki estava espantando com a informação tão peculiar – Muitos nem forma física tinham, apenas assumiam alguma aparência as vezes. O mundo deles não é o humano, o dos shinigamis, dos mortos, dos demônios ou das personificações. O mundo deles é um espaço entre o véu de todos, para que sejam contidos! Esse véu tende a afinar em alguns momentos aleatórios e raros, e isso leva as sombras a passearem pelos planos que ganham acesso.
Tsuzuki estava apavorado com as informações que ele havia adquirido! Não mais lhe surpreendia o receio do Conde em ele ter pego tal livro – nunca alguém realmente deveria ler tal segredo. Por um momento lhe passou um calafrio ao imaginar quantos outros grandes segredos se escondiam naquela biblioteca e o que exatamente, esse em particular, tinha a ver com ele.
— Há milênios, algumas das mais poderosas sombras conseguiram passar para o lado humano do véu. Destas, cinco foram experimentar a vida humana o máximo que o tempo fosse permitir; acabando por criar uma união entre os seres, gerando descentes de ambas as raças. – Muraki parou encarando Tsuzuki que, por um momento, pareceu ligar todos os pontos, deixando uma lágrima de dor escapar – Os descendentes destas uniões começaram a nascer com poderes e foram sendo eliminados pelo medo comum dos humanos. As cinco grandes sombras se sacrificaram para passar uma última vez pelo véu e remover o poder daqueles que amaram em suas estadias. O mísero resquício que restou jamais deveria gerar pessoas que sofreriam o que seus primeiros descendentes sofreram.
Cada palavra torturava Tsuzuki ao extremo! Se aquilo estava ligado a ele, então de fato não era humano. Realmente havia nascido com características e poderes de seres de outro mundo! Toda a solidão, desespero e desprezo que passou, desde seu nascimento, agora faziam sentido – até mesmo a cor chamativa de seus olhos fazia.
— Já percebeu, certo? – Muraki sorria satisfeito – Uma destas linhagens é a minha e outra é sua. – o shinigami estremeceu – Nós somos os primeiros a nascerem com poderes em milênios! Somos verdadeiros descendentes da escuridão. Eu posso ter nascido apenas com alta aptidão para feitiços, mas você nasceu com tudo! A resistência, os olhos, o poder e o tempo. Esse livro nos tem registrados! Minha vida não tanto quanto a sua, pois a sombra que gerou minha família não era tão forte; mas a sombra que gerou a sua, era uma das mais implacáveis já vistas. – Muraki foi até um determinado capitulo do livro, e começou a ler algumas informações.
“Em 1899, uma criança de olhos ametistas nasceu em uma simples casa. Com traços delicados e suaves, olhos inéditos e poder já evidente, a criança é constatada como herdeira dos poderes remanescentes da sombra de sua linhagem.”
“A criança não tem conhecimento de que não é humana e tenta conviver com eles. É odiado e facilmente perde o controle dos poderes – mesmo que tente suprimir inconscientemente. Desenvolveu desprezo por seus olhos, por serem a característica que os humanos parecem mais ressaltar e odiar.”
“Um dia o menino se descontrolou e, no curso, concretizou uma jacina de humanos. Enlouqueceu neste período e foi em busca de um lugar para morrer. Em 1917, encontrou uma clínica que se inclinou a atende-lo gratuitamente.”
“Durante 8 anos o rapaz tentou se matar, sem sucesso. Em um dia, em que seu corpo finalmente parecia estar começando a desfalecer, ele conseguiu o suicídio que buscava. Na verdade, sua vela vinha causando estranhamento no mundo dos shinigamis e, em vista de sua agonia insuportável e o risco de descontrole por isso, ela foi apagada durante a tentativa.”
“Verificando as qualidades do rapaz, foi constatado que, apesar dos riscos, ele seria testado para o trabalho de shinigami. Passou com tamanha excelência, que não pôde ser negado. Foi escalado ao trabalho e seguiu tendo sua origem em segredo.”
“O shinigami, com menos de um ano no serviço, provou todas as suas qualidades e mais! Em um mês podia usar feitiços de larga escala com perfeição e, em 8 meses, cumpriu um trabalho com personificações que, no curso, resultou em formar um contrato com os Doze Deuses.”
Muraki finalmente parou de ler, enquanto encarava o estado em que Tsuzuki havia ficado. Quanto terror em tão pouco tempo – a concretização de seus mais obscuros pesadelos e horrores. Muraki sorria satisfeito em estar quebrando Tsuzuki – assim, talvez, conseguisse acessar os Doze Deuses e controla-lo da mesma forma.
— O interessante é que este livro se escreve sozinho. Parece que a cada 4 ou 5 dias, as palavras simplesmente surgem nele. Se forem coisas sérias, como eu ter conseguido lhe capturar, a informação vem imediatamente as páginas. Parece um tipo de alerta. – Muraki realmente cuidaria eternamente daquele livro que tanto lhe deu para usar.
Se silenciou e caminhou até Tsuzuki. O shinigami estava a-responsivo a tudo. Fazia o máximo e além, para dissociar da tortura psicológica e, assim, conseguir controlar os Deuses para que fossem salvos de Muraki. O médico deu de ombros – assim seria mais divertido.
................................................................................
Na Enma Cho, Hisoka tentava se acalmar, para ajudar na busca por Tsuzuki – processo já andando há 5 dias. O próprio Conde tentava ajudar, mas não estava muito capaz de se concentrar adequadamente.
Ele sabia sobre Tsuzuki há muito, muito tempo. No entanto, era absolutamente proibido de intervir com ele ou revelar o segredo de sua linhagem. Sabia a dor de não ser correspondido e aceito por ser diferente.
A verdade? Estava vivo na época em que as sombras passaram pelo véu pela última vez, quando as linhagens surgiram. Havia nascido com poderes extraordinários e sempre fez de tudo e mais para ser o mais humano possível. Ele fugiu do lugar onde morava, pois foi requisitado para ajudar a abater os descendentes das sombras e se negou.
Fugiu não por perseguição, mas pelos gritos serem insuportáveis. Morreu jovem de uma doença desconhecida e, no mundo dos mortos, não demorou a subir ao status de poder onde esta hoje. Postura, dialética, comportamento e, entre seus poderes, um em particular tão específico (este era, literalmente, avaliar a vida de outras pessoas, o que lhe garantiu o cargo na Casa das Velas), garantiram isso.
Durante a busca, Tatsumi passava muito tempo com Hisoka. O ajudava a ficar calmo e o confortava pela falta que Tsuzuki lhe fazia – além do medo pelo que Muraki não pudesse o estar fazendo. Se o menino não fugia dele, conseguia ter esperanças e ainda o convencer a querer viver, então ele o apoiaria e ajudaria o quanto precisasse – ele era a única pessoa no mundo a quem confiaria Tsuzuki.
Finalmente uma pista lhes surgiu! Havia uma residência particular bem grande, onde, há muito anos, foi uma clínica médica. Tudo sobre a clínica parecia ser sigilo de governo, mas, se lembrando do histórico familiar de Muraki, muito possivelmente era a casa dele. Checando o dono, descobriram ser o mordomo de uma das mais antigas vítimas dele.
Só podia ser ele! Era a única pista de onde Tsuzuki podia estar e os shinigamis acataram como um convite a uma ‘visita’. O Conde consentiu que fossem até o local e exigiu ser avisado quando Tsuzuki estivesse seguro.
Hisoka, Tatsumi, Gushoushin (os dois), Watari e Konoe, pararam em frente ao grande terreno, quando Hisoka começou a agoniar no chão. O menino mal respirava ou sequer conseguia se manter em pé.
— O que foi Hisoka!? – Tatsumi estava extremamente preocupado e evitava ao máximo o impulso de toca-lo (apenas iria piorar sua empatia).
— Algo aconteceu... está acontecendo, com o Tsuzuki. – os shinigamis se assustaram – Posso sentir ele daqui! – Hisoka desesperadamente tentava continuar a respirar – Parece vir de baixo da casa.... – ele não conseguia seguir a frase, sem precisar de ainda mais ar.
— Hisoka, concentre-se! – Konoe chegou perto, sem toca-lo – Consegue sentir se é parecido com o descontrole que ele teve em Kyoto? – Konoe tinha que saber.
— Sim. – Hisoka apavorou todos ainda mais.
— Tatsumi! – Konoe estava tão nervoso, que parte de seu poder começou a fazer a terra tremer – Entre com o Hisoka, salvem o Tsuzuki, detenham o médico da maneira que for necessária e recuperem o livro. Watari e Gushoushin, eu e vocês vamos fazer barreiras de contenção, em toda a volta dessa casa. O que quer que aconteça, não vai passar daqui e, muito menos, desta noite. – ele jamais esteve tão possesso.
Suas ordens foram confirmadas e correram para cumpri-las! Salvar Tsuzuki tinha absoluta prioridade.
Fale com o autor