Segredos do Passado

1 Investigando o caminho


Notas iniciais
Começando aqui mais uma história, mesmo eu tendo outras paradas pras quais estou sem inspiração.
Essa vai revelar vários segredos e emocionar em todos os graus e sentidos!
Desfrutem ao maximo e me deixem um comentário se possivel ;)

Hisoka discutia com Tsuzuki a caminho do trabalho. Desde Kyoto que ele não vinha se sentindo bem, mesmo ainda sorrindo e comendo doces loucamente. Para vigiar o parceiro, Hisoka pegou a chave de seu apartamento e fez uma cópia – agora podia impedir que se atrasasse para o trabalho e ficar de olho em suas crises de culpa e agonia.

Chegando no escritório, Tatsumi os aguardava com alguns documentos em mãos.

— Tsuzuki-san e Kurosaki-kun, aí estão vocês. – Tatsumi veio cumprimenta-los – Bom dia.

— Bom dia, Tatsumi-san. – Hisoka foi o único a responder, pois Tsuzuki ainda terminava um doce que tinha.

— Venham, temos uma reunião de trabalho urgente. – Tatsumi os direcionou para a porta com pressa.

— Já!? – Tsuzuki protestava – Acabamos de chegar e eu nem terminei meu outro bolo. – ele olhava triste para uma caixinha que ainda segurava.

— Tsuzuki! – Hisoka lhe deu bronca – Agora não é hora para isso! – ele rapidamente deixou o bolo em cima de sua mesa – Vamos! – agarrando o parceiro pelo colarinho do sobretudo, Hisoka o arrastou junto de Tatsumi.

— Kurosaki-kun, não é por aí. – Tatsumi viu que Hisoka ia para sala de reuniões usual – Nós vamos diretamente a residência do Conde. – suas palavras surpreenderam e assustaram.

— O Conde!? – Hisoka não podia acreditar.

— Tatsumi, o que aconteceu? – Tsuzuki automaticamente ficou sério e perguntou.

— Nem eu ou o Konoe sabemos ao certo. O Conde apenas pediu todos os shinigamis disponíveis o mais rápido possível. – com estas palavras, os três correram até a residência do Conde.

A mansão estava cheia de shinigamis – todos em um grande auditório! Tantos funcionários ali, que alguns nem Tsuzuki se lembrava de já ter conhecido. Com os dois presentes, Konoe recebeu permissão do Conde para anunciar o motivo da emergência.

— Recentemente as mortes relatadas não tem sido compatíveis com o número de almas que chegam ao mundo dos mortos. – Konoe foi direto e elevou murmúrios de surpresa e alerta.

— Fiquem calmos!! – Tatsumi ergueu a voz para silenciar os colegas, o que funcionou.

— Não sabemos ao certo quantas almas estão faltando, porém constatamos que sozinhas elas não podem fazer o caminho e que maioria não possuí pendencias. Todos serão divididos em equipes, com uma lista de almas para encontrar e guiar. – Konoe prestou atenção na plateia – O que foi, Tsuzuki?

— Chefe, algo está estranho aqui. – ele estava extremamente sério e tinha a atenção dos colegas – Se estas almas não tem pendencias e suas entradas foram sim registradas, significa que estamos lidando com algo que pode retira-las da passagem ou bloqueá-las. – sua colocação apavorou a todos – Demônios não trabalham dessa forma; eles se divertem muito mais com o tormento das vidas humanas através de pactos. Se fosse alguém fazendo feitiços, teríamos que pensar em uma escala gigantesca de organização e poder. Deuses até podem realizar uma façanha dessas, mas é inviável pensar que algum lucraria com esse caos. Shinigamis apenas enviam as almas, nós não interferimos no caminho e, se alguém tentar, seu espirito ira sofrer graves danos e o registro de nosso sistema irá denuncia-lo. – ninguém podia contrariar o raciocínio ou conseguia reagir a verdade que ele expunha – O que quero dizer é: Exatamente o que estamos procurando, que pode fazer algo assim?

— Tsuzuki-san. – o Conde deu um passo à frente – É exatamente esse o problema! Não sabemos ainda o que procurar e nem por onde começar, contudo nosso dever é claro: guiar as almas. Então começaremos por aí e, no decorrer do processo, todas as equipes deverão investigar o máximo que puderem. Quando tivermos todas as informações, veremos se há algo que possamos fazer. – ele finalizou com a atenção de todos.

— Vamos prosseguir! – Konoe decidiu acelerar a conversa – Vou estar em campo em uma das equipes e cada equipe deverá se reportar diariamente ao Conde, que será auxiliado por Gushoushin. – ele terminou apontando para os dois pássaros.

Konoe chamou as equipes, entregou as listas e dispensou a todos. Ele, Tatsumi, Tsuzuki, Hisoka e Watari iriam compor uma das equipes. Os cinco foram para a primeira cidade de seu trabalho, onde três almas deveriam ser guiadas. Era uma família que morreu em um acidente de carro, algo bem comum e que não costumava gerar essas situações.

Procurando pelos fantasmas em sua antiga casa, trabalho, escola, restaurantes e parques, os cinco nada encontraram. Nem um sinal das almas ou motivo para não conseguirem seguir em frete. Uma família normal, nenhum inimigo em particular, nenhuma doença ou sinal de que alguém os matou.

Sabiam que, pelos reportes, as outras equipes estavam tendo o mesmo problema. As almas eram de pessoas completamente normais e eles não conseguiam acha-las ou estavam demorando demais para conseguir. Tentando ao máximo e seguindo uma dica, que o poder de Konoe forneceu (este consistia na capacidade de sentir e discernir espíritos), eles finalmente acharam as almas. Levaram quase quatro dias inteiros para encontrar!

Elas estavam escondidas perto de um pequeno templo abandonado em uma floresta. Assustados, foi preciso muita calma para convence-los a deixar ajudar.

— Não precisam ter medo de nós, estamos aqui para ajudar vocês a irem em paz. – Watari tentou ser o mais delicado e gentil possível.

— Ir em paz? – o homem do casal se surpreendeu.

— Vocês podem fazer isso por nós? Temos certeza de que morremos semana passada, mas não sabemos porque ainda estamos aqui. – a moça suplicou na esperança de ser verdade.

— Sim, podemos e vamos. Só precisamos que nos deixem ajudar. – Tatsumi conseguiu que aceitassem a oferta.

— Porque você está tão assustado? – Tsuzuki se abaixou próximo ao pequeno menino, que o casal tinha – Se algo te assustou, pode me contar. Eu vou te ouvir e ajudar. – aquele sorriso gentil, que apenas ele podia fazer, foi mais que o suficiente para a criança assustada.

— Eu não quero ser puxado de volta! – ele tremia – Quase que me separei da mamãe e do papai. Não quero ir de novo. – ele começou a chorar.

— Puxado de volta? – Tsuzuki e os companheiros se encararam em dúvida – Isso é incomum de acontecer. Porque não me explica melhor para ver se posso ajudar? – ele foi o mais suave possível na pergunta.

— Eu não tenho certeza... Estávamos andando por um caminho e, de repente, estávamos de volta ao local do acidente. – o homem deu a explicação, já que o filho não conseguiu – Nossos corpos estavam no chão e ninguém nos via.

— Será que não tinha ninguém estranho no local? – Hisoka perguntou, aproveitando que Tsuzuki já os havia convencido a falar.

— Ninguém em particular. – a mulher respondeu.

Deles nada mais iram tirar. Então partiram para a parte de guia-los – o que seria a primeira vez que Hisoka ia ver. Nos seus últimos trabalhos, apenas fizera investigações para o bem de outras vidas, não havia ainda visto como fazer aquilo – e era algo que lhe preocupava. Sabia que, o que mexeu com a parceria de Tatsumi e Tsuzuki, foi um trabalho onde levaram a alma de uma criança.

A família ficou em pé e Tsuzuki concentrou sua energia em torno deles. Rapidamente uma luz os envolveu e os três desapareceram. Tatsumi ligou para Enma Cho e pediu a constatação de suas entradas, o que foi positivo! Haviam chegado.

Três almas, da lista de vinte, enviadas e o dia já havia acabado. Eles se retiraram, para a casa que estavam usando, discutiram suas descobertas, comeram e decidiram descansar. Hisoka, contudo, não conseguia dormir e acabou perdido em pensamentos na varanda.

— Kurosaki-kun. – Tatsumi o abordou com uma xícara de chá – Não está com sono?

— Tatsumi-san! – o shinigami o surpreendeu – Não estou conseguindo dormir. E você?

— Também não. – a reação de Tatsumi foi bem clara para Hisoka! Ele abaixou um pouco o olhar e ajeitou os óculos, dando ainda uma brecha para que ele pudesse sentir uma dor profunda vinda de seu coração.

— Isso tem a ver com o trabalho que você e o Tsuzuki fizeram no passado? – Hisoka tinha que saber e fez Tatsumi se arrepender de dar uma brecha com um empata do lado.

— Ah, fui descuidado. – ele suspirou em um meio sorriso – Bem, sim. Tem relação com aquele trabalho. – Tatsumi sabia que não poderia esconder dele, agora que tinha sincronizado com seus sentimentos – O que você sentiu no Tsuzuki, quando ele guiou as almas?

— Eu não entendi muito bem no começo, mas percebi que ele estava aliviado. – Hisoka foi sincero.

— Existe diferença em você guiar alguém que já está morto e ter que guiar alguém que está morrendo. – suas palavras abalaram o coração de Hisoka, o deixando sem reação – Naquele trabalho, tínhamos que enviar uma criança bem jovem que estava internada em um hospital. A luz de sua vela já estava se extinguindo, porém, as medicações que ingeria não estavam deixando a alma e o corpo se separarem facilmente. Foi aí que nós dois fomos até a criança e a levamos exatamente quando o tempo acabou. – ele precisou parar para se recompor.

Tatsumi jamais esqueceria a tristeza e o desespero que Tsuzuki sentiu nas semanas que se seguiram a aquele trabalho – um que se tornou comum com os avanços que os humanos vinham fazendo na medicina.

— Então esse foi o motivo dele ter ficado tão abalado daquela vez. – Hisoka olhou para dentro do quarto, onde via Tsuzuki perfeitamente reto no futon.

— Sim. Em algum momento, na vida de um shinigami, essas ocasiões acontecem e temos que arcar com suas consequências. – Tatsumi foi sincero com ele – Não pense muito nisso agora também! Precisamos descansar para ajudar as outras almas que faltam. – ele sorriu e entrou, deixando Hisoka sozinho.

A noite se estendeu, acabou e mais um dia começou! E outro, outro, outro.... Foram duas semanas para acharem todas as almas e as guiarem! Todas com o mesmo perfil, tanto as de sua equipe quanto das outras. Inclusive várias persistiam na afirmação que foram ‘puxadas’ de volta do caminho.

O próprio Conde foi checar o caminho, para ter certeza que realmente tudo estava bem e realmente nada estava errado. Era algo que não fazia sentido mais! Mas também não podiam se preocupar muito agora. Alguém tentou invadir a Enma Cho!

O invasor nada conseguiu e também não foi identificado. O problema era: para entrar e sair de lá, você precisar ter a liberdade de mover-se entre os planos ou a ajuda de alguém que possa fazer isso. Mas todos foram reportados em trabalho e não haviam falhas na segurança também.

Outro problema era o alvo! Uma sessão de livros que nem mesmo o Conde podia tocar. Eram históricos antigos e proibidos, com segredos antigos que ninguém jamais deveria profanar.

................................................................................

Os shinigamis tentaram por muitos outros dias descobrir o que havia se passado com as almas, mas não conseguiram nenhuma conclusão. Watari e outros pesquisadores do grupo ficaram exaustos de tentar e chegar em nada. O estranho é que a situação parecia ter se normalizado.

As almas continuavam a vir normalmente, um ou outro caso de pendencias em vida aparecia e nada de diferente acontecia. Com os shinigamis também exaustos dos dias de vigília, em que sequer puderam ir para casa, Konoe recebeu permissão para organizar grupos que pudessem ir descansar e revezar com outros que precisassem.

Tsuzuki e Hisoka se incluíam para o descanso! Estavam no quinto grupo que iria descansar e ajudaram muito no escritório nesse período de espera. Hisoka levou Tsuzuki até seu apartamento e teve certeza de esperar até ele estar indo dormir – sabia muito bem que, depois de levar tantas almas e ainda fazer esforço físico em excesso, ele deveria estar precisando e, no entanto, se atormentaria pelas vidas que se foram se fosse deixado sozinho.

Tsuzuki não podia deixar de se divertir com o jeito um pouco atrapalhado dele. Hisoka nunca soube o que fazer ao certo por uma pessoa em dificuldades, mas com Tsuzuki seu obstáculo era outro: o estar próximo das emoções dele. Sentia as de Tsuzuki com muita facilidade! Sua dor e agonia, a calmaria súbita que ele tinha quando os dois estavam próximos e a verdadeira suavidade de seu coração quando o confortava.

Um conflito diferente do que estava acostumado a sentir e que começou a destacar em suas próprias emoções. Era um sentimento que já havia passado da pareceria e não mais podia ser colocado como amizade, era um sentimento de família. A que ele nunca teve e sempre desejou, mesmo que o sentimento com Tsuzuki nem sempre fosse destacado ali com facilidade, tudo bem. Hisoka apenas queria estar junto do parceiro e tentar ajuda-lo o melhor que podia, assim como ele fazia por ele.

Notas finais
Começando com mistério e emoção!
Fiquem ligados para o segundo capitulo, onde muito irá acontecer e todos ficaram com a pulga atrás da orelhas ;p