Segredos do Passado

2 Anjo Branco – Demônio Branco


Notas iniciais
Chegando com o segundo capitulo a todo vapor. Leiam e desfrutem o/

Hisoka estava cansado e foi para seu apartamento também. Era maior que o de Tsuzuki, mas não fazia diferença. Ainda era cedo, tomaria um bom banho e dormiria para repor suas energias. Com o cansaço, sua empatia ficava um pouco fora de controle e era o que mais o atormentava. Dormir seria o melhor remédio mesmo.

Já na cama, sua empatia lhe alertou perigo! Sentia uma frieza horripilante no ar, uma que apenas uma pessoa já havia lhe passado antes: Muraki. O assassino que o matou e a muitos outros, atormentou Tsuzuki além do inimaginável e destruiu outras vidas por prazer. Sabia que tinha sobrevivido a Kyoto e, se o estava sentindo, ele estava próximo!

Levantou da cama e foi diretamente ao interruptor ligar a luz, sem sucesso. Não estava achando a espada que guardava perto da cama e, no medo, foi pego por trás e sentiu algo abafar os sons de sua boca, perdendo os sentidos em seguida.

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Tsuzuki acordou tarde! Muito tarde, o que ainda estava bem, já que era folga, no entanto sentiu falta de algo: Hisoka. Desde Kyoto ele vinha todos os dias a seu apartamento ver como estava e levar-lhe para trabalhar. Talvez devesse estar tendo problemas com sua empatia devido ao cansaço, então Tsuzuki decidiu inverter os papeis e ir até seu apartamento ver como estava. Foi na porta da geladeira, onde Hisoka deixou seu endereço e número de telefone para emergências, decorou onde era e saiu.

Claro que não deixaria seu importante parceiro, amigo e família, acima de tudo, motivo de ainda estar vivo e começando a apreciar esse fato de verdade, sem seu auxílio. Chegou no apartamento e tocou a campainha, bateu na porta, esperou... Nada. Nenhum som ou reação vinha de dentro. Talvez estivesse fora, já que era muito tarde já. Perguntou a uma faxineira do prédio e ela informou que ele não havia saído ainda.

Tsuzuki agora sim estava extremamente preocupado. Tentou abrir a porta forçadamente, porem não precisou. Estava destrancada. Entrou e viu que era um lugar bem bonito. Estava bem arrumado, era um pouco maior que o seu e estava vazio. Nada de Hisoka! Tsuzuki continuou a procurar e encontrou o quarto desarrumado com a espada dele cravada no chão.

Tsuzuki automaticamente se desesperou, pegou o telefone e ligou para Tatsumi.

— Tatsumi! Alguma coisa aconteceu! – ele sequer esperou o amigo perguntar quem era.

— Calma, Tsuzuki-san. Onde você está e o que houve? – Tatsumi sabia que seu desespero era um mal sinal.

— Estou no apartamento do Hisoka. Tem um cômodo bagunçado, a espada dele está cravada no chão e ele sumiu. – o sentimento inquietante que o atormentava não ia embora e Tatsumi tentou acalma-lo.

— Tsuzuki-san, tente ficar calmo. Ele sabe se defender e nós vamos achá-lo! Não tem mais nenhuma pista que você consiga encontrar? – Tatsumi aguardou e lhe ocorreu o pensamento – Se a espada está no chão, ele pode estar no lugar onde treinou kenjutsu.

— Muraki! – depois de um longo silêncio, isso foi tudo que Tatsumi ouviu, antes de escutar o telefone cair e Tsuzuki desaparecer do outro lado da linha.

“Muraki”. Esse era o pior nome que Tsuzuki e Hisoka jamais conseguiriam verdadeiramente assimilar ou superar! Se estava envolvido, coisas ruins iriam acontecer! Era certeza! Tatsumi imediatamente pediu permissão, para Konoe, para ir ajuda-lo. Konoe foi rápido em assentir e o fez levar Watari como reforço.

Antes de ir, pegaram o endereço do local de treinos de Hisoka e de seu apartamento. Obviamente Tsuzuki já estava agindo e precisavam ser extremamente rápidos. No apartamento encontraram o que alertou Tsuzuki: um fio de cabelo platinado abandonado no chão. O mesmo convite de Kyoto e um péssimo sinal. Os dois tentaram contatar Tsuzuki de qualquer forma, mas ele não tinha celular e os shikigamis não o alcançavam. O desespero de salvar Hisoka falava mais alto.

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Na escola de kenjutsu, bem perto da antiga casa dele, Tsuzuki não era visível aos olhos humanos e procurava Hisoka desesperadamente. Se ele não estivesse usando feitiços, estaria visível. Desesperado, ele não conseguia se organizar, até ser abordado por Tatsumi e Watari.

— Tsuzuki-san! – os dois ofegavam. Não era fácil seguir Tsuzuki.

— Tatsumi e Watari!? – por aquela ele não esperava.

— Nós viemos ajudar. Se aquele médico está aqui, você e o Hisoka vão precisar! – Watari explicou.

— Obrigado. – Tsuzuki se sentiu um pouco mais calmo com eles ali.

— Vamos procurar juntos, caso o Muraki esteja por perto. – Tatsumi deu a ideia e os três foram imediatamente procurar.

Tsuzuki se lembrou que Hisoka morreu perto de uma cerejeira grande do jardim. Só havia uma lá e eles foram diretamente para ela. Sem sinal de Hisoka, mas Watari notou algo estranho. Havia uma barreira! Com as sombras de Tatsumi eles passaram e encontraram uma cena mais que desagradável.

Hisoka estava no chão, com as mãos amarradas, vendado, amordaçado, com os desenhos da maldição nítidos na pele e sem nada – literalmente. Os sons dos passos dos três shinigamis o fizeram tremer e se contorcer em desespero.

— Hisoka! – Tsuzuki correu até ele e o viram parar de se retorcer.

Tsuzuki tirou o sobretudo e colocou sobre ele enquanto Tatsumi e Watari o soltavam. Seu corpo estava gelado, não tinha forças para se levantar e as palavras faltavam enquanto lágrimas escorriam dos olhos esmeralda.

— Calma, vamos te levar de volta agora! – Tsuzuki tentou pega-lo, sem êxito. Estava tão assustado que não queria que ninguém o tocasse.

— Não... Não olhe! Me deixe em paz! – por mais que as palavras saíssem fracas, o desespero era claro.

Os três se entre olharam sem saber o que fazer. Se o levassem daquele jeito, seria um desastre. Tatsumi deu a ideia de o levarem assim mesmo para o jardim dos escritórios e lá pegarem uma maca para ele, já que não podiam toca-lo. A ideia foi aceita e assim fizeram. Nos jardins, Tsuzuki tentava mantê-lo calmo, enquanto Tatsumi prestava atenção em Tsuzuki e Watari pegava uma maca.

Colocar Hisoka na maca não foi fácil! Era um rápido e simples processo, porém suas reações de agonia tornavam algo quase impossível! Tsuzuki então teve a única ideia que podia funcionar – mesmo que o estrago fosse ser grande.

Tocou na pele de Hisoka. O susto imediato que teve com suas emoções foi passando, conforme uma apenas ficava: preocupação! Ele precisava entender que estavam preocupados com ele e tentando ajudar! Adotando a ideia, Tatsumi e Watari fizeram o mesmo e, assim, os três conseguiram colocá-lo na maca e leva-lo a parte médica.

Tsuzuki aguardou horas incontáveis do lado de fora do quarto onde estavam com Hisoka – ele sequer se lembrou de comer. Os shinigamis precisavam conferir se havia alguma maldição no corpo e exatamente o que Muraki fez com ele. Tatsumi apareceu de dentro da sala e Tsuzuki se levantou do banco desesperado.

— Tatsumi! Hisoka... – ele sequer conseguia começar a frase direito.

— Calma, Tsuzuki-san. Nós checamos tudo! Ele vai ficar bem. Não tem nenhuma maldição ou risco a vida dele. – rapidamente Tsuzuki se acalmou e Tatsumi o amparou até o chão.

— Que bom! Que bom! – ele finalmente deixava sua agonia extravasar.

— Vem. – Tatsumi o levantou e sentou novamente no banco – Você precisa de descanso também. – ele se sentou ao lado do amigo e lhe estendeu um chocolate que estava carregando – Isso deve abrir seu apetite e te deixar mais animado. Já amanhã o Hisoka vai poder receber visitas. – Tatsumi finalmente conseguiu fazer Tsuzuki suspirar de alivio e aceitar o doce.

— Obrigado, Tatsumi! – o sorriso contrastava com os olhos ametistas marejados.

— Vamos, não chore. Você é homem, certo? Agora vai ficar tudo bem. – Tatsumi secou suas lágrimas e o apoiou para saírem dali.

Tsuzuki obviamente não queria, porém Tatsumi insistiu e ambos foram comer – Konoe receberia o relatório por Watari, já que Tatsumi era, depois de Hisoka, o mais indicado para acalmar Tsuzuki.

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O dia seguinte começou com um transtorno na cede dos shinigamis. Um poder grande e descontrolado estava destruindo parte das instalações médicas. Era Hisoka! Tsuzuki havia acabado de chegar para vê-lo quando soube que estava descontrolado. Não havia ninguém ali que ele pudesse ferir e as barreiras até o estavam segurando, mas nada mudava que ele era muito forte espiritualmente para um garoto de nem 17 anos ainda.

Talvez essa fosse a ideia de Muraki! Atormentar alguém mais inexperiente e que Tsuzuki não atacaria, por ser seu parceiro os shinigamis teriam mais cuidado no que fazer (reduzindo as opções de ação) e uma situação de desespero se instalaria. Esse médico já tinha dado nos nervos além da conta para a maioria e estava irritando igualmente até quem não sabia quem era.

Sem conseguir que realmente se acalma-se e vendo que estava se machucando com as barreiras, Tsuzuki pediu que todos se afastassem e tomou as rédeas da situação.

— Rezo para os doze deuses que me protegem, revele-se para mim. Venha, Ten’itsu (*inspiração do anime Shounen Onmyouji, onde também existem doze deuses invocados por um personagem*). – chamando pela deusa, os shinigamis testemunharam a cena magnífica que se formava.

Uma moça de delicada aparência se elevava, usando um kimono lilás, leve e com contrastes dourados, cabelos loiros semi presos para trás, com olhos verdes claros e pele branca como a lua, ela flutuava perante os olhos de todos. Sua presença atraiu a atenção do Conde e outros altos membros, que não queriam os Doze Deuses Guardiões fora de controle e sabiam exatamente que Tsuzuki podia perder o controle com seu parceiro em risco.

— Deixe sua luz toca-lo! – o comando de Tsuzuki foi imediatamente respondido.

Com total facilidade, ela quebrou a barreira dos shinigamis e deixou pequenas bolas de luz tocarem Hisoka. Parecia extremamente simples, mas era um feitiço altamente poderoso e difícil de usar. Foi rápido e Ten’itsu foi embora assim que terminou. Hisoka estava no chão e parecia dormir tranquilamente sem nenhuma dor dos pequenos machucados que fizera nas barreiras.

— Hisoka! – Tsuzuki o levou de volta a uma cama, que Watari separou, e o chamou.

— Tsuzuki... – o nome do shinigami saiu devagar e fraco – O que aconteceu? – Hisoka não entendia aquela situação estranha de apenas poder ficar calmo, sem absolutamente nenhum mínimo problema, depois do que passou.

— Eu fiz um dos doze deuses te acalmar. – a resposta de Tsuzuki tirou um leve sorriso de Hisoka.

— E nós fizemos uma revisão completa em você, minuciosamente. – Watari começou – Não detectamos nada de risco no seu corpo. Nada de maldições, ferimentos ou qualquer outra coisa. Então você pode ficar calmo, que nada vai te acontecer.

Hisoka finalmente se acalmou e acabou dormindo novamente. O alívio foi instantâneo para seu coração atormentado. Tsuzuki foi ordenado a ficar com ele e usar Ten’itsu novamente para acalma-lo, se necessário – a ordem nem era necessária, pois de lá ele não sairia até o amigo se recuperar.

Watari deveria organizar a reforma das parte danificadas na ala médica, Tatsumi iria pegar um relatório de atualização com o Conde e lhe dar todos os detalhes do ocorrido e Konoe deveria ir até um pequeno conselho de superiores (*aparecem no manga*) explicar o que aconteceu para justificar o uso de um dos deuses de Tsuzuki.

Na mansão do Conde, Tatsumi explicava o incidente quando foram interrompidos pelo zumbi que o servia, Watason.

— Conde! Os livros! – o pequeno zumbi tentava gesticular o mais rápido que seu corpo permitia.

Tatsumi não sabia do que se tratava, mas o Conde pareceu entender e saiu correndo imediatamente ao último cômodo de um corredor profundo e sem nada, exceto uma porta abandonada. Tatsumi tinha certeza que não deveria estar ali! Contudo, o pânico do Conde o obrigava a precisar saber o motivo.

O Conde entrou e Tatsumi apenas espiou por fora... não havia nada além de alguns poucos livros grandes ali, então por que o desespero? O Conde não tardou a sair e rapidamente deu uma ordem de cumprimento imediato a Tatsumi:

“Soe o alarme, avise o Konoe que um dos livros desapareceu, ordene que Muraki Kazutaka seja caçado e encontrado, que o livro que ele levou seja recuperado e mande o Tsuzuki vir falar comigo. Agora!”

Tatsumi correu para cumprir as ordens enquanto tentava acalmar o medo, que o engrossar da voz do conde lhe causou.

Notas finais
Creio que todos que leram sentiram esse capitulo bastante; mas fiquem firmes que anda não acabou! Ainda tenho muitas surpresas e emoções para vocês. Agradeço comentários, se for possível.