Segredos do Passado
5 Filhote de Dragão
Notas iniciais
Tsuzuki continuava proibido de sair da Enma Cho e tomava conta de Hisoka – assim como ele tomava dele. Hisoka sabia que ele vinha estado deprimido por não poder ajudar muito e os pensamentos sobre o que Muraki estava aprontando para chegar nele dessa vez – o que quer que fosse, ele não pretendia perder o amigo! Se o médico pervertido viesse atrás dele outra vez, Hisoka estava pronto para defende-lo.
E ainda bem que sim! O Conde foi obrigado a recorrer a ajuda de Tsuzuki. Um grupo de shinigamis havia encontrado outra personificação: um pequeno filhote de dragão, branco e com olhos dourados. Um péssimo sinal, na cabeça de Tsuzuki. Um de seus Deuses era um dragão também – Seiryu – portanto sabia que existia outro dragão no mundo das personificações que ele havia alertado para nunca provocar: uma dragão branca fêmea, nomeada Takao.
Essa era uma dragão única e inédita, pertencente a categoria da natureza e com domínio sobre luz, água, gelo e espaço. Normalmente ela era calma e muito rara de se ver, contudo havia um período em que ninguém chegava perto de seus territórios. Uma vez a cada quinhentos anos ela botava um ovo de onde dragões nasciam – podia ser de qualquer categoria, inclusive já havia nascido um parasita!
Essa era a época da virada dos quinhentos anos quando o ovo já chocava. Então aquele filhote tinha que ser dela e, o único jeito de encara-la, era com Seiryu. Qualquer outra tentativa acataria em baixas e chances de erro altas demais para arriscar. O Conde ordenou que Konoe, Watari, os pássaros, Tatsumi e Hisoka fossem com ele resolver o caso.
Era para serem extremamente rápidos! Apenas sairiam quando o filhote fosse localizado novamente e, na sequência, deveriam resolver seu retorno e voltar para Enma Cho imediatamente. Nada de parar para comer ou qualquer outra coisa assim – era uma missão de ‘entrar e sair’.
Os shinigamis localizaram o filhote e enviaram o grupo imediatamente. O dragão estava acuado em um pequeno buraco de árvore e não parecia querer sair. Hisoka estava extremamente curioso pelas personificações, desde a explicação de Tsuzuki, e agora mais ainda, em ver uma tão bonita, bem de perto. Tsuzuki reparou e achou que valia como treino para quando ele estivesse pronto para ter seu próprio shiki.
— Hisoka, quando a Takao aparecer, eu vou assumir; mas enquanto apenas temos que acalmar o filhote, você pode fazer. – ele foi bem direto e chamou a atenção de todos.
— Eu!? – por aquela ele não esperava.
— Tsuzuki! Ele não tem a menor experiencia com essas coisas! – Konoe não queria arriscar a fúria de Takao ou do filhote de domínio e categoria ainda desconhecidas.
— É exatamente por isso. Isso vai ajuda-lo a ter mais experiencia com personificações, para o dia em que ele for ter seu próprio shiki. – ele explicou e todos entenderam.
— Se é assim tudo bem, mas é melhor você conduzir esse primeiro contato. – Tatsumi tinha um ponto bem importante, julgando pela inexperiência de Hisoka.
— Tsuzuki, eu tenho que começar entendendo a personalidade dele, certo? – Hisoka queria confirmar.
— Isso! – ele sorriu – Para entender a personalidade você deve analisar cuidadosamente o dragão. Sua postura, olhar, sons... O máximo que puder.
Hisoka entendeu e se abaixou para analisar o filhote. Estava bem enrolado e o mais fundo possível no tronco, então podia julgar que estava assustado. Seus olhos brilhavam e não mostravam qualquer malícia, então deveria ser bom. Uma de suas patas estava encurtada, então talvez pudesse estar machucado.
— Bem, ele não parece ser agressivo, porém está machucado e com medo. Acho que se o acalmar, vai ficar tudo bem. – ele concluiu.
— Muito bem, para a primeira análise. – mesmo ele tendo demorado bastante, Tsuzuki estava satisfeito pela conclusão acertada – Agora você precisa decidir como acalma-lo. Personificações não são empatas como você, mas podem ler seu coração quando em contato. Como ele está assustado e é um filhote, precisa convence-lo a vir até você.
Hisoka entendeu e passou para o próximo passo. Se aproximou o máximo mais que pode, parou e estendeu sua mão, perguntando se o filhote o deixaria ajudar. Essa foi uma parte bastante demorada do processo. Ninguém podia fazer movimentos bruscos ou falar, bastava esperar o filhote confiar – o que, depois de quase 20 minutos, funcionou.
O filhote de dragão saiu devagar e, no mesmo ritmo, parou junto a mão de Hisoka. Ele deu mais um passo, pegou o filhote no colo e se levantou um pouco atordoado.
— Tsuzuki, ser empata também funciona com eles? – o rapaz não conseguia acreditar que até o medo do filhote ele podia capitar.
— Funciona sim. – Tsuzuki e os companheiros riram um pouco – Fez muito bem! Foi uma ótima primeira experiencia. O que achou?
— É bem interessante. Nunca pensei que fosse assim! Mas esse foi mais tranquilo porque é um filhote e você está junto né? – Hisoka já suspeitava que sim e viu Tsuzuki confirmar – Ainda assim eu gostei, para uma primeira vez. – ele sorriu olhando o dragão – Agora como eu descubro sua categoria e cuidamos dele?
— Vamos deixar a categoria e o domínio para outra hora. É melhor ir bem devagar nas primeiras tentativas, já que seu poder pode intervir. – Tsuzuki novamente sorria gentil, fazendo Hisoka chama-lo de idiota outra vez, por o estar tratando como criança – É um ferimento bem leve e simples, podemos cuidar com ataduras que ele vai melhorar. – Tsuzuki olhou para Watari, que veio na direção de Hisoka cuidar do filhote.
— Watari-san, espera! – Hisoka o deteve – O filhote não vai te deixar tocar nele. Deixa que eu faço. – ele pediu as ataduras e Watari parou para analisar a situação.
Realmente parecia que o filhote não o deixaria se aproximar, então deixou Hisoka fazer o curativo, enquanto o instruía do processo.
— Ele conseguiu se conectar muito bem. – Tatsumi veio falar com Tsuzuki – Parece que você é um bom professor de feitiços e contratos. – ele riu brincando com o amigo.
— Obrigado, Tatsumi. Eu tenho ensinado algumas coisas a ele devagar, já que ainda é uma criança. Estou feliz de vê-lo aprender, mesmo ele achando que estou indo devagar demais e ficando irritado. – Tsuzuki sorria com a cena de Hisoka cuidando do dragão.
— Ele não é mais tão criança. Logo vai ter 17 anos! – Tatsumi tinha razão – O único problema é que ele não consegue aparentar a idade, por ter sido amaldiçoado e morto tão mais jovem.
— Eu sei. – Tsuzuki ficou sério e até um pouco triste – Mas ele não aprendeu ou recebeu muitas coisas, que qualquer criança deveria ter tido. Por isso digo que, para mim, ele ainda é uma criança. – Tatsumi gostasse ou não, Tsuzuki estava certo.
— Tsuzuki, o filhote está pronto. – Watari interrompeu a conversa.
— Muito bem. Todos precisam ficar para trás agora. – ele foi caminhando para frente dos companheiros – Eu vou chamar o Seiryu para que ele evoque a Takao. Hisoka, assim que ele chegar e eu a acalmar, você vem a frente, o mais devagar e sutil possível, e entrega o filhote para ela. – Hisoka novamente se surpreendeu – Assim que ela tiver o filhote, não de as costas a ela. Recue de frente com a cabeça baixa, ou ela poderá acatar como uma ofensa.
— Tsuzuki, precisa de tudo isso? Ela vai ficar feliz de ter o filhote de volta né? – Hisoka estava em dúvida pelo excesso de precauções.
— Ela vai ficar feliz, porém não significa que seu temperamento não estará instável e agressivo por ele ter sido levado e ainda estar machucado. – ele explicou e todos entenderam.
Tsuzuki deu sequência a ação. Rezou a Seiryu, fazendo surgir um magnifico dragão oriental azul escuro, de peito branco e olhos vermelhos, e lhe pediu para evocar Takao. Uma brecha de luz surgia a sua frente e dela rapidamente saiu a dragão branca majestosa. Tão grande quanto Seiryu, Takao parou, em postura de ataque, a frente de Tsuzuki – este fez Seiryu ficar ao seu lado, para cumprimenta-la.
— Mãe dos dragões, a grande dragão das montanhas, Takao-sama. – ele e Seiryu curvara-se em respeito e aguardaram que ela fizesse o mesmo movimento em resposta; o que demorou um pouco.
— Por que me invocou, shinigami? – sua voz parecia alterada e alcançava as profundezes da alma – Sabe que não deve provocar-me! Principalmente nesta época e na situação atual. – ela parecia muito incomodada.
— Sim, Takao-sama. Por mais que reconheça sua vontade, venho até você com um excelente motivo. – Tsuzuki fez um gesto para que Hisoka se aproximasse – Eu a chamei por termos encontrado seu filhote.
— Takao-sama, aqui está. – Hisoka estava bastante nervoso e estendeu o dragão a ela, recuando da forma que Tsuzuki orientou logo em seguida.
Ela checou o filhote minuciosamente e, por mais que seu humor pareceu mudar com o ferimento, ainda agradeceu os shinigamis e levou o filhote de volta.
— Impressionante! – Konoe nunca viu cena mais majestosa com as personificações – Agora terminamos, certo?
— Sim. – Tsuzuki já chamava Seiryu de volta – O que achou da Takao, Hisoka?
— Eu não acho que seja uma boa ideia eu tentar ter um shiki antes de controlar melhor minha empatia. – ele estremecia um pouco – Me conectar com as emoções das personificações é ainda pior do que com as pessoas. – Hisoka podia querer ser mais forte e alcançar Tsuzuki algum dia, mas seu poder de empata seria um obstáculo difícil de transpor.
— É um processo que leva tempo e paciência para funcionar. Apressa-lo apenas piora as coisas e causa riscos a sua vida e de outros. – a explicação tinha sua total atenção – O que foi, chefe? – ele parou ao reparar que Konoe estava um pouco inquieto.
— Apenas checava se o Muraki não estava por perto. É difícil de acreditar que ele perderia isso. – pior que Konoe tinha razão.
— Sim. – Tatsumi ajeitava seus óculos muito sério – Mas não vamos esperar ele vir atrás do Tsuzuki-san ou do Kurosaki-kun. Vamos em bora logo! – ele tinha razão e assim foram.
Eles se juntaram e voltaram ao seu plano, no entanto, ao chegarem lá, deram pela falta de Tsuzuki e viram que Hisoka tinha desmaiado. Não sabiam o que podia ter acontecido até se tocarem da teoria de que Muraki podia intervir no caminho entre os planos. Hisoka sentia as emoções de Tsuzuki e a frieza de Muraki com muito mais intensidade, então isso podia ser a causa do desmaio.
Tatsumi e os pássaros voltaram imediatamente atrás de Tsuzuki, Konoe foi avisar o Conde e Watari ficou cuidando de Hisoka. Nenhum sinal do shinigami de olhos ametistas. Que maldição! Todo esforço para proteger Tsuzuki e Hisoka dele, e agora haviam caído na armadilha. O filhote de Takao era uma isca para dar-lhe a localização de Tsuzuki!
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Hisoka acordou atordoado no quarto do hospital e queria imediatamente salvar Tsuzuki! Sabia que tinha sido Muraki que sentiu junto ao terror instantâneo de Tsuzuki. Konoe alertou que todos já estavam no caso, mas não tinham pista alguma ainda.
O médico tinha que ter algum esconderijo... Mas onde!? Estavam revirando todo histórico de sua família, dos locais onde as almas e personificações apareceram e das pessoas que matou, na tentativa de achar a menor sinal de onde pudesse estar.
Muraki estava novamente em sua casa preparando um novo experimento – já há três dias. Sabia que os shinigamis viriam o mais imediatamente possível, agora que tinha Tsuzuki. Precisava ser rápido em destruí-los ou ter uma contra medida. Já sabendo exatamente o que queria fazer, tratou de agilizar seus últimos preparativos.
Em uma mesa, não muito longe de si, tinha Tsuzuki completamente contido. Mesmo sem querer danificar seu mais novo e precioso brinquedo, não podia arriscar que Kyoto se repetisse. Conteve o shinigami com a barreira de fios de cabelo de mulher, de cima a baixo, colocou selos, dos mais fortes que pode, e o amordaçou para que, mesmo assim, não pudesse evocar os deuses. Um ferimento ou dois, em uma boneca que se regenera, não deveria ser um problema – apenas desejava se curar na mesma velocidade, pois tinha se ferido novamente, na tentativa de pega-lo.
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