Segredos do Passado 2: O Mundo das Personificações
9 Equilibrando os Mundos
Notas iniciais
Os shinigamis corriam para se organizarem. Barreiras de defesa eram preparadas, grupos de destacamento para o lado humano eram colocados em espera e, como auxiliariam na luta no lado das personificações, permanecia um mistério. Faziam horas que o confronto já deveria ter começado, mas nenhuma consequência em outros planos do véu foi sinalizada; mostrando que as personificações estavam mantendo a luta em seu lado do véu.
Reunidos com o Conde, através de ordem prévia do Conselho, o grupo que investigou as famílias tinha uma nova tarefa a cumprir.
— O Conselho quer detalhes de como poderíamos intervir para ajudar as Personificações, Tsuzuki-san. – o Conde era direto e claro.
— Existem meios, eu acho. – ele estava pensativo a tempos sobre o assunto – Mas seria uma tarefa muito mais complexa do que parece; se fosse realmente possível. – ele permanecia indagando dúvidas sobre o próximo passo.
— Tsuzuki, seu... – Teruzuma se irritou, agarrando o shinigami pelo colarinho do sobretudo – Agora não é hora para fugir dos problemas ou ficar esperando por um milagre! – ele não parecia que se acalmaria.
— Hajime-chan, solta ele! – Wakaba tentava conter o nervoso do parceiro.
— Teruzuma-san, solte o Tsuzuki agora! – Hisoka interveio, encarando o colega de forma afiada.
— Você é muito mole com seu parceiro garoto! – ele soltou Tsuzuki, finalmente.
— Não sou. – ele foi sério no que disse, voltando-se para o parceiro – Tsuzuki, o que exatamente está te perturbando? – ele foi ao seu lado, enquanto sentado de volta em sua cadeira.
— O selamento que foi usado no passado, nós podemos usar novamente. – ele não abria seus olhos, sustentado sua expressão pensativa e complexa – Mas, para que realmente fosse eficaz, precisaríamos descobrir o nome do Parasita, realiza-lo em um local realmente seguro, preparar o ritual com os exatos materiais e usar uma dose imensa de energia. – ele finalmente abria seus olhos, encarando os presentes – Tal ação seria possível pela nossa parte, porém apenas na zona no Palácio Central.
— O Palácio Central é a zona onde o Rei das Personificações habita. Para conseguirmos as informações e materiais necessários, lá seria o único lugar para irmos. Mas o selamento não poderia ser feito exatamente lá e nós não temos permissão para entrar nele. – Hisoka o entendeu.
— Isso mesmo. – Tsuzuki permanecia sério – Existe um lugar, protegido por um caminho de selos, no coração dos territórios da Takao, onde o selo poderia ser feito. Mas para atrair o Parasita até esse lugar e segura-lo para conseguir o selo, já serão outros dois problemas.
— Por isso que, no passado, houveram dois sacrifícios para realizar o selo. – era mais fácil para Hisoka decifra-lo, depois de ter entrado em contato com seu coração e conhece-lo melhor – Mas o perigo está nos detalhes. O menor erro e colocamos tudo a perder, além de não ser a favor de sacrificarmos alguém para isso.
— Se a Takao puder nos ajudar, teríamos uma chance. Mas ainda teríamos outras personificações parasitas para lidar, junto com todo preparo e a execução do ritual de selamento. – ele concluiu, deixando claro, para Hisoka, onde estava querendo realmente chegar.
— É uma viagem só de ida. – ele nada mais disse, conforme o silêncio prevaleceu ao ficar claro o preço que pagariam por seus atos.
— Mas se não agirmos, nossas chances de vitória caem para zero. – o Conde não queria sacrificar seus shinigamis, mas sabia da seriedade com a qual lidavam ali – Vocês irão? – não exatamente uma pergunta, mais a necessidade de confirmar se suas determinações ainda persistiam.
— Sim! – suas respostas foram unanimes, deixando apenas uma dúvida, que Watari levantou.
— Mas como vamos entrar no mundo deles?
— Conde, você sabe abrir uma porta dos fundos? – Tsuzuki perguntou sem que mais ninguém entendesse.
— Vamos começar então! – mesmo invisível, era possível imaginar um sorriso estampado em seu rosto ao responder o shinigami.
Indo apenas para o jardim de trás da mansão, o Conde concentrou seus poderes enviando Tsuzuki, Hisoka, Konoe, Tatsumi, Watari, Wakaba e Teruzuma imediatamente. Os shinigamis caíram diretamente contra um piso branco duro, esfumaçado pela neblina espessa, onde apenas um portão vermelho grande, com uma estrela gravada no centro do topo, prevalecia.
— Estão todos bem? – Konoe tinha que saber.
— Estamos. – Tatsumi se levantava checando os colegas.
— Onde estamos? – Watari não conseguia entender.
— Isso é uma porta dos fundos. – Tsuzuki se levantava e ajudava Hisoka – Em casos emergênciais, ela liga o mundo deles com os outros para fugas do Palácio Central. – os companheiros se surpreenderam.
— Eu nunca ouvi falar disso. – Wakaba cuidava de uma passagem com seus shikis, mas era novidade tal sistema de segurança.
— Os Guardiões da Passagem são proibidos de revelar esse detalhe e apenas um punhado de personificações de alta hierarquia sabem sobre isso. Entre os shinigamis, apenas o Conde e eu sabemos como abrir um caminho para cá. – ele encarava o portão.
— Então o que estamos esperando? – Teruzuma estava satisfeito que agiriam, mas ficar olhando aquele portão não ajudaria.
— Precisamos de permissão para entrar. – Tsuzuki seguiu explicando – Nos curvamos e pedimos permissão ao Rei para entrar em seus domínios. Sem que ele consinta, nós podemos ficar eternamente andando entre uma brecha de tempo-espaço ao atravessar este portão sem cuidado.
— Faz sentindo que precisamos da autorização dele, já que o Palácio Central é muito importante. – Hisoka se lembrava de como falavam sobre o lugar e seu significado maior para seu mundo, como residência do Rei.
— Tsuzuki, tome a frente. – Konoe sabia que mais ninguém seria levado a sério exceto ele, pela possível gravidade da situação.
— Sim! – ele respondeu firme, se virando e curvando para o portão junto dos companheiros – Venho aqui estender este pedido ao Rei. Como shinigamis, viemos prestar nosso auxílio no confronto com o Parasita Ancestral. Para tal, necessitamos de informações e materiais disponíveis em sua residência. Por favor, permita nossa entrada. – ele terminou e nenhuma resposta veio.
Minutos intermináveis se passavam e conter a tensão estava difícil, até um feixe de luz simples aparecer e dele um papel em branco alcança-los.
— Temos permissão para entrar. – Tsuzuki se levantou com a folha de papel.
— Aonde? – Teruzuma analisava a situação onde não havia nada similar a uma autorização presente.
— Bem aqui. – Tsuzuki deu uma piscadinha esticando a folha com o movimento de seu pulso – Guie-nos. – assoprando as palavras sobre ela, viram que assumia a aparência de um dragão pequeno, que começou a flutuar para dentro do caminho – Vamos segui-lo.
Assim eles foram. O caminho não pareceu demorar, tendo eles saído aparentemente em um depósito, luzes estavam acesas e dois livros estavam sobre uma caixa junto a material de escrita.
— Parece que já temos o que precisamos. – Watari foi diretamente aos livros, vendo que o primeiro e maior falava sobre o selamento que fariam para o Parasita.
— Faz sentindo que não poderíamos ficar andando pela zona do Palácio Central. – Tatsumi ajeitava os óculos – Então teremos acesso apenas a informação de que precisamos e os materiais.
— Não vamos perder tempo. – Konoe queria que agilizassem – Watari, do que precisamos?
— De uma lista enorme de talismãs. – ele virou o livro para que vissem tudo – Eles precisam ser escritos com sangue. Então precisaremos faze-los agora.
— Hisoka, você vai cuidar dos talismãs. – Tsuzuki se dirigiu ao parceiro – Será um ótimo treino prático para você.
— Certo! – ele faria seu melhor – Poderia guiar-me aos papéis? – ele se dirigiu ao dragão de papel, que assim o fez. Em pouco tempo ele voltou com vários papeis especiais para talismãs, recebendo uma lista avulsa de Watari, onde os detalhes de cada um estavam descritos.
— Precisaremos de cordas consagradas. – ele mostrava um desenho de como deveriam ser – O trançado deve ser vermelho e branco e precisará ter barreiras de papel e sinos dourados presos na extensão.
— Já temos algo assim pronto aqui? – Wakaba sabia o trabalho que seria fazer uma coisa daquelas na hora. O dragão de papel a guiou, fazendo-a voltar com uma grande caixa onde uma espessa corda e outra fina se encontravam.
— Precisaremos de tochas de fogo azul em grande quantidade. – ele via que o desenho do ritual contava com um contorno delas.
— Onde posso pegar estas tochas? – Teruzuma questionou o dragão de papel, sendo direcionado a uma embalagem espessa e pesada, onde as tochas e pedras especiais para acende-las se encontravam.
— Vamos precisar de... – ele travou sem entender o último artefato da lista – O que é isso? – ele perguntou aos companheiros.
— Isso é uma pérola rosa. – Tsuzuki sabia o que o desenho demonstrava – Elas nascem puras dos corações banhados pelas virtudes da amizade, sabedoria, amor e coragem em perfeita harmonia. São artefatos extremamente raros e de um poder purificador imensurável. Mas, no ritual de selamento original, uma destas não foi usada.
— Deve ser um acréscimo então. – Watari analisava a página que lia – Essa folha parece ter vindo de outro livro.
— Irá fazer com que melhore a eficácia do selo, mas precisaríamos de um pedestal de incensos especial para usar uma joia dessas. – ele pensava em como fariam aquilo – Existe algo assim neste depósito?
O dragão de papel pareceu negar sua pergunta, mas se dispôs a guiar Tsuzuki para o local onde poderia pegar este artefato. Ele saiu deixando os companheiros em espera, ignorando o olhar analisador e fixo de Teruzuma.
— Enquanto esperamos pelo Tsuzuki, vamos resolver o que falta. – Watari prosseguia – Tatsumi-san, você já encontrou o nome do Parasita no livro? – o colega estava com o outro livro em mãos procurando, já a algum tempo, pelo nome e confirmou a questão de Watari – Excelente. Por fim ainda precisaremos de um pequeno templo para deixar o ritual restrito, mas não sei se tem algo assim no espaço da Takao-sama.
— Temos. – Tsuzuki já havia voltado – Existe um pequeno espaço lá que deverá ser o suficiente. – ele havia voltado com uma caixa branca ornamentada em vermelho.
— Então agora que temos tudo, precisamos descer aos territórios de Takao para fazer o trabalho. – Konoe precisava saber como sairiam do Palácio Central.
Imediatamente, o dragão de papel se desfez em luz, transportando os shinigamis a frente da cachoeira na floresta de Takao, junto dos itens para o ritual.
— Quem se atreve? – a voz conhecida ecoava violenta.
— Mãe dos dragões, a grande dragão das montanhas, Takao-sama, perdoe nossa intromissão em sua casa. – Hisoka se lembrou do que Tsuzuki havia feito ao lhe devolverem Kohaku no passado e imitou – Viemos com a intenção de auxiliar no selamento do Parasita Ancestral e gostaríamos de requisitar sua assistência para tal.
A dragão emergia das águas, revelando ferimentos – sem dúvida ela já havia travado batalhas para ajudar a preservar a paz de seu mundo, o que também explicaria a ausência de perigo em seu território.
— Vejo que não estão mentindo para mim e tem consciência da eventual consequência de seus atos. – ela analisava os shinigamis – Querem usar meu espaço protegido para o selo e minha luz para deter o Parasita durante o processo. – aquilo não era uma pergunta, pois ela via em seus corações – Muito bem, eu ajudarei.
— Nós lhe somos gratos, Takao-sama. – juntos, agradeceram-na respeitosamente.
Takao revelou seu local protegido, em um espaço sobre sua cachoeira. A paisagem bela, repleta pela grama rasa, um vento suave, filas de árvores finas e, ao centro, um pequeno templo preservado.
— Deixarei vocês montarem o ritual, enquanto reservo minhas energias para o momento certo. – ela se foi novamente para as profundezas da cachoeira.
Os shinigamis não esperaram, começando a montar o necessário. Um pedestal vermelho brilhante foi colocado dentro do templo e, em seus ganchos laterais, Wakaba depositou o colar com a pérola rosa e acendeu os incensos nas pontas. Teruzuma e Tatsumi posicionavam as tochas no entrono do templo e as ascendiam. Tsuzuki vinha com Watari amarrando as cordas nas tochas. Konoe e Hisoka posicionavam os talismãs em toda extensão do ritual – os para barreiras ficavam em volta, aqueles de contenção estavam no templo e muitos outros de purificação e selamento foram colocados nas tochas, sob a terra, nas portas do templo e nas árvores.
Tudo finalmente estava pronto! Watari fez uma cópia do ritual para todos e as entregou, junto ao nome do Parasita. Deveriam sincronizar seus poderes, vozes e ações de imediato para terem sucesso no selamento.
— Eu vou avisar os Deuses para atrair o Parasita para nós. – tudo estava finalmente pronto e, agora, só precisam esperar que ele entregasse a mensagem.
— Teruzuma-san. – com a saída do parceiro, Hisoka sabia que não teria outra chance – Nós vamos sincronizar e fazer um ritual de selamento juntos. Você sabe que sou empata e terei que lidar com o controle desse poder para não prejudicar nossa ação, correto? – ele lhe confirmou, sem entender onde ia com aquela seriedade – Por isso preciso que me responda com toda honestidade agora: por que você odeia o Tsuzuki? – a pergunta foi chocante para os presentes.
— Ele me irrita. – Teruzuma suspirou, decidindo responder o mais jovem – O Tsuzuki é um shinigami emotivo, descuidado e que não usa seus poderes. Eu fui um policial durante minha vida e sempre fiz tudo dentro do me alcance e mais pelo bem das pessoas. Ele, que tem o nível de poder que possuí, além da lealdade dos Doze Deuses, e se recusa a ser decisivo com o uso de suas habilidades nas mais precisas horas, me irrita. – ele foi honesto, já sabendo que o rapaz tiraria a resposta dele com seu poder se não contasse.
— Entendo o que você quer dizer. – Hisoka o olhava fixamente – O Tsuzuki é um shinigami muito diferente do que a maioria, mas ele também é um grande amigo, alguém que sabe o valor e o significado da vida como mais ninguém, tem um grande coração e é minha família. – as palavras faltaram para Teruzuma – Ele pode não ser compatível com você, mas há muito sobre ele que você também não sabe. O chefe, Tatsumi-san e Watari-san já sabem o que esperar entrando em sincronia com o Tsuzuki, assim como eu; mas você e a Wakaba-san não.
— O Kurosaki-kun tem razão. – Tatsumi ajeitou os óculos, disfarçando sua felicidade pela forma como Hisoka defendeu Tsuzuki – Vocês vão precisar se concentrar muito para conseguir suportar o que está por vir. Entrar em contato com as emoções do Tsuzuki-san é uma tarefa muito mais complicada do que soa.
— Nós teremos cuidado. – Wakaba assumiu de responder – Eu já senti que tem algo errado com o Tsuzuki-san, mas nunca perguntei.
— Eu já cheguei a experimentar na pele e ver em primeira mão, quando o salvamos da última vez. – Hisoka apertava seu peito, lembrando dos sentimentos que o perfuraram daquela vez – Temos dois desafios para lidar aqui: aguentar a sincronização um com o outro e fazer o selamento funcionar.
— Certamente. – Konoe intervia – Todos temos nossos demônios e precisaremos dar tudo de nós.
— Tenho certeza que isso já é um risco que aceitamos ao virmos para cá. – Teruzuma não tinha hesitação alguma em falar – Eu vou me controlar e farei tudo que puder!
— Todos nós faremos. – eles viram que Tsuzuki havia voltado – Eu já mandei uma mensagem pelo vento e avisei a Takao. Agora temos que sincronizar e ficar à espera.
Assim eles fizeram. Se posicionaram distantes, contornando a área de selamento, e começaram a sincronizar seus poderes. Nas profundezas de seus espíritos, podiam ver um ao outro, no amplo branco interminável que se estendia. Cientes de que seus espíritos não deveriam se chocar em sincronia tão forte e sem cuidado nenhum, os shinigamis se concentravam ao máximo. O foco era em evitarem que suas emoções atrapalhassem o ritual e apenas suas determinações prevalecessem!
Do lado de fora, a verdadeira batalha começava. Os Deuses traziam a fênix sem darem trégua em seus ataques, para que revidasse. O choque dos poderes e a pressão da energia já afetava os shinigamis, mesmo sem estarem próximos do conflito ainda. Em um último e grandioso ataque, os Deuses direcionaram o Parasita contra a área de selamento, onde Takao usou sua luz para detê-lo o máximo possível.
— Depressa! – ela não o seguraria por muito tempo, mesmo com a ajuda dos 12 Deuses e dos outros shikis que chegavam.
— Desgraçada! – a fênix protestava – Me solte! – não estava sendo fácil lutar contra ela.
— Esta voz comanda-o. Aquele que vive nas sombras. Aquele que deixou a luz. Com o ritmo do ar, o fluxo da água, a firmeza da terra e o poder do fogo, peço que a natureza se erga. Com a harmonia da pureza, peço que o mal desapareça. Com minha vida, ergo-me contra a escuridão. – um pilar puro de luz branca preencheu a área de selamento, conforme as palavras dos shinigamis eram ouvidas – Seja selado, Moronao! – pronunciando o nome da fênix, a energia puxou-a para dentro da pérola rosa, fechando o templo com os talismãs e a corda restante.
No lado humano do véu, as palavras ecoavam com o vento, aos ouvidos da Shishiou. Os membros da Ju-ou-cho ouviam os sussurros e sentiam as energias e determinações de seus companheiros vibrarem. Pelo Mundo das Personificações, a luz fazia com que todos parassem e se atentassem as vidas dos shinigamis que podiam sentir.
O sol se punha no horizonte dos mundos, dando espaço ao escuro silencioso da noite, levando consigo a presença das vidas dos shinigamis.
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