Segredos de Sangue

20 Flores do Oriente




Flores do Oriente


"Ela está chegando no porto."Diz Piers, mandando uma mensagem pelo rádio para toda a BSAA enquanto dirigia desenfreado pelas ruas de Lanshiang, atrás do rastro de Mei. "Aconselho todo o pessoal a ficar em alerta!" E, enquanto Piers dirige, Chris continua a atirar no carro que estava há poucos quilômetros a sua frente, tentando fazê-la parar. Por duas vezes eles quase conseguem.

Mei continua a fugir, freneticamente, usando seu conversível vermelho. Os dois carros começam a fazer algumas manobras perigosas por aquela avenida movimentada. Até que ao chegar na rampa que dava acesso ao porta-aviões, Mei joga seu conversível traiçoeiramente contra o Jipe da BSAA que acaba capotando.

O capitão por um instante, fica um pouco desorientado e sentindo todos os seus músculos doerem. Mesmo com a visão um pouco turva, ele ainda consegue ver a mulher sair do seu conversível intacta e lhe dando um sorriso de desdém.

A mulher de vestido azul provocante, sabia que isso não seria o suficiente para segurar aqueles homens, mesmo assim, ela se aproveita para ganhar mais tempo e se focar em seu próximo plano.

"Você está bem?" Piers lhe pergunta depois de ajudá-lo a sair do carro.

"Sim." Chris lhe responde se recompondo e retomando a sua missão. "Onde está a... aquela mulher?" Chris perguntava meio confuso, sem saber como realmente deveria chama-la.

Agora o capitão Redfield sabia que haviam duas versões de Ada Wong: Uma estava tentando mata-los e a outra estava tentando... ajudá-los, aparentemente.

"Ah capitão, você simplesmente pode me chamar de Ada. Eu sou a original." Dizia Ada irônica pelo comunicador, saindo intacta das águas escuras de Waiyip após fazer a sua viagem até ali, usando um jet ski. "Acho que teremos que fazer caminhos diferentes para chegar até... a Mei." A espiã usando novamente o seu Hookshot, decide escalar o navio por fora.

"Tudo bem. Vamos atrás dela!" Murmurou o capitão do outro lado da linha, tentando esconder o seu desconforto com toda aquela situação. Chris ainda não conseguia confiar Nela.

Entretanto, para chegarem até a tal mulher de azul, o trio mesmo separados, acabaram por ter que enfrentar os soldados da Neo-Umbrella e suas mutações bizarras.

Ada tinha alguma vantagem entre eles, já que ela havia conseguido passar por alguns inimigos sem ser percebida. Mas quando era percebida, a espiã conseguia ser rápida o suficiente para desarma-los e dar um golpe fatal antes de terem tempo de reagir e alertar todo o navio. Eventualmente, a espiã conseguiu chegar até um compartimento secreto do navio, onde havia uma maleta cheia de segredos obscuros.

Dentro da maleta haviam vários tipos de fotos de Derek com a sua Família, fotos das suas cobaias, fotos dela mesma... Ou seriam fotos da sua irmã, Mei?! Com certeza eram de Mei, de antes e depois do Projeto Ada Wong. Até que numa das imagens ela viu uma mulher loira ao lado de, nada mais e nada menos, que Albert Wesker. E ela quis reconhecer aquela loira.

Ada parou confusa com aquela foto ao pensar sobre qual ligação Wesker tinha com a tal mulher. No verso estava escrito: "Para a minha mais nova aliada, Carla Radames."

Ada continuou a vasculhar mais daquela maleta, onde encontrou também um gravador.

"Não, não, não! Isso não é o suficiente. Não é Ada Wong!"

Na gravação podia-se ouvir a voz estranhamente desesperada de Simmons.

"Combine a sequência de DNA com a bioestrutura dos casulos. Traga-me outra cobaia... Isso. Ah, minha querida Carla Radames, você tinha razão. Ela é perfeita. Quero ela no Projeto Metamorfoses!"

"Tenha cuidado com o que diz perto dela. Não queremos que ela descubra."

"Ela?!" Só podia ser sobre sua irmã que eles estavam falando.

"Ela pode ter me deixado, mas agora a tenho de volta. Feliz aniversário, Ada Wong!"

Quando a gravação terminou Ada estava completamente desnorteada, olhando para outros papéis que explicavam como uma versão aprimorada do T-Veronica havia dado origem ao próprio C-Vírus. Foi ali no meio daqueles papéis que ela encontrou uma carta da tal loira chamada Carla Radames e também uma fotografia antiga, que estava no fundo da maleta.

Na foto havia um homem que Ada rapidamente reconheceu como Demitri Simmons e ao lado dele, havia uma menina de uns 12, ou 13 anos segurando um ursinho de pelúcia que, curiosamente, tinha alguma semelhança com a mulher loira.

"Para a minha querida filha, Carla." Agora tudo fazia sentido.

Ada engoliu em seco, ao descobrir como uma vingança pode ser um ciclo tão vicioso que parece nunca ter fim.



Enquanto isso...


Os agentes da Shadows que faziam a escolta de Jake e Sherry acabaram sendo interceptados por um grupo de J'avos, enquanto se preparavam para sair de Lanshiang.

"Droga! Eles são muitos." Murmura Sherry percebendo que eles estavam ficando cada vez mais encurralados. "Você precisar fugir. Vá! Corra!" Ela gritou para o jovem mercenário no meio daquele tumulto, esperando que ele obedecesse a sua ordem. Entretanto, o rapaz tinha outros planos.

"Nem pensar. Chega de fugir!" Então, ele começou a lutar com aqueles J'avos usando tudo o que tinha, suas armas, sua força e sua teimosia. Sherry também tentou resistir o quanto podia, determinada a proteger Jake, mas falhando ao ser rendida por dois J'avos.

"Jakeee!" Ela grita desesperada e assustada enquanto as criaturas, brutalmente, a arrastavam para longe do jovem mercenário.

"Sherry! Soltem ela!" Jake grita uma última vez, antes de ser golpeado várias vezes na cabeça, até cair na inconsciência.

Porto Militar de Waiyip

"Senhora, o porta-avião já está pronto para a ativação dos mísseis." Mei estava no Hangar do navio, falando rapidamente com a sua chefe que já se preparava para a sua próxima viagem.

"Parabéns, Mei. Você fez um belo trabalho. Você conseguiu tirar Derek do nosso caminho." Dizia a chefe da Neo-Umbrella arrogantemente.

"É. Agora só falta... Ada Wong." Mei falou num tom cínico com a certeza que, enfim, terá a sua tão sonhada vingança.

"Exato!" Agora Radames assistiria de camarote como as suas duas criações iriam se confrontar entre si. "Mei, só quero que saiba que entre vocês duas... você sempre será a minha preferida." A mulher dizia quase de um jeito maternal. Mei por outro lado ficou confusa com as palavras de sua chefe, mas resolveu não lhe questionar mais. "Boa sorte!"

"Obrigada!" Em seguida Radames partiu, deixando a sua pupila para terminar de fazer o seu trabalho sujo.



***/ /***


"Ela está perto. Podemos pegá-la!" Diz Piers enquanto as portas do elevador se abrem dando passagem para que eles cheguem até a mulher de vestido de azul.

Agora a dupla se encontrava na plataforma superior do Navio, com Mei na mira de suas metralhadoras.

"Uau, vocês demoraram pra me pegar, hein." Mei diz se virando para encará-los. "E como estão os seus homens, capitão Redfield? Ah, lembrei... estão todos mortos."

"Por sua culpa!" Grunhiu Piers.

"Tem certeza que a culpa é minha?" Mei arqueia sua sobrancelha numa expressão cínica, olhando diretamente para Chris sem vacilar. "Com o seu histórico eu teria medo de fazer parte da sua equipe, capitão Redfield." Ouvir aquilo fez a mão do capitão tremer e suar de nervosismo sobre a metralhadora recarregada.

"Não escute ela capitão!" Piers sabia que seu chefe estava tentando lutar para não perder a cabeça.

"Mas onde estão os meus modos?!" Continuou a dizer Mei, brincando com a sua pistola recarregada de C-Vírus. "Na verdade eu deveria agradecer os seus soldados por terem sido... cobaias tão boas." Aquilo estava passando dos limites. Chris sabia que ela estava o desafiando a perder o juízo e fazer merda. Então, ele decidiu surpreendê-la atirando na mão dela e apenas a desarmando. A mulher grunhiu de dor.

"Desde a Edonia, tudo o que eu mais queria era vê-la morta." Chris confessa. "Mas, não se trata de vingança. Se trata de justiça." Ele havia feito uma promessa a Trent e a Leon, portanto honraria essa promessa fazendo a coisa certa. "É hora de acabar com isso, Ada... Quer dizer... Mei."

"Mei! Você me chamou de Mei?!" Ela deu um riso tentando soar sarcástica, mas era nítido o seu nervosismo.

"É esse o seu verdadeiro nome, irmã." Diz Ada saltando, inesperadamente, sobre a outra mulher e fazendo-as rolar sobre o chão de aço.

Nesse instante, Piers e Chris se silenciam ao ver a cena a seguir.

"Para de me chamar de irmã!" Isso foi o estopim para Mei se revoltar e atacar Ada, descontando a sua fúria. "Você não é a minha irmã!" Furiosa, ela dá vários socos sobre o rosto e o tórax de Ada. Mas a espiã de vermelho reage rápido o suficiente para a contra-atacar, conseguindo tirá-la de cima dela e chutar as suas pernas, fazendo a mulher de azul se desequilibrar e, violentamente, cair de novo no chão.

As duas irmãs eram habilidosas, resistentes e velozes. Duas oponentes que possuíam o mesmo nível de luta, assustadoramente, igual... Mei foi treinada com os mesmos pontos fortes e fracos de Ada Wong, logicamente, sabia exatamente, como a espiã se movimentava numa luta.

Ada sabia que só tinha um jeito de para-la, usando a única coisa que Radames por mais que quisesse não conseguiu recriar em Mei — o T-Veronica que queimava em suas veias e, que com um simples toque, pode enfraquecer seu oponente. Isso seria trapaça, porém a espiã pouco se importava com isso.

Ada, então, se livra de uma das suas Luvas e toca o rosto da irmã a fazendo fraquejar e gritar de dor.

"O que você fez comigo?!" A outra murmurava ofegante se sentindo um pouco tonta e com dificuldade de respirar.

Os dois homens que ainda assistiam a tudo aquilo, se sentiam perdidos sem saber se deveriam, ou não interferir. E quando Chris quis dar um passo para tentar para-las, Ada lhe deu um olhar feroz o fazendo recuar.

"Esse é o único jeito de fazer você me ouvir." Balbuciou a dama de vermelho tentando recuperar o fôlego. "Você aprendeu a como jogar sujo como eles. Tudo por uma vingança."

Mei na tentativa de manipular todas as ações de Ada, planejou usar Derek para atrair primeiramente a irmã até Tall Oaks e, de lá trazê-la para a China. Mas, agora o jogo havia mudado para outra direção. Afinal, a verdadeira espiã tinha anos de experiência nesse tipo de jogo de manipulação e sempre se saiu bem.

"Sabe... dizem que toda história tem vários lados. Talvez, esteja na hora de você ouvir a minha versão dos fatos."

Mei ainda aturdida se arrasta no chão até conseguir se apoiar no peitoril de ferro da plataforma, enquanto é obrigada a ouvir toda verdade sob uma nova perspectiva.

"Eu sei que você não consegue me reconhecer como a sua irmã. Então, eu sei que só há uma forma de provar que eu sou a Li... A Flor do Oriente mais teimosa de toda China." Um sorriso genuíno se formou nos lábios de Ada com a pequena lembrança.

Flor do Oriente era um apelido carinhoso que seu pai costumava chama-la quando elas eram pequenas. E ouvir aquele apelido fez o peito de Mei se apertar com aquela lembrança tão inocente.

"Era assim que papai nos chamava, não é? Suas duas Flores do Oriente... Li era a destemida e Mei a mais delicada e gentil... Até que um dia as irmãs foram separadas..."

"Mentirosa! Você não é a Li! Ela morreu junto com a mamãe!" Esbravejava dolorosamente a mulher de azul, tentando lutar contra aquelas lembranças. Só que Ada decidiu ignorar os resmungos amargurados dela, para lhe provar a verdade.

"Eu só tinha nove anos, mas sentia que eu tinha que proteger a minha irmã gêmea do homem mau que se aproximava do nosso esconderijo." Nesse instante, os olhos de Mei se fecharam e sua mente se encheu de memórias dolorosas.

"Eu tô com medo Li." Diz a Pequena Mei com os olhos assustados.

"Vai ficar tudo bem, Mei. Eu quero que você feche os olhos."

"Li não vá! Não me deixe sozinha!" Mei lhe súplica.

"Vai ser bem rápido e, num piscar de olhos, eu estarei de volta. Eu prometo!"

"Mas, ela não voltou... Li nunca mais voltou!" Mei desabafa já não conseguindo controlar as suas lágrimas. "Ela mentiu pra mim. Ela nunca cumpriu a sua promessa." As duas mulheres se olham com os olhos lacrimejados. "Li, por que você... Por que você não voltou? Eu esperei tanto por você!"

"Eu também esperei por vocês. Esperei todos os dias que vocês aparecessem e me salvassem daquele lugar." A voz da espiã não passava de murmúrios tristonhos.

Então ali na frente dos dois soldados da BSAA e de sua irmã Elise Mei, Ada Wong terminou de contar toda a sua história triste, que havia começado no dia em que Demitri Simmons e seus homens invadiram a sua casa, colocaram fogo e assassinaram, brutalmente, suas tias, a avó e, por fim, a sua mãe Fang.

"Quando dei por mim eu já não podia ser mais a Li. Eu havia sido transformada em uma espiã chamada Ada Wong. E havia me tornado uma propriedade da Família Simmons. Mas, um dia eu descobri quem foi o homem que liderou o ataque a nossa fazenda e matou a nossa mãe. Ele era o chefe da Organização e se chamava... Demitri Simmons."

"Demitri... é o nome do pai da Carla Radames?!" Mei indagou atônita.

"Exatamente, eu decidi fazer justiça com as minhas próprias mãos, assassinando aquele homem." Continuou Ada imperturbável. "E hoje eu descobri que... ele era o pai da Carla Radames. Isso não é uma baita ironia do destino?"

Mei terminou de ouvir aquelas palavras, apertando o peitoril de ferro com fúria ao perceber o quão tola ela havia sido ao se deixar ser manipulada pelas mentiras de Carla Radames. E agora era tarde demais para parar o que estava prestes a acontecer.

"Merda, merda, merda!" Mei começou a andar nervosamente de um lado para o outro. Ada tentou se aproximar dela, mas foi parada pelas palavras de Chris.

"Eu não quero atrapalhar o momento entre família, mas temos uma missão a cumprir." Falou o capitão com a sua voz impassível. "Eu sinto muito..." Ele falou confrontando Ada. "Ela tem que ser punida pelos seus crimes."

"Você tem razão, está acabado." Mei parou olhando entre os dois soldados e a mulher que ela havia tentando renegar como irmã. "Um porta-aviões está se preparando para o lançamento."

"Lançamento?!" Exclama Piers com sua arma em punhos se aproximando para prendê-la.

"Mortos lotarão as ruas..." Ela continuou a dizer confrontando o olhar conturbado de sua irmã. "Déjà vu garotos, outra Raccoon City." Ao ouvir aquilo Ada e Chris trocam um olhar apreensivo. "Dessa vez, não será apenas uma cidade... Mas, o mundo todo!"

Logo em seguida, um helicóptero abruptamente aparece confundindo, por um instante, a visão de todo mundo. Eles não veem que dentro do helicóptero havia um membro da FAMÍLIA empunhando um rifle de precisão. Em seguida, um tiro certeiro é disparado na direção de Mei, atravessando dolorosamente o seu peito.

"Nãooo!" Grita desesperada Ada correndo na direção da irmã e tentando segura-la, mas não dá tempo.

"Eu... Eu sinto muito!" Mei murmura fracamente, deslizando as suas mãos das de Ada e caindo numa segunda plataforma, há vários metros de altura.

Os três param olhando atordoados ao ver o corpo de Mei se chocar contra o chão de metal e uma enorme poça de sangue se espalhar em volta dela. A cena é horrível.

"Mas que bosta! O que diabos acabou de acontecer?!" Rugia Piers.

"A Organização do Simmons decidiu calar a boca dela." Uma Ada transtornada decide ir atrás da irmã.

"Ei, espera!" Diz Piers ao ver a mulher saltar dali usando o seu lançador de gancho para chegar a plataforma inferior, onde o corpo agora morte de Mei permanecia.

Chris tentando agir mais como um capitão focado na missão, entra em contato o mais rapidamente com o seu Quartel General. Eles precisavam enviar uma equipe mais próxima para parar o porta-aviões.

"Precisamos de mais tempo!"Dizia um dos soldados pelo rádio.

"Não temos tempo!" Respondia Chris nervoso. "O ataque bioterrorista era apenas uma distração. O verdadeiro ataque espalhará o vírus globalmente!"


"Espera. Sim, Ada Wong disse a verdade. Há um porta-aviões completamente armado em águas abertas perto de onde vocês estão."Dizia a mensagem pelo rádio.


Lá embaixo Ada se aproxima do corpo morto da irmã e começa a refletir sobre a época que havia fugido da Organização e depois acabou por trabalhar ao lado de Trent por muito tempo, sem saber que ele era seu próprio Pai. A dama de vermelho não conseguia parar de pensar que se ela tivesse descoberto tudo sobre o diplomata e Mei antes, talvez, as coisas pudessem ter sido diferente entre eles.

"Eu sinto muito, Mei." Ada ainda se culpava por tudo aquilo. Se ela não tivesse fugido do Simmons a anos atrás, eles nunca teriam encontrado a sua irmã gêmea. Agora tudo o que lhe restou era apenas lamentações e ressentimentos. "Se você tivesse se vingado apenas de Simmons... eu... eu teria ajudado você."

Naquele instante, de repente o corpo de Mei se mexe e seus olhos se abrem arregalados, enquanto ela solta um grunhido medonho. Em seguida, uma gosma acinzentada começa a jorrar de seu corpo por todos os lados. Uma dessas gosmas quase acerta Ada se não fosse por Chris conseguir puxa-la a tempo. Aquilo parece ácido que vai corroendo pouco a pouco o metal do navio.

"Temos que sair daqui!" Diz Piers chamando a atenção deles.

"Li, me ajuda!" Súplica Mei que ainda está tentando lutar contra a mutação.

"Mei!" Ada tenta lutar contra os braços fortes de Chris que tenta puxa-la o mais longe daquela nova criatura que começa a se formar. As suas emoções estavam a tornando irracional.

"Mei já está morta. Eu sinto muito!" Diz Chris usando toda a sua força para tirá-la dali. Piers se junta com ele e ambos arrastam Ada para longe da nova mutação. Eles não tem saída a não ser tentar correr para fora dali.

As gosmas continuam a sair de seu corpo e conforme ela tenta se movimentar ali, o chão sobre os seus pés começa a derreter e a parede onde as suas mãos tocam também fazem o mesmo. Por fora a nova criatura criada pelo C-Vírus tem a forma de um corpo nu feminino, revestido com uma sobrepele prateada. E essa sobrepele prateada forma uma blindagem que impede que os tiros lhe atinjam.

"Mas, que porra é essa?!"

"Corram para o elevador!" Eles conseguem chegar até o elevador que acaba com as suas duas portas também derretidas pelo golpe violenta de Mei.

"Nós temos que impedir o lançamento desses mísseis." Chris diz ainda olhando para olhos carmesins tristes de Ada. Embora seus sentimentos por dentro estivessem a mil, não haviam palavras certas para amenizar a dor da mulher diante dele. "Nós temos que abandonar esse navio!"

"Eu não vou. Vão vocês!" Ada disse tomando uma postura dura. "Eu vou ficar com ela!"

"Se você ficar... você vai morrer!" Piers diz irritado.

"Eu sei. E eu não me importo!" Ada diz, secamente, lhe entregando um envelope com um gravador que o capitão guarda mais que rapidamente. "Isso são provas. Serão úteis no futuro."

"E enquanto a seu pai?" Chris tenta mais uma vez. "E o Leon?"

"Trent iria querer que eu não a abandonasse. Eu só estou nessa missão por causa dela. E por causa dela... a minha missão terminará aqui." O elevador continua a subir para o Hangar. "E Leon..." Pronunciar aquele nome lhe causa uma dor no peito que ela decide ignorar. "Ele ficará bem... sem mim."

A parte elétrica já estava sofrendo um curto-circuito, podia-se ouvir o barulho do aço e do metal como se tivesse sendo retorcido.

"Tem certeza que vai ficar?" O capitão diz assim que o elevador para abrindo suas portas para o espaço onde se encontrava alguns aviões.

"Sim. Vou lhes dar cobertura." Ada diz já sentindo o navio começar a ficar cada vez mais danificado. "Agora você tem que ir e impedir uma tragédia pior." Chris ainda segurava as portas do elevador incerto se deveria abandona-la.

Que grande ironia! Depois de perseguir insanamente Ada Wong, decidido até a matá-la... Agora Ele estava aqui querendo salvá-la?

"Tudo bem, madame." Ele dá um ultimo olhar para Ada, antes das portas do elevador se fecharem os separando.


***/ /***


Mei ainda está lá chorando, furiosamente, sentindo tanta dor por causa da infecção do C-Vírus. É assim que Ada a encontra vagueando pelo local solitariamente, deixando tudo num caos.

"Li, você voltou?" Quando Mei tenta falar, a sua voz já não soa mais humana, ainda assim Ada consegue entendê-la.

"Sim. Eu voltei para cumprir a minha promessa." Uma promessa que levou tantos anos de solidão e tristeza para ser cumprida.

Mei anda até Ada e para em sua frente com uma expressão de dor que parecia aliviar um pouco por saber que não precisava mais morrer sozinha.

"Você ficará comigo?" Sua voz fazia-a lembrar de uma criança assustada. "Isso dói tanto!" Ela cai ajoelhada na frente da espiã que já está chorando e sentindo a sua dor.

"Vou ficar até o fim." Ada se ajoelha na frente dela e em seguida elas se abraçam. A dor de uma, torna-se a dor da outra.

O mesmo ácido que sai dos poros de Mei consumindo o porta-aviões é o mesmo que consome cada parte de pele de Ada, nem as suas roupas resistem aquele líquido letal. No abraço entre irmãs, ela sentiu tudo, a dor física do ácido queimando a sua pele e, o alívio ao mesmo tempo de, enfim, ter encontrado a sua outra metade. Agora sua solidão se foi.

Mei e Li, irmãs separadas por tantos anos, hoje haviam se reencontrado e agora nem a morte seria capaz de separá-las.




Notas finais
Bom esse capítulo já tem uma das minhas cenas favoritas. E, então, o que vocês acharam dessas cenas entre irmãs? Eu achei que foi triste, comovente e bonito ao mesmo tempo. Por enquanto é isso. Até a próxima, pessoal!