Segredos de Sangue

21 O Começo do Fim


Notas iniciais
As cenas desse capítulo se passam após a explosão do porta-aviões e depois que Leon enfrentou Derek (havia uma cena de batalha entre eles, mas resolvi cortar). Bora focar no que importa!


Chris e Piers haviam conseguido chegar até o tal porta-aviões pronto para disparar um míssil contendo o C-Vírus, eles tentam impedir o lançamento, mas a tentativa é falha. Mesmo com toda a luta contra o tempo, um dos mísseis acaba sendo ativado indo direto para Tatchi, uma região que, até aquele ponto estava livre da ameaça do C-Vírus.

"Eu falhei mais uma vez." A voz do capitão não passava de um fraco sussurro amargurado. Ele só podia ficar ali observando tudo se desenrolar e se sentindo impotente.






Tatchi — Distrito Chinês de Lanshiang


Ele não sabia por quanto tempo ficou submerso na água até conseguir se reorientar e emergir para a superfície tentando recuperar o fôlego. Havia o barulho ainda de um helicóptero voando acima dele, que deduziu ser de Trent e da Shadows que os ajudaram na batalha contra o Simmons e a sua mutação grotesca.

"Leonnnn!" Há um zunido em seu ouvido, ao passo que tenta identificar o seu nome sendo chamado no meio do som irritante."Leon, você está bem? Cadê Daryl?" Quando o zunido diminui, ele consegue identificar a voz de Trent.

O agente da DSO olha mais uma vez para o helicóptero a alguns metros de altura até que se dá conta da falta de Daryl. Em segundos, seu corpo para de boiar e passa a se mover freneticamente a procura do outro homem e o encontra ferido e inconsciente boiando a poucos metros dele.

Mesmo exausto, Leon consegue nadar carregando aquele corpo pesado com ele, até um ponto mais próximo onde pudessem sair daquele rio.

"Por favor, me ajudem!" Leon grita para um pequeno grupo de civis que estavam por ali perto da margem.

Já em terra firme, Leon tenta reanimar Daryl. São segundos de pura agonia até que o agente da Shadows desperta tossindo, incessantemente. Kennedy precisa ajudá-lo a se virar de lado e apoiar a sua cabeça para ele cuspir toda a água que estava preso nos pulmões, até que a própria água vira num vermelho escuro. Era sangue, muito sangue que estava quase o engasgando.

A queimadura causada por Simmons durante a batalha continua a se espalhar por cada pedaço de carne do corpo de Daryl. Havia muitas partes em carne viva e outras que ainda estavam com pedaços de roupas grudados em sua pele. O agente da DSO engoliu o nó na garganta só de imaginar quanta dor o espião estava suportando.

"Amigo, vamos lá! Aguenta firme!" Leon ignorou o mau cheiro e decidiu segurar uma das mãos frias do homem combalido, tentando de alguma forma tranquilizá-lo. Daryl em resposta lhe apertou a sua mão enquanto tentava lutar para respirar.

"Eu... Eu preciso..." Daryl diz trêmulo. "Preciso ir até... ela... Minha Mei está... me esperando." Ele termina com muita dificuldade.

"Sim amigo, você vai vê-la." Leon diz forçando um sorriso sem saber o que dizer para aliviar o seu sofrimento. "É por isso que você precisa permanecer forte. Por ela!"

Um grupo da BSAA se aproxima trazendo uma maca e algumas outras coisas para o seu atendimento. Leon por um momento se afasta quando ouve seu PDA tocar.

"Leon, onde você está?" O rosto de Chris aparece na tela, parecendo muito conturbado.

"Estamos na entrada de Tatchi. Por quê?!"


"Saia logo daí!" Grita Chris mais que urgentemente. Entretanto, só dá tempo de Leon ver um míssil indo em direção a cidade.

O míssil explode liberando uma densa névoa roxa sobre a cidade, a mesma névoa liberada pelas Lepotitsas em Tall Oaks. As vitrinas das lojas, as feiras e os armazéns por ali, começam a ser invadidos e, pouco a pouco, dominados pelo desespero e pela loucura. As ruas são dominadas por pânico, o tráfego de carros se torna caóticos, as pessoas voltam-se umas contra as outras. Civis e soldados da BSAA, logo, se misturam ali entre vítimas e monstros.

A névoa vem como um Tsunami, arrastando todo mundo para a morte. E Leon se viu enfrentando mais uma situação injusta... Daryl que estava a poucos minutos sendo cuidado pela BSAA, agora havia acabado de atacar um dos paramédicos e já estava pronto para atacar os outros soldados, que começaram a tentar lutar contra ele.

"Daryl!" Leon estupidamente tentou chamar a atenção do homem que havia acabado de se transformar em um zumbi que parecia muito resistente e ainda mais agressivo.

Daryl se transformou no que a Neo-Umbrella denominava de Bloodshots.

"Se afastem!" Leon gritava. O paramédico mordido também sofre mutação e vira mais uma ameaça, mas logo é morto por um dos seus companheiros de equipe. Daryl por outro lado, parece difícil de ser derrubado. "Tirem eles daqui!" O agente ordena para que os soldados da BSAA recuem e retirem todos os civis dali o mais rápido possível. "Vão, vão, vão! Eu cuido dele!" E assim ele começa a atirar na direção da criatura.

Os tiros parecem demorar a enfraquecê-lo, pois Daryl corre violentamente e salta na direção de Leon que consegue desviar e depois explodir o crânio dele. O agente permaneceu paralisado olhando para aquele cadáver com uma expressão de tristeza. Não importa quantas vezes, já tenha passado por esta mesma situação, ele sempre sentia aquele sentimento terrível de culpa.

"Leon!" Então, ele se lembrou novamente da ligação de Chris.

"Desculpa! Estou aqui, mas tive que matar... o meu parceiro." Respondeu com uma expressão carrancuda dando um último olhar para o cadáver de Daryl.

"Eu sinto muito!" Chris murmurou já imaginando a merda que havia acontecido.

"Aqui as coisas saíram do controle." Continuava Leon subindo cautelosamente uma escada até chegar numa passarela que passava por cima de uma das avenidas principais. Dali ele tem uma visão melhor do que estava acontecendo. "Conseguiram transformar Lanshiang em outra Raccoon City." Não houve tempo para recuperar o fôlego, porque há poucos metros dali a avenida era dominada por um verdadeiro caos.

"Aqueles filhos da puta!" Rosna Chris. "A Neo-Umbrella conseguiu o que queria."Ele solta um suspiro pesado, pensando nas consequências. "Leon, tem uma coisa que você precisa saber..." Há uma pausa enorme e um suspiro nervoso. "Ada... ela está..."


"Ada?! O que aconteceu com ela?" Leon indaga já se sentindo apreensivo.

"Ada está morta!" Ouvir aquilo fez Leon paralisar imediatamente e seu coração falhar uma batida. "As duas irmãs... elas ficaram presas no porta-aviões da Neo-Umbrella que explodiu." Chris jogou toda a bomba, esperando a reação do agente, mas tudo o que recebeu foi um silêncio. Um silêncio ensurdecer e preocupante.

Leon ficou ali parado com os olhos perdidos como se não pudesse enxergar nada. O caos que pairava ao redor dele parecia inexistente naquele momento.

"Ada está morta!" A voz de Chris ainda ficou remoendo a sua mente. Ele não imaginava que uma simples frase pudesse lhe machucar tanto. Porém, todo o sofrimento não demorou muito a se transformar num imenso ódio.

Ele respirou fundo e tomou uma nova decisão: Acima de tudo, precisava continuar sendo um agente que estava ali para fazer justiça e ajudar a quem precisasse. E havia muitas pessoas precisando de ajuda.

Antes de seguir para seu objetivo, ele viu em seu PDA uma mensagem de Chris dizendo que estava a caminho de Tatchi para ajudá-los. O belo loiro resolveu não lhe responder, apenas pegou seus dois revólveres Magnum do coldre de cintura e partiu no meio de todo aquele tumulto, decidido a gastar todo o seu ódio derrubando quantos inimigos cruzassem o seu caminho.





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Já era madrugada de 1 de julho e a torre de comando parecia bastante agitada, havia até uma briga interna rolando dentro da própria BSAA sobre qual escolha tomar: — Colocar em quarentena toda cidade, ou evacuá-la? — No entanto, para evacuá-la seria necessário que fosse liberada a entrada e saída da região, o que parecia ser pouco provável.

Tanto o governo quanto a própria BSAA estavam determinados a fazer de tudo, até mesmo trancar todas as entradas e saídas de Lanshiang, no intuito de impedir que o C-Vírus se espalhasse por mais território chinês.

"Sim, Claire... estamos bem. Seu irmão tá aqui comigo, seguro. E pode avisar pra Angela ficar calma... Leon também tá aqui." Ele para e começa tossir. "Ah, desculpa, gata... Não pira! Eu já disse que..." Ele tosse outra vez e troca um olhar com Chris que lhe encara preocupado. "Logo, nós vamos voltar para casa. Eu prometo, querida. Eu também te amo." Chris ouviu Piers falando no telefone com a sua irmã e fazendo aquelas promessas que fez seu coração ficar aflito.

"Piers, você está mesmo bem?" Chris pergunta depois que a ligação termina.

"Eu só tô precisando descansar um pouco." Ele se senta em uma cadeira, dá um sorriso forçado para seu cunhado, antes de fechar os olhos e tentar tirar um cochilo.

Piers nem deveria estar ali naquela zona de guerra correndo riscos. Ele deveria estar em casa com Claire e o filhinho deles.

Mesmo cheio de preocupação, Chris resolveu caminhar um pouco pelo lugar, na tentativa de espairecer e, logo, encontrou Leon parado num corredor no décimo andar, olhando pela janela distraído.

"Como você está?"

"Sobrevivendo como sempre." Leon lhe respondeu sem nem ousar lhe olhar.

"Você já conseguiu falar com o Trent?" Indagou Chris se sentindo preocupado com o diplomata britânico.

"Ele ainda não sabe sobre... as filhas. Eu não tive coragem de contar a verdade para ele." Murmurava o agente da DSO com um semblante entristecido olhando por uma das janelas do prédio.

Já havia sido difícil contar-lhe sobre a morte de Daryl, (o homem que tinha sido o seu braço direito por longos anos). E agora Leon sentiu seu corpo se enrijecer de tensão e nervosismo, ao pensar em como dizer para aquele pai que suas filhas também estavam mortas.

"Droga! Como deixamos isso acontecer?" Chris se virou para a janela compartilhando a mesma visão de horror que pairava lá fora.

Havia uma tempestade caindo lá fora furiosa e incessante, mas nem aquela intensa chuva diminuía o fluxo de mortos-vivos por ali. Pela janela podia se ver as ruas devastadas e como as casas e os prédios começavam a parecer abandonados.

Era como estar de volta em Raccoon City, só que com uma diferença: Desta vez, parecia que não havia um real motivo para continuar. Pelo menos era assim que Leon se sentia. Era como sentir que toda a sua luta não havia servido para nada. E tudo que lhe restou foi um vazio imenso. Não havia esperança.

"Bom, tudo isso aconteceu por causa de uma guerra entre família. Dois primos que almejavam a liderança dos Simmons, medindo forças para saber quem no final teria mais poder. E pelo jeito ela venceu." Então, Chris retirou de um dos bolsos de sua calça um papel e entregou para Leon.

O papel era a carta de Carla Radames falando sobre seus sentimentos de rejeição pela família de Derek, o seu desejo de liderar a Organização, sobre o seu ódio por Ada Wong e, por fim, sobre a criação do próprio C-vírus.

"Caramba, essa mulher é doente. Tudo isso por causa de uma vingança pessoal?!" Dizia Leon após ler aquele papel.

"Há mais informações que Ada me entregou antes de... você sabe." Chris desviou o olhar se sentindo desconfortável. "Há fotos e um gravador." Chris e Leon trocam um olhar silencioso de entendimento, antes do agente da DSO se deparar com a foto de Wesker ao lado de Carla.

"Espera... Então, Wesker era aliado da mulher que criou o C-Vírus? O C-Vírus que teve a sua origem a partir de outra versão do T-Veronica?!" Leon refletia por fim montando o quebra-cabeça. "Ada me disse que ela havia sido infectada com o vírus por Wesker."

"Como ela poderia sobreviver ao T-Veronica?" Dizia Chris confuso agora ao saber o porquê Ada Wong parecia tão diferente com aqueles olhos carmesins. "Eu já vi o T-Veronica em ação. E posso afirmar que..."

"É completamente diferente. Eu sei." Concluiu Leon. "Eu também já tive uma experiência rápida com esse vírus."

"Capitão!" Um de seus soldados surge com um semblante nervoso. "É o senhor Trent..."

Houve uma pausa perturbadora, antes que Chris criasse coragem para falar com o diplomata pelo rádio.

"Então, Ada... Ela conseguiu falar com a irmã? Me dê uma boa notícia!" A súplica não era do diplomata, ou de um homem que chefiava uma Organização Secreta e tinha por muitas vezes que agir com frieza ou polidez, a súplica era de um pai desesperado.

Trent já tinha brigado com os seus agentes porque o forçaram a entrar no jatinho particular da Shadows e agora eles estavam a caminho de Londres. Se dependesse do diplomata, ele teria ficado na China esperando para reencontrar com as suas filhas.

"Então, onde elas estão?" Ouvir o questionamento cheio de expectativa de Trent, fez o capitão fechar a cara e trocar um olhar tenso com Leon. "Me deixe falar com elas."

"Eu sinto muito, Trent..." Chris se interrompeu ao se lembrou da determinação de Ada ao querer ficar com a irmã até o final. "A Ada poderia ter se salvado se quisesse, porém ela resolveu ficar ao lado da irmã. E ela disse que você entenderia." Do outro lado da linha, Trent ficou remoendo a sua dor em silêncio. "Eu sinto muito... muito mesmo." Então, a voz do Redfield perdeu a força por um momento. "Mas, nós temos que achar um motivo para continuar essa luta."

O silêncio retornou a se fazer presente, a tensão, a melancolia e o desespero ainda pairavam sobre todos. Trent não pode mudar o seu passado, não pode salvar as suas filhas, ainda assim, haviam pessoas que precisavam de sua ajuda.

"Capitão, você tem razão." Trent respirou fundo e resolveu focar a sua energia na próxima missão. "Tenho uma missão para você."


"Uma missão?" Chris troca um olhar cheio de resiliência com Leon que ainda estava ali lhe dando apoio.


"Sherry Birkin e Jake Muller, foram raptados. Nosso satélite os coloca numa plataforma petrolífera, a cerca de 80 quilômetros de sua posição. O resgate de Jake é vital e deve ser tratado como prioridade nesse momento."

"Raptados? Por quê?" Leon ficou imediatamente preocupado com Sherry.

"Afinal, por que tanto interesse nesse mercenário?" Chris indagou confuso.

"Por que Jake Muller... é filho de Wesker." Trent explicou cautelosamente.

"Wesker?!" Chris quase se engasgou ao pronunciar aquele nome, já sentindo um sentimento ruim.

"Chris, ele tem anticorpos para o C-Vírus. Ele carrega a cura em seu DNA..."




Três Horas Depois...


"Aqui é o comandante Zeta... Encontramos a segunda cobaia." Dizia o piloto da Neo-Umbrella, enquanto um corpo era retirado das profundezas de águas furiosas a alguns quilômetros do porto de Waiyip e colocado dentro de um contêiner. Em seguida, o contêiner é guardado no compartimento de cargas de um avião militar, ao lado de mais um outro contêiner (onde estava guardado o corpo de Simmons). "Infelizmente, a outra irmã gêmea ainda está desaparecida, senhora. E é difícil saber a qual das duas pertence o corpo da segunda cobaia." O comandante faz uma pausa, tentando controlar o avião dentro da tempestade que caía sobre Lanshiang.

"Comandante, é extremamente crucial encontrar a outra gêmea. Seja ela viva... ou morta!" Ordenava Carla Radames numa frequência segura, direto de uma Base clandestina da Neo-Umbrella. "Mas, enquanto não a encontram..." Do outro lado da linha, a mulher sorria sadicamente. "Tragam-me as outras duas cobaias. Eu tenho planos para elas!"





Notas finais
Bom, o que mais senti falta no RE6 foi ver Leon e Chris trabalhando juntos então nessa reta final eles vão precisar se ajudar. E ainda precisamos saber sobre o paradeiro das irmãs gêmeas né. Sabemos q uma delas está nas mãos de Radames, mas qual? Bom, tudo isso será respondido no próximo capítulo. Bjusss!!!