Segredos de Sangue
6 A Fera de Olhos Carmesins
Notas iniciais

Abruptamente, Ada se levanta pronta para fugir, então, Leon a puxa pelo braço. Seus corpos se colidem, o clima fica tenso. A espiã tenta se afastar, mas ele mantêm uma postura firme. Eles se entreolham, ambos sentem o coração pular, freneticamente.
Os olhos de Leon recaem sobre os lábios de Ada. De repente, não havia mais distância entre eles. Os lábios se encontram, as mãos se agarram ao corpo um do outro. O beijo é urgente e feroz, as línguas se unem. O tempo parece parar. Todavia, tão repentinamente, como tudo começou, a dupla se separa, cada um tomando uma respiração necessária.
Droga! Como ela se deixou ser pega desse jeito? Como ela chegou a essa situação? Sua mente está toda nublada. Se sente muito confusa pelos últimos acontecimentos. Sua última lembrança foi em Vancouver e Wesker a atacando. Depois havia pequenos flashes desconexos como sons de tiros, vozes, muita dor.
Alguma coisa aconteceu com seu corpo também. A espiã sente calor excessivo, assim como fluxo de sangue ardendo como fogo e seu coração batendo, freneticamente. E havia algo mais que tinha medo de lembrar. Algo, talvez, sobre-humano. Então, pelo reflexo da janela Ada se vê vestida numa calça jeans e uma blusa preta com capuz que não combinavam em nada com o que costumava usar, seus pés estavam descalços, havia um par de tênis branco do lado da cama. Afinal, o que ela estava fazendo com aquelas roupas?
Retomando sua razão, Ada decide sair logo dali, antes que fique ainda mais encrencada.
"Você invade meu apartamento e vai sair assim... sem uma explicação?!" Os olhos de safira de Leon nunca deixam Ada. Se o beijo em Pueblo já havia mexido com ele, esse foi simplesmente, avassalador.
Leon tenta se aproximar dela, mas Ada se esquiva. Um sentimento de pânico toma conta dela. Como um instinto natural, como se temesse que com seu toque pudesse machucá-lo.
"Não me toque!" Leon bufa se sente ofendido, pois ela parece temê-lo. O jovem sabe que nunca a machucaria. Tudo bem que na Espanha ele a atacou, mas foi a Las Plagas o controlando que o deixou irracional.
"Me desculpa! Eu..."
"Não! Tá tudo bem. Eu só... Eu tenho que ir." Ada ainda estava tensa e em um conflito interno. Ela já havia se exposto demais. E agora estava ali com ele tão perto, por isso tinha que ser fria e ponderada.
Como uma espiã internacional, já passou por situações piores e sempre conseguiu escapar. Todavia, agora havia um problema...
Ada chega até a sacada do apartamento. Lá embaixo a cidade vai despertando preguiçosamente, o sol se levanta radiante, uma cena encantadora. Em outra ocasião seria perfeito. Ainda mais, estando ali com o jovem agente.
Era através da sacada que ela o observa de longe. Às vezes, Leon aparecia ali e, por muitas vezes, Ada tinha a impressão que seus olhos se encontravam, como se ele pudesse vê-la, mesmo estando do outro lado da rua. Claro era apenas impressão dela.
Era também pela sacada que ela, sorrateiramente, entrava e saía. Independente da janela fechada, a mulher tinha seus truques. Porém, todas essas vezes, sempre estava com o seu fiel companheiro o Hookshot (lançador de gancho) que lhe ajudava a fugir saltando pelos prédios. Entretanto, para o seu desgosto, dessa vez, se viu completamente desarmada.
Como uma espiã como ela, poderia andar por aí sem a sua arma ESPECIAL e sem um plano de escape? Quanto mais tentava achar as respostas, mais ficava confusa e perdida.
"É incrível a vista daqui. Você não acha?" Leon, cautelosamente, para ao seu lado. Olhando de soslaio para o homem ao seu lado é que percebe que ele está sem camisa, deixando expostos seus músculos bem definidos e suas cicatrizes de batalha, combinadas com o cabelo bagunçado o faz mais charmoso.
"É claro que a urbanização polui um pouco o visual. Mas basta esperar a hora certa de observar a cidade. Eu prefiro agora de manhãzinha é bem calmo, ainda posso prestar atenção aos detalhes como... o nascer do sol, que é sempre tão magnífico e me faz recordar de quando eu era garoto e morava em San Francisco. O nascer e o pôr do sol à beira mar é divino. Sempre quando eu tenho insônia, ou acordo muito cedo, eu venho aqui." Seus olhos se encontram, porém Ada desvia o olhar.
Um silêncio paira no ar. Ela queria dizer algo e acabar logo com essa situação. Estava decidida a enfrentá-lo, entretanto, é ele quem toma a iniciativa.
"Bom. Eu deveria denunciá-la por invasão. Mas, eu acho que você me deve ao menos um café da manhã. Então... porque não toma um banho pra relaxar, enquanto eu preparo o café."
"Eu deixo para outra hora." Contrariando-a, seu estômago reclama.
"Hahaha... Vejo que alguém está com fome. Aliás, eu te devo um jantar, lembra?" Ele se lembrou daquela promessa que fez quando ainda estavam presos em Raccoon City. "Já que eu não posso lhe dar o jantar. Vou te dar um agradável café da manhã. Ah, antes que me esqueça. Eu percebi que você não está com aquela... ARMA INFERNAL." Leon dizia sarcástico se referindo ao lançador de gancho da espiã.
"Então, se quiser fugir... eu sugiro sair pela porta. É mais seguro." Leon cruza os braços sobre o peito nu, tem um sorriso presunçoso e contagiante. Sem querer Ada retribui ao sorriso.
"Bom. Eu acho que você já está familiarizada com cada canto desse apartamento. Sinta-se em casa!"
Ada sabia naquele instante que estava sem saída.
Leon queria caprichar, pois fazia algum tempo que seu café da manhã era solitário, somente aos finais de semana é que tinha a companhia de Sherry e, ocasionalmente, sua mãe e Claire. E agora, pela primeira vez, ele tem a ilustre presença de Ada Wong.
Uma parte dele estava entusiasmado, mas a outra estava gritando de preocupação e desconfiança. Ele sentia que havia algo de errado com ela. Parecia que estava fugindo de algo, ou alguém. Talvez, fosse Wesker. Leon aperta as mãos com raiva.
Seja o que estiver acontecendo com a sua espiã fatal, ele vai descobrir.
***/ /***
Ada sempre odiou água fria. Não apenas pelo desconforto, mas, sobretudo, as lembranças ruins. Lembranças vividas sob o domínio da FAMILIA, das torturas, dos treinamentos e banhos gelados para preparação de uma criança que foi transformada, precocemente, em Soldado. Se ficasse doente, você pereceria sem nenhuma assistência, por outro lado a morte seria sua salvação. No entanto, a água fria sobre seu corpo febril não poderia ser mais relaxante. Então, a femme fatale pensa sobre tudo que aconteceu entre ela e Leon.
O que foi aquele beijo?! E o quanto estar com ele parece tão fácil, tão bom e incrível. É simples como respirar.
Ao sair do banho, ela sente-se tonta quando sua mente é invadida por memórias perturbadoras. Ada se apoia na pia do banheiro. No espelho ela vislumbra olhos vermelhos. Olhos carmesins... Olhos selvagens.
Seu corpo instintivamente começa a se transformar. O sangue corre desenfreado e em chamas por suas veias até entrar em contato com coração que começa a pulsar, descontroladamente. Seu cérebro também é afetado, ele trabalha a mil, como uma máquina. Piscando em vermelho e branco, entre PERIGO e Não perigo, adrenalina e fúria se fundem. Ada se torna uma FERA indomável, ela foge.
Então, as memórias ficam nítidas. Até chegar a capital, houve alguns obstáculos pela frente. Ada não poderia vagar nua e, assim, roubou aquelas roupas. Logo, se dá conta que foi Wesker quem fez algo consigo. Seja o que for ao menos não a tornou irracional.
"Ei, está tudo bem aí?" Seus devaneios são interrompidos pelo chamado de Leon.
Ada hesitante abre os olhos com medo de encontrar olhos carmesins, então, se depara com seus castanhos mel refletidos no espelho. Sua respiração ainda está irregular, assim, como sua mão que treme. Aos poucos, ela volta a normal e fica aliviada ao ver que é apenas sua mente distorcida. Tudo é tão surreal.
Leon bate na porta persistente. Ele estava lhe esperando com um semblante preocupado que logo se suavizou ao vê-la abrir a porta. Seus azuis são penetrantes e a deixam toda arrepiada.
"Quando se cansar do vermelho, você pode usar o lilás. Ele parece perfeito em você." Ada estava vestida com o roupão lilás de Sherry. Seus cabelos estavam molhados. Para Leon ela parecia ainda mais bela, uma beleza natural.
"Bonitão, que bom que gostou." Um sorriso malicioso se formou em seus lábios. Olhando para aquele rapaz, a bela espiã decidiu que iria aproveitar aquele momento, depois enfrentaria as consequências.
O café correu bem, eles sentaram de frente um para o outro, às vezes se olhavam, às vezes conversavam coisas bobas. Ada estava muito faminta, parecia que não comia há tempos. Ela adorou os ovos com bacon, o suco de laranja (seu preferido), a torrada com geleia e a torta de maçã. Enfim, tudo foi maravilhoso.
O jovem nunca se imaginou tendo um momento tão corriqueiro com a espiã, longe das missões, ou do inferno de Raccoon City. Aquela Ada conturbada de horas atrás foi substituída pela velha Ada: a segura de si, sedutora, sarcástica e misteriosa.
"Por que você faz isso? Quer dizer... não é a primeira vez que você invade minha casa, certo? Você poderia bater na porta como gente normal faz."
"Eu não sou comum. Sou uma espiã, esqueceu?"
"Eu sei disso, mas você como uma boa espiã poderia usar um disfarce qualquer. E não ficar bancando um fantasma. Meu Deus! Eu achei que estava ficando paranoico."
"Me perdoe, vou me lembrar disso." Ela estava se divertindo.
"Você acha isso engraçado. Mas, falando sério você poderia ter batido na porta, eu iria atender sem problemas. Minha casa está de portas abertas para meus amigos e familiares. O que eu quero dizer é que... independente das circunstâncias... até mesmo você pode contar comigo."
Ada ficou apreensiva, pois embora confiasse nele, também temia envolvê-lo nos seus problemas. Wesker poderia usá-lo contra ela. Além disso, a espiã não sabia quanto perigosa podia ser. Leon poderia acha-la uma ameaça.
E se ela realmente fosse uma ameaça?! Por um instante, havia esquecido de seus problemas. Mas, agora tudo retornou com mais força. E, pela primeira vez, Ada sente um medo agonizante. Seus olhos encontram os azuis preocupados de Leon.
"Ah... Então, eu sou apenas uma... amiga. Eu achei que tínhamos algo a mais." Ela diz, descontraidamente, tentando esconder seus temores. Leon sabia que ela estava fingindo, mas iria jogar o mesmo jogo.
"Ada, na verdade, eu não confio tanto assim em você como... uma amiga. Mas..." Ele toma uma respiração necessária antes de continuar. "Ada, você é... o meu maior enigma. Um enigma que eu quero decifrar!" Seus olhos são intensos nos dela.
Ninguém nunca seria capaz de surpreendê-la de uma forma tão sublime como Leon. Suas palavras mexeram com ela. E isto a deixou com um pouco de raiva dele por fazê-la se sentir desse jeito.
"Sabe Leon... eu gosto de estar nas sombras. Gosto de fazer o inesperado. Surpreender!" Ada decide manter uma postura mais indiferente e racional. "Não gosto do que é comum, pois acho chato. Não sigo regras, nunca. Esse é a parte essencial do meu charme. E eu sei que isso te excita!" Ela morde o lábio o provocando, o guarda-costas presidencial apenas ri do jeito atrevido dela.
"Ah, senhorita SOU UMA MULHER FATAL, parece que acordou com o pé esquerdo." Leon decide provocá-la. "Onde está sua arma e por que aquela roupinha nada sensual?" Ele dá um sorriso de canto.
"HAHA, muito engraçado! Tudo faz parte de um disfarce." Mentiu mesmo sabendo que o homem não acreditou.
"Eu me pergunto qual é o plano? O que Wesker quer? Porque eu não tenho nada a esconder. Nenhuma informação que ele queira. E mesmo que tivesse, eu nunca diria, nem sob tortura." Leon estava cansando desse joguinho e apenas queria respostas.
"Bonitão, eu sempre consigo o que quero. Eu tenho os meus truques pra conseguir qualquer informação, qualquer segredo." Ela é tão presunçosa. "Eu sou uma víbora esperando para dar o bote." Nesse momento, seus olhares se desafiam.
"Hmmm... Seu veneno é letal?" Ele nunca havia parado para pensar, ou ignorava os detalhes sobre um espião: Eles também são assassinos frios. Ada não seria diferente.
"Sim. Mas, não se preocupe, eu não vou te matar. Afinal, você me preparou uma deliciosa refeição. Obrigado pelo café." Ela se levanta, era hora de ir embora. Foi bom enquanto durou.
É óbvio que o homem não tornaria as coisas mais fáceis para ela. Leon começou a fazer perguntas que ela não queria responder. E Ada já havia se exposto demais. Ele a puxa pelo braço de maneira ríspida, decidido a não deixá-la ir sem um confronto. O clima entre a dupla fica tenso.
"Leon, isso não combina com você. É melhor..." Ela para ao sentir aquele mesmo fogo selvagem fluir por seu corpo. Algo feroz e primitivo quer dominá-la, porém a mulher não quer machucá-lo.
"Ada olha pra mim! Eu estou cansado desses jogos. Cansado de ser manipulado por você." Ada fecha os olhos tentando se acalmar, só que Leon continua a pressionando. "Eu não sou mais aquele policial ingênuo. Eu me arrisquei por você em Raccoon. Mas, para quê? Para você continuar sendo uma espiã manipuladora que trabalha para Wesker?!" O agente só para quando sente a palma da sua mão queimar com calor da pele dela, somados a uma sensação de tontura.
Quando Leon recua parecendo meio tonto, Ada se aproveita disso e segue para o quarto.
"Isso, fuja como sempre faz! Covarde!" Leon cerra os punhos ignorando a dor e a sensação de fraqueza, depois decide segui-la.
Ada estava respirando com dificuldade, seu coração pulsava desenfreado como se fosse explodir. Ela havia acreditado que essas sensações em seu corpo fossem apenas coisas da sua mente, só que agora parecem bem reais. A mercenária está atormentada, suas emoções chegaram ao extremo. Já no quarto, deixa o roupão deslizar por seu corpo nu até cair no chão. Leon fica sem reação na hora, mas logo se recompõe, virando de costas para a mulher.
"Ada, o que está acontecendo com você. Eu sei que tem algo errado." Leon dizia aflito e questionador. "Sua pele parece estar em brasa. Você está doente? Eu... eu só quero que você... confie em mim... Você tá fugindo de Wesker, não é? O que ele fez? Por favor, me deixa ajudá-la!" Ele diz angustiado. Ambos estão de costas um para o outro.
"Eu não preciso da sua ajuda! Leon, você não pôde me salvar em Raccoon. Por que você acha que me salvaria agora?!" Suas palavras foram cheias de veneno e ela sabia que havia atingido um nervo. "Se não fosse Wesker, eu teria morrido lá. Ou na pior das hipóteses, eu ficaria presa numa cama pelo resto da minha vida." Ada já devidamente vestida se prepara para enfrentá-lo. Ambos se viram: olhos tristes contra olhos gélidos.
"Sinceramente, Leon, eu nunca quis ser salva. A morte seria a minha liberdade. A minha salvação!" Ada fica frente a frente com Leon. Ela parecia tão pequena perto dele, porém era ele quem parecia mais frágil.
"Basta apenas continuar acreditando que Ada Wong morreu lá naquela cidade maldita. É simples." No final, a espiã o surpreende ao selar seus lábios nos dele, num beijo desesperado com sabor de despedida. Com sabor de Adeus!
Ela vai embora, deixando Leon perdido no vazio de seu quarto.
O T-Veronica
Após, várias analises e informações extraídas por documentos roubados das instalações da ilha Rockfort e da base da Antártida e também de ver o vírus em ação através de Alexia Ashford, Wesker ficou fascinado pelos poderes do T-Veronica. Logo, as amostras que haviam sido coletadas do cadáver de Steven Burnside, acabam sendo comercializadas para o mercado clandestino Sul-Americano e em troca o bioterrorista recebeu muito dinheiro.
Contudo, havia uma amostra que Wesker guardou a sete chaves.
SEATTLE
Numa sala secreta, Abert Wesker assiste pela câmera seus capangas enfrentando a bela e perigosa espiã chinesa. Ela corre num ritmo alucinante, seus movimentos são precisos e fatais. Ada desarma um dos soldados e com a mesma vai assassinando cada um que entra no seu caminho. Seu cérebro funciona como um computador, as novas mudanças de seu corpo parecem agora estar em completa sintonia. A FERA faz parte dela e se tornando uma só.
Todas as suas habilidades de espiã a tornaram mais fortes, unidas com as habilidades dadas pela mutação como a super velocidade, visão e tato mais apurados, transformou Ada Wong em uma verdadeira máquina de matar. Basta um toque e ela pode sugar a força vital alheia.
Wesker parece fascinado por ela: Ada era um projeto inacabado, audacioso e de alto risco que, inesperadamente, deu certo. Talvez, Ada Wong fosse tão indomável, que nada realmente pudesse controlá-la. Nem mesmo, o ex-capitão dos Stars e sua força sobre-humana pudesse pará-la.
A femme fatale chuta violentamente a porta que dá acesso à sala-secreta. A sala é grande, iluminada por luzes amarelas. No centro da sala havia um símbolo desconhecido. Então, a voz de Wesker é ouvida.
"Meus parabéns! Borboleta, estou orgulhoso. Você quer me quer? Só que para chegar até mim, você terá que passar pelos meus Sentinelas. Eu estou te esperando!" O símbolo no centro da sala se abre e duas cápsulas emergem. Os olhos carmesins ficam em alerta. As cápsulas se abrem e de dentro saltam os dois HUNTERS.
Ada só consegue visualizar dois pontos vermelhos que indicam ameaça. Seu cérebro também indica que não são humanos.
Os Hunters Sentinelas são diferentes dos outros. Sua pele réptil é prateada com pontos vermelhos e pretos. Os olhos parecem humanos, sua musculatura e altura também mudam, tornando-os mais velozes e resistentes. Eles saltam em direção a ela. Mas, Ada é mais rápida dá um salto mortal se salvando das garras do bicho. E assim, continuou sempre se esquivando e atirando. Numa das vezes, ela sentiu as garras em sua perna esquerda, bem no momento em que conseguiu dar um tiro certeiro num dos bichos. Agora, só faltava um.
Para os olhos humanos seria quase impossível acertar os tiros, ou mesmo se proteger dos ataques, pois a criatura era muito veloz, às vezes, parecia se tornar invisível. No entanto, para Ada isso não era problema. O Mais difícil era a pele que parecia quase impenetrável aos tiros. Nem sob seu toque a criatura era afetada. Porém, havia um ponto fraco que ela descobriu ao matar o primeiro. Estava nos olhos, só precisava esperar a hora exata se desviando dos golpes, até que numa distração conseguiu lhe dar o golpe final. O Hunter se contorce no chão e solta um último grito estridente.
"Magnífico!" Diz Wesker pelo alto-falante. A parede no fundo da sala mostra uma passagem secreta. Ada segue para o lugar e, logo, encontra o homem loiro de óculos escuros e vestes pretas, sentado numa poltrona, lhe esperando com toda sua soberba e insanidade.
Num piscar de olhos, Ada tem Wesker sob suas mãos. Ao seu toque ele sente sua energia ser sugada, lentamente.
"Se acalme, agora somos iguais." Ele diz ofegante.
"Nunca! Eu prefiro morrer a me tornar um maníaco como você!" Ela o solta e se afasta.
"Eu sou um visionário. Nós seremos o futuro, humanos mais evoluídos. Nós somos INVENCÍVEIS!" Wesker diz se aproximando dela.
Ada sente seu corpo desacelerar. Como se sua energia estivesse se esgotando. Tudo vai voltando ao fluxo normal e, como consequência, ela sente uma exaustão física incontrolável.
"Ada. Você está bem?" Ela não responde. Wesker observa que os olhos vermelhos dela vão retornando aos castanhos. De repente, a mulher desmaia, Wesker a pega em seus braços.
"Olha só para você, parece tão frágil. Borboleta, você voltou pra mim! Não se preocupe. Eu vou cuidar bem de você."
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