Segredos da Casinha

14 Capítulo 13 - Seguir Em Frente - Parte 2


Notas iniciais
Olá leitores... Agora que foi a parte dois, oficialmente faltam só dois capítulos pra acabar aqui também. Bela jornada... Enfim, boa leitura...

O peso de cinco corpos em cima do seu e várias vozes se misturando com palavras como “acorda” “vamos, bela adormecida” e “levanta” não deram outra opção para Maddison além de despertar de seu sono para dar atenção aos amigos.

— Tá bom, tá bom, já acordei! — Resmungou tentando empurrá-los para se levantar. — Já podem sair de cima de mim, seus chatos.

— Não precisaríamos fazer isso se a madame não estivesse dormindo quase cinco horas da tarde. — Luke respondeu em tom debochado enquanto sentava direito na cama. — Que feio.

— Não torra. Eu passei treze horas em um carro, dormi malmente quatro horas, passei o maior nervoso da minha vida, depois passei mais quatorze horas no carro e cheguei aqui meio-dia só querendo a minha cama. — Justificou-se, esfregando os olhos.

— A gente sabe, ele só quer te encher o saco. — Disse Adele, socando de leve o ombro de Luke. — Também sabemos que você merece mais algumas horinhas de sono, mas estávamos ansiosos demais pra saber das novidades. Como foram as coisas em LA?

— Gente! — Nesse momento, a lembrança da audição voltou bastante nítida na cabeça de Maddison, fazendo-a despertar de vez pelo sentimento de euforia. — Eu passei! Ainda não é oficialmente oficial porque ainda tem papeladas e paranauês pra resolver, mas já é certeza que daqui um mês e meio eu serei uma caloura da Blue Stars Academy!

De novo, os cinco corpos se chocaram contra o de Mad, dessa vez em um abraço coletivo com direito a muitos gritos de comemoração.

Claro que apenas uma frase não foi o suficiente para satisfazer a curiosidade do bonde, que fez questão de exigir os mínimos detalhes, especialmente quando Maddison contou sobre ter conversado com Marina & The Diamonds. No geral a tarde foi descontraída e super animada, mas mesmo se esforçando para ignorar a sensação de que faltava algo para sua felicidade estar completa, Mad ainda sentia esse buraco do peito.

(...)

Não era sua primeira vez no prédio, já que havia ido assinar papeis e conhecer o quarto no qual viveria pelos próximos anos no dormitório da Blue Stars Academy, mas das outras vezes estava deslumbrada ou ocupada demais para explorar a nova escola, então estava apanhando um pouco para achar a sala onde teria sua primeira aula. Por sorte estava muito adiantada.

Enquanto caminhava pelo corredor quase vazio, analisava o papel com seus horários e tentava lembrar por onde já tinha andado e se não havia deixado passar a sala certa. Com isso, acabou esbarrando com uma pessoa que saia de uma das portas do corredor, também distraída rindo e olhando para alguém que dizia algo engraçado dentro da sala.

— Desculpa, cariño. Eu tenho que lembrar de começar a olhar por onde ando. — Disse a garota de cabelo curto, estendendo a mão para ajudá-la levantar.

Maddison subiu o olhar por ela desde o coturno preto com salto médio, passando pela calça preta justa e a regata branca larguinha do AC/DC, até o lindíssimo rosto com traços latinos numa pele cor de canela.

— Não tem problema, eu também estava com a cabeça em outro lugar. — Respondeu aceitando a ajuda.

— Deixa eu adivinhar. Você tá perdida? — Perguntou, abrindo um sorriso que mostrava apenas uma covinha, na bochecha esquerda.

— Completamente. — Admitiu corando de leve.

— Sempre me perco, então cheguei bem mais cedo pra aprender onde ficam todas as minhas salas. Talvez eu possa te ajudar. — Ofereceu educadamente. — Que sala tá procurando?

— Sala nove.

— Oh, é a mesma que a minha! — Replicou apontando a porta pela qual havia saído. — Bom, pelo menos uma delas.

— Obrigada. Sabe, é a primeira vez na vida que fico tão animada no primeiro dia de aula.

— Total! E eu to nervosa e ansiosa também, quando isso acontece eu me encho de agua. Ah é! Eu tava indo ao banheiro. Depois a gente se fala mais, cariño.

— Ok. Até.

Maddison se afastou primeiro, indo em direção a sala, mas a garota do cabelo curto notou um caderno no chão e o pegou.

— Ei, cariño, acho que você deixou cair isso quando te derrubei. — Disse chamando a atenção dela de volta.

— Sim, é meu. Nossa, eu ia pirar se perdesse isso. — Mad respondeu com um sorriso de alívio enquanto pegava seu bem mais precioso que nem sabia que quase havia perdido.

— Nunca vi alguém que se orgulha tanto de ser um bebê chorão. — Constatou com ar de piada se referindo às centenas de vezes que essas palavras estavam escritas na capa.

— Ah! Não. — Murmurou rindo. — Cry Baby é... Um projetinho meu, digamos assim.

— Show. Eu também tenho um. Chama-se Audreynalina. — A última palavra foi dita enquanto a garota unia as mãos acima da cabeça e as separava devagar, como que para dar um efeito. — Esse título é provisório. Eu sei que é bem tosco como tá agora. Aliás, o meu nome é Audrey. Audrey Alvarez.

— Adorei essa pronuncia. Pelo sotaque, você não é daqui, né?

— Costa Rica. — Confirmou o óbvio. — Eu morei lá até os quinze, até minha mãe querer voltar a morar em Los Angeles e eu vir com ela. O que foi maravilhoso pra mim, afinal, eu tenho a chance de estudar na fucking Blue Stars Academy.

— Show. Aliás, eu sou Maddison. Mitchell. — Disse ao perceber que ainda não tinha se apresentado. — Estudaremos na mesma sala, já sabemos o nome uma da outra e você parece ser bem legal. Nós podemos ser amigas, que tal?

— Claro. Você parece ser legal também. Só toma cuidado pra não cair no charme costa-riquenho e se apaixonar por mim. — Brincou, mostrando de novo sua covinha com um sorriso.

Maddison riu, lembrando-se de Luke, pois essa com certeza seria uma frase que ele diria. — Uau, você pareceu muito um dos meus amigos do outro colégio falando. Só que numa versão latina e lésbica.

A expressão de Audrey se fechou no mesmo instante. — Ou, ou, ou! Que papo é esse? Eu não sou lésbica!

— Oh! Desculpa, eu não... É que você é toda estilosa e tem o cabelo do Justin Bieber em 2014 e usa muito delineador...

Enquanto Mad se atrapalhava toda tentando se explicar, Audrey desmanchou a carranca e começou a rir. — Eu to só zoando com você, cariño. Eu amo lady parts.

— Que susto! Achei que tava na maior saia justa. Não faz mais isso.

— Mas se não for pra isso, pra que servem os amigos? — Replicou com uma piscadela, esbanjando o tal charme costa-riquenho que deveria ser resistido.

— Você não ia ao banheiro? — Perguntou mudando de assunto.

— Ah é! Eu vou lá. — Audrey lembrou pela segunda vez. — Senta do meu lado, a minha mochila é a preta com estampa de rosas vermelhas e caveiras.

— Pode deixar.

Maddison finalmente entrou na sala nove e escolheu a cadeira que Audrey pediu, mas não puxou papo com ninguém até a latina voltar e apresentá-la a um pequeno grupo com quem já tinha feito amizade: os gêmeos Arthur e Elizabeth Lewis (ou simplesmente Artie e Lizzie) de Iowa, Blake Ortega de Utah, Nicholas Jonas (ou Nick) do Texas, Poppy Summers do Missouri e, o único canadense, Shawn Mendes.

Havia tempo para conversar, já que todos eram jovens entusiasmados demais que foram para a primeira aula cedo demais, por isso puderam se entrosar bem, descobrir coisas uns sobre os outros e rir de piadas bobas. Pareciam ser pessoas legais, pena que os próximos tempos antes do almoço eram em salas diferentes para cada um deles, exceto os gêmeos que tinham sempre as mesmas aulas.

Mas, enquanto andava pelo refeitório ao lado de uma loira extremamente baixa e muito branca como um fantasminha camarada, Mad logo ouviu o grito na voz animada e inconfundível (não tanto por ser única quanto por ela não parar de falar) de Audrey Alvarez vinda da esquerda entre as mesas grandes e redondas.

— Mad, mi cariño! Vem, senta com a gente. — Dizia ela chamando atenção para a mesa onde o mesmo grupo já estava reunido com duas pessoas a mais.

— Vem comigo. Só cuidado com o charme costa-riquenho. — Maddison murmurou para a garota loira, repetindo a piadinha de mais cedo e rindo sozinha já que a outra não tinha como entender e apenas a acompanhou. — Oi, galera. Essa aqui é a Rebecca, minha colega de quarto. Rebecca, esses são Audrey, Nick, Blake, Lizzie, Artie, Poppy e Shawn. Esses dois eu não conheço.

— Essa é Halsey, ela é a sortuda que divide quarto comigo. E aquele ali é o Jamie, colega de quarto do Artie. — Audrey disse antes de todo mundo outra vez, ela realmente amava falar. — Prazer, Rebecca.

— Não precisa de toda essa formalidade. — A loira respondeu enquanto se acomodava à mesa, então sorriu mostrando os dentes muito brancos, ela em si era clara demais até mesmo no tom acinzentado dos olhos, chegava a quase brilhar. — Podem me chamar de Becca.

— Só pra constar, eu não concordo totalmente com esse “sortuda” que ela falou. Ouvir ela tagarelar tanto e aguentar a vontade de estrangulá-la é um exercício de paciência e olha que só moramos juntas há um dia. — A tal Halsey se pronunciou, em seguida sentindo um pedaço de pão se chocando contra sua bochecha, mas logo todos na mesa estavam rindo por saber que era a mais pura verdade.

Foi muito fácil gostar daquele grupo, Maddison ria muito na companhia deles. Também estava adorando as aulas e uma semana foi o suficiente para se adaptar à nova rotina e ao novo ambiente, ao clima quente não tanto, mas ela sabia que iria se acostumar algum dia.

(...)

Ao fim da sétima semana, Mad estava tendo uma das típicas conversas por chamada de vídeo no Skype com seus amigos quando Becca entrou no quarto já vestindo as roupas de dormir e com os cabelos loiríssimos presos em um coque-frouxo.

— Oi, gente. — Disse acenando para a webcam, pois já havia sido apresentada ao bonde.

Ela mal precisava se inclinar ao lado da colega de quarto, de tão pequena que era ficava quase da altura que Mad sentada na cadeira em frente à escrivaninha onde estava o notebook.

“Oi, Dama Cinzenta.” — Morgana implicou com a palidez de Rebecca fazendo referência à fantasma da torre da Ravenclaw em Harry Potter.

— Vai ficar me zoando mesmo? Lembre-se de que eu ainda tenho pelo menos três anos pra roubar o todo amor da sua melhor amiga só pra mim. — Ameaçou, sorrindo maquiavélica.

“Sabe que eu sou perita em manipular tesouras, né?” — A gótica ameaçou retribuindo o mesmo tipo de sorriso.

“Parem com essa birra, crianças.” — Repreendeu Adele, sendo a mesma mãezona chata de antes, porém sempre com ar de diversão.

“Gente, eu queria muito continuar o papo, mas já to praticamente dormindo sentado. E não é pra menos, já são duas e trinta e cinco da madrugada.” — Disse Andrew, bocejando logo em seguida.

“Minha Santa Beyoncé nas Alturas, eu não tinha visto que tava tão tarde!” — Exclamou Luke arregalando os olhos. — “Preciso do meu sono de beleza.”

— Caramba, aqui nem deu meia noite ainda. — Constatou Maddison, detestando o fato de suas conversas com os amigos serem mais curtas que o desejado por culpa do fuso horário. — Já que vocês tem que ir, até a próxima, bonde lindo. Eu amo vocês.

“Também te amamos, Mad.” — Todos os cinco disseram quase em uníssono, então se despediram dela e de Rebecca, e um por um foram desligando a chamada de vídeo.

— Você sente falta deles, né? — Perguntou Becca ao ouvir o suspiro da colega de quarto enquanto fechava o notebook.

— Mais a cada dia. A gente se acostuma a ficar longe das pessoas que ama, mas o vazio sempre tá presente. — Respondeu com a mente indo bem mais longe do que apenas doze horas de carro.

— Eu te entendo. Queria dizer alguma coisa super filosófica e inteligente pra fazer você se sentir pelo menos um pouquinho melhor, mas eu to tão lesa de sono que não consigo pensar em nada. — Admitiu corando fácil por ser tão pálida.

Maddison riu e disse. — Não precisa. Você e toda a galera já me ajudam bastante sendo amigos tão incríveis e me dando tanto suporte nesse momento.

— Disponha. — A garota fez uma reverência e sorriu antes de bocejar e questionar. — Vai dormir agora?

— Ainda não, mas já pode apagar a luz se quiser. Não que vá fazer tanta diferença com você no quarto, blanquita. — Murmurou com uma piscadela, chamando-a pelo apelido criado por Audrey.

Becca forjou uma risadinha irônica e deu língua. — Sua ridícula.

— Desculpa, eu vou parar. — Mad respondeu rindo. — Não se preocupe, não vou dormir tarde. Pode apagar a luz.

— Tudo bem.

Maddison observou a colega andar até o interruptor e apagar a luz, ouvindo o ranger da cama quando ela se deitou alguns segundos depois. Também foi para cama, mas esperou alguns minutos para pegar os fones de ouvido e o celular na mesa de cabeceira para abrir de novo um dos links salvos no bloco de notas.

Era um vídeo no youtube com o fundo musical mais genérico possível: Pretty Woman – Roy Orbison. A montagem mostrava as vezes Dirfino e as vezes Luke, mas para Mad era como se fosse apenas Dirfino sorrindo, rindo, andando para lá e para cá, fazendo poses com roupas bonitas, engraçadas ou totalmente aleatórias. Ele era lindo e naquele vídeo parecia brilhar de felicidade, como era sempre que estava entre amigos.

Ao fim do vídeo, ela voltou ao bloco de notas e clicou em outro link, esse levava direto ao chat do brasileiro no facebook, onde a última mensagem continuava sendo “To pronto, pode descer” do dia em que foram ao parque.

Outra vez, Maddison digitou e apagou mil e uma mensagens até desistir e ir de novo para o bloco de notas abrir os outros links para se torturar com fotos e vídeos do garoto que amava, acabando por voltar para a montagem de novo. Ela podia apostar que tinha dado dois terços dos views daquele vídeo, se não mais.

A saudade que sentia de Dirfino dilacerava seu coração, ainda mais depois de finalmente tomar coragem para abrir o Google Tradutor e descobrir o que afinal dizia a parte em português no fim de sua carta de despedida.

Era doloroso, mas continuava a assistir aquele maldito vídeo quase toda noite, tirando as que estava cansada demais para conseguir manter os olhos abertos, e mesmo conhecendo praticamente cada freme de cor e salteado, chorava todas as vezes.

Rebecca percebeu depois dos primeiros dias que Maddison fazia isso depois de esperá-la dormir e ficou com vergonha de revelar que demorava mais do que ela pensava para pegar no sono. Além de não querer ser invasiva, pois se ela esperava era porque não queria dividir o que quer que fosse, então a loira só ouvia calada todos aqueles choros, sentindo o peso de não poder ajudar a nova amiga.

Notas finais
Eu sei que não tem nada a ver, mas eu fiquei pensando se a Audrey e a Mad não se dariam bem como amigas coloridas, mas é que a Audrey é uma versão latina e lésbica do Luke que é um cara engraçado e gente engraçada são meu ponto fraco kkkkkkkkkkkkkk xoxo Atenciosamente, Leo Guedes. Longos dias e belas noites e... Até maaaaais...