Segredos Submersos
9 Thalia traz más notícias
Notas iniciais
Hoje era domingo, e pelas barbas de Merlin, eu agradecia muito por isso. Soava meio estranho eu, Hermione Granger, dizer estar feliz não ter aula, mas quando na noite passada você é atacada por um bicho mitológico e descobre uma identidade escondida como semideusa, eu acreditava ser melhor ter pelo menos um dia de descanso para poder relaxar.
O que a mim significava, biblioteca.
Eu estava sentada lá, apenas aproveitando o bom e aconchegante silêncio daqueles corredores lotados de livros. Havia pegado alguns livros de mitologia grega, e por mais que conhecesse grande parte das histórias, eu sempre gostava de relê-las, ainda mais agora em que eu descobri que esse mundo realmente existia.
Suspirei. Estava tudo tão confuso atualmente...
– Hermione! – uma voz soou no fim do corredor, o que me fez ter um breve déjà vu. Bufei, enquanto via a figura irritada de Thalia aparecer a minha frente, assim como acontecera antes do baile. – Onde é que você estava?
– Aqui, como sempre – respondi, fechando os livros. – Isso me lembra de uma cena familiar que aconteceu ontem, não acha? – Ela levantou as sobrancelhas, mas eu ignorei. Levantei-me e comecei a guardar os livros nas prateleiras novamente. – O que foi dessa vez, Thalia?
Ela pegou alguns dos livros e me ajudou a guardá-los.
– Fomos falar com a diretora McGonagall hoje, perguntando se nós poderíamos sair de Hogwarts para voltar ao Acampamento logo hoje – disse ela, brincando um pouco com suas correntes de prata em seu pulso.
– McGonagall sabe que vocês são...? – perguntei, arqueando as sobrancelhas.
– Sim, ela sabe que nós somos semideuses – disse Thalia, voltando seus olhos azuis elétricos para mim novamente. – Todos os professores daqui de Hogwarts sabem disso, por isso nós não precisamos ir às aulas de Feitiços ou Transfiguração. O bom é que eu também não vou precisar prestar os tais N.O.M's, mas enfim. Contamos a ela que precisávamos te resgatar o mais rápido possível, ainda mais porque nunca havíamos presenciado o caso de uma meio-sangue que também era bruxa. Por causa disso houve certos problemas com o Ministério também, mas depois disso conseguimos resolver melhor as coisas, e bem... aqui estamos nós.
Eu apenas assenti, ainda guardando os livros nas prateleiras.
– A propósito, Hermione... – Thalia parecia um pouco preocupada, agora. – Você por acaso, hã... começou a demonstrar algum tipo de... poder?
Franzi o cenho.
– Não, não que eu saiba – disse eu, e Thalia suspirou. – Por que, o que houve?
– Não é nada, mas tudo está saindo como eu e Annabeth havíamos temido – ao ver meu olhar confuso ao ouvi-la citar aquela tal filha de Atena que Nico havia mencionado, ela disse para mim: – Você é uma semideusa, Hermione, mas ao mesmo tempo é bruxa. Como eu já disse, nunca havíamos presenciado um caso desse tipo, por isso todos estamos tremendamente preocupados.
– E posso saber por quê?
– Os Deuses nunca foram muito com a cara dos bruxos, não sei muito bem o porquê – disse ela, abaixando o tom de voz. – Pelo o que eu saiba, acho que houve uma guerra entre eles, e por mais que logo depois tenham selado um acordo, ainda possuem um pouco de... remorso, ou algo do gênero. E é por isso que temos que descobrir logo quem é seu pai, Hermione. E também porque meu pai, Zeus... bem, ele não leva as coisas muito na esportiva, sabe como é.
Ao longe, um trovão rugiu no céu, mesmo que o tempo parecesse bom. Thalia revirou os olhos e voltou-se a mim.
– Viu só? Ele não sabe brincar e também não é um dos caras mais legais do mundo – outro trovão rugiu, mas dessa vez ela ignorou.
– E qual é esse acordo? – perguntei, a voz diminuindo também.
– Não é algo muito complexo – disse Thalia. – Após a guerra, eles apenas fizeram o acordo de não se meterem no caminho um dos outros, para que as coisas ficassem mais... pacíficas. Mas agora que sabemos que você é uma meio-sangue, meu pai não vai ficar nada feliz ao ver que um outro deus desrespeitou essa regra. E olha que quando alguma coisa de ruim acontece nesse nível, Zeus não tem medo de fazer qualquer coisa para acabar com isso. Olhe Percy, por exemplo. Meu pai já o acusou de roubar seu raio-mestre, mesmo que não tivesse provas muito concretas. Imagine você, agora.
– Não quero nem pensar como seriam as coisas – eu disse, sentindo um arrepio percorrer minha espinha. Ela assentiu.
– Por isso mesmo devemos voltar ao Acampamento o mais rápido possível e descobrir quem é seu pai divino. Para assim podermos nos assegurar que... meu pai não faça qualquer coisa precipitada. – disse. Eu apenas assenti, tentando esconder um pouco o nervosismo. – Só que o ruim é que parece que você não vai ser determinada assim tão cedo, já que ainda não demonstrou nenhum tipo de poder. Provavelmente seu pai deva estar meio receoso por isso.
– E quando voltaremos? – perguntei, colocando uma mecha de cabelo atrás da orelha. Por um momento, tive uma sensação estranha. Era meio esquisito pensar que seu pai estaria receoso por você, mesmo que eu pudesse ser algum tipo de... ameaça, ou eu sei lá.
– Esse é o problema – disse Thalia, mordendo o lábio inferior. – McGonagall disse que o Expresso de Hogwarts só vai poder sair na quarta-feira.
Bufei de frustração. Podia ser apenas três dias, mas nesse meio-tempo muita coisa de errado poderia acontecer.
Já era terça-feira, e podia admitir... eu até estava surpresa com o fato de que até agora nada de anormal havia acontecido comigo. Estávamos na hora de intervalo e eu, Harry e Ron estudávamos (ou melhor, eu ensinando e eles tentando entender alguma coisa) embaixo da sombra de uma árvore, próximo ao Lago Negro.
– Quer dizer que amanhã nós iremos sair de Hogwarts para ir àquele tal Acampamento Meio-Sangue? – perguntou Harry, guardando a pena e fechando os pergaminhos. Eu apenas murmurei um "aham" para ele, sem tirar meus olhos do livro Hogwarts, Uma História (que eu devia estar lendo pela milésima vez).
Ron riu.
– E eu que achava que esse ano teríamos pelo menos um pouco de paz... – comentou, fechando os olhos e se apoiando no tronco da árvore, com as mãos atrás da cabeça.
– Acho que enquanto estivermos juntos nunca vai existir paz – falei. Ficamos em silêncio, mas logo depois acabamos rindo. Era bom ver que ainda podíamos ter nossos momentos próprios de amizade, onde tudo parecia estar normal, exatamente como agora estávamos nos sentindo.
Mas logo depois nossas risadas foram cortadas pelo grito de desespero dos outros alunos, junto com um rosnado forte vindo das árvores.
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