Segredos Obscuros
3 Os olhos.
A pessoa da janela sumiu. Eu precisava dormir, estava exausto. Passei a mão na minha boca só para me certificar de que meus dentes estavam lá. Sim, estavam.
Reinaldo e Lucas entraram na cozinha.
-O que aconteceu, ouvimos um barulho ?- perguntou Lucas.
-Putz, quem quebrou o copo?- perguntou Reinaldo.
-Eu- respondi- sem querer deixei cair.
Mayara tirava os cacos do chão.
-Sem querer nada, você viu alguma coisa. Vocês precisavam ver como ele ficou pálido.
Reinaldo sentou se na cadeira enquanto Lucas foi no quintal pegar uma pá.Engraçado, não sei por que aquilo estava acontecendo comigo, mas pude sentir algo muito ruim a minha volta. Reinaldo se levantou e pegou um paninho na pia, passou álcool nele.
-Para que isso, Naldo? – Perguntei, pasmo.
-Pra limpar sua mão né, idiota, ta sangrando.- ele jogou o pano pra mim.
Mayara segurava um balde preto.
-Pra que isso May?- perguntei
-O Lucas não achou a pá, vou colocar os cacos aqui dentro.
Eu assenti. Por que eu estava com medo dos meus amigos? Não é porque eu tive um devaneio que tenho que achar que todos querem me matar. Lucas voltou do quintal trazendo um machado.
-Pra que isso, Lucas?- perguntei
Ele veio até mim. Mayara também se levantou, Reinaldo prendeu minha respiração, eles estavam de capuz preto. Então, Lucas disse.
-É para você dormir meu amigo.- respondeu ele.
E deu uma pancada na minha cabeça.
Quando abri meus olhos, novamente. Estava de novo no meu quintal, as pessoas ainda estavam lá. Todos de capuz, a fumaça já se fora, meu corpo, por mais que seja impossível, não estava todo queimado. Passei a língua pela boca e senti que não tinha mesmo mais nenhum dente. Será que tudo foi mais um devaneio?
-Bom, como Mestre de vocês, gostaria de fazer uma oração- disse Lucas.
Reinaldo e Mayara estavam de olhos fechados, segurando um gato preto., o gato, parecia estar morto.
-Isso, precisamos de uma oração- disse um homem.
Senti o um grande frio na espinha, meus pelos se eriçaram. A voz era de meu Tio.
Eles então começaram à orar em uma língua que eu não compreendia, enquanto isso, Mayara e Reinaldo puxavam o gatinho, eles estavam o repartindo em dois pedaços. Um outro membro do ritual, assim se pode chamar, pegou uma faca e começou a cortar os pelos do gato. Ele ia jogando-os em mim.
Após o termino da oração, todos foram embora. Lucas cavava um buraco no chão. Enquanto Mayara e Reinaldo jogavam as velas no lixo, por mais incrível que pareça, o gato preto não estava mais morto. Ele engatinhava em cima de mim, faltavam alguns pelos, dava para perceber, mas ele estava vivo.
-May, você sabe o que devemos fazer, o Gabriel não pode mais ficar entre nós, ele é uma ameaça. Você viu o que ele fez, A Giovanna não tinha culpa, ele a matou apenas por prazer, e agora será o seu fim.
Disse Reinaldo.
Lucas então largou a inchada e disse:
-Reinaldo, ainda não sabemos se a Gi esta morta, ela apenas desapareceu depois da ultima oferenda.
-Mas, mas, não podemos mata-lo ele já sofreu muito, vamos deixa-lo aqui!- chorou Mayara.
-ELE TEM QUE SIOFRER MAIS, EU AMAVA A GI, ELE VAI PAGAR PELO QUE FEZ!
Gritou Reinaldo.
-calma, vamos terminar com isso !- disse Lucas.
Então os meus três melhores amigos me empurraram dentro do buraco. Enquanto eu chorava, eles jogavam a terra em cima de mim. Eu estava sendo enterrado. Estava amordaçado, e preso com cordas, não conseguia me mover.A terra me cobriu compeltamente, eu não conseguia respirar.
Eu estava morrendo.
Morrendo.
E morrendo.
Até sentir a luz do sol atravessar as janelas do meu quarto. Gritei. Minha tia foi até laá e perguntou o que estava acontecendo comigo. Eu apenas ri, e disse que estava tudo bem. Foi só um pesadelo.
Eu olhava a varanda da minha casa através das janelas do meu quarto. Estava fazendo bastante calor. Eu estava feliz...
Até ver de novo aquela mesma pessoa de capuz preto, só que desta vez ela tirou o capuz e pude ver seu rosto..
Era Giovanna.
Ela levava consigo um gatinho preto sem olhos.
Vomitei, e vi no meu vomito, dois pequenos olhos...eles olhavam para mim com vida, um deles se mexeu.
Então senti uma faca atravessando meu corpo.
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