Segredos Obscuros
4 Seus amigos estão te esperando.
Olhei para trás, e me surpreendi com quem havia enfiado a faca na minha costela. Era minha prima de 5 anos, ela sorria pra mim, eu por alguns segundos senti uma dor enorme, mas depois, a dor se foi, ela não era tão forte e o ferimento não foi tão profundo.
-Biel, seus amigos estão te esperando.-disse ela, brincando com a faca.
-Por que você fez isso?-perguntei.
Ela me olhou com cara de choro, e repetiu.
-Biel, seus amigos estão te esperando.
Limpei o sangue, e estaquei-o.
-Biel, seus amigos estão te esperando.
-Já entendi, cadê eles ?
Ela me olhou com assombro e saiu correndo do quarto. Fui atrás mas assim que minha tia me viu sangrando me impediu de sair e fez uma curativo. Eu disse a ela que foi um acidente com a faca, não quis prejudicar minha prima. Ele me olhou por um momento e então perguntou o que eu estava fazendo no quintal de madrugado.
Eu levei um susto. Então ela sabia?
-Voce viu o que aconteceu?
Ela me olhou brevemente e respondeu:
-Sim, eu vi tudo.
Eu, por um momento, me alegrei e logo após fiquei triste. Se ela viu, por que não me ajudou...ou ela havia me ajudado?
-Quem você acha que te tirou daquele buraco?- ela sorriu.
-Foi você !
-Sim, foi eu- só que desta vez ela me olhou com piedade, e dó.
-Biel, seus amigos estão te esperando.
Olhei para trás e vi minha priminha.
-Já estou indo.- respondi a ela.
-Quem esta te esperando?- perguntou minha tia após terminara o curativo.
-Meu amigo é obvio.
-Que amigos?
-Reinaldo, Mayara e Lucas.
Ela de repente largou a bolsinha de remédios no chão e desmaiou. Meu tio, que estava assistindo TV na sala veio correndo em nossa direção, e passou álcool nos pulsos de minha tia. Ela então acordou, após cheirar o álcool.
-Gabriel, saia. — disse ele rispidamente.
Eu então, saí.
Vi que minha priminha foi ate o fundo da casa e a segui. Parei por um momento. Escondi-me atrás da parede escutei.
-Eu já disse pra ele o que você mandou- disse minha prima.
Outra voz falou:
-Ele não pode saber que eu estou aqui, entendeu, não diga nada á ele.
-Sim, sim, não vou dizer.
-Isso mesmo, boa menina.
Fiquei atento. Rapidamente sai para ver que era, mas encontrei só minha prima.
-Com quem você estava falando?
-Com ninguém, biel, estava apenas brincando.
Ela não podia estar brincando. A voz era totalmente diferente para uma criança de 5 anos. Eu passei a mão nos seus cabelos, olhei seus pequenos olhos cor de mel. Ela sorriu e empunhou uma faca.
-Biel, seus amigos estão te esperando.
E saiu andando.
Não sei o que passou em minha mente. Por um momento eu estava vendo apenas minha prima, mas por um breve segundo eu vi o rosto cadavérico de Giovanna, ela ria, pegou a faca e jogou em mim. Logo após, era apenas minha prima.
-Eu peguei a faca, Fui ate o seu encontro.
Ela olhou pra mim chorando e disse.
-Biel, seus amigos estão te esperando.
Olhei para o rosto dela. Não era o mesmo. Aquela não era minha prima. Não pensei duas vezes.
Nos minutos após o acontecimento, vi minha tia gritando.
-NÃO!
Ela corria ate mim, desesperada. Meu tio também. Olhei para o chão.
Eu havia matado minha prima. Cortei-lhe a garganta. E eu segurava a faca.
Minha tia caiu do lado dela, e chorou.
Depois de uma hora, eu estava sentado num banco sujo da policia. Achei um caderno. E agora escrevo nestas folhas o que fez minha vida virar de ponta cabeça. Talvez você não entenda, mas eu não queria ter feito aquilo. Mas estava no meu sangue. Eu já havia matado outras pessoas, Eu acabo de me lembrar.. sim meus amigos estão me esperando.
Saio correndo da delegacia alguns policias tentam me deter mas em vão. Fujo pelo bosque.
Passo por algumas arvores, e quando percebo, me perco.
Agora esta ficando tarde, eu não sei o que fazer, não posso voltar para casa.
Durmo.
Acordo. Esta de noite, até agora ninguém me achou, ligo meu celular e continuo a escrever.
O vento gélido passa pela floresta, há apenas os barulhos costumeiros dos animais ao meu redor. O zumbido do mosquito. O voar das aves.
Uma luz transparece dentre uma arvore. Eu vou até ela.
Mas...mas...não pode ser.
- Você achou mesmo que eu não ia te encontrar?-
É Giovanna. Ela esta com os cabelos mais vermelhos, o rosto pálido, e com o capuz preto sobre a cabeça. A luz não mostra muita coisa. Apenas seu rosto.
-Você achou que ficaria impune a tudo que fez?
Ela vem em minha direção.
-Você é louco. LOUCO !- grita- eu me lembro como se fosse ontem, eu, você, naldo, a may e o Lucas. Os fundadores da Seita. E agora você esta aqui, sozinho, assassino.
Ela me da uma pancada. Eu desmaio.
Acordo depois de um tempo. Esta escuro, e apenas ouço.
-Biel, seus amigos estão te esperando.
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