Devo admitir que depois que desmaiei senti um calafrio enorme, e depois ouvi passos, sussurros, vozes. Percebi dentre as vozes de Lucas, eles me arrastavam para algum lugar onde havia mato, provavelmente os fundos da minha casa.

- Vocês sabem por estamos aqui?- perguntou Lucas

-SIM! Disseram mais ou menos umas 20 pessoas.

Quem eram elas, o que faziam lá. Recobrei os sentidos. Minha visão estava embaçada, mas pude perceber que eu estava no chão, colocou algo na minha boca, uma mordaça. Estava preso em pedras, de braços abertos e pernas também.

Havia ,como eu disse, mais ou menos umas 20 pessoas, todos estavam de capuz preto, não pude perceber o rosto de ninguém. O vento aumentou, acenderam velas ao meu redor. Logo após, vi Mayara. Ela também vestia o capuz preto. Trazia em sua mão um balde preto.

-Da boca do pecador será arrancado os instrumentos. — gritaram eles.

Deste momento todos jogaram dentes em cima de mim. Dentes sujos de sangue. Eram uns 36 dentes, não pude mover minha boca, mas neste momento senti que alem de minha língua, nela, não havia sobrado um dente. Tentei me mover, mas quanto mais me movia, mais as cordas se fechavam.

-O corpo do pecador será lavado. — disse Lucas.

Acenderam tochas, a fumaça cobria minha visão, mas naquele momento, eu vi o que Mayara trazia no balde.

Sangue. Muito Sangue. E todo ele foi derramado no meu corpo.

-A alma do enganador será lançada no lago de fogo- disse Reinaldo.

Jogaram as velas em cima de mim. Meu corpo queimava, eu não conseguia mais ver. Mexia-me para me soltar, mas não conseguia. Eles começaram a rir, aquela risada diabólica até hoje esta em minhas lembranças. O fogo me queimava. O cheiro de fumaça exalava.

Então, ouvi as vozes do inferno, eles latiam, ouvi os berros dos bebes chorando, ouvi mães gritando, ouvi os galhos das arvores baterem, ouvi tudo... Menos o que mais estava nítido.

-E o corpo do pecador será entregue aos cães.

Quando abri meus olhos, estava em pé na cozinha, Mayara apontava uma faca na minha garganta.

- Eu não estou fazendo nada, bobo, apenas quis te dar um susto.

E começou a rir. O que havia acontecido? Será que tudo não passou de sei lá, um sonho?

Ela começou a mexer em alguns talheres e eu fui pegar a aspirina no armário. Sim, tudo não passou de um pesadelo acordado. Eu pensava daquela maneira, mas hoje sei que não foi um simples pesadelo. Lembro-me nitidamente que quando tomei a aspirina, e olhei a janela, vi uma pessoa vestida de capuz preto.

Larguei o copo, e este se quebrou no chão.

-GABRIEL, ESTA TUDO BEM?- Mayara se levantou rapidamente.

Eu não conseguia falar. A pessoa que estava na janela acenava para mim, e ria, em uma de suas mãos, estavam dentes sujos de sangue.

Os meus dentes.

Notas finais
eai, o que acharam?