Segredos Malditos

6 O Mundo e A Torre


Notas iniciais
Boa leitura!

Narcisa tinha recebido um origami de balão de natal do tio Einar, e era minha única prima que eu ainda não tinha encontrado depois da véspera. Ela deveria ter outro nome agora.

Segurei firme no livro, e pensando nisso estava próximo da janela senti uma brisa leve, que trouxe uma frente fria, então resolvi fechar o vidro, deixei o livro no braço do sofá, só que a brisa se fortaleceu levando o livro para longe.

Fui atrás do meu presente de natal, estava deitado no tapete, quando a brisa soprou ele para fora da casa. Ok, vou fechar logo essa janela! Mas dentro do livro estão todas as cartas, não posso perder ele. Corri até a porta de entrada, pensando que minhas pernas alcançariam sem problema até que consegui encontrar a obra por cima da neve.

“Olhe para o tapete!”

A voz da minha cabeça disse.

Resgatei ‘As Trevas’ estava frio pelo clima, e ao ter em mãos sem querer desloquei o tapete. O tapete dizia a frase “Bem-vindo” e estava congelado e branco. Em baixo dele estava uma nova carta.

Tudo que vi foi um terreno onde a vegetação morreu, onde a neve não chegava e tudo ao redor era branco coberto de flocos. A casa sumiu.

Recoloquei a carta onde estava. E a casa apareceu de novo!

“A Torre”

Na figura estava estampado uma torre de pedra, em destruição, os blocos se partindo e caindo em pedaços, enquanto um incêndio acontecia. Além do título, tinha o número.

XVI. Número dezesseis.

Guardei dentro do livro onde deveria ficar. Dei uns passos para a frente, onde ficava a porta, e quando me aproximei do lado de dentro tudo voltou ao normal. O que isso significa? Que esta carta domina ou controla toda a casa...?

A primeira coisa que vi foi uma barba familiar, um olhar experiente e um cabelo grisalho.

Tio Einar! Ele ainda está aqui!

— Eu sei que você não é ele. — Um rosto conhecido saiu de trás de uma parede, cabelos prateados.

— Eu sou Zack, seu irmão. — Meu pai disse. Os dois me ignoraram, eles não me veem?

— Eu te criei, eu te conheço. Pode desembuchando. — Percebi que titio não estava ali de verdade. — ainda não sei o que você é, mas meu irmão nunca trataria o Dankan daquele jeito. E você vai me dizer o que fez com o pai dele!

— Ele está em um lugar onde não o encontrará. Viveu tanto tempo e não sabe de nada! Velho tolo! — Gritou papai em voz grave.

— Você apareceu quando Leslie morreu, sua coisa nojenta! Se tiver alguma coisa a ver com a morte dela, eu juro que... — Einar ficou sem completar a frase. Era uma visão. Com certeza o passado.

— Me mata? Se fizer isso nunca vai saber onde está seu irmão! Se eu ainda não o matei ainda. — Caçoou papai, não entendo, meu pai foi substituído quando mamãe morreu?

*

A visão terminou e a casa estava lá de novo. A minha hipótese era que a carta era a estrutura da construção.

“Dankan!”, chamou a voz irônica.

“Olhe para o espelho...”, a voz que vinha da minha mente ordenou.

Fiz sinal negativo com a cabeça. Não posso olhar.

“Anda, olha!”

Apressei o passo, andando por um corredor apertado com vários quadros na parede.

Minha eisoptrofobia não deixava olhar diretamente para espelho nenhum. Eu não suportaria encarar o meu reflexo. Ah. Não! Todos os quadros são espelhos agora! O que aconteceu?

“Não pode ficar sem olhar para sempre. Vai ter que olhar, Dankan.” A voz era grave e masculina.

Só o que eu visualizei era minhas pernas sendo refletidas, minhas mãos. Não ousei erguer o olhar. Fechei o punho, pensando em socar o espelho e quebrar no soco.

“Não vale, nem pense nisso. Não pode trapacear, isso é uma prova.” Meu cérebro foi invadido com a dor. A voz sabia tudo que eu pensava.

Recuei, mas pensei melhor e dei impulso no meu punho e avancei mesmo assim. “Eu falei sem trapaça! Não vale!” A voz ecoou, e quando o membro se aproximou da superfície, evitei olhar, porém não se chocou, atravessou.

Eu estava do lado de... dentro? Estava muito escuro. Eu me “inseri” no espelho. Apertei o livro com força.

“Viu o que acontece quando você não obedece, seu covarde?”, soou a voz, quando dei uns passos em linha reta. A única coisa que vi foi um corpo em pé e parado, não enxergo o rosto, no entanto os cabelos eram compridos, de cor clara, como...os meus.

“Eu sou a voz que sempre fala coisas na sua cabeça, bobão.” Enquanto falava seu corpo permanecia imóvel de pé, suas feições eram como as minhas, pelo menos do que eu me lembrava da última foto que tirei, mas havia um sorriso sacana estampado. “Que prazer finalmente conhece-lo tão de perto. Agora vá e pegue a minha carta! Do lado de trás!”

O que ele quis dizer com lado de trás? Dei um passo à frente.

“Do lado de trás do meu corpo, seu cuzão!”

Entre as mechas de cabelo, onde deveria ter mais cabelo, não havia. No lugar da nuca, estava...ah não! estava outra cara, com a carta presa na boca. Era um rosto deformado e enrugado, uma expressão paralisada e sugada, o nariz torto e feio. O que isso significa?

IV. Quatro. Dizia a carta.

“O Imperador”, dizia o título, e a gravura era de um senhor velho sentado em um trono, usando uma coroa de regente. A peguei e guardei no livro. Quando olhei de novo para o rosto, se tratava de uma máscara caída, que escorregou para o chão até que revelou que havia apenas cabelo na nuca, nenhuma face, como deveria ser. Será que eu tinha imaginado tudo?

Um ruído soou.

“Entre” diz a voz do meu ‘reflexo’, quando percebi que uma parede estava se empurrando sozinha. Uma passagem secreta estava se abrindo.

“Não seja medroso, idiota! Logo!” gritou, mas sem se mover, então devagar andei até a passagem, que estava escura. Onde iria levar?

Um estreito caminho sem iluminação me levou até a um cômodo onde só havia um objeto no centro: uma espécie de armadura de um corpo humano, segurando um arco e uma aljava. Não tinha mais nada ali, a não ser isso, como se fosse o esconderijo do traje e apenas isso.

Eu só a via por uma fraca luz que banhava, vinda de um buraco na parede. Suas cores eu não identifiquei, porém tinham desenhos decorando. Aproximei a mão do traje para tocar, e quando fiz isso meu corpo de alguma forma atravessou as camadas da armadura e vestiu ela.

Agora estou do lado de dentro. Como isso aconteceu?

― Você a encontrou. ― Uma voz masculina pronunciou ― Sabia que encontraria a armadura sagrada. ― Seu rosto era jovial, o pomo de Adão no pescoço era bastante saliente, aparenta ser mais velho que eu. Os cabelos escuros caem em cascata pelo seu rosto quadricular.

― Quem...é você? ― perguntei.

― Sou um elfo. ― Um sorriso se desenhou em seu rosto. ― Como você. Você é um elfo.

O que?

Eu sou um elfo?

O que isso quer dizer?

― É você, não é? Que sumiu com tio Einar? Por sua causa que ele não está mais aqui? ― Ignorei o assunto do elfo e interroguei ele.

― Digamos que eu...me incomodo com a presença dele. ― Sua voz informou que sabia mais do que estava contando.

― Por que?

― Ainda é cedo, Dankan. Mas em breve saberá. ― Ao dizer isso, seu vulto, de um homem alto, sumiu.

Agora eu estava do lado de fora da armadura, e meu corpo se moveu como um fantasma intangível que atravessa as paredes. Olhei em volta. O livro estava não chão, deitado. O segurei.

O lugar estava diferente: agora a armadura não era a única coisa no pequeno cômodo. Em uma das paredes estava uma cabeça empalada de um leão, provavelmente falsa, ao lado dela outra cabeça pendurada, de uma águia, entre ela uma cabeça humana, mas se tratava de uma máscara e pousando na cabeça uma auréola, representando um anjo, e próxima a ela a última, de um touro, imóvel e sem vida. Não entendo. Não entendo.

“atrás...da cabeça.” Um sussurro ruidoso ecoou na minha mente. Era a instrução da voz. Procurei na cabeça do leão. Nada. Estava na da águia, mais uma carta.

XXI.

Vinte e um.

“O Mundo” era o título.

Na imagem estava um anjo flutuando em um lago, que tinha um touro e um leão de pé, uma águia voando no céu.

Notas finais
Dúvidas?comentem!!