Notas iniciais
Boa leitura!!

— Dankan, o que fez com seu cabelo? — A voz rude do homem soou.

— Nada, só o deixei crescer. — Uma versão mais jovem de mim respondeu.

— Vai cortar ele agora. — Meu pai ordenou.

— Não, eu não quero. — Decidi áspero.

— Andou escondendo esse cabelo há um tempo, debaixo de bonés e tocas, enquanto ele crescia e agora você parece uma garota! Corta isso agora! — Suas palavras ecoaram no cômodo.

— Eu gosto dele assim! — Gritei tentando dar um ponto final nisso e o meu velho voltou depois de um tempo com uma tesoura, cortando a força minhas mechas e me ferindo no processo.

*

Uma lembrança veio em minha memória de uma convivência com aquele sujeito da carta, pensando que fosse meu pai. Uma dor de cabeça latejou na minha mente.

Ignorei.

Ergui o livro, na capa estava desenhado uma carta, mas não de baralho, uma carta decorada e o título era “As trevas”. E resgatei a carta “O Imperador” IV – quatro.

― Venha! ― Dei a ordem.

Um homem vestido como monarca e com uma coroa decorando sua cabeça apareceu.

― Traga as outras cartas. Todas. ― Mandei. ― Agora!

― Por que eu? ― Sua voz grave perguntou.

― Porque você é o rei, sabe onde fica tudo. Faça o que falei! ― Repeti, e ele deu um jeito de atrair todas. Não vi exatamente como ele fez, mas ele conseguiu.

― Aqui, mestre. ― Entregou em minha mão um baralho, e todas as que restavam estão lá. A primeira, “O Diabo”, XV – décimo quinto, na imagem, um homem maligno, e abaixo dele os demônios servos, em sua mão segura uma espada; o próximo “O Enforcado” XII — décimo segundo, retrata um homem pendurado de cabeça para baixo, segurado pela perna, o seguinte, “O Julgamento” XX – número vinte, na representação, um anjo planando no céu, soprando um trompete, e abaixo dele, uma moça e um jovem, após esta carta, “O Mago”, I – número um, no desenho havia um homem de pé segurando uma varinha mágica, junto desta “A Morte” XIII – número treze, na gravura, um cavaleiro fantasmagórico de pé e pisando em cadáveres, a próxima, “Os Amantes” VI – número seis, na imagem, um homem dividido entre duas mulheres, indeciso, e acime dele o cupido; A seguinte, “A Roda da Fortuna” X – número dez, retrata um cavaleiro metade anjo metade diabo, e debaixo dele uma roda, dentro desta os quatro elementos, água, fogo, terra e ar, depois desta, “O Carro” número VII – sete, na representação, o rei em uma carruagem, e conduzindo-a, dois cavalos, um branco e outro preto, a seguir, “A Lua” número XVIII – dezoito, na gravura, o céu tem o corpo celeste muito visível, no cenário há duas torres, e no solo, um cão e um lobo; da lua caem estrelas cadentes que se parecem com lágrimas, o próximo, “A Suma Sacerdotisa” número II – dois, na imagem, uma mulher, em uma mão segura um pergaminho, em outra uma espiga de trigo, aos seus pés, há um gato, após esta, “O Papa” número V – cinco, no desenho, um homem que é um sacerdote de alto domínio da religiosidade, a seguinte, “A Justiça” número VIII – oito, na gravura uma mulher segurando em uma mão uma espada, e em outra, uma balança, e a última, “A Imperatriz”, número III – três, no desenho uma moça segurando em uma mão um cetro de poder e na outra um escudo sentada em um trono.

Guardei todas cuidadosamente no livro.

― Encontrei mais uma coisa mestre. ― Ditou a figura da carta, entregando um livro pesado em capa preta, que não era o mesmo livro do meu tio.

Notas finais
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