Segredos Fatais

15 Capítulo 14


Notas iniciais
aaaaaaa, acharam que eu tinha me esquecido de vcs neh? hump! até parece! tava morrendo de saudades, mas com a minha recente mudança e o maldito bloqueio criativo eu não estava conseguindo terminar o capitulo. eu sei, frustrante. sera que alguem ai ainda lembra de mim? tava com saudades gente! então, nesse capitulo temos duas partes que ficam muito boas com uma musiquinha pra entrar no clima. quando a palavra musica aparecer em negrito seria legal vcs ouvirem essa aki primeiro: https://www.youtube.com/watch?v=SWhf_pfT68Y e depois essa quando a palavra aparecer em negrito novamente: https://www.youtube.com/watch?v=zmYMkl1Grzc diviiiiirtam-se e nao esqueçam de comentar ok? bjooooos

POV Alexander

Todas as confissões de Adriana me deram algo em que pensar pelo resto do dia. E eu acho que, mesmo se alguém tivesse se incomodado o suficiente para prestar atenção na minha pessoa, nenhuma conversa ou assunto seria suficiente para me apartar do relato que ainda retumbava em meus pensamentos.

Era absolutamente inconcebível para minha mente encaixar Vanessa num cenário tão cruel e perigoso. Eu simplesmente não conseguia imaginar a garota doce, calma com sorriso de mel com quem eu convivia diariamente, virar doses de vodka russa (que eu sei por experiência ser a mais forte de todas) e seduzir traficantes de mulheres por tempo o suficiente para distraí-los e, mais surpreendente ainda, nocauteá-los.

Na verdade, a única parte da história toda que imediatamente fez sentido para mim foi o ato heroico no fim. Sem sombra de dúvidas eu podia imaginar Vanessa se entregando no lugar de alguém que ela ama e, ok talvez nesse caso ela não tivesse escolha de qualquer jeito, mas ficar para trás, sabendo que nada de bom te espera, para que suas amigas... Sua família, como ela costuma dizer, seja salva é um ato indiscutivelmente excepcional. Especialmente porque, para a maior parte das pessoas, e infelizmente eu me incluo nessa contagem, não teria nem passado pela cabeça a ideia de deixar que os outros se salvem a seu próprio custo. A maioria dos amigos teriam lutado juntos até que perdessem a batalha. Isso é a coisa normal, e até a nobre a se fazer. Pelas regras do mundo somente duas classes de pessoas oferecem sua vida: pais e amantes.

Mas, é claro, Vanessa não segue todas as regras do mundo. Mesmo que os trastes nojentos não a tenham tomado. Ela deu a sua vida por Adriana e Stephanie.

E ao mesmo tempo em que a ideia de Vanessa ser assim tão... Feroz dava nós em meu cérebro, também fazia total sentido.

Eu acho que é uma questão de ser enganado pelas aparências. Era fácil para crer na natureza protetora e altruísta de Vanessa porque eu já tinha visto o amor em seus olhos toda vez que ela falava das garotas, já tinha presenciado a comoção que a reunião delas tinha criado no aeroporto e já experimentei em primeira mão o carinho e consideração que teve com todo aquele episódio do pôquer quando abriu mão de sua noite sozinha para consolar um milionário de luto. E o fato de ela ser pequena e tão feminina me impedia de colocá-lo no horrível quadro mental que Adriana imprimiu em minha mente.

No entanto, eu também sabia que Vanessa não era alguém com quem se brinque. Senti a força do ódio dela logo no seu primeiro dia de trabalho quando meu associado basicamente a chamou de prostituta importada. Eu vi esse ódio em ação enquanto ela destruía pratos na sala de squash por algo que não tinha nada haver com ela pra começo de conversa. E o olhar desafiador que Vanessa me deu na maldita festa de gala era uma evidência de sua personalidade. Assim que eu (guiado por pura testosterona) flertei descaradamente com ela a chama cálida que sempre queima em seus olhos se aqueceu furiosamente me mostrando que eu estava brincando com fogo.

E eu acreditei nela. Então suponho que se a reação da Garota Incandescente (que eu agora assistia decorar com a ajuda de alguns de seus amigos o jardim da bela chácara em que o casamento de Stephanie tomaria lugar) a todos esses acontecimentos já foi assim tão feroz não é de se surpreender que para salvar a própria vida e a de sua família estendida ela levaria sua personalidade aos extremos.

E essa realização me fez respeitá-la ainda mais. E, além disso, fez-me ainda mais grato por ela ter voltado...

Porque se ela não tivesse voltado eu não teria uma assistente assim tão boa. Nenhuma outra razão. Absolutamente nenhuma. Aliás, vamos pensar em outra coisa.

“O que você pensa que está fazendo aqui?” fui arrancado de meus devaneios com uma Vanessa cansada, suada e revoltada atirando adagas com seu olhar em minha direção. Embora eu não pudesse entender o porquê.

“Porque eu não estaria aqui?” foi o que eu respondi tentando, e falhando, no ato de remover a indignação em minha voz.

Estou aqui admirando a sua tenacidade, onde mais eu estaria? Desde quando você liga onde eu estou? Meu paradeiro não pareceu importante pra você nas últimas 24h!

Epa! Pode parar por aí Alexander! Ela não te deve explicações! Muito menos atenção! Você não precisa que Vanessa Miller viva em sua função!

“Eu não tenho tempo para as suas gracinhas hoje Alexander! Se queria ser tratado como o rei que você acha que é deveria ter ficado em casa com a Alice! Eu não vou beijar o chão em que você pisa e muito menos te carregar por aí como uma criança mimada!” Como sempre ela leu minhas emoções como se estivessem escritas na minha testa. E antes mesmo que eu pudesse me defender, ou melhor, me render já que o perigo claramente exposto em seus olhos castanhos balançou as minhas bases. Ela continuou se dirigindo com passos furiosos cada vez mais perto da cadeira em que eu estava sentado.

“Eu tenho exatamente duas horas para fazer desse casamento a porra do dia de princesa que a minha amiga nem sabe que quer! E não importa o que aconteça eu vou fazer absolutamente TUDO para que seja completamente PERFEITO, você está ouvindo, Alexander? Você sabe o que isso significa?” ela parou bem a minha frente me encarando com algo que só pode ser descrito como fúria. Nem ousei me mexer em puro choque. Mas ela não precisava de incentivo para continuar.

“Isso significa que eu vou acabar com a raça de cada otário que ousar me atrapalhar incluindo você, então, a não ser que o grande Alexander Monroe esteja pronto para descer do seu maldito pedestal e fazer um pouco de trabalho braçal pra variar, eu sugiro que você vá se sentir rejeitado em outro lugar!”

“Nessa!” duas das garotas que estavam ajudando a organizar os arranjos florais ao redor do jardim gritaram em uníssono.

Eu estava pronto para gritar de volta, meu temperamento entrando em ação, mas quando Vanessa virou para encarar suas amigas seu rabo de cavalo balançou e eu pude ver metade da marca em forma de borboleta que Adriana tinha me mostrado na sacada. De repente eu entendi que o instinto protetor de Vanessa não se resumia a situações de perigo. Ela ia proteger o coração de Stephanie custe o que custar e foi esse pensamento que me parou.

Tudo que eu fiz foi levantar e me afastar.

Essa foi a minha ação mais sábia do dia.

* * *

De longe eu vi o simples jardim se tornar um cenário gracioso, digno de um casamento real, mas ainda assim não deixando de ser orgânico. Não era o tipo de grandeza demonstrada por esculturas de gelo elegantes e diferentes tipos de cristais para cada taça sobre as mesas. O que Vanessa e seus amigos fizeram naquele cenário parecia perfeitamente em harmonia com a natureza o redor.

O jardim ficava em uma clareira redonda à frente da casa da piscina. Grandes árvores cercavam o espaço e milhares de flores alaranjadas, amarelas e vermelhas cercavam o perímetro com maior precisão. No centro havia um tapete vermelho coberto de pétalas de rosa brancas e a cada metro de seu comprimento havia uma espécie de pedestal sustentando um vidro redondo com uma vela acesa dentro. Mesas redondas com arranjos de apenas três rosas — uma branca, uma amarelada e uma vermelha – no centro estavam dispostas de cada lado do tapete, com suas cadeiras, cobertas com cetim branco, levemente viradas em direção ao altar que era um palco de uma altura de mais ou menos 15 cm com instrumentos musicais em cima deste.

Acima de nossas cabeças foram colocadas pequenas luzes circulares intercaladas com algumas lâmpadas mais potentes que, em conjunto ao brilho das velas fariam o lugar todo reluzir assim que o sol se pusesse.

Pouco antes de a cerimônia acontecer Vanessa andava de um lado para o outro em seu vestido sem mangas vermelho na altura dos joelhos arrumando cada milímetro dos arranjos. Sua saia solta balançando com cada movimento. Ela parecia extremamente estressada e eu estava prestes ir tentar acalmá-la quando a última pessoa que eu esperava ver naquela tarde se materializou no meu campo de visão.

Matt a envolveu num abraço que instantaneamente a acalmou. Num espaço de segundos eu assisti a tensão deixar os ombros dela e Vanessa voltou a ser a Garota Incandescente que eu tinha visto na noite da festa beneficente. Esse pensamento trouxe um sorriso leve aos meus lábios, mas a minha felicidade não era completa porque de alguma forma meu cérebro parecia achar que o meu consolo seria melhor do que o consolo de Matt.

O que obviamente não poderia ser verdade. Em matéria de situações calmantes eu sou um zero a esquerda e Matt sempre foi bom com as palavras, aquele que sempre sabia o certo a se dizer. Ainda assim o fato que eu não fui o que a fiz relaxar me machucou muito mais do que deveria e isso me manteve intrigado por um bom tempo. Tanto que quando meu melhor amigo me deu um tapa de cumprimento nas costas eu pulei na minha cadeira.

“Alex? Num casamento? O que fazes aqui mano?” ele gritou zombeteiro como sempre.

“Uma mudança de cenário faz bem de vez em quando né cara!” eu usei meus dons de atuação para fazer com que minha voz saísse calma e contente como a dele.

“Verdade! Eu acabei de passar nove horas vindo do México. Não aguento mais ver comida de avião cara.” Ele esbravejou em sua forma usual e meu sorriso passou a ser um pouco menos falso. Eu realmente senti falta do meu amigo.

Nós conversamos por mais um tempo enquanto o lugar começava a ser ocupado pelos convidados. Mantive-me fora de qualquer assunto que pudesse envolver Vanessa, afinal o propósito era me reunir com um bom amigo e não me sentir inexplicavelmente ressentido pela sua escolha de namorada. Conversamos sobre nossos recentes empreendimentos, esportes e carros, mas inevitavelmente chegamos ao assunto que obviamente dominava a mente de Matt. Ela.

Nós não entramos em detalhes, ou tivemos uma conversa profunda sobre os sentimentos dele por Vanessa, mas em quase todas as suas histórias, ou novidades ela estava lá direta ou indiretamente presente. E isso só me fez sentir culpado. Ela não era somente a garota do meu melhor amigo. Ela era a garota por quem Matt estava apaixonado e aqui estava eu tendo fantasias pseudo-sexuais com ela. A vergonha que senti após chegar a essa conclusão foi tão impossivelmente sufocante que eu considerei seriamente pular todo o esquema do casamento e me esconder covardemente na casa até a hora de voltar à cidade.

No entanto, antes que minha mente decidisse que esse era o melhor curso de ação uma música começou a tocar e uma voz começou a narrar alguma coisa em português que eu não entendi, mas supus que fosse algo como uma biografia do noivo, porque era ele quem entrava acompanhado de uma senhora de uns 50 anos que supus ser sua mãe. Pude ver Vanessa quase completamente oculta pelas árvores organizando a fila dos que entravam pelo tapete. Entraram 5 pares de padrinhos antes que ela e um cara que eu lembrava ser chamado William cruzassem o corredor. Depois disso um casal de crianças com no máximo 5 anos fizeram o mesmo caminho, cada uma carregando uma lamparina do estilo antigo acesa, e levaram até o altar.

Nesse exato momento a música mudou para uma melodia mais profunda com um piano sendo tocado ao vivo no palco. Vanessa tinha cronometrado tudo perfeitamente, pois bem nessa hora alguém ascendeu as pequenas luzes que preguiçosamente acordaram acima de nossas cabeças substituindo a luz do sol que tinha acabado de se por.

Todos levantaram para ver a noiva e seu pai cruzarem o corredor iluminado. Stephanie carregava apenas um lírio branco em suas mãos. Seu vestido tampouco era do estilo tradicional. Era leve e esvoaçante e apenas começava branco no busto aonde suportava seus fartos seios, depois disso ele ia gradualmente mudando do branco para o bege, amarelo e finalmente dourado no final. Seu cabelo castanho solto caia em cachos por suas costas e toda a imagem dela, principalmente o sorriso radiante, combinava perfeitamente com a atmosfera iluminada do local. Uma nova admiração por Vanessa e os outros que ajudaram na organização daquele momento me atingiu quando eu vi a expressão dos noivos de pura felicidade. Porque ela não somente organizou uma festa. Ela fez da festa o presente dela para os noivos. Ela criou para eles o seu por do sol particular.

A cerimônia prosseguiu no que eu imagino ser a forma tradicional, embora eu não tenha entendido nenhuma palavra do que o ministro falou. Depois que o sermão parecia ter acabado a noiva retirou de seu lírio uma aliança e o noivo tirou outra do bolso interno de seu paletó. Esse era o momento dos votos.

Matheus começou a falar algo, mas obviamente nem eu nem Matt entendíamos uma palavra. Meu plano era ficar calado e fazer de conta que entendia tudo que se passava a minha frente, mas Matt teve outra ideia e incomodou Vanessa, que tinha vindo sentar ao seu lado depois de entrar, para que ela traduzisse. Com um sorriso calmo ela começou:

“Stephanie Nascimento, hoje eu prometo estar com você por todos os momentos da minha vida. Na saúde e na doença, na riqueza e na pobreza, nas segundas de stress e nos domingos tranquilos. Porque eu te amo. E sim, eu sei que o amor e um conceito tão... divino, tão maravilhoso que nenhum homem já conseguiu, ou conseguirá descrevê-lo completamente. Claro que isso não nos impede de tentar.” Ela fez uma pequena pausa junto com o noivo e algumas pessoas na plateia gargalharam baixinho em uníssono.

“O sábio Salomão, o rei Davi, Shakespeare, Pablo Neruda, Jane Austen e até Einstein já deram sua contribuição e eu sei que nunca me compararei às palavras deles... Mas hoje eu vou te dizer a minha definição de amor.” ela continuou traduzindo. Engasgando levemente nas palavras, mas ainda soando incrível aos meus ouvidos. “O amor não e só aquela injeção de sentimentos apaixonantes que se tem no começo de um relacionamento, porque esses sentimentos acabam. Não é a admiração cega que se tem pela amada, porque isso só leva a desapontamento...”

“Essas são emoções que dão a luz ao amor, mas não são o amor em si. Porque o amor verdadeiro e duradouro é uma decisão e não um sentimento.” Uma lágrima solitária rolou pelos olhos da noiva e desapareceu em seu sorriso emocionado. Ao ver isso o noivo pegou sua mão esquerda, posicionou a aliança no começo de seu dedo anelar e devagar foi deslizando o anel dourado enquanto completava seu pensamento olhando intensamente nos olhos de sua amada.

“Então hoje, eu não só juro, mas decido te amar para toda a eternidade. De hoje em diante eu sou seu e você é minha. Pra sempre.” Ele concluiu beijando a aliança agora em seu devido lugar.

Foi a vez de Stephanie falar, e ela demorou alguns segundos pra controlar sua respiração antes de levar o microfone aos lábios e começar:

“Matheus... Eu passei metade da minha vida com medo. Medo de não achar quem me amasse, medo de não ser bonita ou inteligente ou interessante. Medo de simplesmente não ser suficiente. E o pior é que eu nem sabia que tinha medo...” o noivo alcançou o rosto dela e acariciou confortando-a o que fez todas as mulheres no lugar, incluindo Vanessa, suspirarem. “E daí você entrou na minha vida” Stephanie sorriu maravilhada. “E pouco a pouco foi me mostrando que me amava, que é o homem da minha vida... me aliviou de todos os meus medos e só então eu percebi que os tinha.”

“Você é o meu lar, meu porto seguro, o meu homem, e a partir de hoje o meu marido.” Ela também posicionou a aliança na direção do dedo de seu cônjuge e vagarosamente a colocou enquanto continuava. “Então, sim, é claro que eu prometo ficar ao seu lado pra sempre, na tristeza e felicidade, na pobreza e na riqueza, e em qualquer outra situação que a gente consiga se meter.” Ela terminou a frase com um tom decidido e brincalhão retirando alguns risinhos dos convidados.

A aliança estava no lugar, Stephanie levantou seus olhos para Matheus e sorriu ao dizer. “Porque a partir de hoje eu estou segura ao seu lado, então não tenho nada a temer.”

Com essas palavras foi dada a permissão para que o noivo beijasse a noiva e a pequena clareira explodiu em aplausos, sorrisos emocionados e até algumas lágrimas de alegria. Pelo canto dos meus olhos pude ver o momento em que Matt desviou o olhar de Vanessa do espetáculo sustentando o rosto molhado dela com seu dedo indicador. Ele limpou suas lágrimas com o dedão e ela sorriu aquele sorriso de 1 milhão de Watts para ele, antes que ele a beijasse.

A cena tanto aqueceu meu coração quanto revirou o meu estômago, confundindo minha mente mais uma vez.

Mantive-me seguramente distante do casal feliz durante a sessão de fotos que se desenrolou depois do final da cerimônia. Não havia a necessidade que eu aparecesse nas fotos, e eu não queria estar nas malditas lembranças do dia mais feliz de alguém. Um gosto amargo em meus pensamentos enquanto eu assistia os sorrisos dos convidados dançarem em minha frente. Porque eu não podia simplesmente ignorar tudo ao meu redor?

Antes que uma resposta para essa pergunta pudesse ser encontrada, uma voz desconhecida anunciou em palavras ininteligíveis o que eu suspeito que seja: “Eis os novos Sr. e Sra. Carvalho” e o feliz casal novamente entrou na pequena clareira que tinha sido transformada em pista de dança. As mesas tinham sido afastadas deixando um largo círculo no centro onde o feliz casal se posicionou encarando o palco em que a banda se posicionava atrás de Vanessa.

Calma.

Vanessa?

O que no mundo a minha assistente estava fazendo no palco com um microfone na mão?

Antes que minha cabeça explodisse com aquela nova informação, Matt voltou a nossa mesa e sentou na cadeira ao meu lado.

“O que ela tá fazendo lá?” perguntei falhando em manter a surpresa fora da minha expressão.

“Ela vai cantar a música da primeira dança deles” ele respondeu como se eu tivesse acabado de perder 20 pontos de QI.

“mmm” eu respondi inteligentemente, confirmando sua hipótese.

Olhando fixamente para ela eu esperei que uma balada suave começasse para uma valsa calma entre o noivo e a noiva. Mas é claro que Vanessa não seria assim tão previsível. Uma música no estilo Jazz começou a tocar, e uma voz forte e doce invadiu o ambiente.

Ela sorria para os noivos e dançava modestamente no palco.

Foi incrível. Exceto pela voz irritante da minha consciência que se recusava a me deixar em paz dizendo que a forma com que eu estava olhando para Vanessa não era apropriada. Que só Matt deveria ter esse direito. Mas é claro que tudo isso não era necessário já que o olhar embasbacado no meu rosto na verdade era só devido à surpresa de descobrir que Vanessa cantava.

Só isso.

Obviamente.

* * *

“Diz aí Alex, minha gata arrasa ou não arrasa, com um microfone na mão?” Disse Matt quando Vanessa se aproximou da mesa.

“Cala a boca Matt” ela brincou estapeando a nuca dele antes que eu pudesse me manifestar.

“O que? Foi bom, não foi?” ele respondeu com uma expressão interrogativa no rosto que a fez rir e suavemente beijar sua bochecha.

“AH é! Como se você fosse dizer qualquer outra coisa.” Eu ri alto. “Sem ofensas Vanessa, realmente foi uma bela apresentação, mas Matt parece que fica surdo quando está apaixonado.”

“Mas que mentira! É claro que não!” ele afirmou olhando para ela com as bochechas levemente coradas.

“Não? Então por que exatamente eu passei três meses tendo meus ouvidos torturados em karaokês pela sua namorada que achava que era a próxima Taylor Swift?” eu deixei o sarcasmo correr solto.

“Jane não era assim tão ruim!” ele protestou com falsa indignação.

“Ela parecia uma gata com bronquite!” exclamei rindo alto.

“Sério?” perguntou Vanessa rindo quase tanto quanto eu.

“Sim. A menina achava que podia cantar qualquer coisa a qualquer momento em qualquer situação vocal e o pobre coitado aqui estava tão gamado na garota que nem percebia!” eu contei apontando pro meu melhor amigo levemente envergonhado. “TUDO que esses dois faziam era me chamar pra encontros duplos em bares de karaokê! Eu perdi no mínimo três garotas por causa da tal Jane!” continuei rindo um pouco mais, acompanhado de Vanessa.

“Ok, Matt! Responda-me verdadeiramente.” Vanessa disse num falso tom serio olhando fundo nos olhos de Matt. ”O quão gostosa era essa garota?” O engraçado é que ele pareceu crer plenamente que ela estava realmente chateada com a menção de uma ex. Eu segurei uma risada que ameaçava estragar a diversão de Vanessa.

“É... Então... Você é muito mais... Hum... Você é linda!” ele gaguejou ficando cada vez vermelho e dessa vez eu não pude deixar de gargalhar alto.

“Eu sei que eu sou linda Matt, mas nós não estamos discutindo a minhas características físicas estamos? Eu estou te perguntando da Jane! Diz aí Alexander, ela era gostosa?” ela perguntou sem deixar a minha risada espalhafatosa estragar sua atuação.

“Sabe Vanessa, ela era bem bonita, mas isso não justifica o fato de Matt ter perdido completamente o senso auditivo durante três meses... Acho que isso tinha mais haver com o fato de que ela era uma instrutora de pilates...” Controlei meu ataque de risos por tempo o suficiente para esculhambar um pouco mais. O olhar de morte que Matt me mandou me disse que eu parasse de falar urgentemente. E como eu sou um bom amigo...

“Sabe né Vanessa... Eu acho que a flexibilidade compensava pelas cordas vocais de gato dela.” Eu continuei falando.

“Traidor” sussurrou Matt acusadoramente, obviamente com medo da reação de Vanessa.

“Bom, pelo menos os três meses não foram um total desperdício então” Ela comentou e desabou em gargalhadas junto comigo. Matt, em choque, ficou calado por alguns segundos, mas logo se recuperou e uniu-se a nós.

“Vocês dois devem ter as melhores histórias de faculdade...” ela suspirou depois de se recuperar do ataque de risos.

“Algumas...” eu disse de repente envergonhado.

“Deixe-me adivinhar...” ela disse fingindo estar pensativa. “Garotos de fraternidade?” Apontou para nós com um sorriso zombeteiro.

“Pois é” respondi sorrindo calmamente.

“Bom, essa vai ser uma noite divertida...” exclamou ela com um sorriso malicioso em seus lábios. Cruzando os braços sobre o peito Vanessa começou a nos interrogar sobre o nosso tempo de faculdade.

Até hoje eu não sei como, mas naquela noite ela extraiu de nós quase todas as histórias embaraçosas envolvendo nosso tempo na faculdade. Contamos a ela sobre nossas piores ressacas, as maiores festas e ela até conseguiu tirar de mim a razão pela qual eu nunca mais vou tomar um Martini na minha vida. Tudo o que ela precisava fazer era perguntar e de repente estávamos detalhando cada memória que não foi nublada por álcool.

Por uma boa parte da noite consegui esquecer completamente o porquê de todos os meus conflituosos pensamentos sobre Vanessa Miller. Até mesmo quando ela e Matt foram dançar as emoções sem sentido que estavam me assombrando há algum tempo não me incomodaram tanto. Ele era meu amigo e ela estava claramente apaixonada por ele. Eu não tinha o direito de pensar ou sentir o que quer que fosse que eu estava sentindo e pensando.

Ponto final.

Notas finais
juro que vou tentar postar o proximo mais rapido. nos vemos galera por favor me mostrem que ainda estao aki nos comentarios ok? bjos