Segredos Fatais

16 Capítulo 15


Notas iniciais
ooiiiiii galera!!!! voltei. pra a suuuuuuuua alegria!! eu sei, referencia velha. passai a noite de ontem acordada, não to mto bem kkkkkk mas ai vai povo! por favoooor comentem! NECESSITO saber o que vcs acham ok?? bjos bjos boa leitura

POV. Vanessa

Se algum dia eu fizer uma tatuagem, já sei o que vai dizer: “Alegria de pobre dura pouco”.

Sim, eu sei que já mencionei esse imaculado ditado um milhão de vezes, mas simplesmente não consigo encontrar outras palavras que descrevam tão bem a minha vida.

Eu estava total e completamente feliz. Sabe aquele momento em que todas, ou pelo menos um bom pedaço, das melhores partes da sua vida se intercedem em um minuto de pura paz e alegria? Pois é. Esse foi o sentimento que me invadiu na viajem de volta pra Chicago.

Na noite seguinte ao casamento, quando já estávamos todos nós em Curitiba novamente, Matt percebeu o quanto a perspectiva de deixar meus amigos para trás estava me machucando e ofereceu para levar algumas delas de volta no jatinho para passarem alguns dias comigo na minha nova casa. Stephanie, obviamente, não pode ir então eu chamei Júlia e Adriana para virem comigo. Infelizmente minha irmã também não pode ir.

Claro que Alexander não fiou assim tão deliciado com a notícia, certamente porque eu não estaria disponível para seus caprichos 24h por dia, mas estávamos somente a uma semana do grande feriado de julho então Matt conseguiu convencê-lo a me dar essa semana de folga pra passar com aquela pequena parte da minha família.

Decolamos do aeroporto internacional Afonso Pena às 5 da manhã do dia seguinte, logo, dormimos por quase metade do voo. Quando acordei, Júlia e Adriana ainda dormiam ao meu lado no sofá cama enquanto Matt e Alexander jogavam cartas do lado oposto, na mesa, com as janelas fechadas por causa da fobia que Alexander tem de voar. Até hoje eu não entendo como um homem que afirma só poder voar em paz se acompanhado de calmantes conseguiu perder os comprimidos no meio da viagem.

Levantei-me e fui até eles ficando logo atrás do medroso Alexander que se concentrava no rosto do meu namorado do outro lado da mesa. Certamente tentando decidir se o sorriso calmo de seu amigo significava que ele estava blefando. Não há nada mais mágico do que a forma com a qual Matt consegue fazer qualquer um se sentir o seu amigo próximo e ainda ser tão misterioso.

“Ele está blefando” eu sussurro bem no pé do ouvido de Alexander antes de andar até Matt e sentar em seu colo e beijar o seu rosto. Mas esse trajeto não me impediu de ver a reação hilária que meu chefe apresentou.

Alexander deu um pulo da cadeira, levantando de repente e derrubando a mesma no chão. Imediatamente eu e Matt desabamos em gargalhadas da reação absolutamente exagerada do pobre homem.

“Você tá tenso Alex?” perguntou Matt com falsa inocência e eu segurei minha gargalhada, no entanto não fui capaz de manter o sorriso debochado fora do meu rosto, imediatamente me lembrando da expressão semelhante que ele tinha quando derrubei uma bandeja de café escaldante nos homens mais ricos de Chicago. A vingança e doce.

Com a expressão indo de susto para puro ódio Alexander arremessou suas cartas na mesa bufando e, se não me engano, levemente corado. Ele tinha em mãos um flush que colocou o a dupla de 10 do meu namorado no chinelo.

“Viu? Eu disse que ele estava blefando.” Gargalhei arrancando as cartas de Matt e as expondo na mesa.

Mas a expressão de Alexander não se moveu. Nem um mínimo sinal de alegria, diversão ou contentamento aqueceu o azul gelado em seu olhar. Eu comecei a ficar preocupada. Em circunstancias normais, brigar com ele não faria lá muita diferença nas minhas emoções, mas hoje era diferente... Imediatamente me senti culpada quando vi suas mãos tremendo ao lado de seu corpo. Eu tinha acabado de brincar com o medo, não, com a fobia de alguém, sendo ela com uma razão real ou não isso não é algo que se faz. Porque, embora pra mim, ter medo de voar sem que nunca o avião tenha te machucado é ridículo, pra ele o medo era tão real quanto o meu medo de qualquer coisa que sequer soe como um chicote. Vergonha preencheu meu rosto em fora de rubor e quando estava para me desculpar quando a voz alegre de Adriana preencheu o ambiente:

“Poker é um jogo muito sério, vamos jogar algo mais animado tipo... Imagem e ação!” Algo nos olhos de Alexander mudou e ele voltou a vida me acalmando um pouco.

“É uma ótima ideia Adriana!” Ele disse em seu tom formal costumeiro, dirigindo um sorriso duro a ela.

Acordamos Julia, comemos alguma coisa e nos posicionamos para começar o jogo. Em um time estavam eu, Matt e Julia. Alexander e Adriana eram o outro time, e não pense que eu não registrei o quando Alexander deveria estar precisando de uma distração já que concordou em jogar mímica conosco. Cada equipe encontrava um filme, livro, série ou objeto para que um membro da outra equipe fizesse a mímica para seu próprio grupo.

Rapidamente o jogo fez efeito e eu comecei a relaxar. A atmosfera se tornou leve e, acredite se quiser, até Alexander parecia feliz jogando um jogo tão “infantil”. Ao decorrer dos minutos os nomes da cultura pop foram sendo conquistados pouco a pouco: Game of Thrones (nunca imaginei que Alexander acertaria essa), Indiana Jones, Superman, Batman, V de Vingança, 2001, Interestelar, Piratas do caribe... E estava tudo ótimo até ai, mas a alegria não pode ser eterna. Simplesmente não pode.

Quando o avião pousou no Aeroporto internacional O’Hara a atmosfera de alegria me deixou e, novamente, a sensação de estar sendo seguida me invadiu, só que dessa vez muito mais forte. Se antes eu estava sendo observada, agora eu estava sendo ativamente seguida. Ou pelo menos era isso que o meu instinto estava me dizendo. Matt começou a perceber minha inquietação sob seu braço protetor ao redor de meu ombro, eu pude ver em seu cenho franzido que ele estava prestes a me perguntar o que estava havendo. E eu teria mentido, dito qualquer coisa para distraí-lo do fato de que eu provavelmente estava ficando louca, se eu tivesse tido tempo.

No entanto eu não tive. É claro que eu não tive porque ataques de pânico não esperam até que você esteja confortável em algum lugar isolado para se manifestarem, eles aparecem nos momentos inconvenientes e horríveis, com pessoas a espreita pra te chamarem de louca, os seus amigos e familiares por perto para sentirem pena de você, com o seu chefe pra duvidar da sua capacidade mental ao redor e, é claro, com o seu novo namorado lindo, charmoso, carinhoso bem do seu lado.

Eu podia sentir os tremores começarem a surgir, meus pensamentos começarem a girar fora de controle e o suor frio com o qual eu já estava acostumada, aparecer em minhas palmas, mas eu estava me controlando. Por pouco, mas estava. Eu me recusava a deixar uma pequena paranoia tirar o meu balanço emocional.

Vamos Vanessa, tudo o que você precisa fazer é passar pela multidão e chegar ao carro. Só isso! Não é tão difícil, você consegue. Vamos, não seja covarde!

Eu gritava ordens para minha mente conturbada. E estava funcionando muito bem até que uma lembrançazinha irritante achou uma rachadura na muralha de proteção que eu lutava tanto para manter de pé protegendo a minha parte consciente e racional das minhas emoções.

“Se você vai matar Serguei, no mínimo você tem que ser capaz de achá-lo!” Disse Dimitri com seu sotaque russo contorcendo as palavras inglesas. “Vamos fazer um passeio princesa” gargalhou com escárnio me forçando pra dentro de um carro com uma faca de caça pressionada contra a minha coluna.

E com esse pequeno pedaço de recordação a leve rachadura no meu muro protetor se tornou uma fratura, e por ela memórias um pouco maiores em relação àquele dia começaram a escapar.

“O que você vai fazer princesa?” seu hálito forte de álcool quase me fez sentir bêbada. Mas isso, é claro, poderia ser simplesmente a falta de comida me deixando tonta.

“Seguir o homem com o casaco azul durante uma hora” respondi quase roboticamente.

“E se ele perceber?” sua voz fria retrucou.

“Eu não como...” engoli em seco. “Pelos próximos 3 dias” eu não tinha muita certeza, mas pelos cálculos mal feitos por uma mente enuviada eu já estava a 2 dias em jejum. De acordo com Dimitri, a culpa era minha se nenhum de seus clientes tinha me escolhido essa semana.

Mergulhei no mar de pessoas do shopping Center de Moscou, mantendo meus olhos fixos no homem careca de casaco azul e meus ouvidos atentos no fone ligado a um celular para o caso de Dimitri falar algo em meu ouvido. Quem sabe se eu acertasse essa tarefa ele me deixaria ter uma refeição inteira por dois dias seguidos.

Olhando novamente sobre meu ombro tentei novamente encontrar meu perseguidor. Seria o homem de boné dos yankees inclinado para baixo escondendo seus olhos? Quem sabe a mulher impossivelmente indecisa na fila do Starbucks?

Minha respiração se tornou irregular, eu podia ouvir vagamente a voz de meus companheiros de viagem no plano de fundo de minhas memórias perturbadoras que agora invadiam minha mente quase que sem controle.

“Me diga algo sobre ele Zvezda” exigiu Dimitri citando o ‘nome de guerra’ que ele tinha me dado. Eu teria gostado de ser chamada de estrela em outra situação, mas nos lábios dele a palavra parecia suja e desprezível.

“Tipo o que?” perguntei confusa e á tremendo com medo do castigo que certamente viria.

“Não seja burra Zvezda! Pra seguir alguém de um jeito eficiente você tem que prever os movimentos dele!” esbravejou e eu tive quer resistir ao impulso de remover meu fone de ouvido.

“Se eu pudesse prever o que ele vai fazer porque eu estaria seguindo ele?” perguntei imediatamente e logo que as palavras deixaram meus lábios o arrependimento bateu forte em meu peito. Eu ia apanhar muito por isso. No entanto, para a minha surpresa, ele gargalhou alto. Quase relaxado.

Pozdravlyayu Zvezda! Agora você está fazendo as perguntas certas!” o parabéns dele quase aqueceu meu coração. Talvez eu não apanhasse tanto hoje.

Meu coração estava numa frequência alucinante e agora meus tremores não passavam despercebidos pelos outros. Vagamente eu estava ciente das vozes preocupadas de minhas amigas dizendo para os meninos se apressarem para o carro. Nós estávamos próximas ao estacionamento agora. Só mais um pouco, rapidinho vai estar tudo acabado.Eu tentava me acalmar mentalmente, mas em vão por que outros pedaços da memória voltavam pare me assombrar.

“Pessoas são previsíveis Zvezda! Elas pegam o caminho mais curto, a linha reta, preferem o lado da rua com a vendedora de Starbucks gostosa. Se você pretende seguir Serguei sem que ele a pegue e a mate você precisa ser esperta. Mude de rota, não fique sempre atrás dele, passe do lado oposto da rua, compre um pretzel no caminho. Porque se ele sequer sonhar que está sendo seguido a rota dele vai mudar em um segundo e, num piscar de olhos, você pode acabar sendo a sua próxima vítima e não o contrário.” Dimitri ordenava em meu ouvido e eu tentava ao máximo reter e aplicar toda a informação.

Nós estávamos muito perto do estacionamento agora. Mas eu estava sendo seguida. E o que é pior, eu estava sendo previsível... Sem mais nem menos, me soltei de Matt cambaleando levemente e apertei o passo na direção oposta ao estacionamento. Ouvi meu nome sendo pronunciado em alta voz e eu sabia que eles me seguiriam. Eles tinham que me seguir. Era a única forma de mantê-los vivos. O meu perseguidor podia muito bem machucá-los para me atingir. É o que eu faria. Nesse passo acelerado fiz o caminho mais longo em direção ao estacionamento, em algum momento percebendo que somente Júlia e Matt me seguiam. Com sorte, meu perseguidor queria só a mim e teria deixado Adriana e Alexander em paz. Quanto mais curvas eu parecia fazer mais a sensação de estar sendo perseguida ia diminuído. Existiam momentos em que eu era grata pelo treinamento louco de Dimitri. Esse era um deles. Por isso, quando cheguei ao carro, que nos aguardava com Ryan no volante e Adriana e Alexander inquietos ao lado da porta do lustroso sedan negro eu simplesmente desmoronei, sem mais forças para manter minha muralha de pé, o mar de memórias invadiu a parte consciente do meu cérebro com força total. Desfaleci nos braços de um dos dois e perdi a consciência do mundo real por um instante enquanto navegava pelo mar das minhas memórias desordenadas. Os tremores se tornaram mais intensos e eu tenho quase certeza de que estava murmurando algo enquanto os outros tentavam me acalmar. Lembro-me claramente da expressão de pânico puro nos rostos de Matt e Alexander que nunca tinham presenciado um de meus episódios (pelo menos não conscientemente). E da preocupação mais contida de minhas amigas que já tinham me acompanhado em crises piores. Elas são a minha rocha e eu sabia que ia ficar bem.

“Vanessa?” A voz preocupada e ofegante do meu namorado me chamando por cima dos meus pensamentos ensurdecedores. Provavelmente não era a primeira vez que ele ou Alexander me chamavam, as meninas não teriam tentado me acordar, elas sabiam que esse não era o melhor. Procurei as forças para respondê-lo como eu queria, eu precisava ao menos abrir os olhos, mas eu não estava pronta.

Eu já sabia o esquema por agora, não havia nada que eu ou qualquer outra pessoa pudesse fazer para me tirar do meu transe, não antes que minha mente estivesse pronta para lutar as memórias abusivas que me aprisionavam dentro de meu próprio cérebro. Eu acho que Júlia ou Adriana devem ter explicado isso aos outros porque de repente o carro estava muito quieto. Um silêncio pesado, cheio de preocupação que eu conhecia bem.

* * *

Eventualmente chegamos a casa. A essa altura eu já tinha parado de suar frio, as memórias tinham deixado de me cegar e agora só faziam parte do plano de fundo dos meus pensamentos. Tudo que eu precisava agora era uma boa noite de descanso e eu ficaria bem. Entrei na mansão ao lado de Matt que me abraçava gentilmente como se tivesse medo que eu fosse quebrar. Eu não o culpo por isso, depois do que ele acabara de presenciar, as minhas únicas opções de reação seriam:

1- Ele morre de medo de namorar a guria louca e sai correndo de mim assim que o carro abrisse as portas.

2- Ele me trata como uma boneca de porcelana pelo próximo mês até que consiga o convencer que não vou quebrar se ele me abraçar apertado.

Com certeza a opção 2 é a melhor. Quando passamos pela porta eu esperei que a sensação de conforto que deveria me invadir por estar em casa novamente me atingisse.

Mas ela não veio.

Bom, talvez eu não estivesse tão bem quanto pensei que estivesse. Exceto que eu me sentia perfeitamente bem. Bom, tão bem quanto eu poderia estar depois de um ataque de pânico nível expert, meu emocional estava destruído, mas não o suficiente pra que eu não me sentisse em casa na mansão Monre. Tinha esse irritante nozinho na boca do meu estômago... Algo estava errado.

Seguimos até a cozinha, eu me apoiei no balcão e bebi a água que Matt tinha me dado em pequenos goles. Em outras circunstâncias eu teria rido da sua expressão para tranqulizá-lo, mas o sentimento irritante no meu estômago não me deixava relaxar. Os outros se juntaram a nós ao redor do balcão comendo alguma coisa, eu aceitei o sanduíche de queijo que Júlia me entregou e dei mordidas ausentes nele tentando recuperar as forçar que tinha perdido na última hora.

Algo estava errado, eu não podia ter sido seguida até aqui certo?

Mudei de posição, olhando ao redor da cozinha ridiculamente grande, perfeitamente ciente dos olhos cravados em mim. Até eu estava achando que tinha ficado louca quando peguei pela minha visão periférica um movimento súbito que me incomodou. Rapidamente virando naquela direção vi um rosto. Um vulto passando rapidamente pela porta em direção a Alexander que estava do lado oposto do balcão calmamente comendo seu sanduiche.

Meus instintos tomaram conta de mim.

Correndo eu tomei um impulso, apoiei minha mão esquerda na parte mais baixa do balcão me jogando por cima deste e pousando bem ao lado do meu chefe que tinha sido empurrado em direção aos armários pelo invasor, que agora tentava passar por Matt para chegar ao outro lado do cômodo e escapar pelas portas que dariam na entrada de serviço da mansão.

Matt estava conseguindo segurá-lo, mas os socos que seu oponente lhe dava já estavam arrancando sangue de sua boca. Meu coração apertou, eu queria ajudá-lo, mas primeiras coisas primeiro. Virei-me para Júlia e Adriana que assistiam meio em choque a cena e gritei:

“Fechem as portas.” Elas me olharam como se eu estivesse ficando louca, mas confiavam em mim o suficiente para fazer que eu pedi. Adriana começou a abrir todas as gavetas que podia, provavelmente em busca da chave e Júlia saiu da cozinha, provavelmente para ver se encontrava o pequeno objeto com alguém do lado de fora. Depois disso olhei Alexander fundo nos olhos e ordenei:

“Não ligue pra a polícia!” eu não queria que esse filho da mãe saísse da casa antes de eu saber o porque de ele estar me seguindo. Depois ele podia ser preso.

Sem esperar por uma resposta do meu chefe, me virei em direção do meu namorado e seu oponente, vendo que Matt não estava levando a melhor. Claro, o outro cara também estava bem acabado, mas era claro que o meu stalker tinha experiência e duraria muito mais nessa briga. Então eu resolvi ajudar.

“Ei!” esbravejei tentando capturar a atenção do invasor. Mas nenhum dos dois se manifestou, o que me deixou ainda mais revoltada. Alcancei um copo vazio e arremessei em direção à cabeça do nosso agressor, cacos de vidro se espalharam por seu cabelo loiro. Isso fez com que eles me dessem atenção. Agarrou a cabeça de Matt e a bateu com força no armário a sua direita e eu vi meu namorado desmaiar. O sorriso cruel do homem só aumentou o meu ódio.

“Sabe, não é educado ignorar uma moça” minha voz saiu fria.

“Obrigado pela dica, quando eu ver uma vou manter isso em mente” o sorriso cruel apareceu novamente, mas não foi isso que tingiu minha visão de vermelho. O que me deixou realmente puta foi o sotaque russo que contorceu as palavras daquele filho da mãe. Esse com certeza não era um simples ataque. Sem nem pensar, parti pra o ataque de forma descuidada e seu punho foi de encontro com a minha barriga, me roubando o ar por um segundo. Manobrando pelo espaço limitado, eu consegui escapar de seu próximo ataque, mas por muito pouco, e acabei me desequilibrando e batendo de costas com a geladeira. Merda, eu estava sem prática.

Eu gostaria de dizer que esse foi o momento em que eu tive um flash estilo Chuck e fui abençoada com alguns golpes direto do Karatê Kid. Infelizmente a minha vida não é assim tão bem roteirizada, então eu apanhei.

Muito.

O filho da puta aparentemente não ligava muito para jogar limpo. Depois de mais uns três golpes na minha região abdominal, antes mesmo que eu tivesse fôlego suficiente para registrar que ainda estava viva, ele tentou um cruzado de direita que eu desviei agachando, mas perdendo o equilíbrio em consequência e caindo de bunda no chão. Isso mesmo que você leu, eu caí DE BUNDA no chão e a gargalhada retumbante de desdém que meu oponente produziu só adicionou ao meu ódio.

Ai você pensa, e foi aí que ela conseguiu virar a mesa. Novamente, eu gostaria que essa fosse a verdade, mas em vez de uma revanche gloriosa (que provavelmente envolveria chutar as bolas do loiro grotesco a minha frente) eu fui brutalmente puxada do chão pelos cabelos e me empurrou violentamente em direção à quina do balcão, que me atingiu bem abaixo das costelas. O homem exibiu aquele sorriso distorcido que você vê em todos os psicopatas nos filmes, antes que eles matem a mocinha de uma forma horrivelmente dolorosa.

Nesse momento, por mais que as minhas células feministas se recusem a admitir, Alexander veio ao meu resgate. Eu provavelmente estaria morta se ele não tivesse surgido pelas costas do homem loiro e passado seu braço direito ao redor do pescoço do cara. Com a surpresa eu tive um milésimo de segundo abençoado para me salvar da morte iminente dando a volta no balcão.

Apesar de seu ato heroico, Alexander ainda levou a pior já que o nosso invasor conseguiu alcançar uma faca que estava disposta sobre a pia e enterrá-la fundo no antebraço do meu chefe que imediatamente trouxe o braço junto ao corpo com um grito. Sem perder tempo o loiro deu um chute no estomago com força o suficiente para que meu chefe perdesse o equilíbrio completamente e caísse no chão sem fôlego.

Perdendo o interesse em Alexander o homem russo se virou na minha direção, deu alguns passos rápidos e tentou me acertar com um gancho de direita, mas eu tinha aprendido minha lição e agachei pra desviar de seu golpe, aproveitando o embalo para devolver o soco no estomago seguidos de dois em suas costelas.

No entanto para o segundo soco ele estava preparado e agarrou meu pulso antes que eu tivesse a chance de recolher meu braço e o torceu de uma forma dolorosa que me obrigou de costas para que ele não o quebrasse. Seu braço segurava o meu com força nas minhas costas.

“Eu estava esperando uma luta mais divertida da famosa Zvezda” o escárnio pingava de sua voz. Eu sabia que minhas chances eram menores agora, mas eu não ia desistir. Alexander me olhava aterrorizado, ainda no mesmo lugar.

“AH! Porque você não disse antes colega.” Eu sorri para meu chefe assustado com um plano em mente.

“Se é divertido que você quer...” ele me tinha presa pelo braço direito nas costas, mas eu estava conseguindo manter meu braço esquerdo livre. Com um movimento rápido eu me agachei torcendo meu pulso ainda mais, sabendo que valeria a pena. Lancei-me com o impulso extra que meus joelhos me proporcionaram, meu pé direito foi capaz de alcançar a borda do balcão.

Apoiando meu peso neste eu me puxei com força pra cima ficando sobre o mármore somente com a perna direita pelo tempo necessário para que eu pudesse girar 180º e socar meu agressor com a mão esquerda num movimento meio parecido com a voadora que derrubou o homem semi consciente no chão. Dimitri era um carrasco terrível, mas ele me ensinou algumas coisas.

“Viu? Divertido!” eu declarei sorrindo torto pra Alexander.

Notas finais
é isso ai povo, nao esqueçam de comentar! bjos bjos