Notas iniciais
Boa tarde!
Só queria lembrar que a personagem Betty Grissom é surda,então a conversa que ela tem por telefone com seu filho neste capitulo teria que ser um pouco diferente. Eu sei que tem um serviço que pessoas com esse problema podem usar para falar ao telefone,mas como eu o desconheço, escrevi como uma conversa normal. Espero que isso não incomode a ninguém...
Boa leitura!

SEGREDOS EM FAMÍLIA

Capítulo 4:

-Então você sabe quem era a ruiva gostosa que tava flertando com o Grissom?

Hodges, o homem que considerava saber de tudo de seu chefe, olhou para o técnico com um sorriso de orelha a orelha.

O prazer que sentiu foi tal que ele pareceu se esquecer de Sara, que se encontrava embasbacada. Na verdade, o choque com o que ouviu foi tanto que ela não conseguiu emitir nenhum som, deixando então que a conversa continuasse a sua frente.

-Engraçado que ele é todo rígido com todos, ninguém pode fazer nada do tipo no laboratório dele.

-Primeiro, o laboratório não é dele. Segundo, Grissom flerta com todas as mulheres que aparecem na frente dele. Inclusive com suspeitas, é o que ouvi falar...

Sara ficou indignada com o que ouviu. Como assim, era essa a imagem que eles tinham de Grissom? Nem queria saber a reação do marido se ouvisse isso...

-Sim... Lady Heather... Ele pareceu encantado com ela. Mas quem não estaria não é?

-Não sei... Não a vi. Mas eu sei que essa ruiva que apareceu é estonteante.

Sara já estava agoniada. Não dá para esses dois chegarem logo ao que importa!

-E quem disse isso? Você a viu?

-Sim. Ela parece ter a idade dele sabe, mas com o corpo todo em cima... Tudo o que você gostaria de ter em casa.

Hodges não saberia o que é bom ter em casa nem se aparecesse pintado de ouro a sua frente.

-Tá, já entendi! Mas o que aconteceu?

-Bom, disseram que ela chegou de surpresa, mas Grissom ficou muito feliz com ela ali. Parece que ela o abraçou e ele retribuiu, com muito gosto. Trocaram algumas palavras, a ruiva deu a entender que eles eram mais que amigos... agora o que ninguém sabe era quem ela era. Quando eu entrei na sala dele ele pareceu meio embaraçado, me mandou ir embora logo... com certeza estavam discutindo alguma intimidade... ou fazendo sei lá o que... o que é realmente estranho, porque nem com a mulher dele o Grissom...

Agora quem estava chocado era Hodges, pois se lembrou de que Sara ainda estava ali.

-Ah, meu Deus... Sara- ele disse se virando para a CSI- Eu...eu...

-Não precisa, Hodges- ela disse, a voz firme- Termina o que você começou, vai... Nem com a mulher dele o que? Nem com a mulher dele ele demonstra afeição no trabalho? Tudo bem, é a verdade...agora, se você me der licença...

E saiu apressada, antes que começasse a chorar na frente do maior fofoqueiro do laboratório.

-Hodges! Essa não é a mulher dele?- ao que Hodges somente acenou com a cabeça, desolado, ele continuou- Cara, tu tá ferrado!

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Sara conseguiu chegar no banheiro feminino antes das lágrimas começarem a cair. Ela geralmente não era uma mulher de chorar por nada, mas esses dias ela andava mais emotiva do que uma menininha. Era desconfortante para uma mulher tão independente como ela. E para piorar a situação vinha o Grissom fazer um negócio desses com ela. Como ele poderia ficar todo mexido com outra mulher bem no trabalho deles!

-Tudo bem, Sara, respira!- ela disse a sua imagem no espelho- Não é nada disso que eles estão falando! Esse Hodges é um estúpido, deve ter uma explicação extremamente razoável para isso tudo.

A perita então respirou fundo e começou a limpar as lágrimas do rosto. Olhou para o relógio de pulso e viu que ainda faltava uma hora para o fim do turno. Resolveu que não ligava, ela precisava muito estar com seu marido agora. Provavelmente ele estaria dormindo agora. Eles poderiam ficar um pouco juntos e depois passariam uma tarde agradável com Cássia, como fizeram há uns dias atrás. É, era exatamente isso que ela estava precisando.

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Gil Grissom estava estressado. Fora acordado as 10 horas da manhã- para ele era como se fosse de madrugada- pelo xerife por conta de um caso que,de uma hora para outra, tinha virado importante. Agora ele se encontrava no casarão de um dos figurões de Vegas coletando evidências e rezando para que desse tempo de deixar as evidências no laboratório e ir buscar Cássia na creche. Ele tentou achar Sara pelo telefone, mas seu celular só caia na caixa de mensagens.

Foi quando faltava menos de uma hora para as três que ele começou a se desesperar. Já estava começando a guardar as coisas e sair correndo quando o seu telefone tocou. Era Betty Grissom na linha.

-Mãe, graças a deus você ligou!

-O que houve meu filho? Está tudo bem com você, com a Cássia?

-Sim, mas escuta, será que tem como você pegar a Cássia na creche pra mim? Eu estou meio enrolado e a Sara não atende. Eu faria isso se...

-Não se preocupe filho. Você sabe que adoro ficar com a minha neta. Vá fazer o que tem que fazer. Depois a gente se fala ok?

-Obrigado, mãe. Você é um anjo. Agora tenho que desligar. Tchau!

Assim Gil ficou mais tranquilo e pode fazer seu trabalho com mais calma.

Ele terminou a coleta e já estava entregando as evidências para análise quando seu telefone tocou mais uma vez. Pensando que fosse sua esposa ele atendeu rapidamente sem nem olhar o número indicado.

-Oi, honey. Já estava preocupado.

-Ah não fique! E não atenda ao telefone assim sempre. Algum desavisado pode se apaixonar por você. Aqui é a Angie.

-Desculpe... é que eu estou esperando uma ligação da minha mulher...achei que fosse ela.

-Tudo bem...escuta Gil, sem querer te apressar, mas já te apressando, eu preciso muito falar com você antes de ir embora. Tem como a gente se encontrar hoje?

-Hoje?

Ele olhou em seu relógio e pensou, porque não? Não precisaria voltar para o laboratório até a hora de seu turno, afinal as evidencias que acabara de deixar demorariam para ser processadas.

-Tudo bem. Onde você quer se encontrar? Tem um café por aqui que serve uma deliciosa torta de amora. Ainda é a sua favorita, não é?- Gil perguntava enquanto caminhava até a garagem.

-Haha...sim, ainda é,mas.. eu tava pensando num lugar mais reservado. Será que voce não poderia vir até o meu hotel?

Gil teve que parar para pensar. Uma coisa era encontrar sua amiga distante em um café, um lugar público. Outra coisa era ele ,um homem casado, ir até seu quarto de hotel para falarem em privacidade. Não que ele fosse responder a qualquer tentativa dela em reatar seus laços. Mas não seria certo com Sara, apesar dele não imaginar a esposa fazendo uma cena por conta disso. Ela não era nem um pouco ciumenta, e com certeza não iria começar agora com isso. Ele só não achava certo...

-Gil, você ainda está aí?

-Sim, mas Angie...

-Olha, eu juro que não é nada demais. Você pode ligar pra sua mulher e avisar, eu não quero estragar seu casamento... é que eu acho realmente melhor fazer isso num lugar privado. O que você me diz?

Gil a essa altura já estava curiosíssimo com a novidade que Angie queria compartilhar. Tanto que combinou de se encontrar com ela só para saber, mesmo achando que isso poderia acabar em confusão. Mas também ele não conseguira falar com Sara esse tempo todo. Como era aquele ditado mesmo? O que os olhos não veem o coração não sente? Era isso mesmo. E também não era como se ele estivesse pretendendo esconder nada dela. Ele contaria do encontro inusitado quando os dois se vissem. Sara era compreensiva, tinha certeza de que ela iria entender.

Gil só não esperava a bomba que estava prestes a receber dentro de uns minutos.