Segredos Em Família
5 A grande revelação- parte 1
Notas iniciais
Isso mesmo o que o título diz. Finalmente contarei o grande mistério de Angela...em parte...rsrsrs
Espero que seja do agrado de vocês...
Boa leitura!
Capítulo 5
A grande revelação:
Sara já pensava que não devia ter saído da cama naquele dia. Ao chegar em casa e se deparar com seus cômodos vazios um imenso sentimento de solidão lhe invadiu a alma. Ela esperava tanto poder se perder nos braços de seu marido depois do dia que teve das coisas que ouviu. Sara não queria dar atenção a uma única palavra que saíra da boca de Hodges. Era verdade que o que ouvira poderia ser interpretado como nada demais. Era normal mulheres darem em cima de seu homem. Isso acontecia com qualquer uma. Mas ouvir que Grissom deixou que a mulher chegasse perto dele para faze-lo em seu ambiente de trabalho! Ela nem queria imaginar, sabia que em seu estado meio descontrolado pensar nisso só traria complicações. E para coroar a situação, o único remédio que existia para situações como essa, o abraço reconfortante de seu marido, lhe fora negado. A vontade de Sara era explodir.
Antes de fazê-lo, porem, a mulher recuperou a calma e fez o que qualquer pessoa sensata faria naquele momento. E conseguiu ficar mais desesperada. Pois ao pegar seu celular para ligar para o marido percebeu que o mesmo estava desligado. Soltou um palavrão, lembrando-se que Gil vinha enchendo a paciência dela para trocar o celular, já que a bateria estava morrendo a toda a hora. Como imaginou, quando conectou o celular na tomada para liga-lo o mesmo começou a sinalizar várias chamadas perdidas, mensagens e correios de voz. Optando por ouvir o do marido primeiro, sentiu seu coração disparar.
“Querida, surgiu um imprevisto e estou em um caso atolado de evidencias. Não vou conseguir pegar Cássia na creche. Me ligue assim que voce ouvir a mensagem."
Sara, sem nem parar para pensar, deixou o celular carregando e correu para seu carro. Já eram 15:00 e sua pequena estava esperando para ser buscada. Sara correu como nunca com o carro, mas ainda assim demorou uns vinte minutos para chegar no destino. Só de imaginar Cássia chorando porque os pais não apareciam lhe dava uma dor imensa no peito. Afinal, muitas vezes passara pela mesma situação e jurara para si mesma que nunca faria seu filho sofrer da mesma forma.
Chegando na escola parou o carro mal e porcamente e se dirigiu ao portão. Uma das professoras já estava de saída, e quando viu Sara sorriu.
-Senhora Grissom, o que faz aqui? Cassia esqueceu algo na sala?
-Como...? Não... eu vim pegar minha filha... meu marido...
-Mas a Cássia já saiu há um tempo com sua sogra. Ninguém te avisou?
Sara teve vontade de desabar de alívio. Só não o fez por conta dos germes que encontraria no asfalto.
-Ah...na verdade não...- ela disse, sem folego.
-Betty me disse que Gil trabalharia até tarde e como não conseguiu encontrá-la pediu a mãe que viesse- ela disse e ,olhando melhor para a mulher, colocou uma mão em seu braço e perguntou- Você não me parece bem. Não quer entrar e tomar uma água, se acalmar um pouco? Afinal, sua filha está bem cuidada.
-Não, obrigada. Acho que vou ver se Betty precisa de alguma coisa. Ah, até amanha.
-Até, senhora Grissom!
E as duas seguiram seus caminhos.
O de Sara a levou diretamente para sua casa e ao telefone. Queria ver se, em sua pressa de buscar sua filha, pulara algum aviso de que ela estaria bem. E não encontrou nenhum, nem de Grissom nem de Betty. Sara sentiu uma vontade de esganar a sogra. Entendia que se Grissom estava em uma cena de crime e sabia que sua filha estaria bem podia muito bem se esquecer de avisar a ela. Mas Betty, sabendo dos hábitos do filho teria a obrigação de avisar para a nora que estava com a neta!
Sara pegou o telefone na intenção de descascar toda sua raiva para cima da sogra e digitou os quatro primeiros números antes de a consciência bater a porta. Desligando e xingando a Deus e o mundo, respirou fundo como aprendera na aula de ioga. Só quando se sentiu mais tranquila voltou a ligar.
-Betty, oi! É a Sara.
-Eu sei minha querida. O Gil conseguiu te avisar...
-Para falar a verdade, não. É por isso que eu estou ligando.
-Ah, meu Deus. Sara me desculpe! Cássia está aqui comigo e eu realmente pensei que Gil fosse te avisar... Realmente não foi minha intenção.
-Não tem problema Betty, mas você sabe como seu filho é desligado... E eu... Ah deixa para lá! Como está a minha pequena- Sara queria insistir para que Betty se lembrasse de avisar a ela qualquer coisa referente à sua filha, em vez de falar somente com Grissom. Mas ela não estava mesmo a fim de começar outra briga com sua nora.
-Está serelepe como sempre. Quer falar com ela?
-Não precisa- Sara resolveu abusar um pouco mais de sua sogra e usar esse tempinho para conversar com seu marido-Escuta têm como você ficar com ela mais um tempinho? Tenho coisas para resolver.
-Não tem problema, querida. Venha busca-la a hora que você quiser. Tenho certeza de que vamos nos divertir muito!
Assim que terminou com sua sogra Sara resolveu que precisava de uma cerveja. Foi até a cozinha para se servir e depois voltou a sala para se jogar no sofá, com uma cerveja na mão e o telefone em outra. Depois de dar um gole na bebida gelada Sara discou um número sem nem olhar.
“Você ligou para Gil Grissom. Não posso atender agora, deixe um recado e ligarei mais tarde,”
Mais um suspiro e um gole de cerveja, e Sara ligou para o laboratório.
-Laboratório Criminal, Judy falando, como posso lhe ajudar?
-Judy, é a Sara.
-Senhora Grissom, oi!
-Oi. O Gil está por aí? Ele disse que fora chamado mais cedo por conta de um caso e eu gostaria de falar com ele.
-Ah, sinto muito. O Dr. Grissom saiu já faz mais de uma hora.
“Isso era tudo o que eu precisava! Por que eu tinha que ficar para ouvir aquela fofoca maldita!Eu confio no meu marido,não teria casado com ele se fosse o contrário... aposto que foi fazer alguma coisa relacionada ao trabalho....Gil não sai para fazer outra coisa que não o trabalho.”
-E ele não disse para onde iria?
-Não, ele saiu falando no telefone, nem se despediu.
-Ah, tudo bem. Obrigada, mesmo assim.
Sara desligou o telefone e mais uma vez um sentimento desolador surgiu em seu peito. Tomou todo o resto da cerveja em poucos goles e teve a vontade de tacar a garrafa para longe. Toda aquela semana ela andava com os sentimentos alterados. A única coisa que queria era falar com Gil e tirar aquela história a limpo. Ela queria acreditar com todas as forças que isso não passava de fofoca, intriga da oposição. Mas não poder falar com seu marido quando queria, com ele parecendo está-la evitando... Isso era desconfortante. Será que ele foi se encontrar com aquela “ruiva gostosa”?!
-Gil, por que você não me atende!!!
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Gil estava em seu carro, estacionado bem em frente ao hotel Eclipse, onde Angie estava hospedada. O homem já estava parado ali há uns 10 minutos, e percebeu que estava deixando os seguranças na porta do hotel desconfiados. Não era para menos, no trabalho deles se via de tudo, e de todos devia se desconfiar.
Gil não planejava fazer nada demais. Entraria somente para visitar uma hospede, mas... só de pensar em entrar no quarto de Angie corria-lhe um choque em sua espinha. Gil pressentia que algo de significativo ocorreria assim que ele se encontrasse com Angie. E ele estava com medo do que poderia ser.
Respirando fundo, saiu do carro e rumou até o saguão de entrada. Mal acabou de entrar e espiara sua amiga de longa data. Ângela estava sentada em uma das cadeiras, o olhar perdido por entre as pessoas que iam e vinham do hotel. Gil pode reparar que não era o único nervoso com o encontro, já que a mulher balançava os pés balançando freneticamente, a boca retorcida na qual vira e mexe levava as mãos. Droga, se ela está tão nervosa quanto parece não quero nem imaginar o que tem para me dizer. Grissom estava quase se convencendo a dar meia volta e ir embora dali, sem nem menos ouvir o que Angie tinha para dizer. Ele tinha uma vida perfeita e nada do que ela poderia dizer faria falta a ele...
Mas antes mesmo que Gil pudesse se virar e ir embora Ângela o avistou.
-Gil, aqui!
-Angie, oi- Gil respondeu sem a metade da animação que Angie demostrou ao lhe cumprimentar.
Ângela se aproximou de Gil e o abraçou.
-Vamos de elevador, meu quarto fica bem no alto. Você tem que ver a vista da cidade. É de tirar o folego!- Ângela falou tudo em um folego só, mostrando o nervosismo que Gil já vira em seus gestos.
-Ah, Angie, sobre isso. Acho que não será possível. Eu sou casado, acho que não ficaria bem...
-Gil...- a mulher falou com pesar- Se eu achasse possível... mas o que tenho para falar é muito pessoal. Não acho que conseguiria faze-lo com esse monte de gente ao redor.E eu não peço que esconda nada de sua esposa. Tudo o que eu disser pode ser repetido para ela...deve ser, na verdade. Mas, por favor...vamos comigo?
Gil suspirou mais uma vez e fez que sim com a cabeça.
-Primeiro você...
-Sempre o cavalheiro, Gil. O mundo está em falta de homens como você, sabe? Sua esposa não tem ideia de como é sortuda.
Gil, desconfortável, nada respondeu.
O caminho até o quarto foi de um silencio pesado. Nenhum dos dois sabia o que falar. Um fato totalmente novo entre os dois. Se essa reunião tivesse lugar há muito tempo atrás os dois teriam tópicos inesgotáveis para conversar.
Ao chegar no quarto Angie ofereceu uma bebida a Grissom, que aceitou uma garrafa água. Sua garganta estava totalmente seca. Gil só não sabia se era resultado do calor ou do nervoso que sentia. Angie deu a garrafa a Grissom, e com uma para ela, os dois se sentaram no sofá.
Quando Gil terminou sua garrafa e Ângela ainda não tinha abordado o assunto, o homem sentiu sua paciência foi se esgotando. Colocou a garrafa na mesinha de centro e limpou a garganta, chamando a atenção da mulher para ele.
-Então, Angie... o que você queria me falar que era tão importante?
-Gil... — Ângela respirou fundo e se virou, de forma que ficou totalmente de frente para Gil no sofá- O que eu tenho para te dizer vai ser difícil. É... Eu esperava nunca ter que contar a você, isso é muito constrangedor... — a mulher abaixou o rosto, aparentemente com vergonha.
-Ângela... -Gil chegou perto da mulher e levantou o rosto dela- você veio até aqui com a intenção de me falar algo e conseguiu me chamar até aqui. Acho que o mais difícil você já fez não é?- Gil queria acalmar a mulher, de forma que ela conseguisse finalmente falar o que vira lhe dizer. Não que não estivesse inseguro com toda essa situação, mas Gil queria ouvir tudo o que ela tinha para dizer. Acreditava que a espera só o fazia imaginar coisas piores.
-Ok, Gil... então. Você se lembra da última vez que nos vimos?
-Sim... foi na sua festa de despedida. Você estava saindo de Minneapolis para Boston, é isso?
-Sim foi uma festa animada. Eu posso dizer que me diverti muito... E nunca vou me esquecer da sua despedida personalizada- ela disse com um sorriso.
-Ah...Angie- Gil grunhiu- Você disse que não era nada disso...
-Não, Gil! Você entendeu errado. Eu não estou aqui para reviver aqueles momentos, foram ótimos, diga-se de passagem. Mas o que eu quero lhe contar tem haver com o que aconteceu aquela noite... bem o que aconteceu depois, por causa daquela noite. Uns 9 meses depois...
- O que! Você não pode querer dizer...
-Sim...nós fizemos um filho naquela noite.
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