Segredos Em Família

6 A grande revelação-pt2


Notas iniciais
Boa leitura!

SEGREDOS EM FAMÍLIA:

CAPÍTULO VI

A GRANDE REVELAÇÃO- PT 2

Grissom não podia acreditar nas palavras que entraram em seu ouvido... elas não faziam sentido algum. Um filho! Há quinze anos atrás... há uma vida atrás!

-Gil? – Ângela perguntou, preocupada – Você está bem?

Grissom ouviu, mas não tinha forças para respondê-la. Afinal, o que ela queria ouvir depois de soltar uma bomba dessas? Que ele estava bem, extasiado com a notícia? Que ele a abraçasse pela cintura e a rodopiasse no ar como naqueles filmes toscos que as mulheres gostavam de assistir? Ele não fizera nem quando sua mulher revelou que estava grávida com o primeiro filho dele! Primeira, meu deus, como Sara reagiria quando soubesse disso! Isso não estava certo!

De repente, como se milhares de espinhos tivessem brotado do sofá e o espetado, Gil levantou-se e começou a andar de um lado pelo outro da sala, as mãos bagunçando seus cabelos. Ângela só fez observar, querendo dar um minuto para Gil se recompor, afinal, não havia lhe contado tudo.

Enquanto isso, milhares de pensamentos tomavam a mente de Gil. Como em quão desapontada sua mulher estaria ao ouvir a notícia. Ela, que achava ser motivo de orgulho ter dado ao marido seu primeiro filho, a ser a única a dar a Gil uma família. Além de que Gil vivia dizendo a ela que sexo sem amor não era nada. Logo ela quem teve que esperar anos até que Gil se entregasse de corpo e alma naquele que seria o amor de sua vida,saber que ele fora tão relapso a ponto de dormir assim com outra mulher. E ainda havia Cássia, pobre Cássia... sua princesinha, a razão de sua vida. Gil achava não haver no mundo garota tão mimada por seus pais. Ela não estava acostumada a ter que dividir seu pai com ninguém... ela era tão pequena, não entenderia outro filho na vida de Gil... Até que veio em sua cabeça

- O que você quer de mim? Por que, depois desse tempo todo você só veio me procurar agora, Ângela, por quê?

Ângela suspirou fundo e pediu para que Gil sentasse. Ela estava nervosa com toda aquela agitação. Como Gil nada fez, ela achou melhor começar logo.

- Então Gil. Eu juro que pretendia não te contar nada disso... eu estava preparada para criar meu filho sozinha, como minha mãe fizera... Você conhece minha vida, eu não te escondi nada. Sabe da minha história familiar, e sabia dos meus relacionamentos passados. Do meu casamento fracassado... e você era um doce de pessoa, me ajudou muito a superar essa fase negra da minha vida.

Gil lembrava bem disso. Ele conhecera Paul, marido de Angie, desde que se lembrava por gente. Eram grandes amigos. Fora Gil que apresentara Paul a Angie e não poderia ter feito uma escolha melhor. Eles formavam um lindo casal e Gil tinha certeza de que logo formariam uma bela família. Era o sonho de Ângela ter um filho, e Paul estava disposto a dar-lhe um. Pena que esse não era o caminho que a vida levaria. Paul fora tirado deles muito antes de sua hora. Deixando duas pessoas devastadas e lutando para juntas superar a grande perda. Gil e Angie desde então formaram uma forte aliança.

O que Gil não sabia era que o vazio que Paul deixara na vida de sua esposa só poderia ser preenchido, segundo ela por um filho. Então ela começou a fazer pesquisas na área de inseminação artificial e de potenciais doadores. Quanto mais ela procurava, mais desesperada ficava. Nenhum homem era tão bom quanto seu falecido marido. A não ser que ela contasse Gil nesse meio, mas sabia que era impossível dele aceitar. Ao mesmo tempo seria o cúmulo da esquisitice fazer isso com o melhor amigo de seu marido.

Angie começou a cair em depressão pois tudo naquele lugar a fazia lembrar de Paul. Foi então que decidiu se mudar para junto de sua mãe. Gil concordou que era a melhor coisa a fazer. Planos foram feitos, papeis assinados, e só faltava mesmo ela partir. Mas a ânsia por um filho ainda era grande e mais e mais a ideia de que Gil seria um excelente doador se fincava na cabeça dela. Mas a razão prevalecia forte. Isto é, até o dia de sua festa de despedida.

Naquela ocasião Gil acabara com um relacionamento muito sério e estava se sentindo emotivo, fraco. Ângela percebera isso e tentara o alegrar com o melhor remédio dela na ocasião: o álcool. O resultado foi que os dois beberam demais e suas guardas se abaixaram. Angie, em seu estado inebriado e sua vontade de procriar com aquela espécime viril de homem a sua frente, seduziu seu melhor amigo e o levou para cama, dizendo ser este o presente de despedida dela.

O resultado daquela noite veio a tona uns dois meses depois, já bem longe de Minneapolis. Ângela, que havia sido criada sozinha por sua mãe e nunca sentira a falta de um pai, achou que poderia conviver com isso sozinha. Sabia bem que Gil não queria filhos aquela altura do campeonato, e não queria dar este peso a ele, quando a culpa de ela estar naquela situação era somente dela e de seu relógio biológico. E foi assim que o fez.

-Isso é, até que Noah resolveu querer conhece-lo...

Noah, era esse o nome do filho que nunca soube ter. Noah, um rapaz já com seus quinze anos e que nunca teve a oportunidade de jogar bola com o pai, de ir ao estádio ver seu time favorito, ou até mesmo ter o pai ao seu lado quando seu corpo começou a se modificar... Gil se lembrava de compartilhar essas primeiras memórias com seu pai, da alegria que era o momento entre pai e filho. Ele amava sua mãe , mas para um garoto havia coisas que somente o pai poderia fazer por ele. Lembrava também como foi vergonhoso passar por todas as suas mudanças hormonais só com sua mãe para lhe explicar o que acontecia... e imaginar que seu filho passara pela mesma experiência lhe doía na alma.

-Eu posso... ver...?

Ângela prontamente tirou da mesa um álbum, que Gil só percebera estar lá agora, e entregou para Gil. O homem abriu e viu as primeiras fotos de um bebe rechonchudo de profundos olhos azuis. Os mesmos olhos que abriam para ele de manhã quando acordava sua preciosa Cássia... Gil sentiu os joelhos fraquejarem e imediatamente se sentou numa cadeira próxima ao sofá, pois não conseguia se aproximar de Angie. Gil continuou a olhar o filho em vários estágios de sua vida e o coração se apertava mais ao ver tudo que perdera. Quando chegou ao final colocou o álbum em cima da mesinha, fechou os olhos e suspirou.

-Como você pode esconder isso de mim, Ângela?

-Gil, você mesmo dizia que eu era louca de querer tanto um filho naquela idade... o que você queria que eu fizesse? Além do mais, que bem faria isso para a gente? Estávamos em fases dddiferentes da vida! Em cidades diferentes.

-Eu iria até vocês. Não deixaria meu filho na mão.

- E deixaria seu futuro todo na mão, Gil. Eu não poderia pedir que fizesse isso. Olha só para onde você está agora? Supervisor do melhor laboratório de criminalística, casado, com uma família linda... aonde você estaria se tivesse desistido de tudo isso? Eu não podeira deixar, Gil, não quando eu tinha tudo sobre controle. Eu fui criada sem pai e isso nunca foi um problema.

-Você é uma mulher Ângela. É totalmente diferente criar um menino. Eles precisam de uma figura paterna!

-Não vamos discutir isso agora, Gil. Não vai dar em lugar nenhum...

-Então por que você me contou?

-Eu já disse, meu filho quer conhecer o pai. Eu prometi a ele que tentaria trazer-lo.

-Ele já sabe quem sou?

-Não, eu nunca contei e ele também nunca perguntou, até agora.

-Mas ele sabe que você veio me procurar?

-Não, Gil. Ele sabe que eu vim a uma conferencia. Eu só prometi que tentaria achar o pai, nunca levá-lo até ele. Eu não quero desapontar-lo caso você não queira ter nada haver com ele.

-Então,basicamente você veio até aqui para me dizer que tenho um filho e que ele quet me conhecer, mas que eu tenho a opção de não fazer-lo?- Gil já estava com dor de cabeça por conta do assunto. Basicamente está tudo em minhas mãos

-É.

-Eu... realemnte não sei- Gil novamente se levantou e ficou rodando pela sala – Não é uma decisão simples de se tomar... eu tenho minha esposa,minha filha para considerar.

-Gil, não quero que se precipite. Vá para casa, converse com sua mulher, relaxe. Eu vou ficar em Vegas até domingo, esperando sua resposta. Caso você não queira, vou dizer a Noah que não pude encontrá-lo. Não se preocupe, vai dar tudo certo no fim.

Gil olhou para a mulher, incrédulo. Se ela acreditava nisso, por que então decidiu contá-lo? Por que mexer com a vida dele assim se no fim, independente do que escolhesse, tudo daria certo? Foi o que perguntou em seguida.

-Por que eu detesto mentir para meu filho, se isso puder ser evitado. No fim, quero saber que fiz o possível para fazê-lo feliz.

Gil suspirou fundo e , sem mais o que falar, disse que iria embora mas daria uma resposta até o fim de sua estadia.