Segredos Em Família

11 A viagem de Grissom- pt 1


Notas iniciais
Olá!

Espero que tenham sentido a minha falta! rsrs
Então, perdoem a demora, mas não consigo postar tão frequentemente quanto uns autores aqui... e espero que apreciem esse pedacinho da vida de Gil que vou mostrar agora, e seu encontro com seu filho.
Boa leitura!

SEGREDOS EM FAMÍLIA

Grissom estava deitado em sua cama com sua filha. Estavam assistindo a um desenho infantil e Cássia não desgrudava o olho da telinha. Gil não desgrudava os olhos de Cássia. Para ele não havia bebe no mundo mais bonito e perfeito. Isso porque ela era a cara da mãe. Seu queixo, seu nariz, os olhos amendoados. Gil beijou a testa da filha e suspirou. Pensou se quando Noah era pequeno tinha alguma coisa de parecido com ele.

De repente Sara entra no quarto, abre o armário e tira a mala de Grissom de dentro.

-Eu não sei se devo ir- reclamou Grissom, sentado na cama e olhando a mulher arrumar suas malas.

-Você prometeu aquela mulher que iria conhecer o filho. Agora que já disse que iria, seria de bom senso se você aparecesse.

-Mas isso foi antes de saber que estava grávida , Sara.

-Estou grávida, Gil, não inválida!- Sara repetiu a frase que imaginou sair da boca de toda mulher naquela condição.

-Sim, não está doente, mas não consegue se alimentar direito sem colocar ao menos uma refeição para fora, além do que tem a Cássia pra cuidar.

-Eu, papai!- disse sua filinha ao ouvir seu nome, e se virando para abraçar seu pai.

-Sim, princesa, você.

Sara sorriu ao ver sua bonequinha sendo tão amorosa com o pai. Sentou então na cama e Cássia tratou logo de ir para os braços da mãe.

-Gil, se eu achasse que não daria conta eu te pediria para esperar. Além do mais, temos um grande número de pessoas para me ajudar...sua mãe, Catherine, os meninos também.

-Eu sei, amor... mas não é a mesma coisa...

-Não, não é. Mas eu e sua princesinha vamos ficar bem um tempinho sem você, não é meu amor?

-O papai vai viajar?

-Sim, princesa...- ao ver a expressão de choro de sua filha, Gil logo emendou- Mas volto logo, e vou trazer um monte de presentes para você.

— Quanto demora o “logo”, papai?

Sara ficou com o coração na mão.

-Logo quer dizer assim ó- Gil pegou a mão da pequena e levantou cinco dedos- Vou ficar fora o número de dias que você vai para a escolinha. Você nem vai sentir minha falta, brincando com seus amiguinhos. Cássia olhou para seus dedos e exclamou.

-Cinco! É muiiiito tempo, mamãe!

-Vai passar rapidinho, meu anjo. Você vai ver.

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Depois de acalmar Cássia e coloca-la para dormir o casal volta para o quarto e se prepara para dormir. Gil teria que estar no aeroporto amanha às 7 horas para o check-in. Gil se deitou primeiro e ficou olhando para o teto. Após alguns minutos Sara apaga as luzes e se deita a seu lado. Gil puxa a esposa para seus braços e a beija na testa. Sara se vira para Gil e acaricia seu rosto. Só de pensar que ficaria longe dele pela primeira vez, desde que Cassia nascera, sentia um vazio imenso em seu peito. O pior, ele iria ficar perto daquela mulher ardilosa, a qual ele chamava de amiga. Sara sabia que seu marido era fiel, mas não daria chance aquela mulher. Era fato que um homem satisfeito em casa teria menos chances de se envolver com alguém de fora. Logo Sara daria a seu marido uma despedida que ele não iria esquecer.

Começou devagar, acariciando o rosto e o peito do marido. Gil suspirou fundo e apertou a mulher em seus braços.

-Está com sono, Gil?

-Não muito, querida. Para falar a verdade, acho que não conseguirei dormir essa noite.

-Muito ansioso, não é?

-Sim... amanhã conhecerei meu filho... e ele não vai ser tão fácil de agradar quanto Cássia...

-Adolescentes nunca são- Sara olhou para o marido e se levantou- Vamos Gil... deite de bruços. Farei uma massagem, vamos ver se assim você relaxa.

Gil obedeceu e enquanto se colocava confortavelmente na cama Sara procurava um óleo de massagem. Quando encontrou o objeto se posicionou entre as pernas do marido e aplicou uma quantidade generosa do óleo de lavanda nas costas largas de Gil. Apertando com força, bem do jeito que ele gostava, ela riu dos gemidos que Gil soltava. Com cuidado, Sara foi desfazendo os nós que sentia no marido, descendo até a última vertebra. Dali colocou sua atenção nas pernas, passando as mãos nas partes externas. Sua massagem não tinha nada de erótica, somente uma mulher querendo aliviar a tensão de seu marido. Gil, por outro lado, parecia ter outras intenções.

-Amor, por que está pulando as melhores partes?

-E quais seriam essas melhores partes, senhor Grissom?

Gil começou a se virar, fazendo Sara sair de sua posição, mas logo que suas costas encontraram o colchão ele puxou sua mulher para se encaixar em sua virilha. Sara levantou uma de suas sobrancelhas e Gil somente riu e a apertou mais contra ele.

-Parece que sua massagem relaxante serviu para outros propósitos, minha querida.

Sara se ajeitou melhor, ficando de joelhos por entre as pernas abertas de seu marido, de modo que pudesse continuar com sua massagem, que ela sabia que de relaxante não teria nada. Aplicou novamente o óleo no peito liso de seu marido e começou a massagear. Suas mãos agora trabalhavam com a intenção de aumentar ainda mais o desejo de seu parceiro. Gil não precisava de muito e logo puxou Sara pelo pescoço e deu um beijo avassalador.Agora seus corpos estavam ligados da ponta dos pés a cabeça. Gil desceu uma de suas mãos até as nadegas de sua esposa e pressionou. Dessa vez o gemido saiu dela. Ele inverteu a posição e sussurrou no ouvido dela:

-Eu sei uma maneira beeeem melhor de me relaxar- Gil falou e mordiscou a orelha dela- É só abrir essas pernas maravilhosas para mim...

-Hummm, Gil...- sem protestar Sara fez o que o marido pediu.

No dia seguinte, Gil terminava de por suas malas no carro quando um táxi parou em frente a sua casa. Gil saiu de trás do carro e foi ver quem era. Sem surpresas, Betty saiu de dentro do carro e ao ver o filho, foi direto dar um abraço.

“Mãe!”- Gil afastou a mãe um pouco para que eles pudessem falar-“ Não que não seja uma boa surpresa, mas o que a senhora está fazendo aqui?”

Gil havia avisado de sua viajem para Betty assim que comprara suas passagens, uma semana atrás. Não informara o intuito da sua viagem, somente dissera aonde iria e por quanto tempo. Betty não avisara que viria o recepcionar, mas que ela estava aqui não era impensável. Não era de sua natureza não investigar a fundo as coisas a seu redor, e Gil havia deixado muito pano pra manga quando não dera muitos detalhes do que iria fazer.

“ Você vai ficar fora por uma semana, Gil. É obvio que gostaria de me despedir”

“Eu já fiquei muito mais tempo fora, mãe, e nem por isso a senhora fez questão de me acompanhar até o aeroporto.”

Sentindo-se acuada pela fala do filho, a senhora fez questão de responder.

“Meu Deus, Gil! Será que é muito uma mãe vir ver o filho!”

“Não... desculpe-me, mãe. É que estou meio nervoso hoje...”

“ E por que, eu posso saber, o senhor está tão nervoso? É sobre o que vai fazer nessa viagem?”

“Não, mãe...”- Gil suspirou e passou a mão por seus cabelos, um gesto que mostrava seu nervosismo. “ É só que eu nunca me afastei de casa desde que Cássia nasceu... e está sendo mais difícil do que imaginei.”

O olhar de Betty suavizou. Ela entendia bem a sensação ruim que era abandona seu bebê pela primeira vez. Lembrou-se de uma viagem que fez com o falecido marido há muitos anos atrás. Gil deveria ser até menor que Cássia era agora, e a agonia de Betty fora tanta que ela quase levara Gil junto.

“Meu filho, é sempre ruim deixar seu bebê pela primeira vez, mas a vida é assim”. Ela pode estar chateada agora, mas nem vai se lembrar disso quando você voltar para casa. Quanto tempo mesmo você disse que ia ficar?”

“Eu não disse, mas uns cinco dias ”

“E será que eu posso saber o...”

Betty foi interrompida por uma massa pequena colidindo nas suas perna e quase a derrubando. Gil teria rido da cara da mãe se não fosse a necessidade de segurar a senhora para que ela não caísse.

-VOVÓ,VOVÓ!

Betty riu de sua pimentinha, e a puxou para um abraço apertado e dois beijos estalados na bochecha.

Sara chegou naquele instante e , se colocando na frente de Betty falou com a sogra.

“Betty, desculpe por isso! Mas essa menina está uma pilha hoje!”

Betty deu mais um beijo na neta e a colocou no chão, antes de responder a nora

“Não se aborreça, querida. Eu adoro quando minha neta me dá um abraço deste.”

Sara sorriu para a sogra e então se virou para o marido.

-Tudo pronto, Gil?

-Sim, querida- ele disse e depois se virou para a mãe- “ A senhora vai com a gente até o aeroporto, então?”

“Mas é claro! Além disso, vim ajudar a Sara também.”

“Isso a senhora vai ter que ver com ela.”

“Não precisa se incomodar, Betty. Tenho tudo sobre controle.”

“Tudo bem, mas se lembre de que estou sempre a um telefonema de distancia.”

A família Grissom então se dirigiu para o aeroporto. Gil fez o check-in e depois todos se dirigiram para o portão de embarque. Como suas meninas não poderiam entrar, Gil esperou do lado de fora com elas até ouvir o chamado para embarque. Despediu-se primeiro de sua mãe e depois deu um abraço apertado em Cássia, dando muitos beijinhos em seu rosto. Entregou a filha para a mãe e olhou para sua esposa. Betty então levou a neta para ver os aviões que partiam e chegavam, tendo entendido que Gil gostaria de um segundinho a sós com Sara.

-Você vai ficar bem mesmo?- ele disse enquanto puxava Sara para um abraço.

A morena disse um sim, abafado pelo pescoço do marido, já que ela parecia não querer desgrudar dele.

-Nossa, estou mais emotiva do que a Cássia!

-É normal, meu bem. É pelo nosso bebê.- ele passou a mão pela barriga ainda lisa dela, descansando-a sobre seu mais novo rebento, enquanto passava a outra em uma carícia sobre o rosto de sua esposa e pousava seus lábios sobre os dela, em um beijo de infinita doçura. Bem ali ele susurou:

-Te amo... muito...

O que eles não perceberam foi que Betty reparara, mesmo de longe, os gestos do filho. Ela teria que ter uma conversinha com ele assim que voltasse de viagem...

Quando eles se separaram Gil falou mais alto.

-Lembre, qualquer coisa me ligue. Eu volto o mais rápido possível.

-Não se preocupe. Vai dar tudo certo.

Neste momento Betty voltou com Cássia e as três acenaram para Gil, que passava pelo portão de embarque.

-Vamos, Cássia

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Ângela chegou ao aeroporto de Boston uma meia hora antes do horário de chegada do voo de Gil. Viera sozinha, pois fizera Noah ir para a escola, sabendo que ele não aceitaria fazê-lo durante os dias da visita do pai.

Noah ficara sabendo que o pai viria visita-lo somente com uma semana de antecedência. Mesmo quando Gil ligara para Angela para dizer que ele iria ela preferiu esperar. Não queria o filho morrendo de antecipação pela chegada de Gil. E quando contou que ela entrara em contato com o pai Noah não se cabia de felicidade. Angie ficou com um peso na consciência por ter escondido isso por tanto tempo.

Estava tão perdida em pensamento que nem reparou quando Gil desembarcou e chegou perto dela.

-Bom dia, Angie!

-AHHHH! Meu Deus, Gilbert! Quer me matar do coração!

Gil sorriu e balançou a cabeça. Depois passou os olhos ao redor deles, como quem procura algo.

-Eu não trouxe o Noah... achei que seria uma reunião importante demais para se ter em um aeroporto.

Gil ficou aliviado. Ele não sabia que tipo de resposta teria ao ver o filho pela primeira vez. Ele não era dado a rompantes e manifestações de afeto em público, e se isso fosse o que o filho esperava ele o deixaria desapontado. Nada bom para uma primeira impressão.

-Bom... vamos pegar sua mala e depois partimos para um almoço. Noah só deve chegar em casa umas 15:00, então ainda teremos tempo para uma pequena discussão de como faremos isso.

Gil concordou e seguiu Ângela pelo caminho. Enquanto esperavam pela mala Gil usou a oportunidade para ligar para a esposa, avisando que chegara bem. Depois de saber que sua filha estava bem e na escolinha desligou e avistou sua mala.

-Estou pronto. Vamos?

A viagem de carro até a casa de Ângela se passou em um silêncio desconfortável. A mulher se culpava por isso. Antigamente ela e Gil falavam de tudo, nunca se encontraram desconfortáveis uns com o outro. Foi somente quando descobriu que ficara grávida que cortara o contato com Gil. Ela não queria ter que contar a ele que lhe daria um filho. Foi egoísta e agora estava ali, sem saber como conversar com ele.

Os dois seguiram até o hotel que Gil se hospedaria sem trocar uma palavra. A casa de Ângela era pequena, somente dois quartos. Era de bom tamanho para duas pessoas, mas não ofereceria muito conforto a Gil. Após, almoçaram no restaurante do hotel e seguiram até a casa dela para esperar o filho chegar.

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Noah foi o primeiro aluno a sair da sala quando o professor dispensou a turma. Sabia que a essa hora o ilustre dr Gilbert Grissom já estaria em sua casa, esperando por ele. O garoto não se cabia em si de contentamento. Seus amigos não entenderam o porque de tanta pressa. Noah não avisara a ninguém que conheceria seu pai hoje. Nem para seu melhor amigo, Ty.

-Noah, espera!- disse Ty- Não quer ir lá pra casa. A mãe vai passar a tarde toda fora, a casa vai ficar só pra gente. Podemos colocar o vídeo-game na sala. Ninguem vai reclamar.

-Hoje não dá, Ty!

-Por que?

-Por que vou conhecer meu pai!

Noah deu um impulso na bicicleta e seu amigo ficou para trás, com cara de tacho.

O garoto nunca correta tanto na vida. Parecia o Bart Simpson, na abertura de seu programa de tv favorito, correndo pelas ruas sem dar nenhuma atenção para sua segurança ou a de outras pessoas. O trajeto que ele costumava fazer em 20 minutos, em um bom dia, durou somente 15.

Noah parou a bicicleta em frente a casa, mas não se pôs a entrar. Lá dentro estava uma das pessoas mais importantes em sua vida, uma que ele nunca conhecera. O garoto havia pesquisado um pouco sobre o pai, e descobriu que ele era um ilustre CSI. Um doutor até, muito respeitado dentro de seu meio. Sabia que ele havia constituído uma família em Vegas, que ele tinha uma irmãzinha. Ele parecia ser uma boa pessoa. E mesmo assim, ainda estava apreensivo.

-Vamos, Noah! Não é hora de enrolar, foi você quem pediu por isso!

O garoto então foi guardar sua bicicleta na garagem, e dali seguiu pela porta da cozinha. De lá, deu uma olhada na sala e viu seus pais, sentados e conversando. Respirou fundo e seguiu em direção a eles. Quando Angie viu seu filho chegar aprumou sua postura e indicou para Gil que Noah estava em casa. Gil seguiu o olhar da amiga e, pela primeira vez, encontrou seu filho.

- Oi, pai- Noah disse, a voz fraca.

Os olhos de Gil se encheram de água, mas ele não as deixou cair. Se levantou e estendeu a mão para o garoto.

-Olá, filho.

O garoto colocou sua mão nas do pai e a apertou forte. Os dois trocaram um sorriso e Noah, não aguentando, deu um abraço apertado em seu pai, que retribuiu.

Ângela ficou olhando a reunião de seu lugar no sofá, emocionada. Lágrimas escorriam de seus olhos, de pesar por ter feito seu filho crescer sem o pai, e de felicidade por Gil ter aceitado tão bem a presença de Noah em sua vida.

Notas finais
Nos próximos capítulos, Gil e Noah passarão algum tempo juntos, enquanto em Las Vegas as coisas começam a ficar complicadas para Sara, e Betty se tornará um personagem importante da história.
Até mais!