Segredos Em Família

12 A viagem de Grissom- pt 2


Notas iniciais
Para quem estava acompanhando essa fic, peço mil perdões, mas perdi totalmente o rumo dela! Felizmente consegui me recuperar e espero que apreciem! Boa leitura!

SEGREDOS EM FAMÍLIA:

Capítulo XII

Após saírem do abraço os três ficaram parados por um momento na sala, sem saber o que fazer. Ângela, se lembrando de que Gil nunca fora muito bom no quesito socialização resolveu puxar conversa.

–Então, Noah, por que não mostra a casa para o seu pai? Tenho certeza de que os dois têm muitas coisas a conversar. Enquanto isso, eu vou dar uma passadinha no mercado para comprar coisas para a janta.

–Ah, ok – Noah respondeu – Vamos, pai, é por aqui.

Gil deu uma ultima olhada em Ângela e seguiu seu filho para o tour da casa. Ele ficara aliviado quando ela disse que não ficaria com eles. Gil tivera muito tempo para pensar desde que Ângela voltara a sua vida, e agora ele estava extremamente magoado com a antiga amiga. Aquele tempo que passaram sozinhos esperando Noah chegar fora o mais agoniante de sua vida. Como ela pudera ser tão irresponsável assim, a ponto de não avisá-lo que ele teria um filho! Ela o conhecia, afinal, não era como se a gravidez fora fruto de um caso de uma noite só. Devia saber que Grissom, apesar de nunca demonstrar vontade de ter um filho quando mais novo, nunca fugiria da responsabilidade de cria-lo, que isso não seria uma tarefa e sim um prazer em sua vida. Pensar em todos os anos que esteve sozinho enquanto Noah ansiava por um pai lhe doía o coração.

O garoto o mostrou todos os cômodos do primeiro andar da casa e disse que em cima eram os quartos.

–São três, o da minha mãe, o da vovó e este aqui é o meu.

Gil seguiu o filho e entrou em um quarto espaçoso, na cor de um verde claro. De frente para a porta ficava uma escrivaninhabcom um laptop, alguns livros e cadernos espalhados. Em cima havia uma estante, onde Noah exibia uma boa quantidade de troféus e medalhas. Gil sorriu e perguntou ao filho.

– E esses troféus, são de que?

–Eu to na equipe de corrida da escola- o garoto respondeu, orgulhoso, e Grissom chegou mais perto para observar os troféus- E o senhor, pai, participou de algum esporte na escola.

É tão estranho, Grissom pensou, ouvir aquela palavra sendo pronunciada por uma voz que não fosse a de Cássia.

–Não... na verdade nunca gostei muito de esportes.

Os dois ficaram em silencio por um tempo, procurando algo para conversarem, algum ponto em comum que pudesse uni-los. Mas olhando para o quarto de Noah, Gil podia ver o quão diferente eles eram um do outro. Gil fora um adolescente desajustado, tímido. Enquanto seu filho parecia ser um adolescente normal, com um gosto por pôsteres de mulheres semi-nuas, carros e uma equipe de Hóquei. Realmente, Hóquei?! Gil pensou, desapontado.

–O senhor não se importa, não é? De eu te chamar de pai?

–Mas é claro que não!- Gil respondeu afoito- Eu só... não me acostumei ainda com a ideia de alguém me chamar de pai com esse vozerão.

Noah riu.

–É verdade, sua filha tem o quê, uns três anos?

–Sim. Aqui, venha conhecer sua irmã- Gil retirou o celular do bolso e com alguns toques abriu as fotos mais recentes que tinha de Cássia.

–Ela é linda. Nem acredito que tenho uma irmã!

Gil sorriu, e resolveu perguntar algo que o incomodava.

–Noah,por que só agora?

–Agora o quê?

–Que você veio me procurar?

–Na verdade...

Então Noah contou que desde os 11 anos ele queria conhece-lo, mas a mãe nunca havia comentado nada sobre ele. De inicio ele achou que era porque Gil não queria ser pai. Com medo de ser rejeitado Noah deixou essa questão para lá, mas ela sempre esteve em sua cabeça.

–Não me leve a mal, minha mãe sempre cuidou muito bem de mim, sempre me senti amado por ela, e como parecia que você não fazia questão... mas ainda tinha aquela dúvida. E um dia, achei as fotos de um cara com a minha mãe. Ela tinha aquele olhar bobo de apaixonada. Foi quando a confrontei. Ela jurou que não, mas eu insisti, nós brigamos... e ela prometeu que procuraria meu pai. Aí quando ela voltou de Vegas... foi a primeira vez que ela falou de você.

–E o que ela disse de mim.

–Não muita coisa... só que vocês eram próximos, mas que agora você vive em Vegas, é casado e tem uma filha... ela queria que nós nos conhecêssemos em vez de me dizer tudo sobre você.

Noah reparou, não pela primeira vez, que toda vez que ele mencionava a mãe seu pai mantinha no rosto uma expressão de desagrado.

–Escuta,pai, não fique bravo com a minha mãe. Tenho certeza de que ela somente fez o que fez pensando no bem de todos os envolvidos. Ela me disse que foi criada sem o pai e nunca pensou que eu pudesse sentir falta de um... pois ela não sentiu.

–Angela já me disse isso- Gil falou amargurado- ela só não pensou em como eu me sentiria.

–Não era para você saber! Olha, apesar de ter sido errado dê um desconto a ela... no fim das contas ela foi te procurar quando pedi...isso já deveria contar para alguma coisa, não é?

Gil olhou nos olhos de seu filho e viu neles a súplica para que ele perdoasse Ângela. Apesar de não ser uma das mais fáceis tarefas Gil resolveu tentar. Mesmo com o início errado, ela conseguiu dar uma boa vida para o garoto, e no fim das contas, como Noah disse, eles estavam juntos. Ele faria isso, pelo seu filho. Iria perdoar Angela, mas esquecer o que ela fez... ele não sabia se poderia

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–Ele me parece bem maturo para a idade.

Sara falou ao telefone, enquanto se preparava para dormir. Gil ligara para contar uma história para sua princesinha, como ele fazia toda a noite, e aproveitara para falar de seu dia para a esposa.

–Ele é. Ela deu uma boa criação para ele. Acredita que ele me pediu para perdoar a mãe?

–E você a perdoou?

–Por ele, Sara, vou tentar. Não acredito que voltaremos a boa amizade de antes, mas...

–Mas agora você tem um laço para a eternidade com ela- Sara completou, com um nó na garganta. Só de pensar que aquela mulher iria ficar na vida de seu marido por um tempo já a deixava com os olhos cheios de lágrimas.

–Gil, tenho que desligar, acordo cedo amanhã- ela precisava com urgência desligar, se não o marido a ouviria chorar. Malditos hormônios!

–Querida...- Gil sabia bem que o motivo dela querer desligar não tinha nada a ver com horários- O que quer que seja minha relação com Angela, nunca vai mudar meus sentimentos por você. Sim, eu sinto um carinho por ela, e nós temos uma ligação agora, mas... nada supera o que nós dois temos... você sabe disso...minha alma gêmea- Gil sussurrou a última parte, tendo sido tomado por uma emoção muito grande.

–Agora eu preciso realmente desligar- com a voz devidamente embargada, Sara disse um eu te amo e cortou a ligação sem ao menos esperar Grissom responder.

Notas finais
Ps: A viagem de Grissom será contada em 4 partes, depois de volta para Cassia!