Segredos De Lumêra
4 Capítulo 3 - A caminho do colégio interno.
Lumêra, Lumêra e Lumêra. Vovó sempre nos contava sobre historias de coisas estranhas que às vezes poderiam ate ser chamado de sobrenaturais, que aconteceram décadas atrás em Lumêra, meus primos nunca acreditaram em nada e achava uma bobagem, mas eu não, eu sempre fiquei admirada com aquilo, queria porque queria saber mais sobre Lumêra, sempre que viajava para lá nas férias implorava por mais uma historia alucinante e excitante sobre Lumêra. A cada frase que vóvó me falava sobre os “Segredos de Lumêra” me prendia cada vez mais a atenção, meu olhinho ate brilhavam de tanta emoção, aquilo para mim era uma aventura, poder “entrar” dentro das historias sobre Lumêra e viver elas como se eu realmente estivesse lá quando aconteceram. Depois de alguns anos fui crescendo, deixando de ser criança, e minhas visitas antes tão frequentes á minha avó, agora haviam diminuído para apenas duas vezes ao ano, e eu não gostava mais de ouvir sobre Lumêra, aquilo havia se tornado mais que repetitivo para mim e já não me interessava tanto, as vezes eu deixava com que ela me contasse mais sobre aquele lugar e todos os seus mistérios apenas porque aquilo a deixa feliz, ver que eu me interessava por algo que ela goste, dava para ver isso em seus olhos, ela sorria e contava em uma empolgação que dava gosto de ver e ouvir, as vezes ficava hipnotizada só olhando para seu lindo sorriso em sua feições não tão joviais como já foram um dia, eu amava ver que ela estava feliz, isso me fazia muito bem... Vê-la sorrindo me fazia sorrir também, nem prestava atenção nas historias, não dava muita bola para o que ela estava falando, me contando, eu ficava viajando enquanto ela contava suas aventuras em Lumêra, mas quando acabava eu corria e beijava sua face pálida, tadinha de vovó, estava ficando velhinha.
Assim que cheguei ao colégio interno, eu meio que me senti em “casa”, estranho, pois nunca tinha ido lá antes, mas foi como se assim que eu respirei aquele ar pela primeira vez eu me senti protegida, envolta por um grande escudo, algo que me protegia das trevas, das dores, do medo, do frio, do calor, da sede, de tudo. Varias pessoas passavam e me encaravam, algumas com olhares vagos, outras com medo, algumas com cara de quem comeu e não gostou, outras passavam e sorriam, algumas foram até mesmo amáveis e me fizeram sentir aconchegante, eu tinha de me lembrar que assim que me alojasse deveria ir falar com elas, tentar uma aproximação tentando ser amiga daqueles seres tão estranhos mas tão gentis. Ok, eu podia estar julgando rápido demais, afinal eu nem conhecia ninguém ali e estava com medo ate mesmo de não me conhecer mais, pois a minha vida estava sendo virada de cabeça para baixo tão rápido que eu nem parei para pensar no que acontecera exatamente com meus pais. Com apenas 15 anos e tendo minha vida mudada de uma hora pra outra, ainda não tinha caído a ficha que aquilo era real, não parecia que realmente estava acontecendo essa reviravolta tão grande, confesso que ainda tinha esperança de acordar e ver que tudo não passou de um sonho, ou no caso de um pesadelo.
Noite fria, o silencio tomava conta do lugar. Alguém bateu na porta, mas na porta do coração... Do meu coração, pois aparentemente só eu me senti envolvida por uma luz brilhante dando pulinhos, piscando, meu coração quase saindo pela boca, eu olhava para todos que estavam sentados na minha frente, olhavam uns para os outros rindo alto e conversando como se nada tivesse acontecido. De fato para quem estava ali nada havia acontecido, mas aconteceu, meu corpo todo estremeceu e a minha visão havia ficado turva.
Eu gostaria de poder prever quando minhas visões aconteceriam, quando eu iria desmaiar, me desligar desse mundo, sair de mim mesma e viajar para outra dimensão.
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