Segredos
20 Episódio 20 - Pegos de surpresa.
Notas iniciais
POV Niklaus
Como alguém pode ter nascido para me tirar do sério? Pois tenho a certeza que foi com essa missão que Caroline Forbes nasceu. Nunca achei que uma garota de dezessete anos fosse me fazer sentir ciúmes, a ponto de quase arrancar os fios de meus próprios cabelos.
Desde o dia que deixei-a em sua casa depois de ter passado a noite em minha casa, não nos falamos mais. Ainda carrego uma raiva profunda pela sua mentira, por mais que ela alegue que não mentiu.
E desde esse dia parece que ela se encarregou de todos os dias me fazer raiva, começando por conversar com Tyler Lockwood. Como meus olhos estão vendo nesse exato momento. Minha vontade é ir até lá e arrancá-la dali, pra bem longe dele.
Observo cada movimento dos dois no corredor enquanto finjo prestar atenção em dois alunos do primeiro ano. Sei que acabo dando bandeira em ficar olhando Caroline desse jeito tão dominador, mas não consigo evitar querer de volta o que é meu.
Em uma dessas olhadas que lanço em sua direção encontro seus olhos verdes na minha direção. Ela não sorri e nem disfarça que está olhando. Queria poder sustentar esse olhar, mas infelizmente meu ambiente de trabalho não permite, então só viro a cara.
— Professor, o senhor me ouviu? — Abby, a garota do primeiro ano, chama-me para a realidade.
— Não, desculpe. Se me der licença, tenho outros alunos para vigiar. — Na verdade, só tem uma aluna que faço questão de não tirar os olhos.
Sai deslizando pelo corredor, analisando o que cada um estava fazendo, mas me detendo sempre em olhá-la. Percebi que agora Tyler segurava sua mão. Não consegui evitar contrair o maxilar.
Me aproximei ao ponto de escutar algumas palavras ditas por ele.
— Mereço outra chance, tudo não passou de um mal entendido.
— Não, foi bem mais do que um "mal entendido". — Caroline frizou a ultima parte.
— Você está com outro cara, não é? Por isso está bancando a difícil. — Tyler alterou um pouco a voz.
— Você me acha fácil? — Caroline riu. — Mal de vocês homens é achar que toda mulher é fácil. — Ela se desfez das mãos do Lockwood. Percebi a mágoa em sua voz. — Se algum dia fui pra cama com você, foi porque eu quis e não porque você me conquistou. — E ao terminar de dizer isso a Srta.Forbes saiu e fazendo questão de passar por mim e dar rabissaca.
Por mais raiva que eu esteja, ainda sinto orgulho dela, é uma garota de fibra. E causa instabilidade em qualquer homem em perfeita consciência.
Saí atrás dela, mas sem deixar muito na cara. Vi quando entrou no banheiro feminino, lá eu não entro, mas posso fazê-la sair.
— Bom dia, Sr.Mikaelson. — Uma aluna passou por mim indo em direção ao banheiro.
— Bom dia. — Cumprimentei fingindo indiferença.
— Olha, eu acabei de ver seu irmão Kol indo até a sua sala, ele me pareceu tenso. — Ela deu os ombros e entrou no banheiro.
Droga! Meu assunto com Caroline terá de esperar, faz tempo que não vejo Kol, é bem do seu feitio sair sem avisar quando volta, mas pra ele ter ido até a direção... O assunto é sério.
...
Fui até a ala da diretoria a passos largos, mas ainda com Caroline no pensamento, por mais que eu quisesse afastá-la de lá, ela sempre conseguia invadi-los.
Assim que entrei vi meu irmão de costas perto de uma das janelas. A secretária presente sorriu nervosa e indicou meu irmão. Apenas assenti em resposta.
— Chegou quem eu queria ver. — A voz do meu irmão se espalhou pelo ambiente.
— Digo o mesmo, irmão. — Arqueei as sobrancelhas e o observei ainda de costas pra mim.
— Precisamos conversar, Nick. — Kol finalmente virou-se para me encarar. Percebi pelo seu maxilar contraído que era algo sério.
— Então vamos até minha sala. — Indiquei a sala a direita e ele assentiu.
Me acompanhando em silêncio, só escutava o arrastar de seus sapatos no chão. Adentramos a minha sala e fechei a porta.
— Então Kol, por onde andou? — Fui até minha mesa e sentei-me em minha cadeira.
— Precisava pensar na vida, mas não vim aqui para falar de mim e sobre o que andei fazendo. — Ele parecia tenso, mas ainda debochado. — Vim pelo nosso irmão.
Me endireitei na cadeira e encarei seriamente seus olhos, Kol tinha algo a dizer.
— Pois então, o que tem Elijah? — Perguntei impaciente, pois todo esse suspense estava me deixando impaciente.
— Ele corre o risco de ser preso. — Meu irmão disse por fim, mas suas palavras me chocaram. Não vejo motivos para um homem correto como Elijah ser preso.
— E por que ele corre esse risco, Kol? — Me levantei da cadeira inquieto, pois no fundo dos meus pensamentos algo se remoia.
— Porque ele está tendo um caso com uma aluna.
Perdi o ar quando ouvi aquilo.
...
Passei minutos para digerir aquela informação, por um mísero segundo tive a impressão de que não era de Elijah que Kol estava falando, e sim de mim. Afinal eu estou ficando com Caroline, eu corro risco de ser preso, inclusive pela própria mãe dela.
Fiquei em silêncio enquanto aquelas palavras ecoavam em meu cérebro. Enquanto minha consciência gritava que na verdade, era sobre mim que Kol estava falando.
— Nick? — Kol me chamou, trazendo-me de volta a realidade.
— Você tem certeza do que está dizendo? — Fitei seus olhos e eles vacilaram e se desviaram dos meus.
— Mais do que isso, eu tenho provas. — Kol estendeu as mãos e segurado por elas tinha um envelope endereçado a Elijah Mikaelson.
— E isso? — Puxei o envelope e o analisei por fora mesmo.
— Abra e veja. — Meu irmão ordenou.
Nunca tivemos o hábito de mexer nas coisas um dos outros lá em casa, somente com a permissão do dono, mas nesse caso, a curiosidade era maior, depois dessa acusação, eu precisava de provas.
Então abri o envelope e peguei algo de dentro, eram papeis. Puxei-os até meu campo de visão. Eram fotos. Fotos de Elijah e...
Katherine Petrova.
Os dois juntos de mãos dadas, outras dela na porta da minha casa, algumas estavam embaçadas e meio tortas, creio que foram tirada do lado de fora da casa. Katherine e Elijah no corredor, pelos quadros na parede era o corredor de seu quarto.
— Viu, os dois estão juntos. E alguém sabe disso e pode prejudicá-lo, Nick. — Kol parecia inconformado, ou melhor, revoltado.
— Essas fotos não provam nada, só que os dois estão próximos demais. — Tentei parecer indiferente em relação ao fato, mas eles estavam evidentes.
— Mas Nick...
— Kol, essas fotos não provam nada. Fora essa que eles estão de mãos dadas, as outras não tem nada demais. — Guardei-as dentro do envelope novamente. — Com um bom advogado, nosso irmão sai ileso de qualquer acusação.
— Você só pode estar de brincadeira. — Kol riu debochado.
— Não sou homens de brincar com assuntos sérios, ainda mais um que pode levar meu irmão para a prisão. E eu nem sei como você encontrou isso. — Me encaminhei até a porta. — Agora, com licença, preciso trabalhar.
— Estava na porta da nossa casa hoje de manhã quando cheguei. — Kol revirou os olhos. — Nick, você não está entendendo. — Ele ainda tentou me interromper, mas não precisava ouvir mais do que já tinha ouvido.
— E você, trate de ir pra aula. — Kol me fuzilou com os olhos. — Agora. — Falei firme e abri a porta mostrando a saída.
Meu irmão saiu apressado e batendo os pés forte no chão, mas assim que me alcançou na porta se virou pra e riu debochado.
— Você sabe que se isso chegar nas mãos erradas ele vai pra cadeia, acredite você ou não. — Então saiu deixando aquelas palavras no ar.
Bati a porta com tanta força que acho que se fosse fraca teria caído.
Eu sei que isso é verdade, por mais que eu não queira acreditar, pois se eu tive coragem de me envolver com uma aluna, ele também poderia cair na mesma armadilha, ainda mais com Katherine, a garota que vive tirando meu irmão do sério.
Fiquei com meus pensamentos enquanto decidia o que fazer, porque agora não dar mais para continuar levando isso adiante. Não depois de me deparar com o risco de frente.
POV Elijah
Reservar um tempo para ficar com Katherina pode ser loucura, ainda mais em horário de aula, mas não me arrependo. Consigo conviver com o risco, pois ela vale cada gotinha de adrenalina, essa mulher ainda irá me enlouquecer.
Trouxe-a comigo depois da aula para darmos uma volta e ficarmos a sós, pois os beijinhos na hora do intervalo não são suficientes para matar esse desejo por ela.
Sentir sua boca na minha, quente e ágil contra a minha me dava até calafrios. Acabo deixando me levar enquanto ela me envolve nessa armadilha de sedução.
— Katherina, você não vai querer descer desse carro com a roupa rasgada. — Alertei-a enquanto apertava sua cocha e subia por sua perna nua, já que essa saia curta dava oportunidades tentadoras.
— Pra que rasgar, se eu posso apenas tirar todinha. — Ela sugeriu piscando um olho e mordendo os lábios.
— Não der ideias se não temos oportunidades. — Repreendi sua atitude com um aperto forte bem perto da barra de sua saia.
— A oportunidade quem cria somos nós. — Ela soltou o cinto de segurança e passou por cima do cambio de marcha. Com um pedido em seus olhos, nem precisaria de palavras. Afastei a cadeira do motorista bem para trás e deixei que essa mulher subisse em cima de mim.
— Sabe aqui não tenho espaço para fazer o que eu realmente quero com você, não sabe? — Puxei sua cintura trazendo seu corpo para perto do meu.
— Não ter espaço e não ter oportunidade, está me dispensando Sr.Diretor? — Katherina se fez de ofendida e fez beicinho.
Dei um selinho nesse biquinho lindo, seguido de muitos outros até que ele se desfez e sua boca grudou na minha para um beijo urgente.
Deixei me envolver por seus toques e caricias em minha nuca e pescoço. Já não previa minhas atitudes, só coloquei minha mão em seu bumbum e lhe conduzi com sofreguidão contra meu corpo. Ela gostava desse joguinho de caça e caçador, mal sabe ela que o caçador sempre sou eu.
Beijei seu pescoço e mordi de leve antes de deixar um chupão ali, já queria seu corpo todo pra mim, só com esse começo de tortura.
— Ah Elijah. — Ela arqueou a cabeça para trás. Como isso me dava tesão.
Quando ia descer os beijos por sua clavícula e ombro uma batida no vidro da janela do carro me trouxe de volta a realidade. Não sou, Katherine também se espantou e se afastou de mim quase que em um pulo.
Olhei rapidamente em direção a janela e a pessoa que eu vi do lado de fora me fez perder todo sangue do rosto ao ponto de ficar pálido da cor de papel.
Niklaus estava parada do lado de fora olhando sério para algo que ele ainda não viu, devido ao vidro fumê.
Ele só pode ter me seguido, porque não é do meu feitio deixar pistas quando saio.
— Elijah, e agora? — Katherina ficou tensa e apertou minha mão com força.
— Shii. — Pedi em um sussurro urgente.
Ficamos ali parados, sem nem se quer respirar direito. Qualquer movimento poderia nos entregar.
Niklaus tornou a bater no vidro do carro e também soprou contra o vidro do carro e depois limpou com a barra da camisa.
— Eu sei que você está ai dentro, irmão. — Ele sorriu cínico. — E sei que você também, Srta.Petrova.
Sua ultima frase só piorou minha agonia. Katherina estremeceu quando percebeu que ele sabia de sua presença.
— Ele sabe? — Perguntou olhando de mim para o vidro.
— Não. — Neguei pois era a mais pura verdade: Niklaus e nem ninguém sabia. Pelo menos não até agora.
— Pelo visto ele sabe a mais tempo do que você imagina. — Ela debochou. — Mas é claro, só pode ter sido ele que tirou aquelas fotos.
— Que? Fotos? — Perguntei surpreso, pois não estava sabendo dessas historia de fotos.
— Elijah Mikaelson, vai sair com minha cunhadinha ou quer que eu arranque essa trava com a mão? — Niklaus gritou do lado de fora e bateu algo na lateral do carro.
Esperei uns segundos, acho que a coragem pra falar a verdade. Então abri a porta do carro. Dei de cara com meu irmão me olhando com a maior cara de pau e ainda por cima ostentando um sorriso vitorioso.
Seus olhos foram de mim até Katherina.
— Então é verdade? — Ele me analisou por uns segundos. — Você está tendo um caso com uma aluna.
— E como você descobriu? — Perguntei sem titubear.
— Descobri hoje. — Niklaus parecia tranquilo se considerar a situação.
— Como? — Continuei insistindo.
— Importa? — Ele respondeu minha pergunta com outra. Tão tipico.
— Claro que importa. — Katherina seaproximou de mim e entrelaçou suas mãos na minha.
Percebi que Niklaus observou sua atitude e ficou calado.
Ficamos ali em silêncio esperando alguém quebrar se pronunciar. Mas nada aconteceu. Eu estava mais do que envergonhado porque sei que meu irmão dirá que sou irresponsável e que isso é uma loucura. Niklaus não sabia por onde começar ou qual de nós ele colocaria na cruz primeiro. E Katherina, essa não disse uma palavra se quer, apenas ficou de mãos dadas comigo e observando as atitudes de meu irmão.
— Acho que deveríamos ir para casa, Elijah. — Meu irmão sugeriu e eu apenas concordei.
Então sem esperar que eu me despedisse ele foi em direção ao seu carro me deixando sozinho para trás com ela.
— E agora? — Katherina cruzou os braços.
— Não sei, mas amanhã conversaremos. -Beijei o topo de sua testa e lhe abracei para sentir seu calor.
Ficamos alguns minutos ali e por fim voltei a minha realidade e lhe conduzi até o carro para levá-la em casa, ou pelo menos perto.
...
Depois de deixar ela em casa me encaminhei para a minha, onde eu sei que terá alguém me esperando para pôr tudo a panos limpos. Não me preparei para esse momento, mas é de longe o mais tenso pelo qual já passei.
Estacionei em frente a garagem e vi o carro do meu irmão ali, mas não somente o dele, também tinha uma viatura da polícia estacionada logo no meio fio.
Fiquei intrigado com aquilo, mas meu coração acelerou logo, principalmente quando vi a Xerife vindo em minha direção.
— Boa Noite, Sr.Mikaelson. — Ela me cumprimentou.
— Boa Noite, Xerife Forbes. — Tentei disfarçar meu nervosismo.
— Preciso que o senhor me acompanhe. — Ela indicou a viatura da polícia.
— Como assim? — Fiquei confuso e meio perturbado com aquilo. Não estou sendo preso, afinal ela teria me algemado, no mínimo.
— Só me acompanhe, por favor. O caso é de extrema urgência. — Ela me encarou séria, mas havia algo a mais em seu olhar, parecia pena, ou preocupação.
Assenti, mesmo relutante decidi acompanhá-la, ainda sem saber o motivo.
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