Segredos
27 Epílogo
Notas iniciais
A porta do quarto está entreaberta, mas mesmo se estivesse fechada eu aposto que ainda poderia ouvir o choro aflito do bebê.
Apoio a mão na maçaneta prata, abro um pouco mais a porta de madeira branca e adentro no quarto.
É impossível não sorrir com a cena a frente.
Arthur está sobre a cama de babá, deitado ele se contorce entre os lençóis e os rolinhos de decoração.
Chora alto, como sempre seus soluços são sentidos, parece que alguém está o machucando profundamente.
Esse alguém que, não está com muita paciência.
Recosto no umbral da porta e paro os olhos sobre Bella. Ela esfrega uma mão no rosto, bufa e posso apostar que rola os olhos enquanto envolve os próprios cabelos em um coque frouxo.
—Não adianta fazer birra Arthur, você vai pentear os cabelos! – ela diz baixo, porém é firme.
Cruzo os braços, abaixo os olhos por breves segundos. É difícil controlar o riso.
Na verdade, essa cena se repete diariamente.
Arthur odeia pentear os cabelos e sempre dá um show, quando o momento chega.
Ele é idêntico a Bella.
Pele clara, boca desenhada.
Os traços no rosto são os mesmos, de mim, ele herdara apenas os olhos e segundo ela, o desgrenho dos cabelos dourados.
O choro de Arthur aumenta uma oitava, ergo os olhos e então reparo que está na hora de intervir.
Bella já está mais que impaciente segurando a escova dele em mãos.
Solto um suspiro e atraio sua atenção. Sorrio enquanto arregaço os punhos da blusa social, Bella parece aliviada ao me ver.
—Deixe eu adivinhar. – peço caminhando até ela. —Arthur não quer pentear o cabelo. – suponho rindo, ela rola os olhos se levanta e estende a escova em minha direção.
—Bingo! – solta cansada. —Faz quase meia hora que dei banho nele, a cabeleira dele já secou e ele não para com essa birra. –
Bella bate o pé no chão e curva os lábios em um bico. É impossível não sorrir com seu jeito.
Dou um passo em sua direção, meu braço circula sua cintura e eu a puxo para mim.
—Mais uma coisa que vocês têm em comum. – murmuro enquanto ela volta seus olhos para mim. —O jeito difícil. – completo admirando sua aparência angelical.
Bella apenas rola os olhos, logo sorri e se coloca na ponta do pé. Sua boca roça na minha e morde meu lábio inferior.
Instantaneamente eu a quero, suas mãos pousam em meu peito e o único pensamento que rodeia minha cabeça é tirar o vestido que ela usa e fodê-la com força.
—Eu não tenho o jeito difícil, você tem. – Bella murmura, abraça meu pescoço com os braços e deixa beijos por meu maxilar.
Engulo seco, ela sabe bem como provocar.
Arthur parece se irritar por estar sendo ignorado, seu choro agora é ainda mais alto.
Mordo o lábio inferior enquanto Bella solta o ar pela boca.
—Seu filho te espera. – ela profere deixando um selinho casto em minha boca.
Tento controlar os efeitos que seu corpo causa em mim enquanto me direciono até Arthur. Ele está sentado na cama, coisa que ele aprendeu a fazer sozinho.
Seu rosto gordinho está vermelho, lágrimas escorrem por suas bochechas rechonchudas.
É estranho vê-lo assim, Arthur é definitivamente o meu ponto fraco.
—Hey garotão! – digo sorrindo, ele soluça e estende seus bracinhos em minha direção. —A mamãe brigou com você, foi? – pergunto enquanto o ajeito em meus braços, seu choro já não é alto, mas seus soluços são sentidos e profundos.
—Manhoso. – Bella solta o ar pela boca, infiltra os dedos no cabelo e o solta com uma facilidade incrível.
O sol adentra pela janela e reflete em seus fios claros.
Sorrio enquanto acalmo Arthur.
Ela fica linda de qualquer jeito, mas loira... Ela ultrapassa qualquer expectativa.
—Você, Alice, Tia Suzane... ficam mimando o Arthur depois é comigo que ele faz as birras. – empurro a toalha de ursinho para o lado, ela ainda está húmida, a escova de Arthur para sobre o tecido.
—E você não mima ele, não é? – indago sentando na cama. Arthur senta em meu colo, está entretido com os botões da minha camisa.
É engraçado vê-lo tentando segurar os pequenos objetos com aquelas mãozinhas gordinhas.
—Claro que não. – Bella afirma rolando os olhos, mas logo os deixam fixos em Arthur. —O que ele está fazendo? –
—Tentando abrir os botões da minha blusa. – explico a ela que abre um sorriso enorme.
—Awn, ele é tão esperto. – seu suspiro sai longínquo. Bella se põe de pé e caminha até nós, se senta ao meu lado e se inclina para beijar Arthur. —Bebê lindo da mamãe. – murmura tendo a atenção dele, que vira seus olhões verdes para ela.
Seus fios estão realmente uma desordem, parecem bastante embaraçados e vai dar trabalho para penteá-los.
—Ele tem seus olhos. – sua voz doce entrega todo seu encantamento. —Durante toda minha gravidez eu pedi que ele viesse com os olhos iguais aos seus. –
Passo a mão pelo cabelo. Bella sempre diz isso, mas eu nunca entendo. Ela também tem os olhos verdes.
—Porque? Ele podia ter os olhos iguais aos seus. – mordendo o lábio inferior, ela nega. —Também tem os olhos verdes, Bella. –
—Eu sei amor. – ela solta a respiração pela boca. —Mas os seus são diferentes... São mais.... – para por alguns segundos na busca da palavra certa. —Vívidos. –
—Vívidos? – arqueio as sobrancelhas prendendo o riso.
—É, mais intensos, sabe? – sorrio ao concordar com a cabeça. —Então... – suspira acomodando a cabeça em meu ombro.
Deixo um beijo na testa de Bella, seguro Artur pela barriga e o coloco de pé em meu colo.
Ele sorri firmando as pernas em minhas coxas. Está cada vez mais esperto, nem parece ter menos de um ano.
Está uma graça, veste uma camisa de seda azul turquesa. Ela está perfeitamente abotoada em sua barriguinha saliente, os punhos arregaçados nos bracinhos roliços.
A calça é marrom clara, justa, de um pano parecido com o jeans. O mocassim é marrom escuro, e fica perfeito nos pés gordinhos.
—Tem os olhos do papai, não é, meu príncipe? – Bella estica o braço e passa as unhas de leve na barriga dele.
Arthur curva os lábios rosados em um sorriso.
—Fala para a mamãe que você vai conquistar muitas gatinhas com esses olhões. – ergo ele com cuidado e o chacoalho. Seu riso é alto.
—Então o senhor conquistou muitas gatinhas com esses olhos? – Bella cruza os braços e me encara mais séria.
Mordo meus lábios antes de sorrir.
—Claro que não. – ela bufa, rola os olhos e pega a escova de cabelos de Arthur. —Ciumenta. – me inclino e roubo beijo rápido dela.
—Não pode falar de mim quando você é pior. – coloca a franja atrás da orelha e respira fundo, assinto com a cabeça e não prendo o riso.
Ela tem razão.
Arthur chacoalha os bracinhos, solta alguns gritinhos e pede urgentemente por atenção.
Sorrio erguendo-o novamente, ele ri alto deixando a mostra seus três dentinhos. Dois de cima e um começando a nascer em baixo.
—Amor, continue fazendo-o rir enquanto eu penteio os cabelos dele. – Bella pede se pondo de pé.
Concordo com a cabeça observando-a arrumar o vestido florido no corpo.
Caralho, ela é muito gostosa.
E o incrível é que suas curvas se acentuaram ainda mais depois da gravidez de Arthur.
Maneio a cabeça quando ele começa a resmungar, Bella já está penteando seus cabelos. Ou melhor, tentando.
—Edward, distrai ele. – ela pede colocando o cabelo para trás do ombro.
O sento em meu colo, ele tem a face contorcida em uma careta. Bella apoia uma mão em sua pequena cabeça e então volta a tirar os nós dos fios.
Estalo a língua para ele, que me encara fixamente.
—Não pode fazer birra filho. – digo paciente. Bella passa a escova novamente pelos cabelos loiros, ele volta a querer chorar e novamente estalo a língua. —Não, não, não, não... –
Percebo que ele ameaça a sorrir e então uso isso para distraí-lo.
Levamos bons minutos para deixar aquele cabelo revolto penteado, mas logo conseguimos o êxito.
Arthur só voltou a chorar quando eu o entreguei a Bella, ele é bastante difícil em aceitar algo que não seja de sua vontade.
Isso porque ele só tem dez meses de idade.
Os melhores dez meses que eu já tive na vida.
Ser pai é realmente a maior e melhor experiência que eu podia querer. Assusta, é claro. Mas é incrível e só melhora com o passar dos dias.
Arrumo os punhos da camisa bege em meu braço enquanto desço as escadas com pressa. Os cômodos vazios estão silêncios, ao contrário do jardim onde nossa família está reunida.
Outra coisa maravilhosa é isso.
Nossa família. Há um tempo atrás, eu mal sabia o que era isso e claro, devo agradecer imensamente a Bella por me dar a chance de ter algo tão especial. Ter laços tão fortes com pessoas tão incríveis.
As tendas brancas estão montadas ao redor da piscina, e do canto esquerdo o painel deixa claro a comemoração.
Festa mesaniversário de dez meses do Arthur.
Esme deu a ideia após ver em uma revista e claro, Bella adorou poder comemorar cada mês de vida de Arthur.
Perto da mesa do bolo, Alice e Emmet brincam com ele. Ela o mantém no colo enquanto Emmet faz cócegas por seu corpo gordinho.
Ele adora isso, sempre dá as gargalhadas mais altas.
—Ele adora os padrinhos, não é? – Suzane para ao meu lado, toma um gole do champanhe e arruma o chapéu na cabeça.
Sorrio olhando rapidamente para os três.
—É, Arthur é bastante apegado com eles. – cruzo os braços soltando um suspiro. —Ele está tão grande, não está? – ela sorri ao concordar.
—Está, loguinho estará correndo por aqui... – seu timbre sai terno.
—Eles crescem tão rápido assim, ou eu quem estou envelhecendo mesmo? – Suzane ri alto, afaga minhas costas e beberica a bebida na taça.
—Velho, Edward? – dou de ombros. —Você é jovem de tudo, são os filhos que crescem muito rápido mesmo. –
Coço minha nuca sem deixar de me incomodar com o fato de que logo, ele não será mais um bebezinho.
—Mas não se preocupe, logo, logo, teremos outro bebê chorão e manhoso por aqui... – as palavras de Suzane demoram a entrar em minha cabeça. Viro o rosto para ela, ainda sem entender eu a encaro.
—Como assim? Alguém está grávida? –
Ela abre os lábios para responder, contudo logo se cala.
—Tia! – Bella ralha com ela, surgindo por de trás de mim. As duas trocam um olhar, não consigo ver a expressão de Bella pois ela está de costas à para mim. —Porque não vai tirar uma foto com Esme e Arthur, hein? –
—Claro, já estou indo. – ela é irônica e isso só aumenta minha desconfiança. —Com licença. – pede e acaricia meu braço antes de se afastar.
—Do que ela estava falando? – indago assim que Bella se vira para mim. —Rose está gravida? – suponho sem acreditar muito.
Emmet teria me dito, não teria?
—Não. – Bella nega passando a mão pelo cabelo.
—Alice então? –
—Por Deus, não! – dessa vez, ela nega com mais ênfase. —Ela e Jasper romperam a quase cinco meses e desde então ela não.... – pigarra quando percebe que já falou demais. —Bom, Alice não está gravida. – completa com os olhos baixos.
Estranho, ela sempre me olha nos olhos e agora....
Arrumo a postura quando começo a perceber.
Engulo seco e sinto uma aflição crescente.
—Bella? – chamo com a voz mais baixa.
—Hm? – ela responde desviando o olhar para os convidados.
—É você quem.... Está gravida? – quero me socar por perguntar com a voz tão afetada assim, mas é óbvio que fui pego de surpresa. —Bella. – chamo-a novamente por sua falta de resposta.
—Ainda não tenho certeza. – ela finalmente diz, ergue seus olhos e percebo como está aflita. —Fiz uns testes de farmácia, dois deram positivo mais um deu negativo, então vou me consultar com Jack segunda e farei exame de sangue para ter certeza. – Bella fala comendo as virgulas. —Eu ia te contar quando tivesse certeza Edward e por favor não fique bravo, eu não planejei essa gravidez e... –
—Hey, amor... – a corto me aproximando. —Não estou bravo. – falo pondo seu cabelo atrás da orelha. —Só estou surpreso. – sorrio a ela que solta um suspiro. —Quero dizer.... Nosso filho não tem nem um ano ainda e já vamos ter outro bebê... Isso é bem.... –
—Assustador? – completa sem muita convicção.
Eu rio ao concordar.
Bella solta um suspiro e passa os braços por minha cintura, seu abraço é forte.
—Eu amo você. – ela declara erguendo os olhos para mim.
Sorrio afagando seu rosto. Os olhos verdes brilham, o cabelo loiro se movimentando em meio ao vento calmo.
Parece um anjo. Assim como no primeiro dia em que a vi, estendida no asfalto molhado. Um anjo loiro e delicado, meu anjo.
—Também te amo. – seguro seu queixo e ergo seu rosto para tomar sua boca na minha.
Bella passa os braços por meu pescoço, seus dentes puxam meu lábio inferior em uma mordida leve.
Aperto as mãos em sua cintura.
Claro que seu lado diabinha, ainda prevalece.
—Acha que dessa vez vem a Olívia, ou teremos mais um menininho? – ela indaga me olhando animada.
—Acho que é a Olívia que está a caminho. – respondo vendo o sorriso crescer em seus lábios.
Bella se coloca na ponta dos pés e me olhando, morde minha boca, sugando meus lábios. Respiro fundo tentando me controlar, ela desce seus beijos por meu maxilar.
Bella deixa seu corpo colado ao meu, enquanto beija e chupa meu pescoço. Fecho os olhos cerrando o maxilar.
Ela sabe me provocar como ninguém.
—Queria subir com você e transar até perder os sentidos. – profere com a boca colada em meu ouvido, suas unhas deixam leves arranhões em minha nuca. —Mas vou ter que esperar a festa acabar. – ela mordisca meu lóbulo.
Mordo o lábio inferior tomando fôlego.
Bella se afasta, me lança uma piscadela e então toda sua safadeza se vai.
Cerro os olhos a observando tomar o suco.
Ela é definitivamente a junção perfeita.
Vinte por cento do tempo, é uma anjinha. Oitenta por cento do tempo, é uma diabinha.
Minha diabinha.
Fale com o autor