Segredos
5 Capítulo Quatro
Notas iniciais
Observo meu reflexo no espelho. Faço uma careta percebendo que a peça não ficou boa.
Está difícil hoje, já experimentei seis vestidos e nenhum ficou bom!
Quando não é a cor, é o modelo, os detalhes, o cumprimento. Nada está bom!
Rolo os olhos, abro a porta de correr e saio do provador. Alice e a atendente param de conversar na hora voltando sua atenção inteiramente para mim.
—Bella, ficou lindo! – os olhos de Alice brilham intensamente ao me olhar. Mordo o lábio inferior, arqueio as sobrancelhas desconfiada.
—Ficou muito bom. – a moça loira elogia.
É claro que ficou bom, ela quer vender!
—Não gosto desse tom de... – abaixo o rosto ficando a tecido sobre meu corpo. —Laranja? Tangerina? – chacoalho o cabelo respirando fundo. —Não importa, não gostei. –
—Hoje a situação está crítica. – mordendo a armação do óculos escuro, Alice suspira. —Sabe aquele vestido branco e preto, que vai de ombro a ombro... Se não me engano é Tom Ford. – olhando para a atendente, ela pergunta.
—Sim. –
—Pode nos trazer ele? – educadamente, ela pede. —E aquele Saint Laurent vermelho com pedrarias no ombro, também. –
Acenando com a cabeça a mulher se retira. Alice me olha, abaixo o olhar respirando fundo.
—Ok, dona Isabela, me conte o que está lhe afligindo! – sua mão se estica e pega a minha.
Engulo seco. Ela já me conhece muito bem! Não consigo mais esconder as coisas de Alice...
—Não estou muito animada com esse jantar do ensaio. – assumo encolhendo os ombros.
—Desculpe a sinceridade meu bem, mas até o presidente sabe disso. – solto um risinho baixo com suas palavras. —Qual o motivo para esse desanimo todo? – carinhosa, ela me puxa para sentar no sofá preto.
A olho por baixo dos cílios, retiro a franja dos meus olhos, a conversa que tive com Edward retorna a minha cabeça.
—Tanya vai estar lá. – faço uma careta. —Ela é bastante amiga de Rosalie, e ainda por cima é a madrinha. – não escondo meu desgosto.
Ela precisava mesmo ser a madrinha? Rosalie não tem mais amigas ou qualquer mulher que não tenha transado com Edward?
—E você está com ciúmes? –
—Ciúmes, raiva, insegurança... – esfrego a mão no rosto. —É um misto de sentimentos. – solto por fim.
—Insegurança por que? – o tom de Alice sai perplexo. —Bella, você é linda! Não tem motivos para ter insegurança! –
A olho de soslaio, bufo alto, cruzo os braços em frente aos meus seios.
—Não sei se você sabe, mas Edward e ela tinham um caso, eles transavam! – exclamo emburrada.
Detesto falar disso. Detesto relembrar aquela cena nojenta que presenciei na empresa.
—Ah meu amor, eu lhe garanto que Edward não manteve um caso apenas com Tanya. – estreito os olhos olhando para ela. —E Edward meio que transou com a cidade inteira. –
—Alice! – minha voz sai alta o que acaba atraindo alguns olhares feios de outras clientes. Dou de ombros, voltando minha atenção para ela. —Obrigada pela força! – meu tom é irônico.
—Hey, você não entendeu o que eu quis dizer. – Alice arqueia as mãos em um gesto de inocência. —Edward teve mil e um casos, transou com metade da cidade, mas só com você que ele assumiu um compromisso. –
Suas palavras me pegam desprevenidas. Encolho os ombros. Solto a respiração pela boca.
—Ele não esconde como está de quatro por você, e eu não preciso salientar tudo que ele já fez para estar ao seu lado, preciso? –
Quieta, apenas nego com a cabeça.
—Então amorzinho, percebe que não há motivos para insegurança? – ergo meus olhos, fitando seu rosto de porcelana. —Ciúmes é normal, você sente, eu sinto... – um suspiro sai de seus lábios, causando uma rápida pausa em suas palavras. —Pare com isso, Edward e Tanya tem um passado, eles são amigos, o melhor que você faz é ignorar e pensar que ele escolheu você dentre todas, ele quis e quer, você. –
Puxo o ar com força, passo a mão por meu rosto e sorrio fraco a ela.
—Você tem razão, estou me portando como uma idiota! – abaixo a cabeça meio sem jeito.
—Não, também não exagere! – ela pede rindo. —Isso é normal em relacionamentos. – ainda em silencio eu vejo a atendente se aproximar com os vestidos em mãos. Dou um rápido abraço em Alice. —Lembra do seu mantra? Ser fria, segura e sensual? –
—Lembro. – murmuro me pondo de pé, a moça loira, para ao nosso lado.
—Então, esqueça a parte de ser fria, mas continue sendo segura e sensual. – seu dedo bate com leveza sobre meu nariz.
Sorrio, verdadeiramente agradecida.
Alice é um máximo!
—Ah, obrigada querida! – agradecida, ela pega os vestidos da atendente. —Tome, vá experimentar, tenho certeza que irá amá-los! –
Ainda sorrindo, eu pego as peças longas nos braços e adentro no provador.
Segura.
Sorrio retirando o vestido sem graça.
Segura e sensual.
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Paro em frente ao espelho, me encanto ao fitar minha imagem refletida. Estou muito bem, muito elegante!
O sorriso se expande em meus lábios nude, meus olhos brilham através das sombras negras da maquiagem.
O vestido que Alice escolhera, é maravilho. O clássico branco e preto, o decote de ombro a ombro, com o corte rente ao meu corpo, deixa minhas curvas evidentes.
Meu cabelo, recém pintado e cortado, está perfeitamente alinhado em três ondas grandes e perfeitas.
Em meu pulso, a pulseira de pérolas faz par com os belos scarpins pretos, onde as joias lhe dão um destaque único.
Suspiro vendo meu colo desnudo subir e descer. É fato que a produção mais neutra, me deixa com uma aparência mais madura.
É difícil alguém alegar que tenho apenas dezenove anos, mas isso não me incomoda.
Pego a bolsa carteira de cima da minha nova cama, com o movimento, consigo sentir meu próprio perfume.
Está bom, impregnante e ao mesmo tempo, suave.
Com passos firmes, saio do quarto. Na sala, Alice e Jasper, conversam com Suzane e Sarah. Adentro no cômodo, aos poucos as vozes vão sumindo e sou o centro das atenções.
Abaixo a cabeça meio sem jeito, porém não deixo de me orgulhar.
—Bella! – cobrindo a boca com as mãos, Suzane exclama. —Você está linda! – sua voz reflete emoção.
—Linda é pouco, tia! – Alice se põe de pé, está animada. —Está maravilhosa amiga! Tenho pena da noiva. – sua brincadeira, nos faz rir.
—Amei o vestido. – Sarah pronuncia, me lançando uma piscadela.
—Obrigada, Alice quem escolheu. – minha voz sai controlada. Me sinto tão bem!
—Bella está entrando para a elite da Califórnia. – ainda sentado Jasper brinca. —Indo a reuniões fechadas no The Fairmont, entrando para a família Cullen... Não se esqueça dos amigos! –
Rolo os olhos, lhe dou a língua, ele gargalha.
—Não é uma reunião Jass. – alisando o pano do meu vestido, Alice o corrige. —É o jantar do ensaio. –
—No The Fairmont? – impressionada, Sarah questiona.
—Sim. – concordo sorrindo.
—Pelo o que Edward contou, os pais dele reservaram todo o restaurante do hotel para o jantar de hoje e amanhã, o irmão e a cunhada se casam na cobertura. – levando a xícara de café aos lábios, Suzane murmura.
—Nossa! – Sarah tem os olhos arregalados. —Mas também, aquela família tem dinheiro até para usar como guardanapo! – suas palavras me fazem rir.
Se ela soubesse...
Meu suspiro se mistura ao som do interfone, sinto meu estômago gelar enquanto caminho até o aparelho na parede.
—Alô. – falo baixo, tento manter a calma.
—Bella, seu motorista chegou. – a voz de Erick sai sóbria, acho que ele está intimidado pela fisionomia grande de Tyler.
—Ok, estou descendo. – informo, volto a colocar o aparelho na parede. Giro nos calcanhares, os quatro ainda me olham. —Já vou indo pessoal! –
—Está levando a sacolinha dentro da bolsa para trazer uns docinhos para mim, não está? – ergo a mão mostrando o dedo do meio a Jasper, que novamente, ri alto.
—Você é muito besta! – aponto para ele, bufo quando me lança um beijo no ar.
Tia Suzane e Alice se levantam, juntas caminham até mim.
—Se divirta filha, e por favor, mantenha distancia daquele crápula. – em meio ao abraço, ouço o pedido de Suzane.
—Pode deixar, Tia! – aliso sua face beijando-a ternamente. —Até amanhã. – mais divertida, ela pisca para mim.
—Vou descer com você. – rindo marota, Alice me informa. Sorrio, concordo com a cabeça, com a mão aceno para Sarah.
—Tchau Sarah. – falo inclinando a cabeça para poder vê-la. —Tchau feioso. – me despeço de Jasper, que rindo prefere não devolver a provocação.
Alice me segue para fora do apartamento, o corredor vazio deixa espaço para nossa conversa.
—Não se esqueça de ser segura e sensual, nada de ceninhas de ciúmes em público ou cara feia. – quieta, eu escuto seus conselhos. —Roupa suja se lava em casa! – descendo os degraus da escada, eu rio.
Na portaria, aceno para alguns moradores que conheço.
—Pode deixar, vou me comportar. – pisco para ela, que me abraça de leve.
—Depois quero saber de tudo. –
—Pode ter certeza que vai. – rimos juntas, pelo canto dos olhos, vejo Tyler parado como uma estátua. —Cuide bem da minha Tia! – peço dando um passo para o lado.
—Sempre. – seus dedos se agitam no ar, lhe lanço um beijo antes de me virar e caminhar até o fiel motorista de Edward.
—Oi, Tyler! – cumprimento com um sorriso. Ele maneia a cabeça para mim, seus dedos pressionam algo em sua orelha, parece um ponto eletrônico.
—Olá, senhorita Swan. – sua voz é muito grossa. —Podemos ir? –
—Podemos. – concordo, percebo que as pessoas ao nosso redor nos encaram. Tyler dá um passo para a esquerda, liberando assim, minha visão.
Parados um pouco a nossa frente, estão dois homens tão altos e fortes quando o motorista. Cerro os olhos descendo os três degraus, por cima do ombro encaro Tyler ele acena com a cabeça sei que não foi para mim, pois no minuto seguinte os dois fortões estão ao meu lado.
Desconfortável, vejo o mais claro de cabelos chocolates e cavanhaque, abrir o portão e sair. Ele me espera, segue na minha frente e abre a porta do carro que de tão grande, me lembra um tanque de guerra.
Sento no banco de couro escuro, respiro fundo e assim que olho pela janela, entendo o motivo dos fotões estarem ao meu enlace.
Do outro lado da rua, postos no passeio do parque, quatro homens com câmeras disparam flashes a todo momento.
Engulo seco, recosto minhas mãos em meu colo após passar o cinto de segurança.
—E Edward? – pergunto assim que Tyler adentra no veículo. Ele põe o cinto de segurança, liga o carro e dá a partida.
—Ele ainda está em casa. – sua voz sai mais amena.
Recosto no banco, meu suspiro é longo. Ainda não consigo entender o motivo de ter fotógrafos me rondando... Estou com Edward a quase um mês e nunca presenciei esse tipo de assédio!
Cruzo minhas pernas tomando o devido cuidado para não pagar calcinha.
Talvez, seja o casamento de Emmet! Sim, é isso!
O dia está indo embora, por incrível que pareça o fog não caiu sobre a cidade hoje, o que resultou em um sol contínuo.
Através do vidro fumê, vejo o carro adentrar aos poucos na mansão de Edward. O automóvel para, porém, o motor não é desligado.
Vozes meio alteradas se misturam, viro o rosto e vejo Edward se aproximar, ele abre a porta olha para o lado oposto a mim e diz algo.
Sigo seu olhar com o meu, há um carro parado ao nosso lado, reconheço de imediato um dos seguranças grandões que vi a pouco ao lado de um desconhecido.
—Não importa Vladmir! – sua voz está alterada. —Apenas faça com que isso suma! – sua voz sai fria como pedra, ele se vira seu maxilar está cerrado e não há rastros de felicidade em seu rosto.
Edward me olha, aperta os lábios, sua expressão se suaviza quando ele se senta ao meu lado.
—O que foi? – indago preocupada. Edward corre a mão pelo cabelo, prende o cinto de segurança e sem me olhar, avisa a Tyler que já pode seguir. —Edward! – impaciente eu o chamo, ele me olha, solta a respiração pela boca.
—Soltaram uma nota na internet sobre nós dois. Uma nota falsa. – sua voz sai sem emoção. —Ainda publicaram umas fotos... – Edward volta a correr os dedos por seus cabelos.
—Fotos? – sinto meu coração gelar. —Que fotos? –
—Em frente ao seu prédio, em Paris... Várias. –
Sinto o ar ficar escasso ao meu redor. Engulo seco, sinto como se uma lamina estivesse descendo por minha garganta.
—Mais... São fotos comprometedoras? – meus ouvidos ficam surdos por vários segundos. Tenho medo da resposta.
—Não. – Edward responde, sua respiração é profunda. —Só que... –
—Só que, o que? – indago vendo seu olhar ficar duro novamente. —O que foi, Edward? – a aflição me deixa de mãos húmidas.
Ele me olha, sei que não vem notícia boa por aí.
—Te colocaram como uma aproveitadora, uma “caça-fortunas” e outros adjetivos ofensivos. –
Me sinto estática. Minha vista fica turva, meu corpo se paralisa e nem respirar eu consigo.
Caça-fortunas? Aproveitadora?
—Meu Deus! – minha voz sai baixa. Engulo o nó em minha garganta. —Edward... Isso... Isso é mentira! – exclamo o olhando.
Ele não pode acreditar nisso!
—Eu sei que é uma mentira, estão só querendo te difamar! – suspiro aliviada, pelo menos ele não acredita nisso! —Meus advogados já estão trabalhando para tirar as notícias da internet, mas o problema é que esses ratos vão ficar no seu pé. – ele esfrega as mãos no rosto, posso sentir sua raiva mesmo sem tocá-lo.
Aperto meus lábios, não entendo a proporção do problema, porém apenas de olhar para Edward, sei que é sério.
—Eu não entendo... Porque estão fazendo isso comigo? – ainda incrédula, encaro Edward. Ele abre um sorriso gélido.
—Não consegue pensar em nenhum motivo? – ele cerra o maxilar, quando nego com a cabeça. —Querem te afastar de mim. –
Assim que ele termina de pronunciar as palavras, minha cabeça se estala. Carlisle. Só pode ser ele!
—Acha que... Que pode ter sido seu pai? – minha voz sai baixa, os olhos de Edward se unem aos meus e aí, tenho minha resposta.
—Não acho, tenho certeza. – seu olhar se desvia do meu por segundos. —Eu sabia que ele não ia ficar quieto, sabia que ele não ia aceitar tão fácil, mas ele foi baixo demais. – o ódio em sua voz, é palpável.
Mordo o canto interno do meu lábio, um calafrio ruim passa por minhas costas. Olho para Edward novamente, ele está com o rosto parcialmente virado, mas mesmo assim posso ver como está preocupado e aflito.
Abro a boca, puxo o fôlego soltando o cinto de segurança. Movo meu corpo pelo banco de couro, pouso uma mão em sua perna e utilizo a outra para virar sua face.
—Não importa o que ele faça, ele não vai me afastar de você. – murmuro com os olhos presos nos dele.
Edward suspira, seu braço passa por meus ombros e me puxa, deixando-me ainda mais próximo dele.
Ele deixa um beijo em minha testa, me acomodo em seu abraço tentando relaxar.
Só espero que tudo se resolva logo!
—Espero que eu não o encontre lá, se não.... – o corpo de Edward fica tenso, rígido. O olho e percebo como sua face está fechada.
—Edward, tente se acalmar. – afago seu rosto a mão. —Eu sei como esse assunto é sério, mas prefiro deixar para me preocupar com isso depois. É o jantar do seu irmão, relaxe. –
Ele solta um suspiro, afaga meu braço em silencio e aos poucos, sinto seus músculos relaxarem.
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O salão da recepção está impecável. A decoração do hotel que já é um marco na história da San Francisco, se une aos tons branco e cinza, para brindar cada canto do enorme cômodo.
Várias pessoas transitam por ali. É difícil escolher a mais bem vestida, ou o mais bem vestido. Me sinto em uma premiação de Oscar.
A mão de Edward se firma em minhas costas, ele se aproxima mais de meu corpo e me guia entre os convidados.
Pelo canto dos olhos, vejo um casal se aproximar. Tento não encarar muito, mas de cara reconheço o homem.
A pele clara, clara até de mais, os cabelos escuros assim como os olhos e a aparência esguia. Sim é ele, sem dúvida nenhuma, é ele.
Eliezer Denali, o governador da Califórnia.
—Edward! – ele sorri ao se aproximar. A mulher ao seu lado é visivelmente mais nova que ele. É muito bonita, a pele meio bronzeada combina lindamente com os cabelos num tom de mel bastante diferente.
Ela nos encara sorrindo, tem um belo sorriso.
—Eliezer, como vai? – os dois trocam um rápido aperto de mão. —Carmem. – Edward a cumprimenta com um aceno de cabeça, ela prontamente devolve. —Essa é Isabela, minha namorada. –
O homem se vira para mim, estende a mão e logo trato de apertá-la.
—É um prazer. – Carmen diz, sua voz se arrasta em um sotaque palpável. Sorrio, acho que estou de frente a uma mulher espanhola.
—Estivemos com Elizabeth a pouco, ela procurava por você. – Eliezer avisa, o braço em torno da mulher.
—Ah sim, iremos até ela. – Edward sorri levemente. —Onde ela está? –
—Na entrada no restaurante. – ele informa simpático.
Os dois trocam mais poucas palavras, logo seguimos até o local indicado por Eliezer.
—Ele não é o governador da Califórnia? – pergunto baixo a Edward, ele deixa um sorrisinho brincar no canto de seus lábios, mas ainda posse sentir toda sua tensão.
—Sim, ele mesmo. – sua voz sai mais baixa. —Ele é pai de Tanya também. –
Rolo os olhos, não tem necessidades de fazer comentário. A linda modelo maravilhosamente bem-sucedida, é filha de um político!
Nada de ceninhas de ciúmes em público ou cara feia.
O conselho de Alice ecoa por minha cabeça, e é o bastante para me fazer erguer o olhar. Limpo a garganta com um pigarro baixo, Edward me guia até três pessoas paradas em frente a entrada do restaurante.
Eu as reconheço de prontidão. Emmet, Rosalie e ela. A mãe deles. Elizabeth.
—Boa noite! – com a voz amena, Edward murmura. Elizabeth é a primeira a nos olhar. Sua atenção se solidifica no filho, ela sorri grandiosamente.
Ela está linda com um vestido de ceda vermelho. Sua pele é meio bronzeada, os cabelos tão negros quanto os meus.
Me afasto um pouco quando ela e Edward se abraçam. Não deixo de sorrir, o amor entre eles é notável.
—Achei que não viriam mais! – ela diz se afasta um pouco, as mãos arrumando os cabelos desgrenhados de Edward. Ou pelo menos, tentando.
—Tivemos um imprevisto.- sem se aprofundar no assunto, Edward suspira. A atenção de Elizabeth se volta para mim, ela me encara sorridente, parece simpática. —Mãe, essa é Isabela, minha namorada. – com o braço enlaçado a minha cintura, Edward murmura. —E Bella, essa é Elizabeth, minha mãe. –
A mulher se aproxima, afaga meu ombro antes de me dar um rápido abraço. Seu perfume fica no ar por alguns segundos, é raro e gostoso.
—É um prazer finalmente lhe conhecer, Isabela! – ela diz, a mão acaricia meu braço.
—O prazer é meu. – tento soar natural, porém estou tão aflita.
—Emmet, Rose. – Edward acena a eles, que logo se aproximam. Não deixo de perceber em como Rosalie está bem em um vestido tomara que caia verde folha, ela pega Edward em um abraço apertado.
Alice já comentou que eles têm uma ótima relação.
—Olá, Bella. – ainda sorrindo, ela acena para mim. Devolvo de imediato, Emmet a abraça, eles fazem um lindo casal.
—A menina do elevador. – cerrando os olhos, ele profere, um divertimento brincando em sua voz. —Conheço você. –
Rio meio sem jeito a ele que estende sua mão a mim.
—Como vai? – aperto sua mão me relembrando da única vez que nos vimos. Ainda trabalhava para Edward.
—Bem e você? – com a cabeça, ele concorda.
—Olha só! – a voz conhecida soa entre nós. O corpo de Edward fica instantaneamente rígido, minha espinha fica gelada e posso perceber que ninguém ali, está contente com a presença. —Que coisa linda, a família reunida! –
Elizabeth se vira postando-se ao meu lado, assim que ela libera minha visão, vejo Carlisle se aproximar.
O sorriso em sua face é zombeteiro, ele não esconde o cinismo e a ironia.
Seus olhos param em mim, não deixo de temer ao perceber a raiva em seus orbes. Tento não me abalar, mantendo a postura firme.
—Mamãe, filhos e as noras! – parado a nossa frente, ele gesticula com as mãos.
Pelo canto dos olhos, vejo Edward cerrar os dentes. Puxo a respiração com força, abaixo a cabeça e já prevejo um desastre.
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