Segredos
20 Capítulo Dezenove
Notas iniciais
—Como assim se matou? – minha voz vacila entre as silabas.
Pasma.
É assim que eu me sinto. Se não estivesse sentada, já teria caído no chão a muito tempo.
Carlisle se matou.
A informação ecoa dentro da minha cabeça. Mantenho os lábios entreabertos, e olhos arregalados.
Não. Ele não ia fazer isso.... Ia?
—Eu não sei... – Edward solta, parece tão alucinado, quanto eu. —O policial acabou de ligar... Não entendi direito. –
Caramba! Policial não ia mentir, não ia falar se não fosse certeza absoluta.
Engulo seco.
—O que o policial disse? – volto a indagar. Edward respira fundo e com apenas um impulso, se coloca de pé.
Os olhos fixos na tela do celular. Ele parece nervoso, esfrega a mão pelo cabelo e anda de um lado para o outro.
—Disse que ele pulou da Golden Gate... Eu não entendi direito. – suas palavras saem desconexas. —Caralho.... Emmet não atende! – bufa olhando para o celular.
—Tenta ligar para Rosalie. – falo levantando da cama. —É o primeiro a saber? – indago parando a sua frente, com o maxilar cerrado, ele assente com a cabeça.
Solto a respiração pela boca, passo os braços por sua cintura e o abraço apertado.
—Sinto muito amor. – murmuro beijando seu peito. —Muito mesmo. – deixando o braço cair ao lado do corpo, Edward afaga meus cabelos antes de beijar o alto da minha cabeça.
Posso sentir como ele está mal... É claro que ele está! Carlisle pode ter sido o maior filho da puta do mundo, mas não deixa de ser pai dele.
—Tudo bem. – sua voz sai fraca, ergo o olhar vendo-o respirar profundamente. —Pode, ligar para Rose e contar? Vou falar com a minha mãe. –
Me entregando o celular, ele se afasta um pouco. Respiro fundo concordando com a cabeça.
—Claro. – falo baixo, mantendo o aparelho entre as mãos. Meio desnorteado, Edward sai do quarto.
Puta que pariu! Como é que se dá uma notícia dessas?
Mordo meu lábio inferior enquanto procuro o nome de Rosalie na lista de contatos, assim que encontro, dou início a chamada.
Prendo a ponta da unha entre os dentes, caminho pelo quarto sentindo meu estomago gelado. Pela janela grande, posso ver o sol se despedindo no horizonte colorido.
—Alô. – a voz de Rosalie me deixa em alerta. —Edward? – ela chama devido a minha falta de reposta.
Fecho os olhos, respiro fundo e limpo a voz num pigarro.
—Rosalie, sou eu, Bella. – digo temerosa.
Caramba, caramba, caramba!
—Bella? Aconteceu alguma coisa? – seu tom se torna devidamente preocupado. Fecho os olhos, praguejo mentalmente.
—Hm, sim. – solto com a respiração. —O Carlisle ele... Ele morreu. – minhas palavras são diretas e logo me arrependo disso.
Um longo silencio se forma na linha telefônica.
—Rose? – chamo mordendo meu lábio inferior.
—Bella... Tem certeza disso? – sua voz demonstra toda a perplexidade que sente. —Como assim ele morreu, o que aconteceu? –
—Eu não sei direito. – falo retirando meu cabelo do rosto. —Edward recebeu um telefonema do policial, ele também não entendeu direito... – solto um suspiro. —Parece que ele se jogou da Golden Gate. –
O ofego de Rosalie sai alto.
—Meu Deus! – seu timbre é de descrença.
—Pode contar a Emmet? Edward tentou ligar para ele, mas não conseguiu... –
—Claro, claro. – permaneço em silencio, ela respira fundo. —Depois eu ligo aí... Vou falar com ele antes que fique sabendo de modo pior. Até mais Bella. –
—Até. – murmuro encerrando a ligação.
Caramba...
Esfrego as mãos no rosto caindo sentada na cama.
Uma bomba mais forte que a outra!
Respiro fundo fitando um ponto do tapete de pelos a minha frente.
Ok, o jeito é enfrentar os destroços.
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O sol já põe deixando de iluminar a cidade e dando espaço para o ar frio do outono voltar em cheio.
Respiro fundo, viro o corpo e deixo de encara a paisagem pela grande janela da sala de Edward, para focalizar as pessoas presentes na sala.
Sentada no sofá quadrado, Esme está desconsolada. Ela não reagiu bem a notícia, o que é supernormal nessa situação tão delicada.
Edward precisou ligar para o médico e pedir que ele viesse vê-la.
Mas mesmo tendo tomado uma dose de calmante na veia, ela não parece mais calma.
Edward ainda tenta acalmá-la e consolá-la, enquanto aguardamos a chegada dos policiais.
Mordo os lábios e olho par Sioban que adentra na sala trazendo uma bandeja nos braços. Seu semblante demonstra como está triste.
—Trouxe um chá. – ela diz se abaixando com cuidado, para que nada caia.
—Quer um pouco mãe? – afagando os cabelos ruivos de Esme, Edward oferece. Puxando o lábio superior em uma rápida mordida, ela nega com a cabeça.
O silencio volta a reinar entre nós.
Puxo o ar pela boca, abaixando os olhos.
Nunca passei por algo tão delicado como isso.
Claro, Carlisle fez coisas terríveis, tomou decisões erradas, mas nem por isso, ele deixa de ser querido pela família.
—Preciso tomar um banho... Estou suando... – com a voz fraca, Esme profere, apoia as mãos no sofá e tenta se levantar.
—Está passando mal? – segurando no braço da mãe, Edward a olha preocupado. Ela sorri, se inclina e beija os cabelos dele.
—Não amor, só preciso de um banho mesmo. – murmura finalmente se levantando.
Sioban logo se põe ao lado de Esme, entrelaçando o braço no dela.
—Sioban... – Edward começa a alertar a governanta.
—Pode deixar, querido, eu vou cuidar dela. – Sioban murmura com um sorriso fraco nos lábios.
Mordo a ponta da unha vendo em silencio, as duas se afastarem e subirem aos poucos, a grande escada cinza.
Logo os barulhos de passos se dissipam deixando o silencio ainda mais evidente na sala. Entreabro os lábios puxando o ar com força.
Deixo meus braços caírem ao lado do corpo enquanto caminho até Edward, que mantendo os braços apoiados nos joelhos, ele fita algum ponto da sala.
Sento ao seu lado, corro a mão por suas costas e recosto a cabeça em seu ombro.
—Você está bem? – volto meus olhos a ele esperando a resposta.
Suspirando, ele se reserva a ficar em silencio, por longos segundos.
—Não sei sabe... Acho que a fixa ainda não caiu, por isso... Não consigo ficar mal, entende? – voltando os olhos para mim, Edward profere baixo.
—Eu entendo. – respondo enquanto afago seu rosto.
—Nunca imaginei que ele fosse capaz de pôr fim na própria vida. – Edward abaixa o olhar, morde o lábio inferior antes de voltar a me olhar. —Esperava que ele fugisse, que fizesse de tudo para não ir preso... Mas se matar? –
—Amor, a gente não sabe o que estava passando na cabeça dele. – corro os dedos por seus cabelos macios. —Não podemos condenar ou julgar ele, você sabe que ele estava enfrentando vários problemas.... –
—Problemas que ele mesmo procurou. – Edward contrapõe, me interrompendo.
—Ok, ele mesmo procurou, mas mesmo assim... As vezes a pressão foi demais. – lubrificando meus lábios, faço uma pequena pausa. —Ele não tinha mais ninguém, não tinha os filhos, não tinha a esposa... Deve ser horrível ficar sozinho. –
Curvando os lábios em um bico, Edward abaixa o olhar e parece pensar, ficando um bom tempo em silencio.
Ainda quieto, ele respira fundo, arruma a postura e passa o braço por meu corpo me puxando para mais perto.
Curvo os lábios em um pequeno sorriso, recebendo seus doces beijos em minha testa.
Acomodo a cabeça em seu peito, respiro fundo, me embriago com o aroma de seu perfume.
—Acho melhor você ir ficar com a Suzane. – a pronuncia, faz o peito de Edward vibrar. —Vou ter uma noite longa e não quero que fique sozinha. –
—Vou ficar com você. – falo firme, me acomodando mais em abraço.
—Bella... –
—Nem comesse Edward. – me afasto um pouco dele, apenas para encará-lo nos olhos. —Eu vou ficar com você, ok? E não adianta discutir. – cruzo meus braços deixando claro que estou firme de minha decisão.
—Merda, você poderia ser menos teimosa? – passando as mãos pelos cabelos, Edward tenta aparentar uma impaciência.
Sorrio vitoriosa.
Ele não me engana. Não está impaciente, nem zangado.
Me inclino e deixo um rápido beijo em seu rosto.
Ele volta a me olhar, abre os lábios pronto para pronunciar algo, porém o misto de vozes o mantém em silencio.
Mordo os lábios, vendo por cima do ombro, Emmet e Rosalie adentrarem na sala.
Arrumo o corpo no sofá, enquanto os dois se aproximam. Emmet tem uma feição abatida, enquanto Rose, parece ainda estar incrédula.
—Edward... – a voz grossa de Emmet quase ecoa pela sala.
Puxo o ar pela boca e me levanto do sofá.
Eles precisam de um momento.
Rosalie me olha e sorri amena, com poucos passos, paro ao seu lado.
—Como Edward está? – sua voz não passa de um sussurro. Encolho os ombros e nego com a cabeça.
—Ainda em choque. – respondo, ponto o cabelo atrás da orelha. —Emmet? – indago voltando os olhos para os dois irmãos, que sentados lado a lado, conversam baixo.
—Do mesmo jeito. – respirando fundo, ela cruza os braços. —E Esme? –
—Ela está mal, Edward precisou chamar o médico... – explico pesarosamente.
—Caramba, que situação chata. – abaixando a cabeça, Rosalie profere baixo. —Ela está lá em cima? – apontando para as escadas, ela questiona.
Beliscando meu lábio inferior com a ponta dos dentes, afirmo com a cabeça.
—Sim, Sioban a levou para tomar um banho. –
—Uh, vou subir e ver como ela está. – afagando meu ombro, ela se distancia dá uma última olhada no marido e no cunhado, antes de seguir o caminho.
Mordo o lábio inferior, Emmet e Edward conversam tão baixo que não compreendo uma palavra dita.
Retiro a franja dos olhos, com calma sigo até a varanda que já mantém as luzes acesas.
Não deixo de relembrar com nostalgia, da noite em que tomei vinho com Edward aqui.
Solto um suspiro, puxo o celular do bolso e digito o número do telefone de casa.
É incrível como tudo parece tão distante e na verdade, aconteceu a poucos meses.
Chacoalho a cabeça ouvindo os toques longos no aparelho.
—Alô. – Phil murmura me surpreendendo.
Pensei que ele estivesse no Canadá ainda.
Meneio minha cabeça, respiro fundo e arrumo o celular entre as mãos.
—Phil, é Bella. – fecho os olhos por alguns segundos, sentindo a brisa fria soar contra mim. —Suzane está por ai? –
—Ah, só um minuto. – ele pede antes de deixar a ligação silenciosa.
Mordo os lábios fitando o chão de madeira, sem deixar de admirar a qualidade dos pisos compridos.
Eles são lindos, brilham e seus nós, parecem terem sidos feitos a mão.
Girando o corpo, olho para a casa, ela é perfeita.
Os recortes quadrados, as paredes de vidro, os tons de cinza nas paredes...
É bem máscula e refinada.
Concluo relembrando das palavras de Edward, quando propus que ao invés de comprar outra casa, eu apenas me mudasse para cá com Suzane.
A casa foi feita para um homem solteiro, não para um casal com um bebê. Quero outra casa, uma que tenha a nossa cara, não apenas a minha.
—Bella? – a voz de Suzane me traz de volta ao momento. Pigarro baixo e volto a olhar o horizonte.
—Oi titia... – ela não espera que eu complete, logo trata de interromper minhas palavras.
—Como você está? Vi os noticiários na TV e ainda não acredito! – aperto os lábios esperando que ela conclua suas palavras. —Pobrezinho do Edward... Carlisle não era flor que se cheire, mas não deixa de ser sofrido, não é? –
Coço a cabeça, respiro fundo arrumando a postura.
—E Esme? Ela deve estar arrasada... – com o timbre pensativo, Suzane suspira. —Mas conte, como estão as coisas por ai? –
Solto o ar pela boca.
Finalmente!
—Complicadas... Esme está muito abalada, precisou até tomar um calmante. – minhas palavras saem baixas. —Edward... Ele ainda está em choque, assim como Emmet. –
—Emmet está aí? – Suzane indaga surpresa.
—Sim, ele chegou a pouco com Rosalie. – murmuro olhando para os dois irmão, que continuam sentados na sala, ambos cabisbaixos. —Eu quem tive de dar a notícia a eles... Na verdade, contei a Rosalie. –
—Caramba... O pior que é a gente nunca sabe o que dizer, não é? –
—Sim. – concordo engolindo seco. —Isso é muito, muito delicado. – uma brisa forte passa por mim, chacoalhando meus cabelos.
—E você, como está? –
—Ah, tia... Eu estou triste por Edward. Por mais que ele e Carlisle não estivessem se entendendo ultimamente, sei que ele está sofrendo... É pai dele! –
—Verdade... Mas Deus, o que leva uma pessoa a cometer suicídio? Tudo bem que ele estava passando por um momento crítico, porém não justifica ele se matar. –
Retiro os fios de cabelo do meu rosto, tomo folego pela boca, as luzes da varanda se acendem deixando-me momentaneamente aturdida.
—É o que eu falei para o Edward mais cedo, nós não podemos julgá-lo, porque não sabemos o que estava passando pela cabeça dele... – lubrifico os lábios com a língua, sentindo-os mais gelados.
A temperatura só cai, o que significa que teremos uma madrugada bastante fria.
Fria e longa.
—Eu acho que nada justifica uma pessoa tirar a própria vida. – Suzane profere, ao fundo, posso ouvir a voz de Renée. —Sua mãe está perguntando se virá para casa hoje. –
—Não, vou ficar com Edward. – respondo rapidamente. —Não quero deixa-lo sozinho. – concluo com um suspiro.
—Claro, está certa... Ele precisa de você, fique com ele. – seu timbre sai doce e calmo. —Phil está perguntando se quer que ele leve algo para você. –
—Pode pegar algumas roupas para mim? Algo mais quente... – deixo a frase no ar respirando fundo.
O ar gelado queima minhas narinas.
Caralho, que frio!
—Claro eu vou preparar uma mala e ele leva até vo... – cerro os olhos quando Suzane não termina suas palavras.
—Tia? – chamo sem entender seu silencio. —Tia? – encaro o aparelho após não obter resposta novamente.
A ligação continua ativa...
—Filha, Alice acabou de chegar, ela quer falar com você. – a voz de Suzane volta a ecoar pela ligação. —Vou passar para ela e ir arrumar suas coisas, ok? –
—Tudo bem, tia. –
—Qualquer coisa é só me ligar, amor. Dê um braço em Edward por mim. –
—Pode deixar. –
—Se cuide, até mais tarde. – ela se despede, posso ouvir as vozes se misturarem longe da ligação, o que me impede de compreender as palavras ditas.
—Hey, Bella. – Alice finalmente chama.
—Oi Alie. – saldo sem muito ânimo.
—Caramba, estou tão aturdida que mal sei o que falar... – sorrio amarelo, me identificando com seu estado. —Como estão todos aí? Edward, Emmet, Esme? –
—Em choque, abatidos... Você sabe, a fixa ainda não caiu direito. – murmuro infiltrando minha mão livre no bolso.
—Nossa... – solta respirando pesadamente. —Vou aproveitar que Phil vai aí, e irei com ele. –
—Venha, por favor. – peço querendo a presença dela.
Amigos nessas horas são essenciais.
—Deus, ainda não acredito... – a incredulidade em sua voz é quase palpável. —Já liberaram o corpo? –
—Não a polícia nem chegou aqui ainda, só acho que vai demorar porque ele precisa ser examinado pelos peritos... Edward não explicou direito e eu também nem fiquei perguntando muito. –
—Entendo... – Alice soa pensativa. —Bom, amiga nos vemos em alguns minutos, ok? –
—Ok, estou esperando você. –
—Tudo bem, logo estarei ai. – seu suspiro sai alto. —Até daqui a pouco, beijos. –
—Outros. – o silencio que invade meus ouvidos me indica que a ligação foi encerrada.
Fecho os olhos, respirando fundo, guardo o celular no bolso.
Só espero que tudo fique bem... Só isso.
Me encolho dentro do casaco e giro sobre os calcanhares, pronta para caminhar para dentro da casa novamente.
Porém a cena a frente me faz parar.
Curvo os lábios em um sorriso e nem mesmo o frio me atrapalha a assistir a visível reconciliação de Edward e Emmet.
Ainda sentados, os dois trocam um abraço longo.
Solto um suspiro, meu peito se infla de emoção e alegria.
Sim.... No fim tudo vai ficar bem.
⇜❋⇝
Arrumo o corpo no sofá macio, mantendo os afagos na mão de Esme. Estou quieta. Ela está quieta.
Alice e Rosalie estão quietas.
Estamos aqui, sentadas em silencio, há quase duas horas.
Os policiais, chegaram minutos depois que terminei de falar com Alice. Eles nos explicaram a situação, contando que sim, Carlisle cometera suicídio se lançando do alto da ponte Golden Gate.
O fato de ele estar sob julgamento e investigações do FBI só complica a situação, fazendo com que o cadáver não seja liberado, até que a sentença seja dada.
Edward e Emmet, sabendo que isso só aumenta o sofrimento da família, foram atrás de seus advogados para terem a liberação do corpo de Carlisle antes do fim do julgamento.
E então estamos aqui, há quase duas horas. Uma ao lado da outra, em silencio.
A noite já caíra sobre San Francisco, trazendo o esperado e intenso, frio.
—Eles estão demorando. – Rosalie murmura, a voz sai meio falha devido ao longo tempo em que ficara em silencio.
—Essas coisas são mesmo muito demoradas. – apoiando a cabeça na mão, Alice profere.
—Será que eles vão conseguir? – com a voz embargada, Esme indaga. —Não quero ter que esperar o julgamento... Isso é crueldade! – o choro atrapalha suas palavras.
Respiro fundo, passo o braço por seus ombros e a abraço.
—Eles vão conseguir. – falo baixo, tentando acalmá-la. —Mas fique calma, ok? – peço ouvindo suas fungadas.
Rosalie me olha, também está compadecida com o sofrimento de Esme.
—Não acredito que isso está acontecendo... – soluçando, ela sussurra. —Eu não acredito que ele fez isso. –
Mordo os lábios, sinto meu coração se contrair dentro de mim.
É claro que eu a entendo. Ela o ama e deve ser devastador, perder a pessoa que amamos.
Me imagino em seu lugar e sinto um arrepio ruim correr por minha espinha. Um nó prende minha garganta e passo a desejar com euforia, que Edward chegue logo.
—Ele não era assim... – a voz de Esme sai ainda mais fraca. —Carlisle era bom, ele era uma boa pessoa... Isso é culpa daquela empresa maldita, isso é culpa deles! – observo suas mãos se fecharem em um punho cerrado.
Afago seus cabelos, ela está suando.
Olho para Alice, que compreendendo meu olhar, se coloca de pé.
—Vou pegar um copo de água para ela. – avisa, antes de caminhar em direção a cozinha.
—Ele estava se arrependendo de tudo que ele fez de mal... –
Mordo a ponta da unha, Rosalie levanta e com poucos passos, chega até o sofá que estamos sentando ao lado de Esme.
—Esme, tente se acalmar... Ficar assim só vai fazer mal para você. – ela diz carinhosa, tirando os fios ruivos do rosto de Esme.
—Ele ia pedir perdão para os meninos... Ia pedir perdão a vocês duas... – abatida, ela soluça. —Mas ele se foi... Ele se foi. – tomando folego pela boca, sinto seu corpo tremer.
Rose me lança um olhar preocupado, Esme não pode ficar tão nervosa.
O barulho dos passos de Alice é alto, ela logo se aproxima agachando a frente de Esme.
—Esme, tome um pouco de água, uh? – com a mão livre, Alice afaga o joelho dela. —Tome. –
Arrumando o corpo, Esme respira fundo. As mãos tremulas arrumam os cabelos e enxugam o rosto antes de pegar o copo oferecido.
Voltamos a ficar em silencio, esse que logo é quebrado pela chegada de Elizabeth.
—lizzie...– deixando o copo no chão, Esme se coloca de pé e logo é amparada pela irmã. —O Carlisle, ele... – a voz chorosa é quase inaudível.
—Eu sei, eu sei.... – fechando os olhos, ela acaricia os cabelos da irmã.
—Acho melhor ligar para o médico dela. – Rosalie murmura, arrumando o corpo no sofá. —Ela está suando frio... –
—E se ligarmos para o Edward? – respiro fundo verdadeiramente preocupada.
—É melhor não. – Alice diz se acomodando ao meu lado. —Vai deixa-lo doido de preocupação. –
—Alice tem razão. – Rosalie volta a falar, corre os dedos pelos cabelos que hoje, estão incrivelmente lisos. —É melhor ligar para o médico mesmo. –
Mordendo meu lábio inferior, assinto com a cabeça.
—Já volto. – deixando um tapinha em minha perna, ela se levanta, retira o celular do bolso e se afasta da sala.
—Meninas, vou levar Esme para deitar um pouquinho. – ainda tendo a irmã nos braços, Elizabeth nos olha. —Anthony, Hillary, Ryan e Kathryn estão vindo para cá. – a informação me deixa desconfortável. —Quando chegarem é só me chamar, ok? –
—Ok. – concordo lhe lançando um sorriso fraco. —Quer ajuda? –
—Não querida, pode deixar. – ela sorri carinhosa, guiando a irmã até as escadas no canto.
—Caramba, só o que me faltava é ficar com os avós de Edward... – apoio os braços nas pernas e cubro o rosto com as mãos.
Alice solta um risinho, afaga minhas costas com a mão.
—Rosalie e eu estamos aqui. – ela diz em meio a um suspiro. —E só para constar, Edward e Emmet acabaram de chegar. – levanto a cabeça com suas palavras, olhando para o local onde ela aponta com a cabeça.
Respiro aliviada assim que vejo os dois entrarem pelas portas elétricas de vidro.
Rapidamente me ponho de pé e sem esperar, sigo até Edward, pegando-o em um abraço apertado.
—Hey, o que foi? – surpreso e sem entender, ele me olha atento.
Sorrio amena, me estico para alcançar seus lábios em um beijo casto.
—Nada. – minha voz sai baixa. Ele sorri fraco, seu dedo contorna minha face, Edward se inclina e me beija novamente.
—Onde está Esme? – pergunta mantendo o braço enlaçado em minha cintura.
—Elizabeth a levou para se deitar um pouco. – respondo deixando-o me guiar para mais dentro da sala.
—Elizabeth está aqui? – Emmet pergunta cruzando os braços.
Em silencio, apenas nego com a cabeça. Rosalie logo retorna a sala, indo diretamente, para os braços de Emmet.
—A propósito, seus avós estão vindo para cá. – Alice conta, mantendo-se sentada no sofá quadrado.
Edward e Emmet se entreolham, respirando em sincronia.
—Liguei para Embry, ele já está vindo. – Rose avisa, quebra o silencio incomodoretornando para sala.
—Embry? Porque ligou para Embry? – sinto o corpo de Edward ficar tenso. —Esme está passando mal? –
—Não amor. – me viro para ele, minhas mãos param em seu rosto. —Ela começou a chorar, ficamos preocupadas, então resolvemos ligar para o médico. – explico a ele que suspira mais tranquilo.
—Mas e então, vocês não contaram... Conseguiram a liberação do corpo? – a pergunta de Rosalie me deixa atenta.
Arrumo o corpo intercalando o olhar de Edward para Emmet.
—Conseguimos. – Emmet responde após alguns segundos de silencio. —O corpo está sendo estudando pela perícia, mas será liberado até as oito da manhã, para o funeral. –
Mordendo meus lábios, abaixo o olhar.
Um silencio incomodo reina entre nós.
Recosto a cabeça no peito de Edward que afirma os braços em volta de mim.
Respiro fundo, tomando folego pela boca sei que vou precisar estar forte para Edward, ele precisa de mim e eu preciso dar todo o apoio necessário a ele.
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