Segredos
11 Capítulo Dez
Notas iniciais
Quieta eu adentro na sala da médica, ela me olha está sentada atrás de sua mesa e sorri em minha direção.
Retribuo observando os envelopes típicos de exame que enfeitam o tampo chocolate de sua mesa.
—Tudo bem, Isabela? – educada ela pergunta, sua mão se estende a mim e logo a aperto. —Sente-se, por favor. – a mulher mantém o sorriso nos lábios ao pedir.
—Obrigada. – agradeço arrumando o corpo na poltrona. —Tudo bem. –
Ela ergue os olhos, maneia a cabeça, porém logo volta a se concentrar em uma folha aberta sobre a mesa.
Um silencio chato se concentra entre nós, mordo o canto dos lábios vendo ela abrir exame por exame e analisar cada um, com deveras atenção.
—Da última vez que esteve aqui, você comentou que seu antigo ginecologista disse que você tem problemas hormonais. – mais séria ela fala, seus olhos negros vem até os meus, sem murmurar nada, apenas acenando com a cabeça. —Ele te receitou algum remédio? –
Recuo o corpo, praticamente mastigo meu lábio, com um pigarro limpo a voz.
—Bom... Ele receitou sim. – começo meio temerosa.
Como dizer a ela que eu não tomei nem cinco comprimidos?
Lubrifico os lábios com a ponta da língua, a olho, ela me fita paciente esperando por minha resposta.
Respiro fundo, coloco a franja para o lado e dou de ombros.
Foda-se também!
—Ele receitou uns anticoncepcionais. – completo a ela que concorda em silencio.
Com uma caneta esferográfica começa a fazer rabiscos em uma das folhas brancas.
—E você os toma regularmente? –
—Não. – nego meio embaraçada. —Eu não tomo mais. – seus olhos demonstram a perplexidade que sente. —Eles me davam muito enjoo e dor de cabeça, por isso parei de tomar. –
A médica suspira, arruma a postura e os óculos na face.
—Isabela, do mesmo modo que é errado se automedicar, é errado parar de tomar o remédio prescrito pelo médico. – sua voz deixa claro que é uma bronca. Contraio os lábios.
Que lindo, mais uma pessoa para me dar broncas!
—Por mais que o remédio lhe fizesse mal, você não poderia ter simplesmente parado de tomar. Anticoncepcionais, costumam mexer com os organismos mesmo e é normal sofrer com seus efeitos, porém em questão de dias você teria se acostumado. –
Solto o ar pela boca, estou tão sem graça que mal sei o que falar.
—Foi irresponsabilidade, eu sei. – com os ombros encolhidos eu digo.
—Quando um remédio lhe fizer mal, conte ao médico que ele saberá exatamente o que fazer, ok? – ela diz tão calma e lenta, que parece estar falando com uma criança.
Prendo a vontade de rolar os olhos e apenas concordo com a cabeça.
—Ótimo. – ergo a postura, tento olhar algo nas folhas dos resultados porém não consigo ler nada.
Mesmo que eu lê-se, não entendo nada dessas coisas...
—Nos últimos dias, sentiu algo de diferente? – sua pergunta me faz cerrar os olhos.
Estranho...
Engulo seco e começo a pensar.
Algo de diferente? Não. Nada, estou bem.
—Não, não senti. – pouso minhas mãos em meu colo, pigarreando baixo.
—Olhe, você fez alguns exames de sangue e eu realmente me preocupei com seu hemograma completo. – suas palavras fazem minha espinha gelar.
Meu Deus, se preocupou a médica, é porque é sério!
Engulo seco, respiro fundo e tento manter a calma.
—Porque? – minha voz sai mais baixa.
O medo da resposta, se apossa de mim deixando-me toda tremula.
—Suas taxas de hemoglobinas estavam muito baixas, por isso estudei exame por exame até descartar quase todas as possibilidades possíveis. –
Minhas mãos tremem, assim como minhas pernas. Certamente se eu estivesse de pé, já teria me espatifado no chão.
—E então, restaram apenas duas. – ela volta a falar, solta um suspiro e arruma os óculos no rosto.
—Sei... – minha voz está tão fraca quanto eu.
—Está se sentindo bem? – preocupada ela me encara.
Concordo com a cabeça respirando fundo.
—Estou... – tiro a franja dos meus olhos, solto o ar pela boca maneando a mão. —Continue, por favor. – peço puxando o ar com força.
—Claro. – ela se arruma na poltrona, pigarra e mexe nas folhas claras. —Restaram duas opções: Tumor no útero ou gravidez. –
Suas afirmações me fazem engasgar com a saliva. Cubro os lábios e tossindo com força.
Meu Deus, não! Tumor no útero?
—Quer um copo de agua? – tento normalizar a respiração, a médica se levanta e sem esperar por minha resposta, me traz um pouco de água. —Tome vai melhorar. –
Tremula, levo o copo descartável até os lábios. O líquido gelado desce por minha garganta, mas não me sinto nem um pouco melhor.
Tumor ou gravidez. É óbvio o que eu tenho!
—Pode continuar doutora... – vago meus olhos até seu jaleco, cerro os olhos enquanto tento ler seu sobrenome. —Jack. – completo em meio a um suspiro.
Meu coração martela em meu peito.
Queria que Edward estivesse aqui, Suzane ou Alice! Até a maluquinha da Renée serviria!
—Realizamos outro exame, o leucograma. – assinto com a cabeça, recosto o corpo na cadeira e apenas espero que ela diga de uma vez que há um tumor em meu útero. —Sua taxa baixa de basófilos foi o que me tranquilizou. – ela sorri mais descontraída.
Tranquilizou.... Como assim? Talvez o tumor não seja tão grave assim....
—E assim que seu transvaginal chegou, tive a certeza que o que a senhorita tem, não passa de uma simples gravidez. –
Mordo a ponta do dedo, absorvo suas palavras com calma.
Uma simples gravidez. Uma simples gravidez. Uma simples gravidez....
As palavras se estalam em minha cabeça, não consigo prender a risada, que sai alta.
—Gravidez? – minha voz falha em meio as risadas.
—Sim, Isabela. Você está gravida. –
—Grávida! – rolo os olhos rindo ainda mais. —Por favor... Eu não posso engravidar! – exclamo tentando cessar o riso. —Pode dizer o que eu tenho doutora... Porque gravida eu não estou. – me acomodo na poltrona, engulo o riso que ameaça sair novamente de mim.
Gravida... Até o cachorro que mora na portaria do meu prédio sabe que eu não posso engravidar!
Rolo os olhos.
E Edward dizendo que ela é uma ótima médica!
—Olhe. – sorrindo, ela me estende uma pasta verde. Cerro os olhos e seguro o caderno fino. —Abra e veja. – manda cruzando os braços sobre a mesa.
Respiro fundo, solto o adesivo que une as duas abas e logo encaro as fotos dos três ultrassons presos na folha clara.
Não passam de borrões e borrões!
—Não consigo ver nada... Porque não tem nada! – digo mais impaciente.
—É claro que tem! – a médica afirma mais séria. —Olhe a descrição, veja... Seu feto já tem até coluna vertebral! –
Bufo alto. Passo os olhos pela descrição.
Isso é um absurdo...
Um estalo me faz congelar. Sinto minha espinha gelar, meu coração para, minha respiração para, tudo para!
Meus olhos focalizam a palavra de quatro letras e simplesmente me recuso a acreditar que seja verdade.
Feto. Feto. Feto.
Único. Visualizado no interior do saco gestacional, com batimentos cardíacos presentes.
CNN de 1,2 cm.
—Isso... – minha quase não sai. Tudo a minha volta gira e minhas mãos soam arduamente. —Isso tem que estar errado porque... –
Hipótese Diagnóstica:
Leio em silencio, tremo dos pés à cabeça.
Gestação tópica com feto único e vivo.
Biometria fetal compatível a seis semanas e três dias (+/- seis dias)
—Doutora, isso só pode ser um engano porque... Porque meu antigo ginecologista me disse que eu não poderia engravidar.... – assustada deixo a pasta verde sobre a mesa.
Não posso estar gravida. Não posso e nem quero estar!
—Por causa do seu distúrbio hormonal? – ela pergunta me estendendo mais um copo de água.
—Sim. – confirmo sentindo meus olhos arderem.
Não... Isso só pode ser um pesadelo... Só pode! Logo eu vou acordar e ainda estarei deitada com Edward e...
Cubro a boca com a mão. Meus olhos ficam turvos, embaçados.
Edward... Meu Deus! Ele vai surtar... Vai ficar puto!
—Isabela... Isabela, está se sentindo bem? – estalando os dedos a minha frente, a doutora consegue minha atenção.
Parece que estou no automático, pois só consigo assentir com a cabeça.
A voz da médica sai doce, mas longe. Não consigo entender uma palavra sequer do que ela diz.
Encaro a pasta macabra sobre a mesa. Engulo seco e arrumo o corpo na cadeira.
Deus... Porque será que a ideia de estar com tumor parece menos assustadora agora?
⇜❋⇝
Cameron abre a porta do carro para mim, pego minha bolsa e me preparo para sair do carro. Parece que me anestesiaram. Estou em transe!
—Senhorita Swan. – o segurança chama parado a minha frente. Engulo seco, o olho, ele aponta para meu corpo. —O cinto de segurança. – avisa sério.
Rolo os olhos, solto a trava e logo me livro dele. Minhas pernas fraquejam a cada passo que dou para dentro do prédio.
Uso a unha para beliscar meu braço, talvez isso me acorde mais rápido desse pesadelo terrível.
Respiro fundo, apoio a mão no corrimão para subir o lance de escadas.
Quero chorar, gritar... Quero que a médica me ligue e diga que tudo isso não passa de uma pegadinha, porque tem que ser... Tem que ser apenas uma pegadinha boba e sem graça!
Tremula, abro a porta de casa. Vozes se misturam mas isso pouco me importa. Aperto os olhos com as pontas dos dedos.
Não quero estar gravida... Não quero esse filho... Porque comigo? Porque?
—Ah... É a Bella! – ergo a cabeça ao ouvir a voz de Renée, ela está parada a minha frente e me encara sorridente. —Então bebe como foi no médico? Tudo certo? –
Solto um suspiro e concordo com a cabeça, passo por ela e vejo de soslaio, Suzane se aproximar.
—Tudo certo. – falo sem ânimo.
Caminho com passos arrastados até meu quarto. Abro a porta e me lanço na cama sem me importar com mais nada.
Abraço o travesseiro, um soluço seco dá início ao choro que não consigo mais segurar. Meus soluços são altos, me fazem sacolejar na cama.
Mais que merda Isabela! Mais que merda!
Tento respirar, manter a calma, mas é algo impossível.
Edward certamente vai me dar um belo pé na bunda! Conheço esse filme, conheço bem... A menina novinha se envolve com o cara mais velho, engravida e ele simplesmente a abandona!
Aperto os olhos, a ideia me deixa sem fôlego e com uma dor horrenda no peito.
Droga, droga, droga... Mil vezes droga!
—Bella... Filha, o que foi? – a voz de Suzane sai doce, finco as unhas no travesseiro ouvindo o barulho da tranca da porta. —Meu bem porque está assim... –
—Tia... – falo em meio a um soluço. Ela se senta ao meu lado, sua mão passa em meus cabelos e seu modo carinhoso me deixa ainda mais desesperada.
—O que foi amor? Tem algo grave é isso? – ainda de olhos fechados eu concordo com a cabeça. —O que você tem princesa? Fale... Nós iremos levar você nos melhores médicos e você vai ficar bem. –
Sinto seu beijo em minha testa, mais lágrimas caem de meus olhos.
—Não tia... – murmuro sem fôlego. —Ninguém pode me ajudar. – afundo o rosto no travesseiro.
Por favor, por favor... Eu quero acordar!
—Porque não? – pergunta doce, uma de suas mãos segura a minha, aperto seus dedos soluçando. —Filha você está gelada... Me diz o que está acontecendo, o que você tem? –
—Estou grávida. – conto me encolhendo na cama. —Grávida, tia! – mordo meu lábio, os soluços são cada vez mais fortes.
—Gravida? – sua voz sai fraca e descrente.
Me sento na cama, limpo o rosto com as mãos e posso ver a surpresa em seus olhos.
Droga, ela vai ficar decepcionada.... Decepcionada comigo!
—Olhe... – temerosa, pego minha bolsa e retiro de lá a pastinha macabra. Suzane a pega, ainda pasma a abre encarando-a fixamente.
—Meu Deus... – eu poderia rir de sua expressão, mas a coisa é séria demais. —Mas Bella... Você não... –
—Não posso engravidar? – indago com a voz embargada. Puxo minhas pernas e as abraço apoiando a cabeça nos joelhos. —Parece que eu tive a grande sorte de ser a uma em um milhão. – fecho os olhos deixando mais lágrimas caírem.
—Nossa... – ainda de olhos fechados, ouço sua respiração forte. —Bella, vocês não usaram camisinha? – em silencio, nego com a cabeça. —Ah, por favor... Quanta irresponsabilidade! – sinto o colchão mexer a minha frente, o que indica que ela se pôs de pé.
—Eu sei mas... Eu achava que não ia engravidar então... – soluço limpando o rosto com os dedos.
—Aah mais é claro! – seu tom é irônico. —Engravidar você não podia... Mas e quanto as doenças, hein? – engulo seco, abro os olhos mas mantenho o olhar baixo.
—Edward não tem... – o soluço corta minha frase. —Edward não tem nenhuma doença. –
—E se tivesse? – a olho por alguns segundos, ela está brava, posso ver.
—Eu não sei, tia... Eu não sei... – infiltro as mãos nos cabelos, soluço doloridamente. Um silencio se instala no quarto, sendo quebrado apenas pelos meus soluços.
—Ai Bella... – com um suspiro, Suzane se senta à minha frente. —Conversamos tanto sobre isso, filha. Te disse tantas vezes para não seguir o mesmo caminho que a desmiolada da sua mãe. – sua voz triste me machuca ainda mais.
Merda! Merda!
O toque alto do celular me assusta, dou um leve pulo na cama e pego o aparelho dentro da minha bolsa.
Um arrepio passa por minha coluna e sinto meu estômago gelado ao ver o nome de Edward piscar na tela do meu celular.
—O que foi? – Suzane pergunta me olhando. Engulo seco, arrumo a postura e tento tomar folego.
—Edward. – sussurro temerosa. —Ele está ligando. –
—Então atenda! – ela manda firme.
Me encolho, olho novamente para o celular. A chamada caiu.
—Não quero falar com ele agora. – mordo o canto do lábio inferior. —Tenho medo da reação dele. –
—Bella, quanto antes você contar melhor. – esfrego as mãos no rosto respirando fundo. —Peça para ele vir aqui e fale com ele. – sua mão segura a minha, aperto os lábios e engulo o nó em minha garganta.
—Agora não... Preciso me acalmar um pouco. – soluço em meio as palavras. —Tentar assimilar as coisas.... – suspiro abaixando a cabeça. —Queria que isso fosse um pesadelo, não quero ter um filho... –
Duas batidas na porta me fazem calar. Fito Suzane, ela respira fundo e acaricia meu braço.
—Bella amor, abra a porta... Edward está no telefone. – prendo a respiração, aperto os lábios e sinto o corpo todo congelado.
—Ela já vai Renée. – Suzane fala alto, para que ela possa ouvir.
—Tudo bem. –
—Que merda! – tampo o rosto com as mãos, estou tremendo de nervoso.
—Se acalme filha... Se quiser eu posso falar com ele e pedir que venha para cá. – respiro fundo e nego com a cabeça.
—Não... Quero dizer... Fale, mas não peça que ele venha. – murmuro me arrumando na cama. —Não acho bom falar com ele agora... Diz que... Diz que é para ele vir mais a noite. –
Respirando fundo, Suzane se levanta.
—Vou fazer um chá, você precisa se acalmar. – ela se aproxima e beija minha cabeça.
Pego um travesseiro e arrumo na cama, Suzane sai do quarto e fecha a porta.
Aperto os dedos na espuma macia, fecho os olhos e tento me acalmar.
Mais que merda que eu fui fazer?
⇜❋⇝
Ando de um lado para o outro no quarto, aperto meus dedos e já mastigo meu lábio inferior, de tanto nervoso.
Caramba.... Como eu queria voltar no tempo e ter usado camisinha, tomado anticoncepcional, ou feito qualquer coisa que evitasse essa gravidez indesejada!
—Bella. – Renée me chama, viro o corpo e a olho. Ela está parada na porta, me olha carinhosa e sorri leve. —Edward chegou. –
Apoio o corpo contra apoltrona clara, minhas pernas fraquejam e logo trato de me sentar.
—Já? – indago nervosa. Ela ri, assente com a cabeça, adentrando no quarto, fecha a porta.
—Sim. – murmura caminhando até mim. —Está mais calma? –
Lubrifico minha boca com a ponta da língua, negando com a cabeça.
—Estou prestes a ter um surto. – confidencio com o timbre tremulo.
—Pode acreditar, eu sei como se sente. – suas mãos esfregam minha perna, ela se abaixa a minha frente, seus olhos unidos aos meus. —Vai dar tudo certo, filha. – mesmo séria, ela é carinhosa.
Respiro fundo e seguro sua mão.
—Tenho medo dele terminar comigo... – meu peito se contrai de dor, duas lágrimas rolam por meus olhos, sumindo nas pontas dos dedos de Renée.
—Ele não vai fazer isso, amor. – garante alisando meus cabelos húmidos. —Ele ama você. –
Um soluço faz meu corpo pular.
—Ele nunca disse isso. – encolho os ombros abaixando ainda mais a cabeça.
—Nem é preciso... Ele move céu e terra por você. – a olho, vendo o sorriso em seus lábios. —Não é qualquer homem que cruza o oceano para ir atrás de uma mulher, filha. –
Suspiro derramando mais lágrimas.
—Mesmo assim... Ele nunca disse que queria um filho. Nem eu quero esse filho. – assumo apertando sua mão.
Renée aperta os lábios, afaga meu rosto e fica alguns segundos em silencio.
—Bella, não fale isso. – engulo o choro arrumando o corpo na poltrona. —Eu olho para você hoje e sinto um misto de orgulho e decepção. – recuo os ombros.
Até Renée está decepcionada!
—Sinto orgulho por ver a menina maravilhosa que você é e me decepciono comigo mesma por não ter mérito algum com você. – ergo os olhos surpresa. —Eu queria voltar no tempo e poder aproveitar cada segundo com você. Ver seu primeiro passo, ouvir você dizer a primeira palavra, sentir o peito doer em seu primeiro dia de aula... – seus olhos claro ficam marejados. —Mas eu não posso voltar no tempo e sei que nada que eu fizer de agora para frente vai redimir todo o tempo que eu perdi, mas filha não cometa o mesmo erro que eu. –
Lubrifico meus lábios com a língua, apenas escuto suas palavras.
—Você está assustada, com medo, aflita, mas isso vai passar... Você vai ver. – com carinho ela coloca minha franja para o lado.
—Espero porque... – duas batidas na porta me calam. Ergo os olhos e sinto o mundo parar de rodar ao ver Edward.
Ele me olha sério, está preocupado e impaciente.
Engulo seco, Renée se põe de pé e após cumprimenta-lo, sai do quarto.
—Edward, eu... –
—O que você quer, hein? Me matar de preocupação? – irritado, ele me corta. —Porque se for isso, você quase conseguiu. –
Aperto meus lábios, respiro fundo e limpo meu rosto.
—Nós precisamos conversar. – falo baixo, ele estreita os olhos ao me olhar.
—Porque está chorando? – acalmando a voz, ele dá dois passos em minha direção. —O que foi? Está doente.... Algo nos exames deu errado? –
Sua pergunta me faz engolir seco, afasto o corpo assentindo com a cabeça.
—Bella... Está me deixando aflito! – Edward esfrega a mão nos cabelos. —Por Deus... O que deu nos exames? –
—Gravidez. – respondo direto. Aperto os lábios temendo sua reação. —Eu estou grávida. –
Fecho os olhos absorvendo o silencio do quarto. Tenho medo de olhá-lo, tenho medo que ele me deixe.
—Como assim, gravida? – sua voz fria e descrente me arrebenta. —Você disse que não podia engravidar. –
Soluço alto, engulo o choro mantendo o olhar baixo.
—Era o que eu achava! – mina voz fica um pouco mais alta. —O ginecologista disse que as chances eram quase nulas e eu não imaginava que fosse acabar acontecendo isso. – explico, ainda temerosa eu o olho.
Ele está com o maxilar cerrado, seus olhos fitam um ponto qualquer do tapete.
—Não vai falar nada? – pergunto após longos minutos de silencio. Edward me olha, recuo o corpo com seu ar gélido.
—O que quer que eu diga? – pergunta duramente. —Que eu estou feliz? Que era isso que eu queria? Mas eu não estou, Isabela... Eu não estou feliz e não era isso que eu queria! – sua voz fica mais alta, ele esfrega as mãos nos cabelos e me dá as costas.
Meus olhos ficam turvos, engulo o choro sentindo meu peito arder.
—Isso não podia ter acontecido... Mais que porra! – nervoso ele lança uma almofada pelo quarto.
—Eu também não queria... Acha que eu planejei isso? – me ponho de pé, Edward se vira seus olhos flamejam.
—Não, mas deveria ter tomado remédios... Por mais que as chances fossem pequenas deveria ter se cuidado! – ele causa raivoso.
—Ah mais é claro! – rolo os olhos, cruzo os braços. —Agora a culpa é minha? – irônica, eu o encaro. —Do mesmo jeito que eu poderia ter tomado remédio, você poderia ter usado a camisinha! –
Edward recua o corpo com minhas palavras, seus olhos desviam dos meus e novamente, ficamos em silencio.
—Isso só pode ser brincadeira! – ele esfrega as mãos no rosto dando alguns passos pelo quarto. —Um problema atrás do outro.... Caralho! – suas mãos se apoiam na parede e logo sua cabeça se instala entre elas.
Sento novamente, não seguro mais as lágrimas, simplesmente as deixo cair silenciosas.
—Preciso sair um pouco, antes que eu fale alguma besteira. – Edward diz esfregando as mãos no rosto, ergo os olhos abro os lábios, porém não tenho tempo de dizer mais nada.
Edward sai do quarto e fecha a porta com uma batida fortemente desnecessária.
Fale com o autor