Segredos....
14 Capítulo 15 - O Abrigo
Notas iniciais
Capitulo 15 — o Abrigo
Andamos meio correndo pelas duas ruas atrás do colégio, quando paramos em um cruzamento colocamos Mel no chão e checamos a ferida onde a bala havia passado. Ela estava dormindo com a respiração fraca, o sangue agora escorria menos. Marco falava alguma coisa enquanto limpava as mão sujas de sangue na calça, não consegui ouvi, vários pensamentos passavam em minha cabeça me deixando isolada do resto das coisas fora da minha cabeça.
"Está acontecendo tudo de novo, tenho que controlar isso minha irmã precisa de mim" pensei
Marco estava me chamando, acordei dos meus pensamentos e olhei pra ele
–Anne, não fique se culpando pela Melany. Para ser sincero eu que deveria me responsabilizar por isso, deveria levar vocês duas em segurança para o Abrigo — ele falou pegando Mel de novo no colo
–Relaxa, eu não estava mais pensando nisso e Marco não foi sua culpa você não poderia ter feito nada — respondi levantando e começando a caminhar, Marco fez o mesmo
–Então no que você estava pensando? — ele perguntou
–Nada de mais. Já estamos chegando? Minha irmã pode ser forte mas não aguenta tanto tempo — falei pensando um pouco antes de responder
–Sim, ele fica naquele prédio desbotado — ele apontou para o topo de uma construção que antes parecia ser azul marinho agora estava um azul desbotado e meio cinza, o galpão não parecia ser muito alto só dava para ver um pouco do topo de onde estávamos e também não parecia ser muito longe
–Vamos logo — falei começando a andar mais rápido
***
O galpão era grande mas não muito alto, havia janelas em toda parte, todas quebradas, a porta da frente era enorme e de metal já um pouco enferrujada mas havia um problema ( além de todos os outro que estavam acontecendo) a porta estava trancada com uma corrente e um cadeado e as janelas eram estreitas de mais para passarmos.
–E agora? A porta tá trancada — perguntei para Marco
–Vamos abrir, me ajude — Marco respondeu — pega sua irmã, eu vou abrir a porta
–Com o que? — perguntei segurando minha irmã que ainda está respirando fraco
–Eu tenho a chave — ele falou rindo um pouco e eu o acompanhei, ouvi o barulho da corrente cair, Marco empurrou uma das portas com força e ela se abriu e nós entramos
O galpão estava todo empoeirado, tinha restos de construção em toda parte, olhei para o resto do lugar, tinha alguns mendigos com roupas velhas e rasgadas, estavam sentados no que parecia ser um pedaço de concreto conversando uns com os outros
–Por favor me diz que isso não é o abrigo — falei olhando para os mendigos, eram dois homens e uma mulher
–Você deveria olhar pro interior não para a aparência- ele respondeu andando rápido para perto dos mendigos e levando Mel junto
–Então o Abrigo é o que? Em baixo desse prédio? — falei brincando e o seguindo
–Exatamente, vamos rápido eles vão dos ajudar — Marco respondeu a poucos metros do moradores — Ben, me ajude aqui!
Um dos mendigos levantou de onde estava sentado e correu para perto de Marco, os outros levantaram mas ficaram no mesmo lugar. Acelerei o passo para ficar ao lado dele.
–O que ouve cara? — o garoto, Ben, perguntou olhando para Mel com cara de espanto
–Depois explico, temos que levá-la para a enfermaria AGORA, já demoramos muito- Marco respondeu
–Ok, Jass abra a passagem! Ray ajude ela! — ele gritou pegando Mel no colo ainda inconsciente. A mulher começou a empurrar o pedaço de concreto com a ajuda do outro homem -Algum deles te seguiu?
Marco olhou para mim antes de responder
– Não, não conseguiram mas um deles conseguiu dar um tiro na garota
Os dois terminaram de arrastar o pedaço de concreto, pude ver a mulher, Jass, abrir uma porta no chão parecendo uma escotilha de submarino
–Quem é essa? — Jess perguntou apontando para mim
–É confidencial- Marco falou antes que eu pudesse responder
–Ok, vamos entrem, eles podem não estar nos seguindo mas não vamos dar mole! -ela responde deu indicando o túnel que se estendia por dentro da porta
Ben entregou Melany para Ray e desceu as escadas, depois pegou ela de volta e saiu caminhando para dentro do túnel, fui a segunda a descer logo depois Marco.
****
O corredor era estreito, cinzento e bem iluminado. Ele cruzava com mais outro que dava para a esquerda e para a direita, Marco foi andando na frente me guiando, pelo visto o corredor que dava para o abrigo era bem grande.
Finalmente chegamos a uma área ampla e redonda com muitas pessoas passando de um lado para o outro, indo e vindo por entre os vários corredores em todos os lados, pareciam pessoas totalmente normais, com roupas normais, se eu não soubesse o segredo delas.
O Abrigo poderia ser subterrâneo mas era enorme, o teto era alto e cinza claro com lâmpadas tubulares iluminando os lugares, Marco me puxou pela mão e me levou para outro corredor, esse corredor era mais espaçoso e era beje claro,no final do corredor havia uma cortina leve e branca com uma cruz vermelha desenhada, a enfermaria, afastamos a cortina e entramos. A enfermaria era grande, com as paredes brancas e o piso de cerâmica branca, havia várias macas encostadas nas paredes uma de frente para a outra, enfermeiras passavam de um lado para o outro checando e atendendo pacientes. Melany não estava lá.
Um homem alto e moreno, vestindo um jaleco branco e roupa social saiu de dentro de uma porta do outro lado da sala, carregava o que parecia ser um pano um pouco ensanguentado na mão e estava caminhando em nossa direção.
–Onde está minha irmã? — perguntei saindo da porta e indo em direção ao médico, Marco caminhou atrás de mim
–Olá dr. Max, a garota que chegou aqui com um ferimento de bala, como ela está? — Marco perguntou cumprimentando o médico
–Olá Marco, bem, a situação dela é....complicada. Sua irmã está passando por uma cirurgia Anne, mas está estável
–O dano da bala foi muito grave?- perguntei ignorando o fato de ele já saber o meu nome
–Essa bala não é uma bala comum — ele pegou o pano que estava segurando e o abriu, uma pequena bala estava no centro dele, a bala tinha alguns desenhos em sua lateral- Ela é uma bala criada especialmente para nós, com poderes. Ela causa um dano um pouco maior
–Que tipo de dano? — Perguntei
–Ela...- Max começou a falar mas foi interrompido por Marco
–Ela suga os poderes da vítima até ela ficar sem, não existe cura-Marco completou hipnotizado com a resposta e com um olhar de sofrimento
Antes que eu pudesse falar alguma coisa um homem apareceu atrás de mim, limpou a garganta e começou a falar
– Srta. Johnson, a comandante está solicitando sua presença na sala de comando
O homem estava vestindo uma blusa com manga comprida preta com uma calça especial e um colete aprova de balas, sua arma estava guardada do lado de sua calça
–Não! Eu vou ficar aqui esperando minha irmã- falei franzindo a testa
–Não foi um pedido, foi uma ordem- ele retrucou
–Anne, vai, eu fico aqui- Marco falou olhando para mim
–Ela solicitou sua presença também soldado Castelan — o homem disse
–Ok, então vamos — Respondi, não queria deixar Mel sozinha ali mais também queria conhecer quem comanda tudo no Abrigo
Passamos por alguns corredores até chegar em um que tinha algumas portas de madeira antiga nas paredes. Paramos em frente a uma porta que estava escrito Sala De Comando, em uma placa de metal, o soldado abriu a porta e entramos, a sala de comando era grande toda branca, com uma mesa de madeira escura no meio e vários com vários papéis em cima, na parede oposta à porta via-se quatro televisores mostrando imagens de fora do Abrigo, olhei para cima e vi um lustre brilhando com os cristais, também havia uma cadeira grande, de couro virada para o visor, uma pessoa estava sentada nela anotando alguma coisa em um papel, a comandante. Sem virar a cabeça ela falou :
–Já pode sair soldado Stoll — o guarda se curvou e saiu da sala-Muito bem, soldado Castelan, as meninas chegaram bem?
–Melany Johnson levou um tiro, comandante, Anne Johnson chegou bem.
–Ok, bom trabalho soldado Castelan, volte para seu apartamento, avise sua família que chegou bem, descance um pouco — A voz da comandante me era familiar, doce e ao mesmo tempo forte — e mostre depois para a Srta. Johnson o Abrigo, pode sair
–Obrigado Comandante — Marco disse abrindo a porta, olhou para mim uma última vez então saiu
–Sabia que conseguiria Anne — a comandante se levantou da cadeira e andou até mim — Está tão grande e bonita
Vi o mesmo sorriso branco e cansado, os mesmos cabelos castanhos agora um pouco grisalhos, os olhos verdes vivos iguais o da minha irmã. Reprimi a vontade de correr, abraçá-la e chorar em seus braços.
–Eu quero saber dessa história, cada detalhe, sobre o abrigo, sobre Eles, sobre tudo! — falei me distanciando dela com raiva
–Que jeito agradável de receber sua mãe — ela falou sorrindo
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