Segredos....
15 Capitulo 16 - Nós todos mentimos
Notas iniciais
Capítulo 16
–Não está feliz de me ver filha? — Samanta perguntou abrindo os braços e caminhando para perto de mim — Sim, mas você nos fez acreditar que estava morta! Você sabe o quanto Mel sofreu por sua causa?! — falei me esquivando do abraço e caminhando para longe dela
–Pare com todo esse drama adolescente! Algumas coisas são preciso, e eu não podia simplesmente dizer adeus, seu...nossos inimigos tinham que pensar que eu havia morrido — ela justificou — e para tornar real vocês também tinham que pensar, e além disso tinham sua tia para cuidar de vocês
–Cuidar? Nós éramos tratadas como estranhas, não podíamos brincar porque ela não queria pirralhas sujas no "castelo" dela. Ela me trancou no quarto quando eu usei meus poderes sem querer! — depois de falar respirei fundo e esperei a reação de minha mãe, ela continuava com a expressão normal como seu eu tivesse dito alguma bobagem
–Ela nunca soube apreciar esses dons, mesmo depois de perdê-los — ela respondeu caminhando de volta para sua cadeira atrás da mesa de madeira no centro da sala
–Perde-los? — olhei para Samanta e ela me respondeu com o olhar :"você sabe como" — Melany...- sussurrei
–Realmente foi uma pena ter acontecido o mesmo com Melany, estava começando a evoluir os poderes agora não é? — ela completou com olhar de pena
–Eu quero saber o que está acontecendo! Quem são Eles? Por que nos seguiram? O que é o Abrigo? E por que isso tá acontecendo agora?
Minha mãe começou a abrir a boca para falar alguma coisa mas foi interrompida, a porta foi aberta por um soldado, vestido igual ao que me escoltou para a sala, a única diferença era que este tinha uma cicatriz enorme que cruzava sua bochecha até o começo do nariz
–Comandante, conseguimos novas informações sobre onde está a chave — o soldado falou em posição de frente para a porta
–Anne continuaremos nossa conversa mais tarde, vou pedir para o soldado Castelan levá-la para conhecer o Abrigo, aqui será seu lar por um bom tempo — ela falou enquanto pegava um telefone em sua mesa e discava algum número
–Não, deixe ele um tempo com a irmã e os pais — respondi interrompendo
–Pais? Irmã? — ela falou rindo — Ele não tem irmãos, ele só tem ao pai, a mãe faleceu após um acidente — alguém atendeu ao telefone e ela começou a falar — Castelan, venha a minha sala, busque minha filha e a leve para conhecer o Abrigo, depois leve-a para o quarto para descansar, Ok
Samanta desligou o telefone e o colocou de volta no gancho
–Nos vemos depois filha, espero que esteja mais calma — ela falou levantando da cadeira e caminhando até a porta, saiu e o soldado da cicatriz a acompanhou
Sentei em uma das cadeiras de frente para cadeira principal, aquela sala me lembrava a sala do diretor no colégio, ri baixo, como minha vida podia ter mudado tanto em pouco tempo?
****
–Pronta para conhecer sua nova casa? — Marco perguntou abrindo a porta da sala de comando, eu ainda continuava sentada olhando para o nada
–Só me mostre o lugar — falei com raiva passando na frente dele para fora da sala Marco fechou a porta e começamos a caminhar um do lado do outro, como ele pode mentir tão descaradamente?
–Parece que a conversa com a comandante não foi das melhores — ele comentou enquanto saíamos do corredor e passávamos para o pátio arredondado onde as pessoas passavam de um túnel para outro
–Porque você mentiu? — falei de uma vez, não queria mais nada na minha cabeça ela já estava a ponto de explodir- Ou vai dizer que veio mesmo do Brasil, tem uma irmã e o resto dessa grande mentira é verdade?!
Devo ter gritado alto de mais porque a maior parte das pessoas passando pelo pátio parou para nos olhar
–Anne calma...Eu vou te contar tudo, vamos para um lugar mais reservado — ele falou em um tom baixo e segurando meu ombro gentilmente
–Não tem como ficar calma! Por mais que eu queira uma explicação agora também quero conhecer esse lugar, por favor me mostre e depois conversamos — respondi já mais calma, não podia deixar minha raiva me dominar
–Ok, por aqui — Marco indicou um corredor branco oposto ao que tínhamos saído — esse corredor leva até a biblioteca e também a ala de treinamento
–Posso ver como funciona o treinamento? — perguntei acompanhando ele, que já tinha começado a andar em direção ao corredor branco
–Claro, acho que temos permissão para uma olhada rápida — ele sorriu depois de falar
O corredor, igual aos outros, era iluminado o bastante para perceber os detalhes, o teto deste era branco igual às paredes só que estas estavam um pouco sujas. Todos aqueles corredores e salas me lembravam um formigueiro. No final dele tinha outro corredor que levava para a esquerda e para a direita e de frente havia uma porta vai e vem parecendo as de hospital, porém toda preta e com duas janelinhas, uma em cada parte da porta com vidro transparente, Marco empurrou uma das partes da porta e indicou com o queixo para eu entrar.
A primeira coisa que notei foi alguns degraus de frente para a porta que levava ao local do treinamento, olhei para frente e pude ver que a sala era bem grande, o piso era de borracha, provavelmente para não machucar durante os treinos, as paredes eram beges e em todos os cantos da sala via-se equipamentos de todos os tipos: bonecos de luta, torre de escalada, prateleiras cheias de armas...
Alguns adolescentes, provavelmente uns 20, estavam treinando uns contra os outros. Marco começou a descer os degraus fazendo sinal para segui-lo, ele começou a caminhar para perto de um homem que estava parado observando as lutas do outro lado da sala, o homem aparentava ter uns 45 anos, estava usando uma camiseta preta que dava para ver os músculos bem definidos, uma calça cargo verde escuro e uma bota de cano baixo parecendo do exército. Marco e o homem estavam sorrindo e conversando, cheguei perto dos dois eles pararam de conversar e Marco começou a falar
–General Martin essa é Anne Johnson, senhorita Johnson este é o general do exército do Abrigo, ele que treina os futuros soldados
–Filho, não precisa ser tão formal- o general falou rindo e segurando no ombro do filho — Oi Anne, isso vale para você também
–Oi senhor Martin, é um prazer conhece-lo — pai do Marco? Então ele não tinha mentido em tudo, pelo menos o nome do pai dele era verdade — Você ensina autodefesa?
–Sim, autodefesa, estratégia em combate, treinamento com armas e é claro treinamento dos poderes- ele respondeu sorrindo
–Pode me ensinar? — perguntei — eu aprendi alguns "truques" com os poderes mas nunca tive ajuda, na verdade nem sei o que fazer com eles
–Claro. Marco pode te ensinar, tudo que eu sei ele aprendeu dês de pequeno — Martin riu e falou olhando para ele- Não é mesmo filho?
–Claro, pai — Marco respondeu vermelho, meio sem graça com a situação — Só estávamos passando aqui para dar uma olhada no treinamento, já vamos indo, a comandante pediu para eu apresentar o lugar para Anne
–Ah claro, espero que você goste Anne, seja bem vinda — o general falou cumprimentando com a cabeça
–Obrigada — agradeci -Vamos Anne — Marco falou me esperando para começarmos a caminhar de novo pelo formigueiro que chamavam de Abrigo
Saímos pela porta e depois de um tempo olhei para Marco e comecei a rir
–O que foi? — ele perguntou sorrindo com o canto da boca
–Você ficou vermelho quando seu pai te elogiou, ficou engraçado — falei começando a parar de rir
–Você deveria sorrir mais, fica linda- ele falou e foi minha vez de ficar vermelha — Há! Você também ficou vermelha agora
–Para com isso, ainda estou brava com você por ter mentido — falei parando de sorrir mas era difícil, eu me sentia bem conversando com ele
–Você também mentiu, se fez de desentendida sobre os poderes — Marco retrucou
–Eu menti para proteger minha irmã! Eu não sabia quem você era — respondi
–Eu fiz o mesmo para proteger meu pai, eu nem sabia quem você era, só me deram algumas instruções e nomes para eu poder achar você antes deles — Marco falou e parou de caminhar quando terminou de falar — droga...
–Porque queriam me achar? — perguntei parando de andar e olhando para ele
–Eu juro Anne, eu não sei, só me mandaram achar vocês antes que Eles achassem — Marco respondeu
–Depois eu cuido disso, agora eu só quero um pouco de paz, quero conhecer esse lugar — falei e completei olhando para meu All Star- e conhecer algumas pessoas também...
Anne Johnson :
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