Segredos
6 Irmãos
Notas iniciais
Na manhã seguinte, Marla e Luca chegaram de surpresa e Luca fora até o quarto de Stephen acordá-lo. Quando abriu a porta, desejou não tê-lo feito, pois viu os meninos (John e Stephen) dormindo juntos – ambos despidos. Ainda assim, chamou pelo irmão, porém John, que tinha o sono mais leve foi quem acordou.
Stephen desceu as escadas alguns minutos depois seguido de John, que ria para si mesmo.
– Se você continuar andando assim perto da sua mãe, ela vai suspeitar.
– Isso se Luca já não tiver contado. Como você faz?
– Eu tento relaxar. Esquecer. Você devia fazer o mesmo.
Marla percebeu que os dois estavam descendo e abraçou-os. Contente por ver o filho e um amigo.
– Enquanto vocês dormiam eu tomei a liberdade de preparar o café da manhã. – Marla sorriu – Tudo bem?
– Ótimo. – Disse Stephen forçando um sorriso.
Kevin e Cara haviam dormindo juntos, após o encontro no bar, porém Cara se arrependia amargamente por ter dormido com o antigo soldado da Ultra. Quando ela se levantou, Kevin não estava mais na cama. Cara ouviu o barulho do chuveiro e por isso imaginou que ele estivesse tomando banho.
Cara levantou-se e começou a vestir-se para sumir dali o mais rápido possível. Nem se deu conta que, em poucos minutos, Kevin saía do banheiro enrolado em uma toalha.
– Já vai?
Cara assustou-se virando abruptamente.
– Sim. Quanto mais longe eu estiver de você, melhor.
– Não vai nem esperar o café da manhã?
– Você pediu café da manhã pra gente?
– Na verdade eu pensei em te levar num lugar legal que tem aqui perto, mas se você quiser voltar para o seu refúgio...
Cara sorria, pensando se deveria ou não aceitar o convite de Kevin.
Stephen estava sentado tomando o café da manhã, mas não tirava os olhos do irmão com medo que este já tivesse dedurado Stephen à Marla. John espiava a mente de Stephen às vezes, à procura de informações de Marla e Luca, já que ele não se lembrava dos dois.
– Vocês três estão estranhos hoje. – Disse Marla suspeitando de algo – Não me faça ler a mente dos três.
Stephen estremeceu.
– O que vocês estão fazendo aqui, mãe?
– Do jeito que você está falando parece que não nos queria aqui. – Disse Luca, fazendo John engasgar-se com o café enquanto tentava não rir. – Você tem certeza de que não está aprontando nada?
– Luca. – O menino olhou para sua mãe rindo. – Na verdade, eu fui até o hospital onde eu trabalhei para acertar algumas coisas e Luca veio me fazendo companhia.
– Achei que ele tinha escola. – Disse Stephen na esperança de ferrar com o irmão.
– Ele tem tirado boas notas, ao contrário de você. Então não vi problema nenhum em trazê-lo.
Stephen olhou feio para o irmão que sorria exageradamente.
– O que você está fazendo aqui, John? – Perguntou Marla curiosa
– Eu... Estou... Stephen queria me ver porque ontem foi meu aniversário.
– É. Eu o chamei aqui. – Confirmou o menino.
– Deve ter sido uma comemoração e tanto. – Comentou Luca
– Nós ficamos até tarde conversando e eu acabei pegando no sono.
– Você podia ficar por aqui. – Disse Marla para o espanto de todos. – Você dormia aqui com Stephen antes. É bom que faz uma companhia para ele.
– Uma ótima ideia. – Confirmou John
Longe dali, no antigo prédio da Ultra, Russell estava jogando vídeo game com os outros garotos, mas Tim o chamara dizendo ser algo importante. Russell teleportou-se até a antiga sala de Jedikiah, por ser um caminho mais rápido e por querer privacidade. O computador não ficava na sala, mas sua voz computadorizada saía pelos altos falantes instalados ali.
– O que foi, Tim?
– Eu acho que encontrei Jedikiah. Dei uma procurada nas câmeras de segurança da cidade e em uma delas eu encontrei um homem que se parece com ele. – Tim mostrou à Russell um homem alto e loiro entrar no que parecia ser uma simples casa do Brooklyn. – Fiz um reconhecimento facial e tem 87% de compatibilidade.
– No Brooklyn?
– Sim. Eu poderia ter certeza, mas como as câmeras de segurança não estão muito boas...
– Eu já entendi.
– Tomei a liberdade de imprimir o endereço do local. Deve estar saindo agora.
– Exibido. “Cara, Tim encontrou Jedikiah”
“Agora não, Russell. Estou coletando informações. Estou conversando com Kevin.”
“O quê? Quer ajuda?”
“Tenho a impressão de que ele prefere dialogar com mulheres.”
Russell sorriu maliciosamente.
– Então... Por que exatamente você quer tanto encontrar Jedikiah?
Kevin bufou.
– Sabia que você ia perguntar isso mais cedo ou mais tarde.
– Você sabia e ainda assim me chamou para sair. Você é estranho.
– Eu escuto isso às vezes. – Falou Kevin sorrindo.
Os dois estavam numa cafeteria, sentados de frente um pro outro e conversando enquanto aguardavam o café.
– Meu irmão. Jedikiah o capturou.
– Ele está morto?
– Eu não sei. Agora que a Ultra caiu, Jedikiah é um dos remanescentes que estava em um cargo alto, ou seja, ele sabe de muita coisa de muitos de nossa espécie.
– Por que ele não se transformou num soldado como você?
– Porque ele pensava como você e os Seres Do Amanhã.
– Você sabe que existe a possibilidade de...
– Eu sei. Ele pode estar morto, mas ainda existe a possibilidade de ele estar vivo, então eu vou me focar nisso.
A garçonete chegou entregando o café aos dois.
– Posso te perguntar uma coisa?
– Claro.
– Você tomou o soro do projeto Anexo por causa dele?
– Sim. Se eu fosse até Jedikiah sem a habilidade de matar, ele teria a vantagem sobre mim. Eu não posso parar o tempo para mata-lo.
– Como você...
– O Fundador conversou conosco sobre A Máquina e o que ele pretendia. Os humanos da Ultra não sabiam de nada.
– Qual o nome dele? Do seu irmão?
– Daniel. Daniel Orick.
– Espero que você o encontre... De preferência sem nos expor aos humanos.
Kevin e Cara riram.
– Como você quer se juntar aos humanos e ao mesmo tempo se importar em se expor ou não?
– Eu não gosto dos humanos, se é o que você está pensando. – Kevin negou com a cabeça, sorridente – Mas, esse é o nosso mundo também. Nós nascemos aqui, do mesmo jeito que eles, isso significa que a solução é nos misturarmos.
– É, mas... Eu não acredito que estou dizendo isso, mas Jedikiah tinha razão. Imagina o que aconteceria se todos soubessem sobre nós?
– Homo Sapiens e Homo Superiores podem viver em paz. É só quererem.
– De onde você tirou essa ideia?
– Stephen e Jedikiah.
– Claro... Stephen.
– Ele tem uma amiga. Astrid. Ela descobriu sobre ele e não quis nos caçar e nem ficou nos amaldiçoando ou ameaçando. Jedikiah nos venera. Nos caçou porque achava que a Ultra ia ganhar a guerra, mas ainda assim, ele quer nossos poderes. Ele nos acha... legal.
– E nós somos. – Kevin riu – Será que é uma boa ideia? Humanos e Seres Do Amanhã?
– Eu tenho fé de que sim. – Cara segurou a mão de Kevin, que forçou um sorriso.
– Vocês não encontraram, Jedikiah?
– Não. Sinto muito.
– Você sabe que eu estou falando sério, não é?
– Sobre o que?
– Eu não vou desistir do meu irmão. Se for preciso revelar nossa espécie para o mundo eu vou.
– Não entendo, como isso atrairia Jedikiah.
– Porque ele também quer os poderes. Mas ele não vai conseguir se formos instintos.
– Então você vai mesmo matar todos amanhã? – Perguntou Cara retirando sua mão da mão de Kevin.
– Sim. – Disse o rapaz firmemente.
Cara teleportou-se dali com raiva por ter se deixado levar pelo encanto de Kevin. Ainda assim, precisava chegar na pista que Russell conseguira, já que no dia seguinte, talvez todos estivessem mortos.
Fale com o autor