Segredos
13 Sentimentos
Notas iniciais
Sakura Pov’s On
Assim que chegamos no hotel, fomos direto para o nosso quarto. Não era uma suíte presidencial, entretanto, era bem luxuoso e dava uma visão perfeita da praia que ficava próxima ao local. Não fazia nem cinco minutos que havíamos chegado, e Sarada ficava pulando sobre a cama com um sorriso imenso em seu rosto.
– Mamãe, quando vamos sair?
– Hoje ainda não... Terei um encontro de trabalho em um auditório próximo ao hotel, e à noite vou precisar anexar alguns arquivos do meu Mestrado para enviar ao coordenador do evento...
– Esse é o lado chato do seu trabalho... – ela começou a rir. – Tudo bem, eu espero...
– Que bom, filha... Com algumas horas, terei que sair... Lembre-se do que combinamos...
– Nada de sair do quarto, ou falar com estranhos, eu sei mãe... – ela se jogou sobre a cama e ficou deitada olhando para o teto.
– O que eu faria sem você? – me joguei sobre a cama e enchi a minha filha de beijos. Amava fazer isso. Me lembrava quando eu era pequena e ganhava a atenção apenas da minha mãe.
(...)
Antes de sair, tive que repetir todas as instruções para a Sarada. Ela ficava muito chateada com as minhas repetições, mas como mãe, sempre vivo preocupada com a minha garota.
Sakura Pov’s Off
Sasuke Pov’s On
Quando cheguei no hotel, à medida que ia andando, os olhares de todos ao meu redor ficavam sobre mim. Ultimamente, isso tem me irritado muito. Sempre me irritou. Como ia ficar na suíte presidencial, ficaria por um bom tempo sozinho antes de ir jantar com um dos meus sócios. Mas, antes de ir para a minha suíte, decidi me informar de algo com a recepcionista do lugar.
– Poderia me dizer o número do quarto da Dr. Haruno? – perguntei.
– Você...
– Sou um amigo... – a interrompi. – Um velho amigo.
– Claro... – ela procurou nos arquivos do computador e se direcionou rapidamente a mim. – Ela chegou faz algumas horas e está no décimo sexto andar, quarto duzentos e vinte e seis...
(...)
Peguei o elevador e fui subindo em direção ao vigésimo andar, onde ficaria. Me encostei na parede interna do mesmo e fiquei olhando os números do pequeno visor mudarem na medida em que o elevador subia. Quando estava no décimo andar, a porta do elevador se abriu e, mais ou menos, umas cinco pessoas entraram. Fiquei no mesmo lugar, concentrando meus pensamentos no vazio.
No decorrer do tempo, as pessoas iam saindo, restando apenas a mim e... Havia uma garotinha estranha em dos cantos do elevador. Ela usava um boné, óculos escuros e um moletom bem grande sobre o corpo. Estava até engraçado, só que era muito esquisito.
– Você está perdida? – ela ficou calada. – Hum... É muito perigoso andar sozinha... Ouviu?
– Eu sei me cuidar muito bem! – ela ficou de frente a mim e baixou os óculos. A cor dos nossos olhos eram idênticas e por um curto intervalo de tempo, senti algo diferente.
– Belos olhos... Não sou muito de falar com crianças, mas... Você me lembra alguém...
Quando a porta do elevador abriu, dei alguns passos para fora dele e segurei a porta.
– Senhor? – ela colocou os seus óculos no bolso e se aproximou de mim. – Qual o seu nome?
– Tsc... É Sasuke... – ela deu apenas um passo para trás e ficou me olhando seriamente, como se estivesse me avaliando.
– Legal, preciso ir... Minha mãe é muito preocupada... Nos vemos por aí... – ela colocou um sorriso estranho em seu rosto e apertou um botão no elevador, me fazendo soltar a porta. Assim que entrei em minha suíte, me joguei sobre a cama e fiquei olhando o teto, pensando em várias coisas. Passaria apenas três dias nesse local, e ficaria tão perto da Sakura, que fico pensando em sua reação ao me ver e lembrar de tudo o que aconteceu entre nós. Em todos esses anos, enterrei o meu passado para nunca mais ter que enfrentá-lo, mas, foi inevitável não ficar com algo disso tudo. Fiquei com uma marca imensa ao perder toda a minha família em troca daquela maldita vingança.
(...)
Flash Back On
Acordei em minha cama com uma mulher ao meu lado. Me levantei e como de costume, fui olhar no calendário para ter a certeza de que hoje seria o dia.
– Tsc... Odeio isso...
Hoje meu pai completa cinco anos de sua morte. Mesmo com todo o tempo que já se passou, fico me martirizando por não tê-lo salvo. Como havia combinado com Kizachi, hoje ligaria para a sua empresa para acertarmos alguns acordos inacabados. Depois que tomei um banho e dei adeus a essa mulher que estava em meu apartamento, peguei meu celular e desejei internamente que ele atendesse rápido.
– Alô?
– Sou eu, o Uchiha. – disse. – Quero que você cuide da transferência de dinheiro para a minha conta... Ainda hoje...
– Certo.
– E... Quero saber se entregou o dinheiro que mandei para a Sakura?
– Sempre faço isso... Digo que é eu que estou a ajudando...
– E como ela está?
– Apenas continue mantendo distância dela e de tudo ao seu redor... Ela está muito bem em Tóquio... Vai concluir a Faculdade em breve e já trabalha em um Hospital...
– Hum...
– Uchiha, por que ainda pergunta por ela?
– Preciso desligar...
(...)
Flash Back Off
Durante todos esses sete anos, tentei amenizar o sofrimento que causei à Sakura enviando uma boa quantia de dinheiro para ser entregue a ela através do Kizachi. Mesmo dizendo a mim, todos os dias, que devia enterrar o meu passado ao lado dessa garota, foi impossível esquecer a primeira pessoa que gostei de verdade.
Sasuke Pov’s Off
Sakura Pov’s On
Durante o meu encontro de trabalho com outros Doutores, meu celular não parava de vibrar. Olhei no visor e era o meu pai me ligando. Pedi licença por alguns minutos e fui atender essa ligação em um lugar um pouco distante das outras pessoas.
– Pai?
– Sakura, por que não me avisou que ia viajar?
– Sua mania de saber todos os meus passos me irrita... Estou em uma viagem de trabalho.
– E a Sarada? Ficou na casa da Ino?
– Não... Ela está aqui comigo... Pai, estou um pouco ocupada... Quando chegar no lugar onde estou hospedada com a minha filha, eu te mando um e-mail com o endereço de onde estamos...
– Assim fico mais tranquilo.
– Eu sei... Até... – desliguei o celular e voltei para as discussões.
(...)
Assim que o primeiro encontro de trabalho terminou, fui praticamente correndo para o meu quarto. Mesmo Sarada sendo uma filha responsável, ela não deixava de ter sete anos e ser apenas uma criança. Peguei as minhas chaves e abri a porta do quarto. Respirei mais tranquila, quando vi a minha menina sentada sobre a cama, lendo o seu livro.
– Mamãe! Você demorou!
– Eu sei, filha... Me desculpe... – me sentei ao seu lado na cama. Notei que o seu rostinho estava bem sério. – Não precisa ficar tão brava assim...
– Quero te perguntar uma coisa.
– E o que seria?
– Você amou o meu pai? – E novamente, fiquei assustada. Era a segunda vez que ela se interessava por esse assunto.
– Bem...
– Ele era parecido comigo?
– Ah... Sarada...
– Como vocês se conheceram? – por trás do seu rostinho interrogativo, eu via uma certa pontada de tristeza.
– Por onde eu posso começar? Eh... O seu pai morava bem perto de mim... Nos amamos e você nasceu como fruto de um grande amor... – coloquei um sorriso falso em meu rosto.
– Você está mentindo! Seu sorriso não está sendo verdadeiro!
– Filha... – meu celular começou a tocar. – Preciso atender, é do trabalho da mamãe... Ainda não terminamos nossa conversa, mocinha... – ao atender a ligação, fui informada de que o orientador da minha tese estaria aguardando a minha presença em uma das recepções do hotel. – Vou precisar sair por uns dez minutos...
– Vou ficar sozinha outra vez?
– Eu não demoro, prometo... Quando eu chegar, prometo que vamos jantar em um restaurante bem lindo...
– Ok, mamãe... – dei um beijo em minha filha e mesmo com não querendo, tive que deixa-la mais uma vez. Esse era um dos motivos de não querer trazê-la em reuniões de trabalho, mas Sarada prefere desse jeito do que ficar longe de mim por um bom tempo.
(...)
Sakura Pov’s Off
Sasuke Pov’s On
Depois de realizar os meus negócios, pensei em ligar para o quarto em que a Sakura estava. No mínimo dizer que sinto muito. Foram longas noites sem dormir pensando em sua vida, que já estava na hora de encará-la para ouvir tudo o que ela tem a dizer pra mim. Tomei algumas bebidas e decidi que já estava pronto para a minha punição.
Andei em passos firmes em direção ao seu quarto e fiquei olhando para a maldita porta que marcava o lugar onde a Sakura estava. Bati várias vezes e nada. Quando estava pra desistir, ouvi o barulho da porta se abrindo. Tentei parecer o mais calmo possível. E para a minha surpresa, não era quem eu esperava.
– Você...? – era a mesma garotinha que encontrei no elevador. Só que dessa vez, ela estava com os cabelos soltos.
– Sasuke... – ela disse o meu nome rapidamente e ficou me encarando bem assustada. – Está perdido?
– Na verdade, estou procurando uma pessoa. – seu olhar sobre mim não mudava. – É uma médica...
– Você está doente? – dei um sorriso.
– Não... Digamos que... Tsc... Estou muito confuso pra falar... – passei a mão em meus cabelos e fiquei olhando para a garotinha. Me abaixei ficando em sua altura. – Tem mais alguém com você aí? – ela negou com a cabeça. – Seus pais são bem irresponsáveis...
– Minha mãe está trabalhando... Ela é médica.
– Acho que estamos falando da mesma pessoa...
– Eh... – ela não falava nada. Minha vontade era de bater em alguma coisa, mas isso ia assustar a menina.
– Como é o seu nome?
– É Sarada...
– Hum... Não diga a sua mãe que estive aqui... Eu prometo que ligo pra ela... – me afastei da garota e fiz sinal para que ela fechasse a porta. Voltei para a minha suíte e quebrei algumas drogas de garrafas de bebidas que estavam em uma prateleira. Sentei em um sofá e fiquei com a perna inquieta pensando na besteira que fiz. – Agora tudo faz sentido... Entendi os recados estranhos do Kizachi e as informações desconexas do Naruto... A irritante teve uma filha minha... – tentei segurar, mas foi inevitável deixar apenas uma lágrima correr em minha face.
Sasuke Pov’s Off
Fale com o autor