Segredos
14 Uma Chance
Notas iniciais
Sasuke Pov’s On
Entrei em minha suíte e fiquei pensando no que deveria fazer. Não posso culpar a Sakura pelos pecados que cometi. Não havia dúvidas alguma, realmente, ela não tirou a criança que estava esperando.
Flash Back On
Marquei um jantar com o Kizachi em um dos restaurantes mais caros do país. Assim que chegamos, fomos para uma mesa bem reservada, na qual, nenhum olhar curioso notaria nossa presença.
– Sasuke, por acaso você esqueceu do nosso acordo? Eu disse pra ficar longe da Sakura!
– Não é tão simples como você imagina... – respirei fundo e dei um gole em minha bebida. – Quero te propor algo diferente.
– E o que seria?
– Vou te repassar uma determinada quantia em dinheiro para ser entregue à Sakura... Em troca, você sempre irá mantê-la segura... Longe de qualquer perigo...
– Isso inclui você.
Ficamos calados por um bom tempo. Já se fazia alguns meses que eu não via a Sakura e muito menos, tinha a coragem de olhar em seu rosto.
– Ela estava grávida. – quando ouvi essas palavras, meu corpo todo estremeceu.
– O que?
– A Sakura estava esperando um filho seu.
– Estava...?
– Sim... – ele abaixou o olhar. – Eu tentei impedi-la, mas ela mesma decidiu tirar a criança. – fiquei sem saber o que dizer, ele estendeu alguns papeis em minha direção. – Esse é o documento que prova a sua entrada em uma clínica abortiva... Quis me respaldar caso precisasse... Ela estava muito confusa, perturbada com tudo o que estava acontecendo.
Bati com meu punhos na mesa, causando um forte barulho no local. Kizachi ficou me olhando assustado da mesma forma que algumas pessoas que estavam próximas.
– Por que permitiu isso?
– Você fez as suas escolhas... Ela fez as delas... Pelo menos, nada mais mantém uma ligação entre vocês dois, a não ser o ódio que a Sakura sente... Consegue conviver com isso, Uchiha?
Flash Back Off
Decidi ir até a recepção do hotel para me informar se alguém mais, além da garota está com a Sakura naquele quarto. Entrei no elevador que estava vazio. E o lado bom, é que a minha chegada ao andar da recepção seria rápido, sem nenhuma parada. Mas infelizmente, alguém acionou uma entrada e quando a porta se abriu, dei de cara com a pessoa que eu mais temia encontrar nesse momento. Ela entrou no elevador e ficou parada me olhando. Não consegui encontrar forças para sair do lugar. A porta se fechou e ficou apenas nós dois, parados, apenas olhando um para o outro. Seus lábios se abriam e fechavam, mas nenhuma palavra saía. Passei a mão em meus cabelos e tentei me aproximar, dando um passo em sua direção.
– Não... – ela disse. – Não chegue perto de mim... – seus olhos se inundaram de lágrimas, mas ela insistia em não deixa-las cair.
– Sakura... – a porta do elevador se abriu novamente e mais duas pessoas entraram.
O elevador começou a subir e assim que chegou no oitavo andar, ela saiu. Apressei os meus passos e fui em sua direção. Eu sabia que seu quarto não ficava por aqui. Ela andava apressada em direção as escadas e assim que ela pisou no primeiro degrau, segurei em seu braço.
– O que você quer? – ela praticamente gritou e seus olhos demonstravam um ódio imenso ao me ter por perto. Não era o mesmo olhar da Sakura do passado.
– Precisamos conversar.
– Sobre o que? Sobre a sua vingança? Sobre as suas promessas não cumpridas? Ou sobre a morte dos nossos pais? Hein, Uchiha? Sobre o que precisamos conversar?
Permaneci calado. Não havia nenhum argumento ao meu favor. Eu estraguei a vida da Sakura e apenas a machuquei com as escolhas que fiz.
– Já não basta tudo o que me fez no passado? Eu sei de tudo, Sasuke... Sei de todos os seus segredos... Você me usou para se aproximar do meu pai, expondo fotos daquela maldita noite entre nós dois... – ela fechou os olhos e as lágrimas começaram a cair. – Eu te odeio! Não quero que se aproxime de mim!
– Se você sabe das fotos, deve saber também o motivo que tive para usá-las...
– Por seu irmão? Por uma vingança que apenas matou nossa família? Realmente, não quero ouvir nada que venha dessa sua boca. – ela se virou para ir embora, subindo as escadas novamente. Fiquei parado, apenas procurando coragem para dizer o que realmente queria.
– Eu sei da Sarada. – assim que ela ouviu o nome da nossa filha, seu corpo parou no mesmo instante. Ela voltou a se aproximar de mim com uma expressão cheia de medo. Assim que ficamos frente a frente, olhei para o lado devido a firmeza do seu olhar, assim que me virei, apenas senti a sua mão acercar um golpe bem forte, com os punhos fechados, em minha boca, me fazendo andar um pouco pra trás. – Droga, Sakura! – senti até um gosto metálico de sangue.
– Não fale da minha filha! – ela voltou a subir as escadas rapidamente e eu fiquei ali, sentindo uma dor imensa.
– Onde essa irritante aprendeu a bater tão forte? – perguntei a mim mesmo.
Sasuke Pov’s Off
Sakura Pov’s On
Subi as escadas o mais rápido que pude em direção ao quarto da minha filha. Assim que avistei a porta, tentei abri-la mais que depressa, trancando-a em seguida. Olhei para a cama e Sarada estava sentada, me olhando.
– Algum problema, mamãe? – tentei mudar a expressão em meu rosto e me aproximei da minha filha a abraçando bem forte.
– Vamos ter que sair desse hotel, Sarada...
– Por que você está chorando? – ela perguntou assim que notou mais uma lágrima escorrer em minha face.
– É que... A mamãe está com alguns problemas... E não quero que você se envolva nisso... – ela ficou passando a mão em meu rosto, secando as minhas lágrimas. Olhei em seu rosto tão infantil, sem ódio, tristeza. Não seria capaz de contaminá-la com a presença do Uchiha.
– E pra onde nós vamos?
– Não... Não... É perigoso sair assim durante a noite... Vamos ir embora amanhã bem cedo...
– E o seu trabalho?
– Pode ficar pra depois... O mais importante é voltarmos logo...
– Certo, mamãe. – ela ficou um pouco cabisbaixa. Liguei para o serviço de quarto e pedi bastante comida pra apenas duas pessoas.
Enxuguei minhas lágrimas e tentei controlar as minhas emoções. Minha filha segurou em minha mão e me levou até a janela para vermos as estrelas. A Sarada sempre gostou de fazer isso e por incrível que pareça, me senti bem melhor. O telefone do quarto tocou e fui rapidamente atender, era bem provável que o jantar já estaria a caminho.
– Alô?
– Se você desligar, eu vou até esse quarto e conto pra Sarada que sou o pai dela de uma vez só...
– O que você quer? – falei um pouco baixo para a Sarada não notar a minha mudança de expressão.
– Falar com você, pessoalmente... Sozinhos... Sem golpes ou gritos... Como dois adultos.
– Sinto muito, estamos indo embora desse lugar.
– Ainda não... Mandei entregar junto com o seu jantar, o número e a chave de onde estou... Venha ainda essa noite... Sakura, se você não vier, eu mesmo vou atrás de você. – e o maldito desligou. Pensei em ligar para o meu pai e avisá-lo da presença do Sasuke, mas desisti. Eu tinha que dar um fim nisso sozinha.
Quando o jantar chegou, logo avistei essa chave e a escondi antes que a Sarada notasse. Comemos juntas e ela parecia querer me alegrar com as suas histórias da casa da Ino. Assim que notei que minha filha estava sonolenta, a coloquei na cama e me deitei ao seu lado. Quando tive a certeza de que ela estava dormindo, me levantei e peguei a droga da chave para ir falar com o Sasuke. Antes de sair, me certifiquei que a minha filha estava segura e andei rumo ao quarto do Uchiha, na verdade, ele estava em uma suíte.
– Sempre egoísta. – disse assim que fiquei em frente à porta que me separava da pessoa que eu mais odiava em minha vida.
Assim que entrei, notei que o lugar estava um pouco escuro. Procurei um interruptor, mas não achei.
– Sakura. – ouvi a sua voz e fiquei parada perto da porta. As luzes se acenderam e foi aí que notei que sua expressão estava bem séria. Ela fez sinal para que eu me sentasse em uma poltrona e também se sentou bem de frente a mim. – Quer algo pra beber?
– Não.
– Eu... Tsc... – ele parecia bem desconfortável. – Não queria que estivéssemos em uma situação como essa.
– E o que você queria? Aposto que você estava louco pra me encontrar e me zombar pela minha idiotice do passado... Por ter me apaixonado por um ser tão desprezível, acabei pagando um preço muito alto.
– Se refere a Sarada?
– Não ouse falar da minha filha! – minha voz se alterou nesse momento. Respirei fundo e continuei sentada nessa maldita poltrona, sentindo o perfume indesejado do Uchiha.
– Que por sinal, é minha também...
– O que? Você por acaso acha que pode voltar agora e usar a capa de um bom homem que quer ficar ao lado de sua filha? Não pense que sou idiota! Você não tem sentimentos e não vou permitir que uma pessoa como você se aproxime da minha filha, somente minha...
– Sakura, você sabe muito bem que tive sentimentos por você...
– Não me faça rir.
– Acha que foi fácil sair daquela droga de casa pra te deixar? Eu queria você! Mas, algo em mim me lembrava todos os dias que eu precisava daquela vingança! Eu precisava honrar o nome dos Uchihas! – ele se levantou e começou a andar de uma lado pro outro, pensativo. Ele estava tão tenso quanto eu. – O Kizachi deve ter poluído a sua mente contra mim.
– Não foi necessário... Você mesmo fez isso... – me levantei também, indo em sua direção, ficando frente a frente. Ele me olhava em cada detalhe de expressão, procurando a mínima fraqueza para tentar me atingir de alguma forma. – Preciso te pedir algo. Mas, antes, eu preciso te dizer que o que houve no passado acabou com aquela Sakura... O lado bom de tudo isso é que aprendi a lidar com os meus medos quando segurei a minha filha em meus braços pela primeira vez... Ela era tão frágil e precisava de mim... – tentei ser firme em minhas palavras para não deixar nenhuma lágrima cair. – Eu escondi todo esse ódio pelo bem da Sarada! Então, não estrague a vida que construí com a minha filha!
Sakura Pov’s Off
Sasuke Pov’s On
Segurei em seu braço com muita firmeza, a impedindo de se afastar de mim. Aproximei o meu rosto do seu a ponto de sentir a sua respiração instável.
– Continue me odiando o quanto você quiser... Não vou voltar no tempo pra mudar o que fiz...
– Quero que me solte.
– Sarada é minha filha... Ela vai me conhecer.
– Por que, Uchiha? Por que não nos deixa em paz?
– Porque era você a minha paz. – soltei o seu braço e ela deu dois passos para trás. Ela sentiu que eu estava falando a verdade e voltou a se sentar na poltrona.
– A Sarada tem sete anos e gosta muito de ler livros de ficção científica, na verdade, ela diz que vai se tornar uma pessoa muito importante... Ela ama ir ao hospital em que trabalho pra entender o que faço e ela pode não perguntar com frequência, mas sei que ela sente muito a falta de um pai... – ela abaixou o olhar e deu um pequeno sorriso. – Ela é muito inteligente e me lembra você quando está emburrada ou chateada... Sarada é a razão do meu viver... Daria a minha vida para protege-la... Não a machuque ou dê esperanças falsas das coisas... Ela nunca esquece.
– Obrigado.
– Não faço isso por você.
– Eu sei. — ela se levantou e foi andando em direção a porta.
– Ligue pra mim antes... Não faça nada sem me comunicar.
– Ok.
Quando a Sakura saiu, me deitei em minha cama e fiquei olhando para o teto. Seria perigoso demais envolver a Sarada em minha vida? Eu não vou magoá-la. Não vou fugir. Preciso mostrar para a Sakura que entre nós nunca mais haverá segredos.
Sasuke Pov’s Off
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