Segredos

1 Capítulo 1 - O Pandemônio


Eu morava em um local onde a ditadura era tão severamente aplicada que parecia ser algo completamente necessário para sobrevivência da sociedade humana. Nossos antepassados não possuíam as mesmas ditaduras e regras que nos dias de hoje, mas eles simplesmente jogaram fora a liberdade que tinham de se pronunciar, isso os levou a guerras intermináveis que quase extinguiram nossa raça. As guerras nos trouxeram apenas o que chamamos de dias escuros, muitos passaram fome, foram mortos por soldados, morreram por falta de medicamentos, e mais uma vez nossa raça quase foi aniquilada por nos mesmos.

Mas quem era eu? Eu tinha só 10 anos quando ouvi essas palavras tenebrosas da boca da minha mãe, e ela dizia tudo isso com muita raiva, mas era óbvio que eu não entendia o sentido de metade daquelas palavras. Meus irmãos mais velhos discutiam sobre isso, e eles queriam fugir com nossa mãe para as montanhas, mas não me lembro bem dessa parte, pois eles logo desistiram. Era como se estivéssemos presos, não conseguiríamos fugir, estávamos confinados a ficar presos dentro de nossas casas para sempre, ou até a ditadura terminar, o que não seria de um dia para o outro.

Antigamente eu saía nas florestas com meu pai, ele ia caçar comigo, adorávamos passar aquele tempo junto longe de toda a pressão do governo. Ele tinha um arco e flecha, e caçava com o mesmo, e eu adorava o observar, mas ele também me deixava atirar, na verdade ele me ensinou e me treinou a atirar melhor do que ele. Se eu fugisse já poderia me sustentar sozinha. Ele sempre tinha um jeito de solucionar as coisas, mesmo que fossem graves, além do fato de ele ser bem calmo pra quem teve de mudar de vida por conta do governo. Antes meu pai trabalhava como leiteiro, mas ele teve de ser transferido, pois durante a guerra nossa fazenda foi destruída, e tivemos que nos mudar para a cidade, como meu pai não queria abandonar os campos, foi designado a caçar, porém ninguém tinha conhecimento que eu ia junto a ele.

Um dia eu e meu pais estávamos caçando como de costume, nenhum barulho estranho foi ouvido, além dos pássaros ao nosso redor, que na verdade faziam sons bem estranhos e as vezes irritantes. Meu pai estava prestes a abater um lobo, seria a melhor caça da sua vida, mas então ouvimos ganhos se partindo, e uma mulher apareceu atras de nós dois. Ela era ágil, desviou de todas as flechas de papai, e quando me dei conta que não era um sonho, ela estava atacando meu pai, pulou em cima dele, mas eu não vi nada, pois sua capa cobrira todo o corpo do meu pai. Tudo que consegui ouvir foi: "Corra Annie!". Eu corri desesperadamente, mas ela também me alcançou, mas diferente do meu pai ela não me machucou, ela simplesmente mordeu meu braço e me deixou ir, o que era muito estranho.

Meses depois foi anunciado que criaturas estavam vagando ao redor da cidade, como centauros, medusas, e vampiras, coisas que geralmente não saem da nossa imaginação, porém eles foram frutos de experiências cientificas, e com sua força inigualável conseguiam fugir dos laboratórios. O governo nos alertou a não sair de casa, pois já haviam várias vitimas dessas criaturas, e meu pai foi uma delas. Logo descobri que fui vitima daquela mulher, que agora sabia que era uma vampira, mas como não tive efeitos colaterais decidi não me pronunciar.

Depois de um mês trancafiados em casa, o governo autorizou a saída da população para os centros urbanos, porém tínhamos que fazer um teste de sangue que seria mandado para o governo, simplesmente para checar se ninguém havia sido infectado. Minha mãe queria muito ir a cidade comprar nossa comida, pois sem o papai nossos suprimentos acabaram rápido, como pensei que qualquer resto daquilo que havia sido injetado dentro de mim tinha sumido devido ao tempo que tinha passado, resolvi acompanha-la sem tocar no assunto novamente.

Chegamos no centro urbano, nas portas que davam direto acesso ao local tinham dois guardas vestidos de branco, eles estavam sérios, não falavam nada, apenas pediam para que estendêssemos os braços para o sangue ser coletado. O resultado era tirado na hora que o sangue entrava em contato com a máquina. Minha mãe, meus irmãos e irmãs passaram tranquilamente, eu fiquei como a última, senti meu braço sendo perfurado, o guarda olhou para a maquina, chamou o outro guarda, parecia em descrença com o resultado, novamente furaram meu braço para checar o resultado, eles se entreolharam. Chamaram outro guarda enquanto cochichavam algo. Eles se viraram para minha mãe enquanto me agarravam, e disseram:

-Ela está infectada senhora, vamos ter que leva-la para os campos de concentração.

Notas finais
Bom esse é o primeiro capítulo, é apenas uma introdução da história em si. Já que chegou no final, espero que tenham gostado, e obrigado por ter lido! ●ω●