Segredos

2 Capítulo 2 - Meu primeiro dia confinada


Acordei numa sala completamente almofadada, ela era branca por completo, e chegava a me dar claustrofobia. Aparentemente eu fui sedada para me colocarem aqui dentro, pois não me lembro de ter entrado numa sala dessa tão amigavelmente. Assim que me sentei para analisar onde se encontrava a porta uma voz surgiu e começou a falar:

–Annie, você está numa sala de confinamento secreta.

"Não me diga" pensei.

–Você ficará aqui por um tempo até retirarmos algumas amostras do seu sangue para sabermos o que te contaminou.

Para que querem meu sangue se já sabem que estou contaminada? Me clonar e criar um exército de seres tão anormais quanto eu? Um homem que mais parecia um armário apareceu, me segurou com um braço, e com o outro ele retirou meu sangue com uma agulha. Não havia necessidade dele ter me segurado, eu deixei ele retirar meu sangue sem pestanejar.

Depois de um tempo interminável a voz voltou.

–Annie, você terá um parceiro de cela, aparentemente ele foi contaminado com o mesmo tipo de célula que você. Queremos ver como vocês dois vão reagir um ao outro.

Por que raios eles estavam me contando tudo que eles iriam fazer? Eles pensavam que como eu era jovem não iria entender o que eles estavam falando?

O mesmo homem que retirou uma amostra de sangue meu, estava o empurrando para dentro da minha cela. Ele gemia e resmungava, era muito mal humorado para meu gosto. Ele era apenas aparentemente uns dois anos mais velho que eu. parecia ter 12 anos ou algo assim, era tão jovem quanto eu. O homem o jogou no chão com uma brutalidade enorme, e eu fiquei assistindo a cena, ele não se machucou pois tudo era almofadado, caso contrário ele teria arrastado seu rosto inteiro no piso. Ele tirou as algemas do garoto e disse:

–Essa é Annie, trate-a bem ou eu lhe ensinarei a trata-la bem.

Me senti lisonjeada por mesmo sendo uma aberração ele me respeitar tanto. O garoto se virou para mim e murmurou algo, mas não entendi. O homem saiu da cela e trancou a porta, assim que ele saiu o garoto se sentou e me encarou nos olhos, me arrepiei. Decidi acabar com aquele constrangimento todo e disse:

–Como é seu nome?

–Arón. -Depois de um longo tempo ele continuou- Eu gosto do seu nome Annie.

–Obrigado… Quer dizer que você também foi atacado por uma criatura… Assim como eu?

–Sim, uma vampira. Eu estava andando no bosque e ela me alcançou rápido.

Então quer dizer que naquela época ele também andava no bosque? Como nunca tinha visto outra pessoa lá além de meu pai e eu, ele devia se esconder muito bem, mas pensando bem o bosque era enorme, as chances de nos encontrarmos eram mínimas.

–Eu vi seu pai uma vez. -Ele continuou.- Eu gostava dele, até que um dia vi ele morto no chão, acho qu você ficou sabendo disso não é mesmo?

Uma lágrima escorreu pelo meu rosto, ele ainda me fazia falta. Ele notou e logo disse:

–Me desculpe, não sabia que…

–Tudo bem. -Interrompi-Ele está num lugar melhor, afinal não está aqui confinado como nós.

Um silêncio enorme corrompeu a sala, e o resto do dia se resumiu a comer e manter um silêncio enorme.