Segredo Infernal

3 Inferno na terra


– É meu...esse livro é meu...como o conseguiu Adam? — Perguntei nervosa.

– É seu? Mas isso é um grimório de uma velha bruxa chamada Marryn Corvin, você ta bebada de mais, vá embora ou vaiestragar tudo. — reclamou sem paciência.

– Seu imbecil, ela não era bruxa era minha vó!

– Pera, a bruxa do livro era sua vó? Então você é uma bruxa! Legal, você pode fazer esse lance de caçar demônios dar certo! — exclamou Adam com um sorriso malicioso enorme na cara.

– Eu não sou bruxa, e você é quem bebeu de mais...- disse tentando ficar calma.

– Então vamos jogar e veremos... — provocou ele.

– Vamos jogar... — repeti.

Adam abriu o livro e começou a procurar pelas instruções, quando as achou, pegou uma mesinha pequena que era dobrável e colocou no centro da van, ja que os bancos faziam forma de circulo lá dentro, com o dinheiro dos shows a banda reformou o automóvel todo e do lado de fora até colocaram o nome da banda, Devil's Cage, em vermelho sangue.

– Vamos desenhar essa estrela na mesa e colocar esses símbolos — disse Adam mostrando o desenho no livro, um desenho que eu ja vira tantas vezes, mas por que isso agora? Sera que eu era uma bruxa? Não, impossível! — e também vamos acender velas para colocar uma em cada ponta da estrela.

Todos começaram a se mexer, uns foram procurar giz e outros velas, por um momento até pensei em desenhar a estrela, mas o imbecil do Adam ia continuar sua teoria de que eu era uma bruxa, então resolvi procurar velas.Saí da van e olhei em volta, estavamos sozinhos na estrada, havíamos passado o dia todo no bar e ja estava bem escuro, até que ouço um barulho atraz de mim, me viro pronta para dar um tapa na cara de Adam mas não era ele, era o Matt.

– Oi...Matt... — fiquei meio sem saber o que dizer então praticamente não disse nada.

– Oi...quer uma ajuda com as velas? — ele disse sorrindo.

– Ta, tudo bem...- respondi sem jeito.

– O que foi aquilo de você ser bruxa? Maluquice né?!

– É realmente não tem nada a ver... — respondi.

Não dissemos mais nada, não precisavamos dizer nada, ele já estava a 5 centimetros de mim quando o cabeçudo do Adamgritou:

– Podem voltar, achamos velas. — Ficamos em silêncio.

– Voltem pra cá! — gritou Adam novamente.

– Vamos... — disse apontando para a van.

– Damas primeiro... — disse Matt.

– Tudo bem então. — entrei, sentei me ao lado de Stiles e esperei a anta do Adam dizer os próximos passos.

– Ok galera, agora é o seguinte, temos uma estrela de 6 pontas, cada um acende uma vela e coloca na ponta que escolheu. -dizendo isso, cada um pegou uma vela branca daquelas de enterro e colocou acesa em suas respectivas pontas. — Agora, repetimos a frase: "quod rex inferni venire, quod rex inferni oritur, unum qui habet potestatem venires ad nos."

Todos repetiram a frase menos eu, aquilo era uma bobagem, acreditar realmente que o demônio vai aparecer, ah qual é!Seria muita sorte ou muito azar de nossa parte.

– Vamos querida, você é a bruxa aqui, sem sua participação nunca vamos conseguir! — reclamou Adam.

Olhei para todos em volta, Adam com aquela cara de machão mas eu conseguia sentir sua insegurança e seu medo. Stiles, como sempre, estava com sua cara de malandro e repetindo a frase toda de qualquer jeito. Jessie e Tyler estavam com as mãos tão apertadas uma na outra que dava a entender que era uma unica mão. E por fim Matt, morrendo de medo, agora ele já não tentava mais esconder. E então repeti:

– Quod rex inferni venire, quod rex inferni oritur, unum qui habet potestatem venires ad nos.

Nesse mesmo instante eu senti o calor, senti a dor de todas as almas sofridas, senti tudo de ruim. Enquanto isso, todos se afastaram de mim, e se encolheram no lado oposto da van, eu não entendi o porque, foi então que eu percebi que eu estava falando, mas essa não era minha voz.

– O que está acontecendo? — perguntei, essa sim era eu, não aquela coisa esquisita e macabra de antes.

– Olá almas preciosas! — disse a voz macabra dentro de mim.

– Mas que merda, que porcaria é essa? — falei sem entender nada.

– Eu sou Lilith. Vocês chamaram o rei do inferno não? Pois então, estou aqui. — repetiu a coisa ou melhor Lilith.

Me levantei, todos se moveram mais para o canto apavorados, abri a porta da van, fui até o espelho do lado do motorista. Vi uma coisa horrivel, e essa coisa era eu, estava com os lábios roxos como se eu tivesse me afogado, meus olhos estavam pretos, totalmente, como se minha pupila tivesse dilatado e tomado meu olho por completo. No resto do meu rosto, minhas veias ficaram saltadas.

– Consegue me ver tambem? — perguntou a coisa dentro de mim.

Olho novamente para o espelho, do meu rosto, sai outro, olhos totalmente pretos como os outros, mas essa face eracinza e totalemte destruida, a imagem do rosto da coisa durou pouco e foi assustador, cai no chão. Mas me levantei rapidamente e entrei na van.

– Isso fica entre nós, se contarem pra alguem, mato todos! — disse, peguei o livro da mesa e sai.

Fui correndo pra casa, tentei pegar caminhos mais vazios, já que eu estava parecendo um monstro, evitar as pessoas seria melhor. Cheguei subi correndo as escadas, fechei as cortinas, tranquei a porta, coloquei o livro em cima da cama, entrei no banheiro para ver minha aparência, mas eu havia voltado ao normal.

– Estranho! — disse a mim mesma.

Resolvi folhar o livro da vovó para ver se descobria algo sobre Lilith, a coisa dentro de mim.Já eram quase 4 horas da manhã quando finalmente encontrei um artigo sobre o demônio.

"Lilith, rainha do inferno, demônio da noite e da sensualidade."

– Ah, maravilha. — disse sarcástica.

Escuto um barulho no banheiro, entro nele, não vejo nada, quando me viro para sair, uma fumaça preta entra pela minhagarganta e me faz olhar no espelho. Do lado real sou eu e do lado do espelho é ela, é Lilith.

– Olá, desculpe ter assustados seus amigos pequena bruxa. — disse ela.

– Pequena bruxa? De que merda você ta falando? — perguntei curiosa.

– Você não sabe? Você é uma bruxa! Talvez se tivesse convivido mais com sua vó e você soubesse. — disse ela com um sorriso malicioso no rosto, no meu rosto, o que era o mais desagradável de tudo.

– Eu sou uma bruxa? — perguntei incrédula.

– Ah, pelo amor de Deus, eu ja disse que é! É a bruxa mais lerda também, credo, nunca vi! — disse toda extressada, era como se eu visse minha versão da Cherity no espelho, o que me fez ficar bem irritada.

– Olha aqui, só porque você é rainha do inferno não significa que você vai governar a minha cidade, escutou? Eu nem sabia que demônios podiam dizer "Deus"! — disse com todo o meu mau humor por aquela cena toda.

– Cala a boca garota, você não sabe de nada, eu sei, e já que sua vó não te ensinou como é ser uma bruxa, eu ensino.

– Me de ao menos um motivo para confiar em você? — retruquei com raiva.

– Querida, eu te dou os 7 prazeres da vida de uma vez só e sem regras. — disse sorrindo.