See me
1 Prólogo
Notas iniciais
Flórida, 11/02/09, 23:30.
Sarah era uma garota nova, 16 anos, um tanto, fã do pai. Ela filha de um casal divorciado e separado que vivia longe um do outro. Nas férias do segundo ano, ela decidiu passar com o pai, que era Charlie Burges. O pai era um caçador. Os dois agora estavam trajando duas camisas de pelo de raposa bem pesadas e casacos de lã pretos pesados e grandes, com calças jeans e botas de chuva. Eles tinham ido caçar, procurar um urso polar que tinha sido encontrado por jornalistas mas depois desapareceu pela floresta.
- Pai, você não acha que é muito tarde para caçar?
- Nunca é. Ursos polares adoram a noite. Cuidado. Caso veja alguma mancha branca pelas árvores, já sabe que é ele. — Ele pegou uma pistola, uma arma de fogo antiga da picape e jogou para a filha, enquanto trajava a espingarda de caçador.
- Caramba.. isso é uma arma de verdade! Isso sim é caçar. Tudo bem, quando eu ver uma mancha branca é o urso. — Ela repetiu para si mesmo. Eles andaram por uma ladeira pelas árvores cheias de neve. O caminho era de terra. Eles viram mais árvores ainda, secas por causa da nevasca intensa que tinha ali, procurando, olhando para um lado, olhando para outro lado, a busca do animal silvestre. Uma mancha branca alta pairou sobre uma árvore seca e morta. Sarah alertou logo, dando um tiro falho para a árvore e avisando o pai.
- Paai, ali!! O urso!
- Valeu, filha. E cuidado com a arma. Eu vou lá, fique aqui.
O caçador correu para a árvore, mas a mancha branca não estava mais lá. Ele andou um pouco mais além, tentando achar.
Se passou minutos.
Mais minutos ainda. Sarah ficou preocupada.
- Pai, você tá aí? — Ela gritou pelo eco e silêncio sombrio da floresta. Não foi ouvida nenhuma resposta. Ela resolveu andar até onde o pai tinha ido, chamando pelo nome dele, para ver se conseguia achar. Ela se sentiu observada e ficou com um pouco de medo, andando trêmula pelo bioma nevado. Ela viu pelo canto do olho, uma mancha negra se aproximando dela. Ela tremeu e suspirou, fechando os olhos.
- Ficou louca? Eu falei pra você ficar lá. Não achei nada. — Ela tomou um susto, quase gritando, conseguindo conter pela mão que colocou na boca. Ela foi aliviada completamente.
- Ali! — O pai apontou para outra montagem branca perto de uma árvore que estava parada silenciosamente. Ele correu bem rápido para ela, sumindo no horizonte, visto que estava seguindo o que era aquilo.
Sarah resolveu ir atrás para não ficar sozinha, mas acabou tropeçando no meio do caminho em um granizo na neve pesada e caiu. Quando ela se levantou, tinha perdido Charlie de vista. Ela gritou o nome dele três vezes, novamente não houve resposta. Ela resolveu esperar.
Ela sentiu alguém a observando de novo, e viu uma mancha negra atrás dela. Ela sorriu, aliviada e já sabendo quem era, olhou para trás. Mas não era Charlie Burges. O que estava ali era um homem, ou algo, extremamente alto.
Devia ter dois ou três metros de altura, com um terno negro que estava se misturando com a escuridão da noite sombria e a cor morta das árvores. As mãos, pálidas como a neve, mas não azuis, e sim totalmente brancas, sem nenhum tom. Seu rosto era também muito pálido e branco, não tinha nenhum outro tom de cor a não ser o branco assustador e maléfico. Ele não tinha características faciais, seu rosto era literalmente vazio. Não tinha olhos, nem nariz, nem boca, orelha ou algo do tipo. Somente sangue na parte inferior do rosto, que formava basicamente, uma linha sanguinolenta que parecia representar um sorriso fértil. Sarah gritou.
Mas rapidamente, seus gritos foram silenciados quando das costas da "pessoa", saiu o que parecia ser cordas ou tentáculos negros. Ela caiu no chão tremendo e assustada e rastejou para trás, conseguiu se levantar e correr, indo para muito longe. Ela corria como nunca, não importando se viveria para o outro dia, alcançando a picape e ficando dentro dela.
Ela não viu a criatura branca novamente, então era um bom e ótimo sinal.
Quando ela olhou para o retrovisor, pareceu ter visto ele atrás do carro. Se assustou e quando olhou para a janela, estava parado lá, mas de tão alto que era, ela conseguia apenas enxergar as roupas pretas da parte da cintura. O vidro da janela trincou e quebrou lentamente. A porta simplesmente caiu na neve. Ela gritava, se afastando para o banco do motorista.
E os gritos de horror dela, foram substituídos por gritos de dor. Depois, os gritos foram calados. Para sempre.
"Sarah e Charlie Burges, desaparecidos no dia 11 de Fevereiro. Se você tiver alguma informação, não perca tempo, ligue para a polícia e informe o paradeiro deles. A Polícia Municipal da Flórida agradece."
Está atrás de você.
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