See me
2 A
Notas iniciais
Primeiro Mandato
2006: Família Woods é encontrada brutalmente morta em sua própria residência. Os três corpos foram reconhecidos, e o corpo do filho mais velho não foi encontrado, dando Jeff Woods como desaparecido.
Seattle, 23:10. Dia 31 de dezembro de 2009.
Alex Rosen estava comemorando com seus sete amigos o ano novo em casa. A casa estava com uma mesa cheia de comidas e guloseimas, com tudo que é bom e é direito. Frango, salgadinhos, doces em abundância, bolos e outros. Todos usavam roupas brancas, era o primeiro ano novo de Alex e Thaís Rosen, os irmãos a passar sem os pais, que estavam em viagem a trabalho em Los Angeles. Alex era um garoto magricela, com cabelos louros amargos quase castanhos, olhos esverdeados e pele amarelada bronzeada. Estava usando uma camisa branca e por cima um blazer branco, calças jeans e sapatos sociais brancos. Thaís era a irmãzinha caçula, mais nova, de oito anos de idade, usava um vestidinho tomara-que-caia de criança, os cabelos suavemente presos e enrolados em duas tranças loiras. Ela era o oposto do irmão, que era considerado “feio”. Ela era branca dos olhos azuis, o cabelo loiro brilhante e seu rosto representava toda a fofura do mundo. Ela calçava pequenas sapatilhas verdes claras. Os outros sete amigos eram Dan, Charlie, Bryan, Annie, Caio, Claire e Lídia.
– Daqui a pouco é o ano novo. – Disse Dan. Ele era ruivo vermelho dos olhos castanhos. Mas os olhos dele nem parecia castanho, era uma escuridão que parecia sugar a luz das lâmpadas. A pele dele era pálida e ele era o ÚNICO que usava roupas pretas. Camisa preta, bermuda jeans preta e sandálias pretas. Ele tinha um colar de seu pai que morreu tem tempo sempre preso ao seu pescoço, que era no formato de um coração. As pessoas que o zoavam de gay, “viadinho” ou algo do tipo por isso, sempre terminavam bem espancadas. Bem, me deixe explicar, Dan é forte e é frequentador da academia Liammey que existe perto da rua de Alex. Lá só sai gente com músculos por toda a parte, era o caso de Dan.
– Eu vou estourar os fogos de artifício, pode? – O ruivo perguntou, se revirando para o amigo Caio. Caio é a ovelha negra do grupo, embora esteja usando roupas brancas. Ele é parado, sério e quieto, quase nunca fala. Era moreno, cabelos pretos e olhos verdes. Usava as mesmas roupas de Dan.
– Não sou eu que decido isso. O dono da casa é o Alex. – Caio respondeu. Annie e Claire conversavam com Bryan no sofá para quatro pessoas. Annie era uma das mais sabidas do grupo, era a nerd que ajudava todo mundo na escola dando cola secretamente. Ela era branca, tinha cabelos vinhos pintados caindo até os ombros e olhos azuis sedutores, protegidos pelos óculos. Usava um vestido branco com decote simples e parcial. Claire era um pouco mais solta, a típica garota baladeira. Usava um vestido tomara que caia grande branco e saltos brancos. Bryan usava as mesmas roupas que Dan também.
– Ah, pode. Desde que você faça isso no quintal e não aqui, tudo bem. – Alex disse, rindo.
– Vou esperar dar meia noite para soltar os fogos. Pra se juntar com os barulhos dos fogos dos vizinhos. – Dan respondeu.
– Alex, essa mancha que tem na sua parede é muito assustadora, dá um calafrio. Por que você nunca tirou isso com cimento ou tinta? – Claire falou, olhando para a parede perto da janela. Ao lado do sofá vermelho, tinha uma pequena pintura um pouco rabiscada e cheia de traços fora do lugar. Era um círculo com um X bem no centro do círculo, só que as pontas do X estavam saindo da linha do círculo e passando. Abaixo, estava rabiscado algo que só dava para ler até a metade, o resto estava ilegível: “O Operad” e daí ficava ilegível. Possivelmente, estava tentando escrever “O Operador”.
– Eu não sei, a Thaís disse que não foi ela. Apareceu semana passada, um dia depois do aniversário dela. – Alex respondeu, olhando pra mancha enquanto bebia a cerveja. – Tentei apagar com sabão e com álcool, mas não saiu. – Continuou.
– Caramba, é assustador isso aí. Eu duvido muito que a Thaís tenha feito uma coisa dessas, ela é tão fofa e santa. – Claire riu.
– Tá, tá... Mas agora se liguem, daqui a pouco iremos para 2010. A contagem regressiva vai começar em algum momento, alguém tá com o cronômetro? – Annie perguntou.
– Eu estou. – Caio respondeu, e todo mundo percebeu ele como um susto, já que ele não falava, e quando falava, era repentino. – Coloquei o celular para ativar o cronômetro quando faltar 10 segundos as 23:59.
– Nossa, Caio, você não vai falar nada nem no dia do ano novo? – Bryan olhou para ele, perplexo.
– Não. – Ele respondeu, frio.
– Cara, eu tô doido pra comer esse bolo de ano novo. Parece delicioso. – Dan disse, trocando o assunto. O bolo no centro da mesa era majestoso. Tinha várias camadas brancas e era totalmente branco, claro. Baunilha e Chantilly por cima e uma cereja no topo.
– Espere grandalhão. Ainda são 23:45. – Bryan fez um “pare” com a mão.
A janela da casa estava um pouco bagunçada. Tudo o que se podia ver em tanta sujeira mesmo no dia de ano novo era a escuridão da noite, algumas manchas de graxa, por algum motivo desconhecido, e uma mancha redonda em forma oval branca no topo da janela, devia ser outra sujeira também.
– Gente... Eu tenho medo de fogos. – Thaís disse, com choramingo no tom da voz. – Precisa soltar fogos? Acho que o homem de terno não gosta de fogos.
– Não se preocupe, o homem de terno adora o ano novo. Isso é, adorar fogos. – Annie disse, pegando as mãos de Thaís e sorrindo. – Aliás, Alex, quem é esse homem de terno mesmo?
– Um amigo imaginário dela. Ela diz que um homem alto de terno protege ela dos maus ao redor dela, que é o anjo da guarda dela ou algo assim. – Alex falou.
– Ele não é imaginário. É real. Ele tá na janela, ó! – Thaís apontou o dedo para a janela suja. Alex olhou e riu.
– Nada, tudo aquilo ali é sujeira. Vou lavar tudo amanhã. – Alex respondeu.
Um barulho de celular apitando ecoou pela sala enorme da casa térrea. Caio pegou o aparelho do bolso que estava apitando.
– Vai começar a contagem regressiva. – Ele falou.
– DEZ – Todos disseram em uníssono, falando bem alto. Até mesmo Thaís.
– NOVE,
– OITO,
– SETE,
– SEIS,
– CINCO,
– QUATRO,
– TRÊS,
– DOIS,
– UM...
– ANO NOVO! – Todos gritaram de emoção e o êxtase invadiu todos. Pularam e as músicas das caixas de som ligaram. Todos começaram a dançar. Eles pegaram champanhe e o abriram. A tampa voou junto com um enorme jato do champanhe que caiu no chão com força. Eles colocaram em taças e brindaram, claro, exceto para Thaís, que brindou com uma taça de Coca-Cola colocada gentilmente por Annie.
– Muita paz, amor, riqueza para 2015. Espero que seja o mesmo para vocês. – Dan falou, com ironia no tom da voz. Todos riram.
Exceto Thaís, que estava vidrada, olhando com desdém para a mancha branca oval na janela, que simplesmente sumiu dali, de alguma forma.
E todos continuavam a festejar, e a partir o bolo branco em pedaços para todos.
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