See Me
16 See me
Notas iniciais
Como hoje é meu aniversário, revolvi dar um presente a vocês *_*
Eu sei que tenho demorado, mas até o dia 18 as coisas estão tensas por aqui então vão ter que ter paciencia amores, não tem solução, os cap vão demorar mais do que o normal. =/
Agradecimentos especiais a TODAS as fofuras que me deram parabens no face *3* bigadu! E a gabi e vanvan pela recomendação e claro a todas pelos reviews *___*
Boa leitura e desculpem os erros.
Capitulo 16
See me
Todos estavam ali por perto do estádio acreditando fortemente na nossa reconciliação, o time inteiro, junto a minha mãe e os amigos do papai...Mas somente eu e o papai fomos com a ambulância, pois ao que parece os pais dela nem sabiam que estava aqui...Durante a ida, ele me entregou uma aliança que tinha achado não muito distante da onde o acidente aconteceu, era minha, ela tinha trazido pra me devolver quando nos encontrássemos, o que acrescenta mais ainda minha carga de culpa, pois se eu tivesse ligado pra ela e dito que eu já não estava zangado isso não teria acontecido. Sentado há horas perto da UTI eu já não tinha lágrimas pra chorar, só conseguia olhar pro nada desolado. Minha mãe me trouxe um suco, mas não tinha força se quer pra segurar a caixinha.
–Falou com o irmão dela?!-Perguntei ao meu pai que tinha se afastado com meu celular pra contar ao Johnny, minha voz estava tão rouca que falhava.
–Eles vão demorar um pouco, mas vão vir, parece que o pai dela desmaiou quando ele contou...-Dei uma risada amargurada lembrando do senhor Taylor. Eloise era o bebê dele, a caçulinha que não podia se desgrudar... E eu nem pude protegê-la. Um médico saiu às pressas da onde tinham levado a Eloise com o semblante preocupado.
–São a família da menina!?-Perguntou ele de forma célere, e fizemos que não.
–Ela veio pra assistir a um jogo, a família dela mora em outra cidade, mas já está a caminho, como ela está?!-Explicou meu pai, eu mesmo não tinha condições de falar, mas ainda bem que ele perguntou.
–Ela sofreu lesões na cabeça, preciso da autorização da família dela urgentemente para fazer uma cirurgia, se não for feito, as lesões podem gerar sequelas graves ou até mesmo leva-la a óbito....-Eu por pouco fiquei sem ar.-...Conseguem contatar a família?-Meu pai tomou a frente fazendo que sim e tomando as iniciativas, eu não conseguia se quer raciocinar....Eu vou perder a Eloise?
–Pronto doutor, a mãe dela está ao telefone...-Notei ele se distanciar pra conversar com ela enquanto meu pai segurou no meu ombro.
–Fica calmo, vai dar tudo certo.-Disse ele, porém eu não conseguia ter aquele otimismo.
–Certo, vamos dar inicio aos procedimentos, vocês!-Ele apontou pro meu pai.-...Assim que a família dela chegar leve eles até o banco de doação de sangue pra ver quem é compatível com ela.-Nisso voltou a sala.
A cirurgia, transfusão de sangue, o braço quebrado e o fêmur que parecia ter sido trincado... A cada coisa que eu ouvia do que fariam para tentar salvá-la meu coração se apertava enquanto eu me encolhia naquela cadeira esperando impacientemente por uma boa noticia, como ela não estar mais em perigo. Eu via as pessoas passando de um lado pro outro, volta e meia um choro ecoava com alguém perdendo um ente querido, um medo enorme me consumia de eu ser o próximo nessa fila de receber os pêsames.
Nem sei quantas promessa a essa altura já tinha feito, prometi que não me envolveria mais com gangues, que seria mais gentil com pessoas que não gostava, que iria a igreja mais vezes, que ajudaria famílias carentes, que seria mais justo, que jamais tiraria aquela aliança novamente.... Acabei esquecendo boa parte delas enquanto inventava mais um monte, mas para cada uma a dor ia se acumulando e o tempo que passava tão lentamente.
–Dillan...-A voz que me chamou era familiar, Johnny me fitava angustiado com os olhos lacrimejando e com os pais e os outros irmãos atrás dele.-...C-cadê ela?!-Perguntou em um fiapo de voz, apontei para a porta do meu lado sem conseguir falar direito.
–A-ainda n-na UTI...-Minha voz estava bem pior que a dele, rouca, fraca, chorosa de um tanto que nem sei se ele conseguiu me entender.
–Como isso aconteceu?-Quando a mãe dele tomou a frente inconformada eu não aguentei encarar ela, muito menos dizer que era tudo minha culpa, para variar voltei a chorar.
–Com licença?!-Meu pai mais uma vez ficou a frente fazendo o que eu não conseguia.-Eu sou o pai do Dillan, por favor, venham comigo um instante....-Ele levou eles até a recepção para contar tudo que tinha ocorrido.
Minha culpa era tão grande que não sabia como encará-los, assim que voltaram notei o senhor Taylor sentar na cadeira ao meu lado aflito e todo choroso, acho que o sentimento de incapacidade era tão grande nele quanto em mim.
–Eu s-sinto muito....-Minha voz falhou, mas eu tinha que dizer aquilo.-....É tudo minha culpa, se eu tivesse prestado atenção, se eu tivesse ligado pra ela na noite anterior... É culpa minha, é tudo culpa minha....E-e-eu sinto muito, toda força que eu ganhei ao longo dos anos não serviram pra nada.... Nem pra protegê-la....-Eu já estava chorando novamente.-...Eu sinto muito...Eu sinto muito.... Eu sinto muito.... Eu sinto muito...-Eu iria pedir quantas vezes fosse preciso, porém uma mão tocou meu ombro junto a um semblante ainda que triste complacente.
–Até parece que você não conhece a maluca da minha filha....-A mãe dela sentou do meu lado sorrindo sem jeito.-...Ela sempre foi assim e na verdade isso é meio que uma característica hereditária, sabe?!-Agora ela mirou os próprios filhos contente.-Ian quebrou a perna quando tinha 18 anos em um acidente de moto, estava ele na frente e o John atrás, pro irmão não se machucar ele jogou o peso dela em cima dele...-Ela apontou pro mais velho que sorriu confirmando.-...Karl levou uma surra de 7 brutamontes quando tinha 16 anos no lugar do melhor amigo que tinha mexido com a namorada de um deles, ficou uma semana no hospital se recuperando das pancadas....-Ela apontou pra ele que também riu fazendo que sim.-...E esse palerma do seu lado...?!-Apontou pro marido que a mirou tristonho.-....Perdi as contas de quantas idiotices já fez pra defender o irmão durante a faculdade, até tirar a roupa durante uma apresentação ele já fez na época em que alguns boatos maldosos saíram....-Ela deu uma risadinha para si mesma.-...Você não conseguiria impedi-la de fazer o que fez, está no nosso sangue ter o instinto de proteger quem amamos.-Apesar de gostar de ouvir aquilo, eu não conseguia me sentir menos culpado.
–Mas era minha obrigação, eu que tinha que estar ali naquela sala, eu preferiria estar ali, eu queria estar ali, eu daria tudo para estar ali ao invés de aqui tendo que esperar morrendo de medo do médico sair com a expressão triste e dizer um 'lamento'.... E a senhora não entende, mas eu poderia ter evitado isso se não fosse tão covarde em não procurá-la.... É culpa minha...-Abaixei o rosto desolado e ela tornou a tocar meu ombro.
–Seria culpa sua se tivesse uma bola de cristal, mas não tem e nada a faria mudar de ideia, conheço Eloise, ela seria capaz de fazer tudo de novo se garantisse sua segurança.
–Nada me convence de que eu poderia ter evitado isso.... Se alguma coisa acontecer....Eu... Eu...-Meu pai ficou na minha frente.
–Dillan eu já disse que vai dar tudo certo, venha...-Me puxou fazendo com que me levantasse.-...Você precisa comer algo e descansar.-Neguei me forçando a sentar.
–Não estou com fome....
–Você tem que comer, faz uma sete horas que não come nada...-Ele segurou meus ombro me forçando.-....Além disso, você não prometeu para ela que traria o troféu?-Abaixei o rosto afirmando.-Não acha que deve isso á ela?!-Ele falou isso com a intenção de pesar na minha consciência, respirei fundo me levantando passando a mão pesadamente pelos cabelos acenando pros pais dela.
–Vou ligar pros garotos, se eu prometi, eu vou cumprir!-Falei em um tom determinado, fui pra perto do John acenando.-...Me ligue se tiver qualquer noticia.-Ele fez que sim e eu sai com o meu pai, mas antes de me distanciar de vez me virei pra eles.-....Mais uma vez..Eu sinto muito, assim que o jogo acabar eu irei voltar para cá.-Nisso me despedi e sair de vez ao lado do meu pai e da minha mãe, meus pés as vezes tropeçavam uns nos outros, enquanto meus lábios tremiam chorosos, eu sentia meu corpo doer a cada passo que distanciava dela, rezava para que quando voltasse ela estivesse acordada me chamando de capitão contente por ver o troféu.
Dizer que não estava chorando ou que não chorei seria a maior das mentiras diante deles, até por que na verdade não era necessário já que muito deles estavam com os olhos vermelhos de quem tinham chorado. Eu juntei forças para ficar perante eles, respirei fundo sentando em um banco escolhendo as palavras mais próprias, o que era difícil, pois o que eu poderia dizer para incentivá-los em um momento como esse se nem eu tinha um pingo de estimulo?
–Vocês...-Iniciei dizendo ganhando a atenção de todos, até do treinador que estava um pouco preocupado conosco.-...Vocês se lembram....Com muito pesar, que no ano passado nosso time perdeu um membro muito importante... A mãe do Julian, nossa fiel torcedora, que nós apoiava até quando nosso time estava uma porcaria, nos deixou....-Suspirei encarando eles.-...Foi difícil, ela nos ouvia, nos tratava muito bem, nos apoiava e então, foi tirada, mas eu tenho pensado em uma coisa que sinceramente não me sai da cabeça, algo que me diz fortemente que para ela o melhor que poderíamos ter feito para homenageá-la, para a presentear, para honrar sua memória seria termos ganhado aquele jogo....-Cocei os olhos engolindo seco para minha voz não falhar.-...A-a Eloise... Graças a Deus, ainda está com a gente, mas antes do acidente ela me fez prometer que dessa vez nada nos faria perder esse troféu...-Me levantei com o olhar determinado, eu queria o troféu, mas por causa dela do que por mim, só que sozinho o jogo não seguia.-Hoje não existe a opção de derrota, hoje nós venceremos, pela mãe do Julian, pela Eloise que cuidou tão bem e defendeu nosso clube, pelo nosso esforço durante anos, por nossos pais que estão nas arquibancadas torcendo por nós e obviamente por nós mesmo, sabem por que?!-Questionei eles que se entreolharam fazendo que não.-...Por que ninguém me convence de que vocês merecem isso mais do que qualquer um nesse mundo.-O sorriso fraco deles eram o melhor que poderiam me dar, porém a determinação nos olhos gritando para mim que íamos sim vencer era o que eu precisava, por que sorrir, isso nem eu poderia fazer.
A verdade era que estávamos frágeis, o time adversário sabia disso, porém por nossa sorte ou dignidade deles, não vi nenhum deles nos atacarem com palavras, pois eu tinha medo que no meio do jogo começassem a falar merda desestimular os garotos, mas não teve isso. Foi difícil, nossas falhas estavam aguçadas, mas o home run do Julian nós salvou em um ponto critico, nunca vi sorriso mais largo do que aquele no rosto dele a quase um ano e meio. Eu?! Não importava o horário, a situação ou o que fosse, fiquei imaginando o tempo todo minha ajudante no espaço onde ficavam os reservas gritando por mim e xingando os adversários, as vezes conseguia imaginá-la brigando com algumas meninas que pulavam acenando pra mim.
Quando o jogo terminou nos obrigaram a tirar fotos com o troféu, alguns garotos conseguiram comemorar pulando uns nos outros, porém os mais próximos da Eloise não dermos conta de parecer tão alegres assim. Depois de algum tempo fomos liberados para ir embora, eu pedi a todos o troféu para levar ele, felizmente ninguém discordou, voltei ao hotel tomei um banho e junto com a minha mãe e o Devan fomos pro hospital, papai pelo visto já estava lá.
–Como ela está?!-Perguntei aflito assim que vi ele se aproximando.
–Bom....-Suspirou mexendo os ombros.-...Ocorreu tudo certo com a cirurgia, ela já saiu da UTI e os médicos disseram que por enquanto o caso dela é estável, mas ainda está sob observação, para ver como se recupera.-Eu acenei que entendia mostrando o troféu pra ele que sorrio.
–Quando eu vou poder entregar?!-Ele pigarreou indo em direção a mãe dela que agora que tinha me visto e veio até mim.
–Primeiro lugar?! Uau, meus parabens!-Disse ela e eu neguei.
–É pra Eloise, disseram se já pode receber visitas?-Ela suspirou fechando o semblante.
–Eu posso colocar no quarto dela, não acho que... Q-que não vai querer vê-la no estado em que está....-Mencionou isso um pouco tristonha e isso me apavorou.
–O que?! Por que?! O que aconteceu?! Claro que eu quero vê-la!-Acenou com a mão me acalmando.
–Ela está estável, acontece que Eloise sofreu muitos traumas e ferimentos, não é a Eloise que você costumava ver todos os dias...-Respirei fundo entendendo aonde ela queria chegar.
–Eu não me importo... Só quero ficar perto dela um pouquinho...-Ela fez que sim e caminhou até uma das portas batendo e entrando. Esperei um tanto logo avistando o senhor Taylor sair de lá choroso.
–Não pode entrar muitas pessoas e não faça muito barulho...-Disse a senhora me puxando pelo braço vagarosamente.
Meus olhos se encheram de água novamente ao ver minha espontânea ajudante deitada em uma cama com o braço e a perna engessados, seu rosto estava todo machucado e a cabeça enfaixada por causa da cirurgia... De fato ela não parecia minha Eloise, mas ouvir a frequência cardíaca dela junto a respiração calma foi me dando tanta paz que consegui segurar um pouco do choro e me aproximar... As feridas se cicatrizam, o gesso um dia será tirado e tudo nela poderá voltar ao normal enquanto ela estiver viva, era isso que me aliviava, eu não a tinha perdido. Fiquei mais feliz ainda de lembrar que quando acordasse eu poderia dizer a ela o quanto a amava sem medo de tocá-la.
Coloquei o objeto em um canto e puxei uma cadeira para o lado da cama dela tocando em sua mão, estava quente, ainda que a respiração parecesse fraca e naquele estado tão frágil eu não consegui segurar lágrimas que agora já rolavam mais calmas e no fundo feliz por poder ficar perto dela.
Infelizmente eu não pude ficar ali por muito tempo, nem os pais dela poderiam, pois volta e meia o médico entrava para averiguar o estado dela, então ele disse que para prevenir qualquer problema era melhor deixar somente as enfermeiras ir e vir do quarto.
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Eu não iria embora da capital sem a Eloise, mas meu pai precisou ir e levou o Devan, acabou que eu fiquei com minha mãe no hotel, os meninos também já tinham voltado para casa. Numa noite fria em que estava no hospital tinha acabado de dar uma olhada nela e de repente uma febre súbita a fez piorar ao ponto de ter que voltar para UTI...E lá estava eu junto a familia dela aflito por essa angustia de nunca dar conta de fazer nada por ela a não ser aguardar.
–Eu não me conformo com isso, tinha quer ser EU!-Murmurei para a mãe dela que tocou meu ombro.
–Não diga isso, Eloise não ia permitir uma coisa dessas, além do mais ela vai ficar bem....-Nem ela tinha tanta certeza disso.-...Otimismo, não foi você que pegou um bando de "meliantes" que ninguém acreditava que tinha jeito e transformou em campeões?!-Eu não sabia onde ela tinha ouvido isso, porém deduzi o John que era cheio de moralismo e deve ter dito isso.
–É, mas o que eu posso fazer agora?-Ela respirou fundo segurando minha mão.
–Ter fé.-Sorri amargurado pra ela concordando.
Minha mãe insistiu que deveriamos voltar pro hotel por que eu estava com uma cara pessima e já cheirando mal por estar a quase 18 horas sem tomar banho, eu nao contrariei por conta de nao querer brigar no hospital e concordar que eu já estava passando da validade.
Naquela noite....Eu sonhei com ela....Sonhei que me chamava o tempo todo, sonhei que ouvia sua risada descontraída, tinha também um riso que eu não identifiquei de quem era, só que parecia bem juvenil, mas me fazia sentir feliz ao ouvi-lo. Eu não cheguei a ter uma visão, porém sentia verdadeiramente seus toques e abraços.
–Dillan?!-No escuro sentado na cama eu toquei meu rosto molhado tanto de suor quanto de prantos, minha respiração descompassada e minha tosse acabaram acordando minha mãe.-Filho você está bem?!
–E-eu...Eu não sei o que fazer mãe.... Parece que está tudo desabando! Se ela...se e-la morrer...E-u eu não quero vi...
–Não diga isso Dillan!-Ela ligou a luz indo pro meu lado.-....Meu filho eu sei que foi um baque e tanto, mas....
–Não foi um baque mãe! Se ela não sobreviver, acabou tudo pra mim....-Por mais estranho que parecesse ela me abraçou.
–Você forte, vai superar!-A mirei indignado.
–Eu não quero superar, não fale como se me conhecesse, só está aqui por que o papai mandou mesmo?!-Limpei o rosto e ela pigarreou.
–Eu estou por que quero...-Ela suspirou.-....Sabe, quando vocês eram pequenos seu irmão estava no hospital e eu estava num pique só, indo e vindo pra cuidar tanto de você quando do Devan...Mas aí você virou pra mim e disse que não precisava de uma mãe... -Eu nao me lembrava disso, mas seu tom de voz era tão rancoroso que não duvidei que isso era a razão pela qual ela me tratava com tanta indiferença.
–Então é por isso? Que faz tanta questão de...Dificultar tudo pra mim?-Ela negou chorosa.
–Não era pra ser assim, mas toda vez que eu tentava fazer se arrepender do que tinha dito mostrando que você precisava mesmo de uma mãe você dava a volta por cima! Eu nunca consegui te derrubar e agora sei que nada vai conseguir.... Você é um garoto incrivel Dillan, eu soube disso quando o médico disse que você era forte como um leão....-Neguei chorando.
–Eu preciso de uma mãe, agora mais do que nunca...-Me joguei no colo dela morrendo de medo do meu telefone tocar com más noticias, mas pelo menos dessa vez eu poderia contar com alguém.
Noticias más correm rápidas como o vento, mas as boa parece que nos pegam desprevenido, tinha terminado de sair do banho para só então tomar o café e ir voando pro hospital quando minha mãe apareceu sorridente com o celular na mão dizendo que um dos irmão da Eloise estava no outro lado dizendo que minha amada tinha despertado. Meu peito inchou bruscamente como um balão, ultimamente ele estava tão frágil que até noticias boas conseguiam sensibilizá-lo, mas o sentimento de agora não era tão tortuoso, ao contrário era reconfortante saber que quando eu fosse pro hospital poderia ouvir o som da voz dela e ter a chance de conversar com ela.
–Ahhh sobre isso, minha mãe acha melhor você ir mais tarde...-Mais tarde?! Nem pensar.
–Não, não, eu to indo para aí agora John!-Ele suspirou do outro lado.
–Dillan tenta entender, no estado em que ela está ela acha que você não vai gostar dela, está insegura...
–Essa é a coisa mais idiota que eu já ouvi na vida! Acha que se eu não gostasse dela teria voltado ai pra continuar vendo ela?-Retruquei.
–Hey eu sei, mas isso é com ela... Só estou te alertando pro caso dela dizer que não quer te ver.–Eu desliguei pensativo, é claro que ela não estava como antes eu sabia disso, alias ninguém ficaria o mesmo depois de ser atropelado por um carro... Mas ela já acordou acreditando que eu não ficaria com ela por causa da aparência? Será que essa cabeça oca não aprendeu nada com essa historia toda?!
Eu dei um tempo sim antes de ir, não por que não queria vê-la e sim por que imaginei que a familia dela a essa altura estava curtindo ela no momento, eu queria ir e ficar sozinho com ela sem aquele monte de pessoas lançando risinhos pra gente.
–Esperava ver você mais cedo...-Mexi nos cabelos envergonhado quando a mãe dela me disse isso com um sorrisinho malicioso.
–Eu não queria atrapalhar o momento em família...-Murmurei sem graça e ela pigarreou.
–Então filho... Como eu posso dizer isso....?! Ela.. Não quer que você a veja.-Franzi o cenho girando os olhos.
–O que?! Qual é senhora Taylor, sabe que estou aguardando isso tanto quanto vocês!-Ela mexeu os ombros sem jeito.
–Ela esta com medo que se você a ver a ache feia e não queira ficar com ela...-Suspirei me acalmando.
–Eu já a vi, disseram isso a ela? Se fosse pra eu ir embora já tinha vazado a muito tempo!
–Eu sei! Mas a Eloise é cabeça dura e...-Sorriu de lado negando.-...Gosta muito de você.-Acabei não segurando meu próprio sorriso por gostar de ouvir aquilo.
–Eu preciso vê-la, tenho tantas coisas pra falar com ela, não quero ser egoísta, mas já sendo eu não estou nem ai se ela quer me ver ou não... Eu tenho que ficar um pouco com ela.-A senhora pigarreou concordando.
–Está bem mocinho, você venceu, me dá só um minutinho com ela, tudo bem?!-Eu fiz que sim ansioso.
Fiquei aguardando ela me anunciar, mas pela expressão de zangada que fez e o berro de “NÃO” da Eloise ficou obvio que tentar convencê-la não seria tão fácil, assim que a mãe dela lançou um olhar duvido se eu ainda queria entrar mesmo ela não querendo me ver eu fiz que iria sim.
–Larga de ser fresca Eloise! Entra Dillan!-Disse ela em um tom alterado e eu entrei com minha mãos quase tremendo, ela estava acordada, eu iria mesmo ouvir o som da voz dela e dessa vez não era um sonho indecifrável.
–Obrigado senhora Taylor!-Agradeci já estranhando minha ex-ajudante encasulada no lençol do hospital, que exagero.
–Qualquer coisa me chame!-Ela fechou a porta e eu fui me aproximando lentamente querendo rir.
–Certo.-Conforme eu ia chegando perto aquela maquina estranha que dizia a frequência cardíaca dela ia aumentando, chegou a um ponto em que eu não aguentei segurar o riso.
–Vá embora! Eu não quero falar com você!-Finalmente ela falou eu puxei a cadeira pra senta perto dela, com a voz encantadora que eu almejava esses dias todos ouvir, a mesma que se declarou pra mim diante no estádio... Senti no fundo do peito que esse seria um daqueles momento em que ficam marcados na nosso memoria pra sempre.-Anda capitão eu já disse que não quero te ver!-Eu dei uma risada sem querer ofende-la.
–Sua frequência cardíaca diz outra coisa!-Se remexeu na cama soltando um bufo de nervosismo.
–Essa maquina está estraga!
–Claro, agora pare com isso!-Eu queria vê-la, principalmente seu sorriso, queria um beijo, um afago, um olhar carinhoso... E estava ficando impaciente pra ter aquilo.
–Não!! Eu já disse que não quero te ver!
–Eloise, por favor, estou a quase uma semana esperando por isso...-Murmurei pesadamente.
–Não, não eu não quero, me desculpe capitão, acho melhor darmos um tempo, sei lá ou você me procura daqui uns meses!-Dei uma risadinha incrédula, como ela podia pensar em algo desse tipo?!
–Não vou correr o risco de te perder de novo....-Eu joguei meu corpo sobre um espaço pequeno que tinha no colchão ao seu lado.- Vamos deixe de ser boba, acha que sou tão fútil assim?-Sussurrei.
–Não é você capitão o problema é comigo!-Agora ela ia tentar me enrolar.
–Seu irmão já me explicou o motivo, não precisa mentir!-Assim que disse isso ela soltou outro ruído de raiva.
–Bom então se já sabe, vá embora!! Droga eu não quero que você me veja!!-Fiquei pensando por alguns instantes sobre essa insegurança dela, será que ela não estava me levando a sério? Será que não fui claro com meus sentimentos?!....Possivelmente o acidente tenha impedido que ela entendesse o por que estava a procura dela, o motivo pelo qual eu estava distraído o suficiente pra não enxergar o carro... Eu tinha ido até lá para cumprir a tal aposta que tinha feito com seu irmão...Mas resolvi demonstrar isso aos pouco naquele momento coloquei minha mão por debaixo do lençol suavemente para que ela visse aquela aliança no meu dedo.
–Meu pai encontrou quando foi correndo até o acidente, estava a uns dez metros da onde aconteceu...Quando me entregou jurei pra mim mesmo que não tiraria em qualquer hipóteses, só coisas diárias.
–Eu ia te devolver pra fazermos as pazes...-Disse um pouco chorosa.
–Então vamos, pare com isso, sai debaixo dessa coisa!-Tentei tirar mais uma vez, porém ainda era pouco.
–Não! Por favor, eu....Eu estou péssima.-Suspirei pesadamente a empurrando delicadamente pra me caber ao seu lado.
–Eloise...-Pigarreei pegando sua mão dentro da coberta sem obriga-la a tirar.-...Você gostou de mim quando nem eu mesmo gostava do que via, você cuidou de mim quando eu já tinha cansado de me preocupar com isso por que no fim não importava, me pegou na fase mais negativa da minha vida onde meus planejamentos mais envolviam os outros do que eu e me colocou no auge o meu otimismo...Cheguei até a pensa por um tempo como era bom ser eu....Quando eu te vi pela primeira vez fazendo aqueles comentários cômicos sobre o time de futebol americano eu pensei “Caramba, quem dera garotas legais assim olhassem pra caras como eu!”, e ai a ironia de tudo, eu gostando de você cada vez mais guardando isso pra mim e você ficando cada vez mais perto, e tudo era tão improvável pra mim que quem tomava as decisões era você com medo de ouvir um “Eu só estava brincando com você” e pela primeira vez eu adora estar errado sobre o que você faria a seguir...-Eu sei que meu estado emocional estava piorando a cada frase, mas esperava que ela me compreendesse, que me deixasse vê-la e ficar perto dela.-...E aquela noite na sua barraca, eu estava disposto a tudo, jogar tudo pra trás, te contar o que quisesse saber, eu fui com a intenção de me entregar de vez a essa relação.-Era a verdade, assim como era verdade que estava agora ali com a mesma intenção.
–E eu estraguei tudo com a historia da aposta, não é?!-Sorri de lado, essa droga de aposta até que não foi tão ruim assim.
–Eu não diria isso, sei que seu motivo foi outro quando entrou, mas eu fico feliz que tenha escolhido o certo pra continuar, mas feliz ainda por ele ser eu...-Suspirei apertando sua mão a encorajando.-...Vamos, tira isso, me deixa sentir você um pouco....Daqui pra frente meu amor por você só tende a crescer...-Dessa vez ela cedeu, aos poucos foi tirando um rosto ferido que eu já tinha visto, porém dessa vez mais vivido, com expressões adoráveis de vergonha que não me limitei em só olhar, toquei de leve notando ela abrir os olhos e uma felicidade imensa me preencher quando se encontrou com os meus.
–Oi.-Falei um pouco envergonhado com medo da desaprovação dela, mas ao invés disso ela bufou zangada.-Dei uma risada me deitando com ela, era essa a Eloise que eu sentia falta, aquela garota esquisita que via o mundo de uma forma diferente das demais pessoas.
–Eu te acho perfeita!-Retruquei.
–Você está com pena de mim! Com essas manchas e isso....Argh!-Ela já ia se cobrindo de novo quando dei logo um jeito impedi-la.
–Para com isso, pra mim você é linda de qualquer jeito....-Assim eu a abracei com cuidado e ela deitou sobre meu braço o que foi magnifico, para mim que a poucos dias estava morrendo de medo de perde-la ter ela ali nos meus braços era o melhor presente que eu podia ganhar.-...Eu não sei o que faria se o pior tivesse acontecido com você naquele acidente...-Murmurei alisando o braço dela de leve, na verdade eu estava morrendo de medo de machuca-la, mas ao mesmo tempo queria estar ali grudado com ela.
–Encontraria alguém mais bonita...-Fechou os olhos por uns instantes, pra mim isso parecia um teste.
–Não te troco por ninguém e pare com esse drama, eu tenho vindo aqui desde que se acidentou já ti vi varias vezes, logo seu rosto ficara como antes e seu cabelo crescerá, e mesmo que fosse pra sempre eu ainda te acharia linda!-Ela apertou os olhos me encarando.
–Mentiroso...Aposto que ligou pra Melissa perguntando se tinha como voltar atrás com a resposta!-Dei uma risada incrédula, da onde ela tira isso?
–É mais ela me negou!-Com seu braço bom senti mesmo que fraco ela me puxar pela gola me fitando zangada.
–Você ligou mesmo pra aquela coisa?-Sorri contente, eu também sentia falta desse lado ciumento.
–O que você acha?-Eu não sei se poderia ou não, mas a beijei de uma forma suave mesmo querendo aperta-la contra mim, quando me separei ela me lançou um olhar estranho.
–Own sinto falta do seu aparelho...Era divertido ter ele gelado tocando a ponta da minha língua!-Arqueei uma das sobrancelhas incrédulo.
–Você é maluca, mas se serve de consolo posso beijar você com o móvel que eu ganhei, esse é pra sempre!-Ela me abraçou.
Nossa conversa se estendeu até o infinito, ela me dizendo que queria estar bonita e eu dizendo que ela estava bonita....Mas foi durante esse momento em que conversávamos que comecei a perceber o quanto me sentia seguro ao lado dela, não o tipo de segurança onde não se preocupa com ladrões ou coisa do tipo, é mais uma segurança emocional como se enquanto eu a tivesse nada seria tão ruim.
–Que alivio poder te ouvir tão mais contente agora!-Disse meu pai pelo telefone.
–Aliviado estou eu, não sei o que seria de mim se o pior acontecesse, mas felizmente ela está ótima, com seu juízo perfeitamente péssimo como sempre foi, fazendo piadinhas e sendo aquela mesma maluca de sempre.-Revidei em um suspiro.
–Eu sei, conheço essa, é a mesma maluca que se declarou pra você na frente de todos, não é?!-Sorri ouvindo a curtição dele.
–Bom, ela está um pouco insegura consigo, sabe, mas acho que com o tempo ela vai melhorar isso, já que o acidente é recente demais pra ela estar 100%, ouvi os pais dela e os médicos conversando sobre ela ter que fazer fisioterapia por causa do impacto da perna e tudo mais.-Comentei com ele organizando minhas coisas.
–Eu já imaginava.
–Pai eu preciso que você encomende outras alianças pra mim, ela estava tão tristinha olhando pra mim e ter perdido a dela, que tenho pensado seriamente em dar outras pra ela...-Mencionei isso com um enorme sorriso no rosto pois já pensava no que meu pai diria e na minha resposta pra ele.
–Claro, você quer da mesma loja e do mesmo material?
–Não, pai, eu quero que você escolha um modelo bem bonito de noivado.-O ouvi soltar um som de espanto do outro lado.
–De que?!–Dei uma risada breve.
–Isso mesmo que você ouviu!
–Mas Dillan vocês ainda estão no colégio com a faculdade logo adiante, tem certeza que quer pedi-la em casamento agora?!
–Pai depois que eu sai do hospital e deixei ela dormindo fiquei pensando nisso até agora a pouco.... Não tem volta, não é algo que não vou querer depois de algum tempo... Essa é uma daquelas decisões que você sabe que tem que fazer o quanto antes, eu quero demonstrar a ela na mesma altura que ela me mostrou o quanto a amo e essa a forma mais sutil que eu conheço.... Quanto ao colégio, não se preocupe, ela não vai querer casar de qualquer jeito e nem a familia dela vai deixar.
–Humm... Pelo o som da sua voz sei que não iriei conseguir te convencer a esperar, quando vai fazer o pedido?
–Quanto voltarmos, quero que ela melhore, ahhh não conta pra mamãe e nem pro Devan!
–Está bem, você que sabe campeão.
–Eu tenho que ir pai, estou voltando pro hospital pra tomar conta dela, não tem ideia do inferno psicológico que eu passo lá, se eu atrasar um segundo ela me acusa de ter trocado ela por outra por que tiveram que tirar o cabelo dela e se acha feia...-Contei rindo por que por mais tenso que isso fosse eu gostava de sentir esse medo dela de me perder, era como outra prova de amor.
–Minha nossa, mas logo ela volta ao normal não?!
–Volta, isso é chilique dela, as vezes faz isso só pra conseguir algo de mim... Opa tenho que ir, depois eu te ligo!
–Certo, diga que mandei um abraço de desejei melhoras pra ela!
–Okay.-Nisso desliguei olhando desesperado no relógio, eu tinha combinado de tomar o café junto com ela e se me atrasasse com certeza ia ouvir.
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Eu achei que estava preparado, conversar com os parentes dela e rir um pouco ajudou, mas a verdade era que eu estava nervoso como na noite que resolvi me declarar pra Melissa, eu sabia que ela jamais faria o que a outra fez, mas por alguma razão aquele sentimento começou a bater fundo. É como filmes, ninguém nunca espera ou quer que o vilão vença no final, ninguém quer que ele se de bem, que ele arrume uma linda garota e seja feliz com ela... Então o que eu estava fazendo ali?! Seria a pergunta que Melissa faria pra mim, já que naquela época eu era o vilão. Comecei a perfurar meu passado como se buscasse nele uma ajuda pra minhas pernas não bambearem na hora e juro por toda minha alma que assim que pedi isso eu me vi jogado em um meio fio de supermercado depressivo com uma senhora entre seus cinquenta e poucos anos ao meu lado sorrindo.
“Um dia Dillan.... Um dia eu sei que vai ter alguém que fará todas as palavras dessa menina perder o sentido e ela vai te mostrar que EU tenho razão, você é um garoto incrível!”.
Eu sorri alegre, nervoso e um pouco triste de não poder apresentar a tal garota a ela, as palavras finalmente perderam o sentido e senti um peso sair das minhas costas com o bom pressagio sendo finalmente ocorrido e assim que ouvi os irmão da minha Eloise começarem com o discurso eu já me levantei com a coragem e a vontade súbita de querer atropelar a fala de todo mundo para fazer meu pedido.
–Oi.-Ela me disse assim que tomei a frente sorrindo sem jeito com minhas bochechas pinicando.
–Oi...Sabe meu irmão costuma de uma coisa que por incrível que pareça não é idiotice, que quando você salva a vida de uma pessoa você passa a ter direito sobre ela, meio estranho e possessivo, mas eu prefiro pensa que isso pode ser um ótimo motivo pra resolvermos aquele probleminha de não ter um vinculo!-Nisso me sorriu maliciosa concordando, claro que ela ainda não tinha adivinhado do que eu estava falando.
–De acordo, vou adorar ser sua dona!-Quando eu tirei caixinha do bolso seu sorriso se fechou e uma surpresa que me agradou brotou no seu rosto.
–Eu quero um pouco além disso....-Eu tinha visto isso em filmes o mocinho se curvava diante a mocinha e pedia em casamento, era clichê, mas me permitir fazer isso por ela vendo seus olhinhos se enchendo de água.-... Não que tenha que ser pra já, mas quer casar comigo?
–Vai ter que esperar meu cabelo crescer!-Retrucou no mesmo instante, eu esperava um sim, mas mulheres são um caso sério.
–Você escolhe a data!-Revidei sorrindo quando ela se jogou nos meus braços.
–Eu seria doida se dissesse que não, meus dias ultimamente só tem terminados completos quando durmo com você nos meus braços e eu acordo nos seus!-Apertei-a contra mim me questionando sobre minha grande sorte, o antagonista que conseguiu se dar bem no final da historia.
Não preciso dizer que o resto da noite foi a maior bagunça, Jade recebeu um pedido do John, os primos da Eloise não paravam de brigar, minha sobre nos olhava assustada com o que ela tinha dito e nós dois estavam parecendo que tínhamos sido apresentados agora a pouco e de fato acho que foi assim, pois dessa vez não haveria mentiras ou segredos... Naquela noite ela perguntou quando foi que eu me apaixonei por ela...
Bom, quando entre milhares e milhares de garotos você simplesmente me enxergou.
Notas finais
Vai ter os Extras que informei. O próximo se dará em 3 meses depois do acidente.
Até o proximo!
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