Seduzida Por Um Idiota
4 When the classmate is a jerk II
Notas iniciais

Hipocrisia era aquele babaca me acusar de injustiça. Eu estava invariavelmente amarrada, aquela mordida doera quase a ponto de me arrancar um lamento e tanto o laço (que ele retirou da maneira mais negligente possível) quanto a blusa do meu uniforme desfaziam-se sob o toque rude ao me despir. Não podia desabotoá-lo decentemente, como alguém normal, em vez de puxar o tecido até destruir os botões e as costuras? Apesar da postura humilhante, da roupa parcialmente aberta, mantive o mesmo timbre vigoroso com que eu lidava com um deliquente qualquer:
― Se não me soltar neste instante e-
Ah, era óbvio. Tudo fazia parte da humilhação: interromper a mim mesma com um maldito som erótico a escapar dos lábios porque Usui esfregou a língua pelo meu mamilo por cima do sutiã enquanto penetrou-me com um dedo, ultrapassando o pano umedecido com meus fluidos. Com saliva, traçou o caminho por entre meus seios ao afastar o tecido que os cobria, também roçando os dentes na minha pele sensível ― deixou em mim marcas rosadas que permaneceriam tanto quanto o arranhão profundo em sua nuca. Já os dedos ágeis trataram de livrar-me das saias e calcinha, pois o estúpido bem sabia que a provocação surtiria um efeito maior quando em contato direto com minhas partes íntimas.
Ainda que também me esforçasse para soltar-me das amarras, eu não poderia negar que a causa de meus espasmos era o estímulo simultâneo aos seios e àquilo que eu guardava entre as pernas. Não satisfeito apenas com a carne macia do meu busto, Usui voltava à garganta, roçava os dentes nos meus ombros, seguia com sucções, alcançava os mamilos novamente para contorná-los com a língua. Enquanto isso, friccionava-me alternando movimentos velozes, entrando e saindo continuamente, com outros, deliberadamente lentos e torturantes, a roçar em mim sem pudores.
Arquejos e gemidos mal contidos (que eram meus, infelizmente) recortavam o silêncio numa sinfonia indecente que muito agradava aos ouvidos daquele idiota. Ofegante e ansiosa, eu apenas almejava pelo fim do castigo ― que certamente viria com um êxtase poderoso. Nem ao menos questionava mais o fato de que era eu a castigada quando o insolente e indisciplinado era aquele pervertido que me enlouquecia como ninguém. Eu queria o contato, o prazer, e nem a maior das responsabilidades me faria voltar atrás naquele momento. Mas, como sempre...
― Não estou te ouvindo reclamar, Misaki. ― Ele tinha de parar justo quando eu estava tão próxima...? Com meu grunhido suplicante, encontrou uma satisfação cruel, aquele cretino. Murmurou, divertido: ― Já é demais para resistir? Da última vez foi mais divertido.
O que ele queria? Um tapa na cara? Entretanto, por mais excitada que estivesse, eu era sim, muito teimosa e até mesmo (dentro dos limites) presunçosa quando se tratava da minha dignidade. Estava prestes a exigir que o bastardo se calasse, mas não permitiria a ele o sabor da minha raiva. Preferi usar das mesmas palavras com que ele se dirigira a mim:
― Você só vai ficar falando? Da última vez agiu.
― Não gosta de ouvir minha voz, presidente? ― Usui arqueou as sobrancelhas, antes de sorrir com toda a lascívia que podia demonstrar. ― Eu adoro ouvir a sua.
E como comprovação de sua sentença, acariciou o meu sexo, arrancando de mim o ruído obsceno que tanto quisera ouvir. Com o indicador e o médio espalhou a lubrificação por toda a minha intimidade, proporcionando em mim tanto o deleite quanto a agonia. Remexia-me inquieta e arquejante, enquanto contraía loucamente à procura de alívio. Por que, por que ele não me dava o que eu tanto queria.
― Imbecil, pare de me provocar. ― Dificultosa, a respiração entrecortou meus vocábulos.
― Não é assim que se pede ao seu mestre.
Que ele fosse para o inferno!
― Você não é a merda do meu mestre ― proferi, extremamente furiosa. Lembrei-lhe também do fundamental: ― Eu, ao contrário, sou sua presidente. ― Ora, por que deveria pedir a ele qualquer coisa? Era eu quem deveria mandar!
Como se para me mostrar do estado vulnerável no qual eu me encontrava, Usui retirou de mim os dedos lambuzados para enfiá-los em minha boca, e tive de aceitá-los sem escolha. Exibia nos olhos a convicção cretina de que era ele o detentor do controle, assim como a inutilidade do poder escolar quando o embate era sexual.
― Você não sabe? ― Usou da mão livre para voltar a me acariciar. ― Te desobedecer me excita.
Tanto a voz rouca quanto ao olhar quente, somados aos fatos de que eu sentia meu próprio gosto a expandir-se na língua enquanto era estimulada daquele modo delicioso faziam de mim uma patética presa rendida e delirante. Quando os dedos molhados de saliva voltaram para baixo, castigando-me mais e mais, preocupações como o fato de que eu gemia sem restrições em uma sala aberta a qualquer um sumiram por completo.
Se nos descobrissem, eu seria deposta do cargo, para dizer o mínimo ― por motivos óbvios, diante de tanta irresponsabilidade. Porque só aquele babaca era capaz de me fazer agir assim, mesmo que eu o detestasse. Ao menos ele fez algo, tomando meus lábios com avidez e ímpeto para abafar quaisquer decibéis extras que eu não conseguia conter. Senti como o volume entre as calças dele crescia, comprimido contra mim, e passei a correspondê-lo com a mesma fome, porque o desejava naquele mesmo minuto.
Eu já não respondia por mim mesma. Não conseguia deixar de beijá-lo enquanto me consumia a boca por inteiro, num embate desesperado de línguas, sucções e mordidas. Sentia latejar minhas paredes internas entre os dedos dele, perigosamente próxima do clímax. Fui eu que rompi o beijo, num ofego esperançoso, quando me percebi tão perto. Com as íris esmeraldas obscurecidas pelo desejo, ele desceu novamente a língua até minha cintura, avançando por entre a barriga até estar onde ambos queríamos: ajoelhado entre minhas pernas, prestes a tocar-me com algo muito mais prazeroso do que as próprias mãos.
― Então, presidente? ― O maldito voltou ao ritmo lento, fazendo com que eu resmungasse, impaciente:
― O que quer que eu diga, idiota?
― Tão orgulhosa ― zombou, ainda que minha resistência o tenha admirado. Menos mal. ― Você sabe o que quero que diga.
― Vai continuar a querer.
Sabia que estava sendo teimosa, até porque eu mal conseguia conter meu arfar sôfrego, mas o bastardo iria ver até onde eu aguentaria, mesmo que fosse injusto (como sempre foi). Sem deixar de me tocar com os dedos, ignorou-me com os lábios. Avançou com os dentes até minhas coxas macias e firmes. Abocanhou-as com vontade, e eu pude apenas retorcer-me sobre a mesa até desabar, sobre minhas costas e mãos amarradas.
Com minha vergonhosa reação exagerada, passou a alternar lambidas insinuantes e mordidas vorazes por sobre a região tão próxima da virilha, extraindo de mim a pouca sanidade restante. Era somente expectativa, a implorar por alívio. Usui deixou de mover a mão sobre minha intimidade para pressionar aquele ponto mais sensível com o dedo médio. Num tom cuja excitação e ansiedade eram explícitos, vociferei:
― Droga! Eu estou pedindo. Ande logo com essa-
Não foram necessárias mais palavras. Ao menos ele também estava ávido para sugar-me e arrancar de mim o tão almejado êxtase. Tão logo me envolveu com a boca, arqueei as costas, num gesto brusco e involuntário que evidenciava toda a minha tensão acumulada. Usou da língua e dos lábios, lambendo-me, devorando-me.
Após cerrar minhas pálpebras para aproveitar da sensação, acabei fitando-o ao abri-las ligeiramente, para descobrir que ele me encarava enquanto deslizava a língua por... mim. Droga, como podia ser tão sedutor? Um formigamento me tomou de súbito, assim como um rubor involuntário, com o desejo que cresceu apenas com a troca de olhares.
Não apenas queria alcançar o clímax ― eu necessitava desesperadamente, como um náufrago em meio a um turbilhão de sensações. Atingi o limite da excitação quando Usui tornou a chupar-me, combinando agora o movimento dos lábios, mais rápidos, com o intenso e frenético atrito da língua a penetrar-me. Não durou muito mais: o calor e o prazer expandiram-se dali, para alojar-se em cada pequenino pedaço do meu corpo, enquanto eu me desfazia em sua boca e gritava incoerente em meio à plenitude.
Restava inspirar e expirar como louca, imobilizada e tragada pela sensação furiosa. Além disso, eu ainda estava amarrada, e quando Usui levantou-se rumo à porta, quase pensei que seria largada daquela maneira na sala como a punição final. Quase. Porque, em vez de partir, ele apenas trancou-a, atirando para um canto qualquer a chave que utilizara.
A superfície fechada somente fez com que eu pensasse sobre quanto o vão antes aberto deixou passar de todos os sons que inundaram aquela sala. Que ninguém tenha ouvido algo tão constrangedor, desejei fervorosamente. Assim como não descobrissem que os papéis antes organizados sobre a bancada tenham tido como destino o piso cru. Tentando disfarçar o embaraço causado pela minha... indiscrição anterior, pigarreei e mudei de assunto:
― Está com medo que eu fuja de você? ― Acenei para a porta trancada, embora soubesse que o pervertido fizera aquilo apenas para que não fôssemos ouvidos.
― Não, porque depois que eu começar você vai implorar por mais ― desafiou Usui, divertido. Como assim começar? Porcaria, depois de tudo o que ele fez...! Rosnei em resposta:
― Apenas tente.
Irritei-me ― e muito ― com o riso leve e atrevido do pervertido, que voltara a incitar-me ao esfregar os lábios contra meu pescoço, bem próximo da orelha, enquanto dedilhava minha cintura ansioso por mais. Surpreendi-me ao descobrir que mesmo depois do que senti, ainda continuava a desejá-lo. Um ronronar satisfeito que deixou meus lábios denunciou minha carência enquanto ele saboreava de meu corpo.
Estava de novo metido entre minhas pernas, e a posição era vantajosa para o que ele queria: enfim livrar-me daquela gravata que já cansara a nós dois. Afinal, ele deveria queria saber o que eu faria com minhas mãos libertas. Desatou o nó com pouca dificuldade, mordiscando meu lóbulo enquanto eu acostumava-me à liberdade recuperada dos pulsos.
― Não consegui uma vez? ― citou a recaída que ocorrera poucos minutos atrás. Jogando sujo, como sempre.
― Apenas continue, estúpido ― inflamei-me. ― Você não quer me ver zangada.
― Ora, já não está zangada?
Aquilo foi a gota d’água.
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