Seduzida Por Um Idiota
3 When the classmate is a jerk I
Notas iniciais

Administrar um colégio como o Seika tinha seus problemas. Havia as garotas a gerar chiliques fúteis, os rapazes desordeiros e imaturos, aqueles que cabulavam as aulas, os casais assanhados pelos corredores. Mas nenhum deles conseguia me tirar do sério como a pior das complicações. Por que por que, perguntava-me repetidamente, eu era obrigada a lidar com alguém como Usui Takumi?
Mesmo em meio a uma montanha de aborrecimentos, aquele imbecil fazia questão de me provocar. Para qualquer um, era um aluno exemplar: sempre conquistava as primeiras colocações entre as notas gerais, era bom dos esportes, não matava aulas e geralmente respeitava o ambiente escolar. Geralmente. Por que, de alguma maneira, quando próximo de mim, transformava-se imediatamente num pervertido insolente e obstinado.
Mas que droga!
― Aqui não é um parque de diversões para você se divertir ― repreendi quando o vi sentado sobre a mesa do Conselho. Era só o que me faltava: um maldito folgado a atrapalhar meu serviço!
― Mas brincar com você é divertido ― defendeu-se, ainda que tenha me obedecido ao deixar o “assento improvisado”.
De pé, ele me ultrapassava em muitos centímetros, obviamente ― mesmo que eu detestasse o fato de ser tão baixa perto dele. Carregava nos lábios o sorriso cretino e atrevido que fazia com que eu sempre me aborrecesse. No entanto, também evocava a lembrança... A textura, o sabor, o desejo... E no que eu estava pensando?! Não podia deixar me afetar por aquele idiota!
― Por que acha que estou disponível para seus passatempos doentes? ― refutei, ultrapassando-o num andar apressado. Onde estava com a cabeça? Ao alcançar a papelada sobre a bancada de madeira, exigi, com um gesto displicente: ― Saia daqui!
― O que foi, presidente? ― indagou Usui, ao aproximar-se. Manteve-se às minhas costas, sussurrando em meu ouvido: ― Está zangada com o que aconteceu no Maid Latte?
E o bastardo conseguiu com que todas as memórias viessem, de súbito. Surgiam em recortes ― dos mais simples aos mais constrangedores. O primeiro deles era a visão de mim mesma, em um dos espelhos do estabelecimento, vestida como maid. Não era o melhor dos empregos, mas o salário era razoável, e minha chefe, muito atenciosa. Mesmo que a ideia de me “fantasiar” conforme os moldes ingleses não fizesse o mínimo sentido para mim. (Talvez algum fetiche, não sei).
Em seguida, veio o fragmento da gerente e das outras funcionárias pedindo-me gentilmente que eu cuidasse do fechamento da loja, porque era o meu turno. Lembrei-me do cliente mais desagradável, que descobrira meu emprego secreto de maneira estúpida; e do modo irritante com que ele insistiu para “me ajudar a trancar todas as portas”. A partir daí, minhas recordações eram pouco lineares e desconexas.
Meu corpo pressionado contra o vidro. As paredes. Uma mesa, aleatoriamente escolhida. Aos poucos fui despida da veste atirada ao chão. Mescladas às minhas roupas, também as de Usui. Mãos a percorrer-me ― acariciar-me. Arranhar-me. Lábios a sugar tudo pelo caminho. Conforme o prazer crescia, minhas negações morriam antes de transpassarem a boca. Apenas gemidos, ofegos, algumas ofensas diante das provocações. Puxões de cabelo. Até que, ensandecida, passei a correspondê-lo.
Queria, ao máximo, esquecer-me do lapso que me levou a tornar recíprocas as investidas pervertidas daquele loiro imbecil. Afinal, deixara-me levar pelo momento e não era necessário reviver este tipo de lembrança, muito menos no colégio. Tentava, a todo custo, justificar-me, para impedir meu rosto de corar, mas tornou-se impossível: mesmo furiosa, eu também estava embaraçada. Como aquele idiota era capaz de gerar em mim aquelas reações ridículas? Não deixaria que agisse como bem entendesse!
― Cale a boca, seu estúpido! ― ordenei, severa, enquanto cobria com uma das mãos a boca que expusera meu maior segredo no ambiente escolar. ― Se alguém ouve e descobre-
Impetuosamente, o idiota apanhou-me aprisionando meus pulsos entre os dedos. Também aproveitou-se do posicionamento favorável: quando me virei para calá-lo, acabei presa entre a mesa e o corpo dele. Tornou meu desconforto maior quando roçou os dentes sobre minha orelha, segredando-me divertido:
― Descobrir que na verdade você é uma maid muito solícita em atender as vontades de seu mestre?
Era um exagero manter a voz tão baixa quando éramos provavelmente os únicos naquele andar no momento, já que o horário de aulas e extra-curricular terminara há muito tempo. Mas não importava o que tom que ele utilizara. Como podia ser tão abusado...! Irritar-me logo quando eu estava prestes a deixar o colégio.
― Eu não estou na porcaria da cafeteria agora, e você não é meu mestre ― reclamei, entre dentes, enquanto esforçava-me para ser solta. Droga...!
― Não foi isso que você disse quando estávamos-
Arregalei os olhos enquanto Usui o dizia. Que jogo sujo! Estava recorrendo ao que eu dissera... durante o que aconteceu ― e isto não era justo, eu mal estava consciente no momento! Como esperar, contudo, ações corretas de um safado incurável e insaciável? Não deveria era ceder espaço para que ele se infiltrasse em minha mente. Principalmente quando antes mesmo arrepiara-me somente ao ouvi-lo sussurrar, rouco.
― Não! ― interrompi, ao enfim livrar-me daquilo que me prendia. Ao afastar-me, consegui manter a mínima calma enquanto recomendava: ― Esqueça de tudo o que aconteceu, tudo bem? ― Suspirei pesadamente. ― Ter feito... aquilo com você não quer dizer que vou repetir.
― Misa-chan, destruidora de corações ― lamentou-se ele, num triste timbre fingido. ― E meus sentimentos?
― Vá enganar outra! E não fique me chamando pelo nome porque não somos íntimos.
― Oh, não? Eu discordo. ― Aquele sorriso abusado e irritante! Tratei de deixar claro:
― Não quero saber do que acha.
Ah, logo me arrependi do que dissera, quando Usui arqueou as sobrancelhas e sorriu perigosamente, como se falasse: “Se é isto o que diz, também não quero saber do que você acha.” Subitamente (tão súbito que me espantou), senti-me pressionada contra a mesa mais uma vez, enquanto minha boca foi invadida e meus quadris foram profanados por mãos sedentas.
Com o contato, fui compelida a sentar-me sobre a mobília, erguida pelo aperto férreo dos dedos dele. Agarrava da minha carne coberta pelo tecido xadrez como se dela necessitasse para sobreviver, e provavelmente já havia marcado a pele das minhas coxas. Violava meus lábios, percorrendo minha boca com a língua insinuante e sôfrega.
Perplexa com a investida súbita, após manter-me passiva à voracidade do pervertido, passei a relutar, remexendo-me em contrariedade. Estávamos na maldita escola! Com a raiva, puxei os fios dourados com as mãos, enquanto mordia o lábio atrevido que antes me devorava furiosamente. Ainda que eu não tenha arrancado sangue do idiota como pretendia, inchei-lhe a boca numa denúncia do que eu havia feito.
Longe de irritar-se comigo, Usui excitou-se ainda mais com minha resistência: aparentemente o desafio tornava a conquista mais deliciosa para ele. Merda! Tratou de me acariciar na parte interna da coxa, rumo à virilha, enquanto a outra mão dirigiu-se aos meus cabelos para imitar meu puxão violento. Deixou exposta, então, minha garganta, e antes de atacá-la provocou sobre meu ouvido:
― Então você queria algo mais selvagem? ― Mordeu minha mandíbula, provavelmente em resposta ao ferimento nos lábios. ― Por que não avisou antes?
Quando os dedos longos e audaciosos que antes roçavam por minhas pernas atingiram o vértice delas, numa carícia delirante, liberei o primeiro de muitos gemidos. Este, no entanto, foi frustrado. Eu deveria impedi-lo, e não deixar que o irresponsável deslizasse a língua pelo meu pescoço. Passei a arranhá-lo onde minhas unhas veementes encontravam carne à disposição, e isto era basicamente sua nuca.
Furiosa, deixei ferimentos grosseiros enquanto ele abocanhava minha pele e maculava-a com umidade e calidez. Até mesmo tentei chutá-lo, mas meus membros inferiores tornaram-se inutilizáveis quando passei a ser estimulada com fricções e pressões alternadas. E o bastardo não parecia incomodado com o ataque: na verdade, por vezes grunhia e tornava mais intensos os chupões, as carícias, os puxões. Já deveria ter arroxeado a garganta e as coxas, de tanto sugá-las e apertá-las.
O que mais eu teria de fazer para afastá-lo, perguntei-me, ainda que as questões se embaralhassem na minha mente cada vez mais entorpecida. Ao sentir minha unha a romper a epiderme, demorei uns segundos mais para perceber que sangrara-o próximo dos ombros largos; estava momentaneamente entretida no gesto dele de afastar minha calcinha e quase tocar em meu ponto mais íntimo. Porém, quando notei, afastei as mãos de Usui para fitá-las e enxergar em uma delas vestígios de um líquido avermelhado e espesso.
― E-Eu não- ― Droga, o que eu diria a ele? Mal sabia articular uma justificativa diante daqueles olhos verdes. ― A culpa foi sua!
Apesar de inicialmente surpreso, Usui não deu a mínima importância ao ferimento. Mas eu via em seus olhos que ele ria aproveitar-se da ocasião oportuna para os próprios propósitos. Enquanto afrouxava a gravata avermelhada para livrar-se dela, esboçou o sorriso perigoso que eu tão bem conhecia. Ah, só me faltava essa, lamentei quando ele espalmou as mãos nas laterais do meu quadril, mantendo-me ali.
― Como você é injusta, Misa-chan ― simulou decepção, enquanto apanhava-me pelos pulsos. O quê?!
― O que pensa que está fazendo?!
― Não quero pagar na mesma moeda. ― Usou da gravata para atá-la em um nó cego, aproveitando-se do meu lapso de culpa para conter aquilo que ele chamava de “rebeldia”. Hipócrita. Com a proximidade, pôde sussurrar sobre minha clavícula, mordendo-a sem restrições. ― Mas alguém precisa ser punida, não é?
Fale com o autor