Seduction
4 O troco.
Notas iniciais
Encarei Oliver por alguns segundos, sentindo minhas bochechas queimarem de vergonha após sua resposta. No momento, eu só queria cavar um buraco e pular dentro dele. Que merda eu tinha acabado de fazer, porra? Não acredito no que acabei de propor a Oliver, e acredito menos ainda na resposta que recebi, um sonoro: "eu preciso pensar"
Como assim ele precisava pensar?
Estou me sentindo muito humilhada.
Eu acabei de propor sexo a ele, prazer, luxúria em um lugar espetacular e ele me diz isso? Caramba, que grande bola fora Felicity!
Eu sabia que era uma ideia estupidamente idiota e nada haver comigo, mas resolvi seguir os concelhos de Nyssa e agora estou aqui, me sentindo a pessoa mais rejeitada do mundo e morrendo de vergonha. Não tenho nem onde enfiar a minha cara agora. Que vergonha, meu Deus.
E agora? Questionei-me.
Ainda tenho praticamente uma semana inteira com Oliver. Como vou olhar para a cara dele depois desse fora catastrófico? [...] Calma, ele disse que quer pensar, não precisa exagerar nesse drama todo. Mas, ele pediu um tempo, isso já é vergonhoso o suficiente.
Isso quer dizer que ele não gostou tanto assim. E eu trouxa pensando que nossa noite juntos tinha sido ótima tanto para mim quanto para ele. Que iludida que eu sou. Agora vou enfrentar algumas horas de viajem ao lado dele, sem nem conseguiri olhar na sua cara.
Foi péssimo, Felicity!
Seguimos para o aeroporto em um total e constrangedor silêncio.
(...)
A viagem foi horrível, eu me sentia desconfortável ao lado de Oliver e, além disso, estava cansada e não conseguia manter os olhos abertos, acabei dormindo com a cabeça apoiada no ombro dele e só acordei quando a comissária de bordo disse que estávamos chegando. Oliver apenas deu um sorrisinho tranquilo e voltou a ler seu livro sobre o Havaí. Revirei os olhos, por que ele tinha que ser tão gostoso e ao mesmo tempo irritante?
Quando o avião pousou em Honolulu, nós seguimos pela fila de desembarque. Oliver até insistiu em levar minha mala, mas eu estava tão constrangida que não conseguia aceitar nada vindo dele.
Observei tudo ao redor e havia uma mulher no meio da multidão que esperava no saguão do aeroporto, ela segurava uma placa grande, escrita meu nome e o de Oliver. Era uma mulher muito bonita, morena, alta, bronzeada, com traços delicados e sutis que demonstrava que ela era, além de muito bonita, uma pessoa muito gentil e amigável.
— Olá. — falei, aproximando-me da mulher sorridente. — Sou Felicity, e esse é o Olivier.
Ela sorriu e abaixou a plaquinha.
— Olá. — ela disse, estendendo a mão para mim. — Meu nome e Yasmim Brandão. — ela apertou minha mão e depois a de Oliver. — Sou representante da marca Tika louca.
Seu inglês era estranho, carregado demais, mas também era bastante claro e fluente.
— Eu vou levar vocês para o hotel. Parecem cansados.
— Sim. — Oliver disse, esboçando um sorriso bem grande para a mulher. — Ela até dormiu no meu ombro durante o voo. — zombou, com um sorrisinho idiota nos lábios.
— Cala a boca. — exclamei, perdendo minha paciência.
Yasmim sorriu.
— Que bom que vocês são bem entrosados. — encarei Yasmim, da onde ela tinha tirado isso? — É importante para tudo sair perfeito.
— Você não sabe o quanto somos entrosados. — falou Oliver.
Acho que aconteceu algo com o cara que ficou sério durante a viajem inteira há apenas alguns minutos atrás. Por que agora ele tá todo engraçadinho, cheio das piadinhas. Acho que vou voltar para o avião, para checar se o Oliver chato é sério não ficou por lá. Porque esse Oliver assanhadinho está me deixando irritada já.
— Estou cansada mesmo. — falei. — Será que podemos ir?
— Claro. — afirmou Yasmim. — Você precisa mesmo descansar. Daqui algumas horas já tem a primeira sessão de fotos. Tem que estar perfeita, nada de cara de sono.
— Isso aí. — assenti e segurei firme minha mala, passando pelos dois.
Yasmin nos guiou até o veículo que nos esperava do lado de fora do aeroporto. Coloquei minha mala no bagageiro e depois embarquei no carro, Oliver sentou ao meu lado pela terceira vez na noite. Minha vergonha ainda era tão grande que não conseguia me sentir confortável perto dele e nem encará-lo por longos segundos.
O transito de Honolulu estava bem calmo e durante todo o caminho Yasmin falou e falou, ela não conseguia simplesmente fechar a boca. E acabou nos passando um guia completo da cidade. Falou sobre o resort luxuoso que iriamos ficar e sobre a praia waikiki e sobre o vulcão Diamond Head que entrou em erupção há muito tempo. Pelo que entendi o resort e é enorme e tem vários lugares para distração, incluindo bares e restaurantes e isso é bom, porque me manterá bem longe de Oliver. Porque agora que não quer sou eu.
— Enfim. — Yasmim exclamou, respirando fundo como se estivesse cansada de tanto falar, eu até entendo. — É um lugar maravilhoso.
Yasmim era uma mulher linda e espontânea, apesar de ser bastante comunicativa eu gostei dela e além do mais, ela me distraiu bastante.
Quando chegamos ao resort eu entendi toda a admiração de Yasmim, o lugar era lindo e ficava em um lugar mais lindo ainda. Eu não pude parar de pensar no quanto uma estadia nesse local devia custar, talvez o meu salário de um ano inteiro. Sorte que Jaymes é bilionário, porque não teria condições para ficar em um lugar desses.
Puta que pariu, é maravilhoso.
— Bem vindos ao resort Hilton. — falou a recepcionista sorridente, ela gastou grandes e preciosos segundos olhando para Oliver.
Eu revirei os olhos. Claro que as mulheres olham para ele como um bando de esfomeadas, não que eu me importe com isso. Afinal, faço parte desse bando de mulheres. Passo pelas mesmas coisas que elas, sinto desejo e o meio das pernas derretendo toda vez que Oliver me olha. Não culpo a recepcionista bonitinha que está babando.
— Tem duas reservas, Oliver Queen e Felicity Smoak.
A garota tirou os olhos de Oliver, sorriu e checou nossas reservas no computador, em seguida entregou os cartões para Yasmim que sorriu e agradeceu. Caminhamos na direção do elevador, Oliver alguns passos na nossa frente.
Cheguei mais perto de Yasmim e me assegurei que Oliver não ia escutar nada.
— Por que você parece à única mulher imune a Oliver nesse lugar?
— O quê?
— Olha aquela mulher. — apontei para a mulher sentada na poltrona no meio do saguão, ela seguia cada movimento de Oliver. — E você notou o jeito que a recepcionista olhou para ele?
Yasmim sorriu e me encarou.
— É, ele é bonito. — disse. — Mas não faz meu tipo. — emendou. — preferi gastar meu tempo olhando para você, não para ele.
Eu engoli em seco e travei na metade do caminho. Yasmim começou a rir e tocou meu ombro delicadamente.
— Calma querida. — sibilou. — sou casada. E muito bem casada. Com uma brasileira maravilhosa. — contou. — Mas é impossível não admirar sua beleza. Não passa despercebida. E cá entre nós, parece que Oliver não tem olhos para nenhuma outra mulher nesse lugar, além de você.
— Isso é bobagem. — falei, balançando a cabeça.
Yasmim nos levou até o nosso andar, nos deu as últimas instruções no elevador e se despediu. Ela estava hospedada no andar em cima do nosso. Então ficou apenas Oliver e eu, parados no corredor, um de frente para o outro.
— Vamos conversar. — disse Oliver enfim, soltando sua mala em frente à porta do seu quarto.
— Conversar? — questionei, franzindo o cenho. — Está tarde. Nós temos que acordar cedo amanhã. — argumentei, virando as costas para ele. — Essa não é a melhor hora para conversar.
— Eu já pensei sobre a sua proposta. — ele disse. — Tive bastante tempo para isso na verdade.
Ah ele tinha tido tempo para pensar na minha proposta? PENSAR? Céus, isso tinha me incomodado o tempo inteiro desde que fiz essa maldita proposta a Oliver, nunca me senti tão humilhada quando ele me pediu um tempo para pensar, e agora ele quer conversar? Pois é, mas agora quem não quer sou eu.
Virei novamente para Oliver.
— Não se preocupe Oliver. — rebati. — Também tive um bom tempo para pensar e acabei percebendo que tinha cometido um grande erro. Será que você pode esquecer que te propus aquilo?
Dei as costas para ele e enfiei o cartão na fechadura. Se ele acha que vou dar meu braço a torcer, está muito enganado. Já fui otária por um bom tempo.
— Esquecer? — escutei seus pés se movendo sobre o carpete, logo sua respiração estava atingindo minha nuca e a parte de trás do meu pescoço. Senti suas mãos sobre meus ombros e ele me girou com facilidade, nos deixando bem próximos um do outro. Seus olhos fixaram-se nos meus por um instante e então desceram para os meus lábios. Eu me tremi toda vendo o desejo explicito em seu olhar.
Aí cacete. É difícil pensar com ele me olhando desse jeito.
— Foi uma proposta bem ousada, Felicity. — eu sentia sua respiração acariciar meu rosto, sua boca estava tão perto da minha que qualquer movimento tinha que ser preciso. — Difícil de esquecer.
Ele se moveu lentamente e eu recuei, senti minhas costas baterem levemente na parede e Oliver deu um sorrisinho malicioso e pressionou as palmas da mão contra a parede.
Sua postura me deixava tão pequena e impotente.
— Aliás, não quero esquecer. — ele sussurrou, movendo o olhar para baixo, ele demorou alguns segundos fitando meu decote e então voltou para os meus olhos. — Se você quiser a gente pode fechar o acordo agora mesmo.
Minha respiração falhou com a proximidade de Oliver e a forma desejosa que seus olhos me sondavam. Deus do céu, eu teria que ser forte.
Claro que eu estava excitada com toda a situação. Oliver parecia um dominador bem na minha frente, prestes a me possuir inteira. E caramba, eu queria aquilo, e como queria. Mas dessa vez, as coisas não vão ser fáceis para ele. Tenho que dar o troco, devolver na mesma moeda.
Eu sorri e mordi o lábio inferior. Movi meu corpo para frente, roçando meus seios doloridos de tesão no peito de Oliver. Ele fechou os olhos e deixou um sutil gemido escapar dos seus lábios. Okay; a situação já estava ficando fora do limite, uma hora ou outra acabaria cedendo e me entregando, por isso precisava me livrar logo dele.
— Não tem acordo nenhum. — sussurrei, olhando profundamente nas suas enormes orbes azuis, que pulsavam desejo e luxúria. — Eu retiro a minha proposta.
Oliver engoliu em seco e eu sorri com o doce sabor da vingança.
Me livrei dos seus braços e girei, ficando de costas para ele.
— Você acha que venceu? — ele murmurou. — Mas não venceu. — senti seus dedos pressionando minha cintura e a sua respiração contra o meu ouvido. — Vou te provar que não pode fazer joguinhos comigo.
Respirei com dificuldade, sentindo o prazer envolver meu corpo e quase me fazer ceder, no entanto, eu ainda tinha forças para lutar contra Oliver e a luxuria crescente dentro de mim.
Deslizei o cartão pela fechadura e empurrei a porta com força, girei apenas para puxar minha mala para dentro, depois fechei a porta sem desviar nenhum olhar para Oliver. Encostei minhas costas na parede e recobrei meu fôlego, essa viagem acabou de ficar mil vezes mais interessante.
(...)
Acordei cedo no dia seguinte, tive tempo apenas de tomar um banho e me vestir, Yasmim bateu na porta do meu quarto e me apressou. Oliver estava com ela e quando me viu esboçou um sorrisinho provocativo nos lábios. Ah não, logo cedo e ele já tá assim. O que será de mim nessa viagem? Não quero nem pensar.
Yasmim nos acompanhou até o café da manhã. O salão onde era servido o café era rodeado de vidros amplos, que nos dava uma visão privilegiada do mar e a montanha do vulcão Diamond Head, o som das águas claras era maravilhoso. Na verdade tudo naquele lugar era maravilhoso e eu não via a hora de colocar meus pés na areia e entrar no mar.
— Olha só. — Yasmim começou. — Hoje só terá uma sessão de fotos, e com certeza vai demorar, porque o chefão vai estar presente e ele gosta de tudo perfeito. — ela revirou os olhos. — Infelizmente, ele é um pé no saco e sempre acha defeito em tudo. Já vou pedindo para vocês ficarem calmos e manterem a paciência.
— Tudo bem. — falei. — Não tenho nada para fazer o dia todo.
— Por mim também.
— Depois que a sessão de fotos acabar, vocês terão o dia inteiro de folga. — informou. — Esse lugar é enorme, então vocês poderão se divertir.
Eu sorri. Não via a hora de aproveitar tudo.
O celular de Yasmim começou a tocar e ele levantou-se.
— Desculpem, preciso atender. — ela se retirou.
Desviei meu olhar de Oliver e voltei para o meu café. A torta de maça estava tão deliciosa.
— Então. — Oliver disse. — O que você acha da gente nadar de tarde? — eu fiz que ele nem estava ali e o ignorei. — Waikiki tem bastante lugares afastados, calmos, que quase ninguém frequenta. A gente podia aproveitar, sexo no mar é ótimo.
Eu quase me afoguei com a torta. Incrédula com o que havia acabado de escutar.
Levantei minha cabeça e fitei os olhos de Oliver.
— Acredito que nesse lugar várias mulheres irão querer ir com você nesses lugares afastados. — rebati, sem desviar meu olhar do dele.
— Eu não quero nenhuma outra mulher. — ele disse com a voz rouca que me provocava arreios. — Eu quero você.
Engoli em seco. E Oliver sorriu se sentindo vitorioso.
Uma hora ou outra eu cederia, com certeza, me conheço muito bem. Sei o quanto sou fraca e vulnerável a Oliver. Mas não seria agora que eu ia ceder. Ainda tinha que dar uma lição nele.
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