Sede de Sangue

22 Onde está sua humanidade?


O dia havia amanhecido, Megan dormiu quando eles estavam passando pela cidade vizinha de Groovery Born. Mal sabia ela que agora já estavam no México, Sarah parou seu carro um tanto longe da igreja, em um lugar alto.

Ela suspirou e então desceu. Em seguida começou a caminhar na direção da igreja. Joseph desceu do carro e bateu a porta.

–Onde vai?

–Vou ver se o lado de fora está seguro. Então eu volto e chamo vocês dois.

–Vai sozinha?

–Se importa!? -Sarah retrucou irônica.

Joseph deu de ombros, então ficou observando Sarah caminhar em direção a igreja. Instantes depois ele a perdeu de vista, e voltou seu olhar para Megan, que permanecia dormindo no banco de trás do carro. Uma parte dele pensou em deixá-la ali, dormindo tranquila, mas outra parte se sentiu na obrigação de acorda-la.

Ela deu um pulo do banco quando ouviu Joseph tocando a buzina do carro. Ele sorriu ao ver sua expressão de raiva, ela abriu a porta e desceu furiosa.

–Seu idiota!

–Bom dia pra você também Megan. É uma onra presenciar você acordando com um humor tão bom.

Ela suspira estressada, então tira seu agasalho, o sol era intenso no México, ela não era acostumada com aquele clima, em seguida Megan junta todo seu cabelo para trás em um rabo. Depois de usar as mãos para se abanar ela procura por Sarah dentro do carro, ao não encontrá-la ela olha ao redor, nada.

–Ela foi checar o lado de fora da igreja.

–E você deixou ela ir sozinha!?

–Digamos que eu e ela chegamos a uma conclusão... Eu não me importo.

–Quer saber? Eu vou até lá.

–Eu não faria isso se eu fosse você.

–E porque não? -Megan diz aflita.

–Porque segundo o meu plano o lado de fora da igreja está cheio de vampiros.

–E você não contou a ela!?

–Não.

–Mas porque não!?

–Sei lá, fiquei entediado demais vendo você dormir.

Megan respira fundo, ela sentiu vontade de mata-lo, mas era claro que ela não conseguiria.

–A gente tem que ir até lá Joseph!

–A gente? Ah qual é, isso não é problema meu.

Megan cruza os braços e fica olhando fixamente para ele, que em seguida revira os olhos e começa a andar em direção a igreja. Ela o acompanha e não demora até que eles cheguem lá.

Chegava a ser assustador aquele silêncio, tudo estava vazio, nenhum sinal dos vampiros que Joseph havia falado e nem de Sarah.

–Não vejo ninguém. Você disse que o lado de fora estava cheio de vampiros.

–Eu não disse isso, eu disse que seria assim no meu plano... Talvez eles não estejam usando o meu plano. Ou então sua mamãe pode nem estar aqui.

–Faria sentido, mas onde esta a Sarah?

–E como é que eu vou saber?

–Se não sabe então vá procura-lá.

–Porque eu!?

–Mas que droga, vai logo Joseph, foi você que deixou ela vir pra cá sozinha!

–Acho que não vai ser preciso. -Joseph diz parecendo sentir o cheiro de alguma coisa vindo de dentro da igreja.

–O que foi? É a Sarah?

–Não sei. É sangue, mas não parece ser de uma pessoa só.

–Vamos entrar lá!

Megan corre até a porta, Joseph a acompanha, ela entra e em seguida um vento forte faz a porta bater. Joseph fica do lado de fora. Ele chega a encostar a mão na massaneta, porém quando o faz sente sua pele queimar.

–MEGAN! -Ele diz já com a certeza de que alguém mais estava lá dentro.

–O que é!?

–Você têm sair dai agora!

–O que!?

–Saia da igreja!

–Eu não estou entendendo Joseph, mas ta tudo bem, não tem ninguém aqui.

De fato ela não havia entendido. Joseph continuava batendo na porta freneticamente, mas Megan não deu ouvidos, ela se virou. E quando o fez viu Marcela, que estava amarrada em correntes e caída no chão. Ao se aproximar Megan percebeu que ela sangrava muito.

Ela a chacoalhou tentando fazê-la acordar, mas de nada adiantou, então olhou para o lado e viu Sarah algemada em um dos bancos.

–Sarah! -Megan diz se aproximando e levantando sua cabeça. Ela parecia tonta. -O que foi que houve Sarah!?

–Megan...–Sarah disse com uma voz que a essa altura já era um sussurro. -Vai embora...

–O que foi que disse?

–Saia daqui... Megan, é ele...

–Ele quem!?

Sarah parecia tentar dizer algo, mas antes que o fizesse dois homens seguram Megan pelo braço, e a levam até o centro da igreja.

–Quer que nós a amarremos também senhor? -Diz o cara da direita.

–Não. -Responde um homem alto. Ele tinha cabelos pretos e olhos da mesma cor, sua pele era pálida. Ao olhar para ele Megan sentiu um calafrio, ela não sabia ao certo o porque, mas não tinha gostado dele. -Podem deixá-la desamarrada... Essa é inofenciva.

Os dois caras saem da igreja por uma porta nos fundos, já o homem desce até o andar debaixo. Ele desceu toda a escada com uma das mãos no corrimão. Ao chegar no final as bateu, fazendo aquele pó cair no chão.

Em seguida caminhou até Megan, ele a observava atentamente. Seu coração estava disparado, ela estava apavorada... Era como se a morte tivesse chegado para ela.

–Você é muito bonita Megan. Sabe, acho que lembra a sua mãe... Quando ela era mais jovem claro, ela também era muito bonita... -Megan o interrompe.

–Você deve ser John... Pelo tanto que me falaram eu achei que você fosse mais medonho. -Ela disse tentando disfarçar seu medo. Ele sorriu.

–Sabe Megan. Esse é um erro muito comum nas pessoas, elas julgam a maldade pela aparência. E não é bem assim. Mas você sabe do eu estou falando não sabe? -Megan olha para ele.

–Como eu poderia saber? Não sou uma assassina psicótica como você John.

Ele ri.

–Megan... Você pode esconder de seu pai... Da sua mãe, até mesmo do seu namorado. Mas não pode esconder de mim. Eu sei que você se tornará um monstro... Mas tudo bem, não quero te chatear com conversas sobre o futuro... Porque não falamos sobre o passado?

–E eu tenho outra escolha a não ser te ouvir?

–Claro que não. E sendo assim vou falar sobre... Sobre o Peter... Sabe ele se apaixonou pela sua mãe a primeira vez que a viu... Ai ficaram juntos por um tempo... E depois que você nasceu, eles iam se casar, estavam completamente felizes, mas ai eu mandei meus vampiros acabarem com a paranóia dele...

–Ou seja, mandou matarem eu e minha mãe!

–Claro que não. Mandei que matassem apenas a sua mãe, de você eu precisava... Mas ai o Peter como sempre fez o seu papel de bonzinho, ele deixou vocês escondidas e seguras enquanto foi embora... Ele sempre teve essas atitudes patéticas... O que importa é que agora eu tenho você.

–Então o que esta esperando? Me leva... Pode me levar John, pode fazer o que quiser. Eu não ligo, mas solte minha mãe. Ela não tem nada a ver com suas esquisitices. Podemos fazer um acordo, você a solta e eu vou com você sem exitar!

–Acordo? Ah Meg, acabo de perceber o quão ingênua você é. Estamos no meio do nada, você esta sozinha e desarmada. Nosso acordo é o que eu decidir!

–Eu não entendo... Você já tem a mim... Porque não sai logo daqui?

–Eu estou... Como é que se diz mesmo? Aguardando o Gran finale!

Ele subiu as escadas e Meg o perdeu de vista, as palavras que ele havia dito ficaram martelando em sua cabeça, mas ela não se deixou levar, muito pelo contrário, correu até Marcela, que estava acordando.

–Mãe! -Ela disse chacoalhando-a.

–Meg... O que aconteceu?

–Se acalme, vai ficar tudo bem eu prometo. -Depois que Megan diz estas palavras Marcela acaba desmaiando de novo.

–Megan... -Sarah diz fazendo esforço -Temos que sair daqui...

Meg acentiu com a cabeça, então foi até a porta dos fundos, ela tinha certeza de que estava aberta. Ela parou em frente, e girou a massaneta fazendo o menor barulho possível, mas quando abriu a porta viu cinco dos capangas de John do lado de fora. Ela suspirou e voltou pra dentro da igreja.

–Eles nos cercaram!

Megan podia ver a decepção no olhar de Sarah ao ouvir essas palavras. Por um momento ela pensou em desistir, foi até sua mãe, sentou-se ao lado dela e começou a pensar em que o destino lhe havia reservado.

Ela queria que alguém estivesse ali, alguém que a protegesse. Porém logo esse pensamento passou, e ela quis ser uma vampira, para proteger a sí mesma. Em seguida a porta dos fundo se abriu, Joseph entrou por ela.

–Megan!

–Aonde você estava!? Pensei que tivesse ido sem a gente.

–Não importa, vou ajudar você a sair daqui.

Ele segura as correntes que prendiam Marcela, e em seguida as quebra como se não fosse nada, então faz o mesmo nas algemas de Sarah.

Mas antes que fizesse qualquer outra coisa John desce as escadas, ele encara Joseph friamente. Megan havia notado o olhar dele, ela se sentiu sensibilizada, se aquele tipo de olhar viesse de seu pai para ela com certeza a deixaria mal.

–Então ai está você. Seu maldito traidor!

–É bom saber que sentiu minha falta.

–Eu te dei uma ordem! E você simplesmente a ignorou e foi embora!

–Pelo visto estou começando a me comportar como meu pai não é? Só me preocupando comigo mesmo.

–Só com você? Não Joseph. Você ia salva-la, cá entre nós sou capaz de afirmar que ela foi o motivo da sua morte.

–O termo foi não é algo válido, levando em conta que ainda estou vivo.

–Isso é apenas um detalhe!- John diz tirando suas presas para fora.

Ele era extremamente rápido e aterrorizante, Megan colocou as mãos sobre a boca enquanto assistia aquela cena horrorizada. John estava espancando Joseph, era óbvio que ele era mais forte, mas Megan não havia imaginado que fosse tão forte a ponto de desde que começaram a brigar não ter sido acertado nenhuma vez.

Ele arremessou Joseph, fazendo-o voar pelos bancos, sua faca caiu no chão. Enquanto John se dirigia rapidamente na direção dele Megan correu até a faca e a segurou, John estava ocupado demais batendo em Joseph para perceber quando ela se aproximou, então levantou a faca e sem pensar a cravou nas costas de John, em seguida a retirou, estava encoberta de sangue.

Ela esperava que ele caísse no chão, e então morresse em seguida. Pois pelo que sabia, aquela faca matava qualquer vampiro. Mas ao invés disso, John se virou para ela. O olhar dele era de puro ódio, suas presas para fora o deixavam um perfeito monstro. Ele firmou os olhos nos olhos de Megan, em seguida olhou para a faca e a tirou das mãos dela.

Então virou-se novamente para Joseph e o pegou pelo pescoço, levantando-o pela parede. Os olhos de Megan se arregalaram ao ver John cravar a faca no coração de seu próprio filho.

–Eu diria eu sinto muito... -Megan ouviu John sussurrar no ouvido de Joseph -Mas... Eu não sinto.

Megan sentiu um aperto no coração ao ver aqueles olhos verdes se fecharem em uma expressão de inconformação. John ainda o segurava pelo pescoço, então retirou a faca e a jogou no chão. Em seguida arremessou Joseph pela janela da igreja. Megan estava estática, ela queria confrontar John, queria fazer alguma coisa. Mas simplesmente havia congelado.

–O que foi sobrinha? Ah claro... Deve ter me achado um pouco rude, não?

–SEU MANÍACO! EU TENHO NOJO DE VOCÊ! -Megan gritava histérica, aquela raiva havia tomado conta dela novamente. -COMO VOCÊ PODE!? MATOU SEU PRÓPRIO FILHO!

John sorri como um verdadeiro psicopata, então da as costas a Megan. Ele estava determinado a ignora-la. Mas no momento em que ele se virou, ela sentiu aquela raiva crescendo mais do que de todas as outras vezes. Ela sentia uma ardência por todo o seu corpo, algo queimava dentro dela.

Ela se sentia poderosa, e a cada segundo essa sensação aumentava. Então ela foi tomada por sua fúria, realmente tomada, pois tentou se controlar, mas era como se seu corpo agisse em um impulso. Ela foi até um dos bancos e o levantou sem fazer esforço, em seguida o arremessou em John, que virou-se quando o banco estava próximo.

Ele ficou parado esperando o impacto, e quando ele aconteceu John nem sequer se mecheu. Porém o banco quebrou-se ao meio, fazendo Megan perceber sua força. Quando presenciou aquela cena ela voltou em sí, estava esperando que John a atacasse, porém ele estava estático, mas seu olhar não estava focado em Megan.

–Pelo visto seu papai chegou... Aposto que estão se preparando para um entrada triunfal.

Assim que ele parou de falar Luna e Kevin entraram na igreja pelas janelas e pularam em John. Mas ele nem sequer demonstrou surpresa, simplesmente jogou os dois cada qual para um lado.

–Vamos lá irmãozinho! É só isso que você tem?

Megan olhou de relance para traz e viu que sua mãe estava se levantando atordoada. Então correu em sua direção.

–Mãe! -Ela disse abraçando-a.-Eu amo você! Senti tanto sua falta...

Megan falava rápido, mais rápido do que Marcela conseguia entender. John veio na direção das duas, ele atacaria Marcela se Peter não o interceptasse.

Ao ver toda aquela confusão Megan e Sarah levantaram Marcela e a levaram em direção a porta. Mas quando chegaram lá um vampiro as parou mostrando suas presas, elas recoaram. O vampiro entortou a barra de ferro que estava na porta, impedindo que qualquer um saísse por ali.

Megan parou em frente a uma grande cruz, e ficou apoiando Marcela, ela tentava acalma-la, porém estava sendo difícil. Sarah tentava achar algo para se defender, e enquanto isso os vampiros atacavam uns aos outros.

Mais capangas de John entraram pela janela, tornando aquela briga ainda mais feroz, Marcela assistia a cena horrorizada.

Peter junto com Luna e Kevin matam todos os capangas de John, embora não tenha sido tao facil. Ele para do lado oposto a todos. Então lentamente bate palmas.

–Uau! Realmente você se superou Peter... Meus parabéns. Agora entregue a meio sangue e eu vou embora sem machucar ninguém.

–Isso está fora de cogitação.

John da uma risada irônica. Então rapidamente corre até Marcela e a agarra, levando-a para o outro lado da igreja.

–Mãe!- Megan diz com lágrimas nos olhos. Ela tenta ir até os dois, mas Peter a segura. -Solta ela! Eu vou com você John, mas por favor não a machuque!

–Ele não vai machuca-la. -Peter diz entregando Megan nos braços de Kevin e dando um passo a frente. -Eu sei que por trás deste monstro sombrio que você se tornou ainda resta humanidade em você, e é por isso que você vai entrega-la pra mim e sair daqui.

John não demonstra reação. Então Peter volta a falar.

–Eu sinto muito John... Sinto muito por tudo, por a gente ter virado vampiro. Pelo nosso pai, por tudo. -Peter sabia que nada daquilo havia sido culpa dele, porém ele falaria o que fosse preciso para salvar Marcela- Solte-a, eu sei que ainda resta algo humano em você John, e é por isso que você vai deixa-la ir.

John fica estático, ele parecia refletir. Sua expressão de ódio, instantes depois se tornou em uma expressão de nada. Então ele soltou Marcela de seus braços. Talvez realmente tenha sobrado humanidade nele, pensou Megan.

Marcela estava completamente assustada, e tremia muito. Ela ainda não havia dado um passo desde que John a soltou.

–Eu sabia que no fundo você ainda tinha humanidade John.

John sorri, então seu sorriso desaparece e ele diz com palavras rápidas.

–Se ainda me resta humanidade, como você explica isto?

Ele corre até Marcela e em seguida a ataca, ele morde seu pescoço como um animal selvagem. Megan podia sentir a raiva naquela mordida. Então ele retira suas presas, e em um movimento rápido gira o pescoço de Marcela, que cai no chão logo depois.

–MÃE!- Megan diz correndo até Marcela.

–Isso foi pra você aprender que eu não posso ser consertado.- Ele passa por Megan e Marcela e para na frente de Peter. Então tira um canivete e o crava no coração do irmão- E isso... Isso foi porque eu quis.

John vai até a porta dos fundos e a arranca com um chute.

–Vou atrás do penúltimo ingrediente do feitiço. Quando eu achar, vamos nos encontrar de novo Megan. E se eu fosse você Peter, não impediria, ou então mais pessoas irão se machucar.

Megan olha para trás, mas John já havia ido embora. Então ela retorna seu olhar para Marcela, já não restava vida nela. As lágrimas não cessavam no rosto de Meg. Ela não sabia como superar aquilo.

Primeiro Clarice, e agora Marcela. Ela queria poder ter morrido no lugar delas, pois agora a tristeza lhe corroía. Porém o sentimento que a governava era a raiva, ela estava determinada a matar John, custasse o que custasse.